Paissandu e Santa Cruz brigam por Lineker

O jovem meia Lineker, que defendeu a Tuna no Campeonato Paraense deste ano, continua na mira do Paissandu para o Brasileiro da Série C. A diretoria chegou a oferecer salários de R$ 5 mil ao atleta, mas surgiu um impasse porque teria aparecido uma proposta superior, feita pelo Santa Cruz de Cuiarana (Salinas), cujo patrono é o senador Mário Couto (PSDB). (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Remo põe 29 mil ingressos à venda

A diretoria do Remo colocou à venda 29.200 ingressos para o jogo contra o Bahia nesta quarta-feira (21h45), no estádio Mangueirão, pela Copa do Brasil. Com 2.800 gratuidades, o público total da partida pode chegar a 32 mil espectadores. A arquibancada custa R$ 15,00 e a cadeira, R$ 40,00. Como o jogo não terá transmissão por TV aberta para Belém, a expectativa é de que todos os ingressos sejam vendidos. Postos de venda: Baenão, das 10h às 16h, até quarta; sede social da av. Nazaré; sede da FPF e Mangueirão.

Bola de Prata

Por Luiz Guilherme Piva

Não sei se era toda terça ou toda quarta.

Eu descia pedalando contra o vento e parava – o pedal no meio-fio – em frente à banca de revista. Nada no bolso ou nas mãos – era na caderneta do pai.

A Placar voltava comigo sob o sol, presa ao bagageiro, o peito apressado, cheio de alegria e cobiça. Velozes, ubíquos, os olhos se repartiam nas páginas com as fotos de craques, os esquemas de jogo, relatos, lances, cartas, histórias bonitas.

E gols.

As caras dos centroavantes, os braços dos torcedores, dentes, pernas, bandeiras, foguetes, o encapuzado, a fraude na loteria, os campeões de Sergipe, a escalação do Bordeaux. Liminha, Tião Abatiá, Iúra, Vasconcelos, Rio Negro, CEUB, Vantuir, Beijoca, Ramón de Carranza, Brandão, Pio, Perfumo, cores, gostos, tatos, fotos, nomes, a cabeça cheia de sonhos vãos.

Até pensei em crescer e jogar futebol. Ou escrever naquela Redação. Por que não? Não deu.

Depois, tudo cresceu, tudo mudou, o sol se foi, as escolas, os documentos, os amores. Hoje, ainda contra o vento e ainda o vazio no bolso e nas mãos, sigo vivendo.

(Mas nunca mais os mesmos olhos, nunca mais o mesmo sol, nunca aquela alegria, nunca de novo a Placar).

Em vão.

