Morre Naná, o melhor percussionista do mundo

Nana-Vasconcelos

“Para mim, a música mais difícil é o silêncio”, dizia o percussionista Naná Vasconcelos, nas inúmeras vezes em que era questionado sobre sua extraordinária capacidade de extrair ritmos das texturas do mundo.

Perto dele, porém, não fazia silêncio.

Juvenal de Holanda Vasconcelos nasceu no Recife no dia 2 de agosto de 1944 e desde menino corria entre os tambores do maracatu. Começou a tocar profissionalmente aos 12 anos com o pai, e desde então já foi apontado oito vezes como o melhor percussionista do mundo pela revista especializada “Down Beat”.

Marcos Suzano lembra um episódio que sintetiza essa forma como Naná via a música. Em meio à tensão da gravação do álbum “Sementeira”, de 2010 (que reunia, além dos dois, Caíto Marcondes e o grupo Coração Quiáltera), o pernambucano entrou no estúdio e disse para seus colegas: “Vamos fazer uma música só com risada?”. Perplexos e animados, eles embarcam no jogo rítmico das gargalhadas e gravam a faixa “Nada mais sério”. A liberdade da ideia, arrematada com o título que deixa claro que não se trata de uma brincadeira vulgar, era puro Naná.

— Foi um dos momentos em que pensei: “Esse cara veio numa nave, não cumpriu o ritual do ser humano” — diz Suzano, lembrando como Naná tocava seu berimbau e mesmo seu próprio corpo. — Até o jeito de falar dele tinha ritmo. Não passava por sua cabeça a ideia “isso aqui é um instrumento, vamos tocar esse ritmo tal”. Era maior, era a música em estado puro. Ele era uma antena.

Em 1980, o jornalista e produtor Nelson Motta disse sobre um show de Naná com Egberto Gismonti, em Nova York: “Raro encontrar em um percussionista a delicadeza, mesmo entre os bons percussionistas. Não há que esmurrar os couros, nem que esganar os chocalhos: a percussão de Naná é viva, intensa, ágil — e no entanto não emanava de nenhuma força bruta, física apenas, ela tinha a delicadeza que o diferencia”. Foi com Egberto que Naná fez um dos álbuns mais marcantes de sua discografia, “Dança das cabeças” (1976) — em 1984, eles voltaram a trabalhar juntos em “Duas vozes”.

Apesar de acreditar que “o Brasil é o único país em que a música faz parte da vida”, Naná viveu no exterior por mais de 20 anos a partir de 1967, com algumas passagens pela terra natal. Morou na França e nos Estados Unidos, onde participou das banda de Jon Hassel, Pat Metheny, Evelyn Glennie, Jan Garbarek e gravou mais de uma dezena de álbuns. Entre 1978 e 1982, fundou o grupo de jazz Codona, que lançou três discos.

— Nunca americanizei meu trabalho, apesar de tocar com os mais diferentes músicos, do rock às orquestras sinfônicas — disse ao GLOBO em 1986. (De O Globo)

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  1. ESCALAÇÕES:

    ÁGUIA: Bruno Colaço, Léo Carioca, Charles, Bernardo e Edinaldo. Mael, Robert, Geovane e Flamel; Joãozinho e Valdanes.

    Técnico: João Galvão

    Banco: Marcelo Marabá, Marquinhos, Rodrigão, Daelson, Analdo, Reinan Héliton, Eric Lima, Wando e Tiago

    PAYSANDU: Marcão, Roniery, Fernando Lombardi, Pablo e Lucas. Ricardo Capanema. Ilailson, Raphael Luz, Celsinho e Fabinho Alves. Leandro Cearense.

    Técnico: Dado Cavalcante

    Banco: Paulo Ricardo, Crystian, Flávio, Mauro, Bruno Smith, John César, Marcelo Costa, Vélber e Wanderson.

    ARBITRAGEM:

    Árbitro: Andrey da Silva e Silva-PA

    Aux.1: Lúcio Ipojucan Ribeiro da Silva de Mattos-PA
    Aux.2: Luis Diego Nascimento Lopes-PA

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