Sport laçou o boi

Por Gerson Nogueira

Quase ninguém esperava, mas o Paissandu sobrou no confronto com o Sport no Mangueirão. Jogou sempre com mais vontade, foi superior nos dois tempos e podia ter saído com um resultado consagrador. Algo como 4 a 1, sem exagero. Além do pênalti perdido por Pikachu, pelo menos quatro outras excelentes oportunidades foram desperdiçadas.
Quando a partida começou pensava-se que o rubro-negro pernambucano iria controlar as ações e envolver o Paissandu, mas aos poucos a coisa ganhou outra figura. Pikachu, Billy e Tiago Potiguar deitavam e rolavam em triangulações rápidas pelo lado direito do ataque, aproveitando as generosas avenidas proporcionadas pelo sistema de três zagueiros do Sport.

O primeiro gol não custou a sair. Aos 14 minutos, depois que Rafael Oliveira manobrou pela esquerda, saiu o cruzamento rasteiro para Adriano Magrão, que furou. Pikachu, que entrava livre à altura da marca do pênalti, botou a bola no barbante e justiça no placar.
Até aquele momento, o Sport vivia somente da pose. Sim, o time pernambucano é seguramente um dos mais marrentos do país. Seus jogadores tocam na bola como se estivessem defendendo o Barcelona brasileiro. Toques de calcanhar, trivelas e tome passe errado, bolas perdidas pela lateral etc.  
Marcelinho Paraíba, estrela da companhia, era quem mais desfilava pavulagem. Saía driblando na intermediária e quase sempre era desarmado, permitindo perigosos ataques ao Paissandu. Justamente aí começava o verdadeiro festival de gols perdidos no 1º tempo. Adriano, Rafael e Potiguar perderam grandes chances dentro da área pernambucana.


O Sport ameaçava só de vez em quando, mas seus jogadores sempre perdiam tempo com firulas e facilitavam a marcação. Só levava perigo em jogadas puxadas por Willians, seu melhor atacante. Um descuido no minuto final permitiu rápida tabela entre Moacir e Jael, que bateu rasteiro da entrada da área no canto direito de Paulo Rafael.
Principal jogador da primeira metade, Potiguar levava ampla vantagem quando partia para cima dos zagueiros. Quando não abria chance para o chute, criava sempre boas situações para Rafael e Magrão.
Depois do intervalo, o Sport voltou ainda mais dispersivo, sem ligação entre defesa e ataque. Havia um buraco no meio-campo, que o Paissandu só não aproveitava corretamente porque Cariri era peça decorativa, conseguindo ser o pior da equipe na melhor apresentação na temporada.
Apesar disso, logo aos 5 minutos veio o penal (contestado pelos pernambucanos) sobre Pikachu. Na cobrança, o jovem lateral cometeu seu único erro da noite. Dois minutos depois, bateu o escanteio que originou o gol da vitória, em cabeceio de Magrão, que estava há oito jogos sem marcar.

O Paissandu fazia o jogo dos sonhos de sua torcida. Desinibido, raçudo e veloz, o time partia confiante para cima do Sport, que tinha dificuldades imensas para se arrumar em campo. Só o cansaço de Potiguar e Rafael fez com que o jogo ficasse um pouco mais equilibrado.
Aí Mazola finalmente se deu conta da lentidão de Paraíba e resolveu se mexer. Botou Marquinhos Paraná e o paraense Jheimy, dando mais velocidade e força ao ataque. O Sport mandou duas bolas na trave e obrigou Paulo Rafael a três difíceis intervenções.
Apesar disso, o Paissandu esteve bem perto de ampliar. Extenuado, Rafael ainda errou o bote em cruzamento rasante de Potiguar e o próprio Potiguar mandou uma bola na trave. No fim, ficou a sensação de que cabia mais e que os gols perdidos irão fazer falta na definição da vaga.


 
Pode até ter sido apenas uma noite ruim, mas a desorganização do Sport chamou atenção. Como um time de primeira divisão joga com setores tão distantes e uma zaga tão lenta? Se Rafael Oliveira e Magrão tivessem a companhia de um velocista (Héliton), a goleada seria inevitável. 
 
 
O assalto à bilheteria da Curuzu, que custou R$ 18 mil (e 1 mil ingressos) ao Paissandu, fez a torcida tremer na base, recordando maus bocados da história recente do clube. Quando Geraldo Rabelo era o manda-chuva, ocorrências desse tipo eram rotineiras. Importante: jamais os lunfas eram presos.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 05)

Público de apenas 7,7 mil pagantes no Mangueirão

Jogo Paissandu x Sport-PE teve renda de R$ 138.790,00, com público pagante de 7.702.  Credenciados: 2.250

Paissandu 2 x 1 Sport-PE (comentários on-line)

Copa do Brasil – segunda fase, estádio do Mangueirão.

Paissandu 2 x 1 Sport

Gols: Pikachu, aos 14 minutos, e Jael, aos 46 do primeiro tempo. Adriano Magrão, aos 7, do segundo tempo.

(Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Ladrões atacam bilheteria da Curuzu

Três assaltantes atacaram a bilheteria da Curuzu, às 13h45 desta quarta-feira, e levaram R$ 18.040,00 em dinheiro, mais 1.000 ingressos (700 de arquibancadas e 300 de cadeiras). Os bandidos renderam os dois seguranças armados do clube e os dois bilheteiros que trabalhavam naquele momento. A informação foi divulgada em nota oficial da Diretoria.

A sentença eterna

“Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética.”

Por Ernesto “Che” Guevara.

Tribuna do torcedor

Por Carlos Scardino (carlosscardino@gmail.com)

Na sua coluna hoje no caderno Bola você acertou “na mosca” o fato do afastamento da torcida bicolor, decepções, uma atrás da outra. Isso já vem ocorrendo há 5 anos, o que é diferente do rival que há 5 anos já trocou de 3 presidentes e a cada ano há uma esperança enquanto o Paissandu há 5 anos é a mesma coisa e o presidente dizendo que tá no caminho certo. Como diz o Guerreiro, a torcida do Paissandu está perdendo o encanto. Assim como também concordo com seus comentários quanto ao Adriano Magrão. É o que vem acontecendo. Pode ser que o esquema tático do Lecheva não esteja facilitando para ele voltar a marcar gols.

Um desafio leonino

Por Gerson Nogueira

Lecheva vai segurar o mistério até a hora do jogo sobre a escalação do Paissandu para enfrentar o Sport-PE pela Copa do Brasil. Tem seus motivos. Grande parte dos problemas se localiza no meio-de-campo, justamente o setor mais estratégico. Sem Vânderson e Leandrinho, restam dois volantes de ofício para compor o setor de marcação: Billy e Neto.
O que pode garantir equilíbrio à meia-cancha é a escalação de Harison ao lado de Cariri. São jogadores de estilos diferentes, mas de boa técnica, capazes de dar consistência à saída de bola e articular as ações ofensivas. Harison organiza e Cariri conduz a bola, chegando até a grande área inimiga para o arremate.
Há também a possibilidade de uso do sistema 4-5-1, já empregado pelo próprio Lecheva no campeonato estadual. Povoar o meio-campo pode ser a melhor alternativa para evitar que o Sport se estabeleça em campo, embora nenhum dos armadores do Paissandu tenha cacoete de marcador.
A provável entrada de Rafael Oliveira deve beneficiar Adriano Magrão, que ganhará o parceiro ideal para encarar a briga na grande área. Ao lado de Tiago Potiguar ou Héliton nos jogos do Parazão, Magrão executa o papel de pivô, ficando de costas para os zagueiros e longe do gol.
Essa condição desfavorável talvez explique o incômodo jejum (oito partidas) do artilheiro com a camisa do Paissandu. Como Rafael faz bem a aproximação e também sabe prender os zagueiros, Magrão deve ter mais oportunidades para finalizar.
O Sport tem bom time, pratica o 3-5-2, mas tem altos e baixos, capaz de exibições inspiradas e de apresentações pífias. O jogo converge sempre para Marcelinho Paraíba, ao mesmo tempo organizador e finalizador. Pela experiência e talento para o chute, merece atenção especial, mas o Paissandu não pode descuidar de Naldinho e Jael. Jogo duríssimo.
 
 
Para os que estranharam a baixa quantidade (17.750) de ingressos para a partida contra o Sport, a diretoria do Paissandu explicou – com certo atraso – que a carga de bilhetes pode ser aumentada caso a demanda justifique. O clube dispõe de máquina para confeccionar ingressos na quantidade que for necessária.
Apesar da explicação, ficou no ar a impressão de que os dirigentes não levam fé no comparecimento da Fiel. O curioso é que Mazola, técnico do Sport, é bem mais otimista que a cartolagem: espera 40 mil pessoas lotando o Mangueirão. Faz sentido, afinal, com transmissão ao vivo na TV aberta, o jogo Independente x S. Paulo teve público de 22 mil pagantes.
A verdade é que a torcida alviceleste há muito tempo não lota estádios em Belém, mas é fato também que esse afastamento está diretamente ligado às constantes decepções em campo. Se o time fosse confiável, o torcedor iria de olhos fechados. Ainda assim, creio em público superior a 20 mil pagantes – caso a tal máquina de bilhetes não seja potoca.
 
 
O leitor José Miguel Batista envia mensagem, concordando com os comentários de ontem sobre a desdita de Labilá, goleiro e ídolo hostilizado pela torcida do São Raimundo após a derrota para o Paissandu. “O torcedor deveria manifestar seu descontentamento contra os dirigentes do clube, que desde a conquista da Série D nada fizeram de positivo. Contrataram mal e se envolveram em rixas pessoais, jogando o clube para o rebaixamento, deixando-o fora da Série C e, agora, fora também da elite do Campeonato Paraense”, opina Zé Miguel.
 
 
A desastrosa arbitragem holandesa no clássico Barcelona x Milan pela UCL, com dois pênaltis estranhos em favor do mandante, confirma a preocupante realidade do futebol mundial: a nova geração de árbitros é uma das piores das últimas décadas. E daqui a dois anos tem Copa do Mundo…   

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 04)