Semifinais em aberto

Por Gerson Nogueira

O Remo tinha tudo para vencer. Foi sempre organizado e determinado, e conseguiu marcar um gol no momento estratégico do jogo. Esqueceu apenas da velha lição de que o recuo exagerado em geral abre espaços ao adversário. Na base do abafa, o São Francisco passou os 15 minutos finais martelando em busca do empate.
Dedicou-se a cruzar bolas na área azulina até que uma delas acabou entrando. O empate, embora injusto, premiou o esforço e a persistência do Leão santareno. E, de quebra, manteve viva a briga para ir à final do turno.
Desde o começo, a partir do controle do meio-de-campo, o Remo assumiu as iniciativas e quase abriu o placar logo de cara, em lance rápido finalizado por Reis para defesa difícil do goleiro Jader. Ao longo do primeiro tempo, foram mais três chances (com Fábio Oliveira e Cassiano) para os remistas e uma para os donos da casa. 
Flávio Lopes distribuiu seu time com Juan Sosa de volante, mas frequentemente caindo para formar um trio de zaga com Diego Barros e Edinho. No meio, ficavam Jhonnatan, Reis e Magnum. Apesar da incessante movimentação dos dois primeiros, o ponto destoante era Magnum, ainda muito lento e sem recuperação.
Ainda assim, o Remo chegava sempre com quantidade e qualidade ao ataque, apoiado pelos laterais Tiago Cametá e Aldivan. Cassiano, outra vez, funcionou bem como homem de aproximação com a meia-cancha, mudando de posicionamento a todo instante e confundindo a marcação.
Do lado do São Francisco, as melhores investidas eram com Ricardinho, veloz e habilidoso, que não guarda lugar no ataque e parte sempre para cima dos zagueiros. Foi para ele o cruzamento de Maurian que quase resultou em gol santareno. A defesa jogava firme, mas não conseguia acertar a marcação sobre Reis, que chegou diversas vezes em condições de finalização.  
Depois do intervalo, os times voltaram sem grandes mudanças táticas, mas o Remo surpreendia pela presença no ataque. Teve duas oportunidades com Fábio Oliveira e Reis, mas o gol acabou saindo meio por acaso. Edinho escorou de cabeça um escanteio, aproveitando a indecisão dos zagueiros.
Quando parecia que o Remo ia matar o jogo explorando contra-ataques – Magnum teve excelente oportunidade, mas chutou longe –, veio a reação desesperada do São Francisco. Confuso nas saídas para o ataque, ressentindo-se da má atuação de Balão Marabá, o time optou por dois atacantes fortes, Léo Oliveira e Rodrigão, para disputar pelo alto com os beques do Remo. Acabou dando certo.
Enquanto Flávio Lopes botava Adenísio e sacrificava Cassiano, seu principal atacante, o São Francisco ia com tudo para a frente, sem guardar posição ou fazer jogadas de infiltração. Apenas lançava bolas na área. Em duas ocasiões, o gol quase saiu depois de falhas dos zagueiros. No terceiro cruzamento, já aos 45 minutos, a bola foi rebatida na pequena área e sobrou para Rodrigão finalizar.
Pareceu um castigo, e foi mesmo. Cuidados excessivos acabam sendo punidos pelos deuses da bola. O Remo fez o gol e desprezou o fato de que o São Francisco é um time que luta sempre até o fim. 
 
 
O Paissandu podia ter saído de Marabá com um resultado até pior, no sábado à tarde. A vitória do Águia, em gol de Flamel aos 5 minutos do segundo tempo, desenhou-se desde o primeiro tempo. Mais sólido, o time marabaense jogava como joga sempre no Zinho Oliveira, atacando forte e defendendo-se com segurança.  
Os bicolores pareciam meio de ressaca depois da grande vitória do meio de semana sobre o Sport no Mangueirão. E, obviamente, sentiam falta no ataque de um jogador com as características de Rafael Oliveira. Sem ele, Adriano Magrão voltou a ser o jogador previsível e pouco perigoso que tem sido no Parazão.
Tiago Potiguar também não reeditou o bom jogo da quarta-feira, mas parecia fora de sua característica mais expressiva, que é a condução de jogo a partir do meio-de-campo. Como segundo atacante, vira presa fácil para a marcação.
Apesar do triunfo do Águia, a atuação das equipes deixa no ar a certeza de indefinição total na decisão da vaga de finalista. O placar não permite tranqüilidade aos marabaenses e dá aos bicolores esperanças reais de reverter em Belém.
Mas, sem dúvida, o técnico Lecheva tem mais trabalho pela frente. Terá que dar um choque de realidade em sua equipe. Não dá para ficar com a cabeça dividida entre campeonato estadual e Copa do Brasil. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 09)

São Francisco x Remo (comentários on-line)

Parazão 2012 – Semifinal do returno.

São Francisco x Remo – estádio Barbalhão, em Santarém, às 18h30.

