Bola de Prata

Por Luiz Guilherme Piva

Não sei se era toda terça ou toda quarta.

Eu descia pedalando contra o vento e parava – o pedal no meio-fio – em frente à banca de revista. Nada no bolso ou nas mãos – era na caderneta do pai.

A Placar voltava comigo sob o sol, presa ao bagageiro, o peito apressado, cheio de alegria e cobiça. Velozes, ubíquos, os olhos se repartiam nas páginas com as fotos de craques, os esquemas de jogo, relatos, lances, cartas, histórias bonitas.

E gols.

As caras dos centroavantes, os braços dos torcedores, dentes, pernas, bandeiras, foguetes, o encapuzado, a fraude na loteria, os campeões de Sergipe, a escalação do Bordeaux. Liminha, Tião Abatiá, Iúra, Vasconcelos, Rio Negro, CEUB, Vantuir, Beijoca, Ramón de Carranza, Brandão, Pio, Perfumo, cores, gostos, tatos, fotos, nomes, a cabeça cheia de sonhos vãos.

Até pensei em crescer e jogar futebol. Ou escrever naquela Redação. Por que não? Não deu.

Depois, tudo cresceu, tudo mudou, o sol se foi, as escolas, os documentos, os amores. Hoje, ainda contra o vento e ainda o vazio no bolso e nas mãos, sigo vivendo.

(Mas nunca mais os mesmos olhos, nunca mais o mesmo sol, nunca aquela alegria, nunca de novo a Placar).

Em vão.

8 comentários em “Bola de Prata

  1. Antonio lí um comentário seu do jogo do remo, onde vc dizia que vinha de Soure.
    Como é que tá a minha cidade?
    A Pérola do Marajó.
    Aliás vc é muito corajoso, pois viajar em tempo de maré grande não é pra qualquer um.

    *Desculpa aí Gerson!!!

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  2. Edson, de há muito que não ia por lá (tenho frequentado mais Cachoeira do Arari que é ali próximo), e do que me foi possível ver em 3 dias, fora o descuido com as ruas (com as asfaltadas principalmente) e a grande desorganização do embarque na balsa Soure/Salvaterra, tudo ali me pareceu excelente, o maior laser. Terra de gente muito hospitaleira, com destaque para a minha amiga Rejane, através de quem eu cumprimento todos os sourenses (será assim que se diz?). Já estamos agendando (eu e minha galerinha) um retorno para breve, agora para ficar um período maior. Quanto à travessia, eu tiro de letra a baía. Por incrível que pareça, minha esposa e cunhados, que são marajoaras da gema, é que são bastante receosos, alguns enjoam até quando a viagem é de balsa.

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  3. É isso mesmo, sourense, nada de sureba que eles não gostam muito.
    Na verdade amigo tudo que vc falou é verdade infelizmente, a vantagem é que Soure saiu das paginas de jornais, pois lá não parava prefeito, antes desse tinha até um interventor.

    Mas fique a vontade a casa é sua e volte sempre.
    Eu sei que o custo é alto, mas não deixe de ir a pesqueiro, a barra velha, ao garrote e apreciar a bela vista do Rio Paracauary.
    Comer queijo do marajó, abacaxí gelado com açucar, coró assado, bagre cozido na caldo de coco, cocada de chocolate.

    E a observar que coleta de lixo, policia etc.. tem a ajuda dos nossos ilustres habitantes, os bufalos.

    E deu pra observar que Soure encanta pelas lindas mulheres e pela torcida do papão que é maioria, e lá tem o papãozinho a fera do Marajó.

    Aliás só pra não passar batido, como o sourense gosta de falar, diáaaaaa…rs rs rs rs

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  4. Bom, de todo esta agradabilíssima dobradinha bucólica/culinária a que você se refere, sem desprezar os demais, gostaria de destacar: a vista do rio (com Salvaterra ao fundo) experimentada lá daquele hotel da oitava rua; os animais na via pública, vistos com mais freqüência a partir da 5ª rua; e o filé de búfalo com queijo do Marajó servido lá no Ilha Bela do Niel.

    Ah, também há um outro destaque que não fiz da primeira vez, por modéstia, mas que faço agora, já que você tocou no assunto: Na área dos esportes, o que vi de mais exuberante por lá foi, se não estou enganado, na 1ª ou na 2ª rua, foi um certo Clube Reação, que exibe um CR azul marinho no escudo que chega emocionar. Isso também me estimulou a agendar para breve uma tempora mais extensa por lá. E aí, me conte alguma coisa sobre este Clube Reação, vai bem ou também experimenta dificuldades como o azulino da capital?

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  5. Teve também o Avante que chegou a disputar o capeonato paraense e se sediou em Belém. Era um time formado por jovens. muitos oriundos do Guajarino (da Paróquia de Nazaré, onde surgiram o Oliveira. o Goleiro Arlindo dentre outros que depois passaram para os times grandes de Belém) e embora não possamos discordar de quem é maior torcida por conta da longa ausência de lá de Soure minha memória é também o CR naquela sede de estilo barroco circunstancialmente pomposo de cor azul marinho na rua principal

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  6. Antonio e Dorivaldo, é por isso que defendo ainda que seja com times mistos, que tanto remo, como o Paysandu, sempre devam fazer amistosos pelo interior, não deixar que nossos irmãos interioranos fiquem sem ver seus times do coração, o interior é apaixonado pela dupla, sabemos que não existe estrutura, mas o que vale é aproximar a torcida dos seus times.

    Falo isso porque Soure é um exemplo disso.
    Na verdade não é CR e sim RC, Reação Clube, que se ainda existe tem as cores do remo, já o seu maior rival era o Marajó Esporte Clube, que tinha a camisa igual a do Paysandu e a sua sede ficava de fundo pra sede do Reação, na rua de trás.
    Hoje não sei se o Marajó ainda existe, mas tem o Papãozinho, atual campeão sourense.

    O outro detalhe curioso é que o campo do São Jorge que fica no Bairro-Novo, de lá se consegue avistar o Rio Paracauary e a direita, separado por uma pequena rua fica o cemitério.

    O interior é uma festa, e remo e Paysandu precisam criar mecanismos para que os dois no futuro não venham ficar conhecidos como sendo só de Belém e sim de todo o Pará.

    * Aliás Antonio vc viu nos noticiários como o navio encalhou?
    Nessas épocas tem que ter muita coragem pra viajar, até porque nunca se sabe qual é a experiência do Comandante.

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