Duas apostas ofensivas

Por Gerson Nogueira

Pertencem ao São Francisco dois dos jogos mais interessantes do atual Campeonato Paraense. A vitória categórica por 3 a 0 sobre o Paissandu no estádio da Curuzu e a derrota heróica de 5 a 4 para o Cametá no Parque do Bacurau. São credenciais de respeito. Deixaram a impressão de que é sempre agradável ver o Leão santareno jogar. 
Chama atenção no São Francisco a juventude dos jogadores, o excelente toque de bola e a pegada ofensiva. É um time que não embroma, nem vive de contra-ataques. Toma iniciativa, dentro ou fora de casa. Não é estratégia, parece ser mesmo um estilo próprio. É o líder na artilharia (15 gols) do returno e tem o terceiro melhor (25) ataque do torneio.
No primeiro turno, o time fez bons jogos, mas trocou de treinador (assumiu Tiago Amorim) e acabou não chegando à semifinal. Para o returno, ganhou musculatura e consistência tática. A base é forte, tem bons talentos individuais. Jader, Cleidir (que não joga hoje), Perema, Maurian, Balão Marabá, Emerson Bala e Rodrigão.
Reina total equilíbrio no confronto direto entre leoninos de Belém e de Santarém. Uma vitória mocoronga por 2 a 0 no estádio Barbalhão sobre o Remo de Sinomar. Na volta, no Baenão, deu Remo (de Flávio Lopes), por 3 a 1.
As equipes têm uma distribuição diferente em campo, mas se equivalem na valorização da posse de bola. O São Francisco prioriza o avanço dos laterais Cleidir e Maurian, que frequentemente aparecem em condições de finalização, junto aos atacantes de ofício.
Já o Remo cultiva estilo agressivo, tendo sempre um homem de referência (Fábio Oliveira) e um segundo atacante, Cassiano, que se movimenta nas duas extremas. No meio, um volante (Jhonnatan) que sai jogando e dois meias, Magnum e Reis, que se aproximam bastante do ataque. Justamente por isso todas as expectativas para o embate de hoje são positivas.

 
 
Quando assumiu o Remo logo depois da má campanha no turno, Flávio Lopes era o que se chama de imenso ponto de interrogação. Poucos aqui conheciam seu trabalho. Lá no fundo, sua escolha pareceu mais aquele tipo de solução desesperada bem ao estilo dos grandes clubes paraenses, juntando a aposta cega com as conveniências financeiras. 
Quis o acaso que Lopes mostrasse competência na definição do time, fizesse escolhas felizes (Jhonnatan e Reis, principalmente) e indicasse bons reforços (André e Edinho). Aliou a isso boa dose de sorte, pois é preciso ter sorte até para atravessar a rua, segundo Nelson Rodrigues. Pronto. O Remo tomou jeito e desde então não perdeu mais.
Chegou à semifinal em primeiro lugar, acumulando vantagem, fato que não acontecia desde 2010. Pode até sucumbir pelo caminho, mas o invicto Lopes vai consolidando entre nós a imagem de bom profissional e de adepto do futebol ofensivo.
A comparação é inevitável. Sob sua orientação, o time marca e corre muito. Por isso, pode jogar com dois volantes e dois armadores. Marcou 14 gols e sofreu 6. Nos tempos de Sinomar, quando chegava a usar três zagueiros e três volantes, o Remo marcou 10 gols e levou 12. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)     
 
 
Felipe Melo, o Rambo da desastrada seleção de Dunga em 2010, volta a atacar com a fúria conhecida. Depois de uma discussão normal de treino, partiu pra briga e quebrou a cara de um companheiro (o espanhol Riera) no vestiário. A vítima foi parar no hospital. Obviamente, o truculento volante está a um passo de ser despachado do Galatasaray da Turquia.
Desconfio que Melo está desperdiçando suor e adrenalina no esporte errado. O vale-tudo está aí mesmo a esperar por cabras forçudos e dispostos a demonstrações explícitas de violência.
 
 
Lecheva, técnico do Paissandu, é o entrevistado de hoje no Bola na Torre (RBATV, 23h30). Guilherme Guerreiro comanda, com participações de Valmir Rodrigues e deste escriba baionense.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 08)