Guga Noblat descobriu o óbvio: paneleiros são doentes

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POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

O apresentador Guga Noblat descobriu a pólvora: os paneleiros são doentes.

Ele escreveu, no Facebook, que não imaginava que, carregando uma criança no colo, pessoas que protestavam contra Dilma pudessem hostilizá-lo.

Mas hostilizaram.

Quando nem um bebê é respeitado, é porque a doença é, definitivamente, grave.

E essa doença se chama ódio. É um tipo de ódio irracional, ilógico – e perigoso.

Sua origem é facilmente rastreável. Ele deriva do enxame de colunistas que, nos últimos anos, se dedicaram a fazer uma incessante e furiosa pregação contra o PT.

As grandes empresas de jornalismo se abarrotaram de pessoas com esse perfil: gente sem limites na agressividade antipetista.

Se você olhar para trás, verá que o primeiro deles foi Diogo Mainardi, na Veja.

Logo depois, também na Veja, mas no site, apareceu Reinaldo Azevedo.

Tolstoi não se gabava de ter escrito Guerra e Paz, mas Azevedo não perde uma chance de dizer que criou a palavra “petralha”, segundo ele dicionarizada.

Aos dois se juntaria, com a mesma selvageria, Arnaldo Jabor, que começou a enxergar bolcheviques sob a própria cama e a denunciá-los com estridência em jornais, rádio e tevê.

Com o correr dos dias, o grupo foi se ampliando rapidamente. Rachel Sheherazade surgiu dentro desse quadro.

Não quisesse Silvio Santos dar sua contribuição sorridente para o ódio anti-PT, Sheherazade ainda estaria no anonimato em que sua carreira se arrastou.

Esta é uma característica comum à brigada da raiva.

Em circunstâncias normais, não seriam nada, ou quase nada. Mas deixaram claro aos donos da mídia que topariam agredir incondicionalmente Lula, Dilma e o PT. E isso lhes trouxe emprego e dinheiro fácil.

A grande ironia de tudo, e já falei disso algumas vezes, é que quem financia tudo isso é o próprio governo, pelo dinheiro bilionário que ano após ano coloca nas corporações de jornalismo dedicadas a destruí-lo.

Sobra dinheiro aos Marinhos, Frias e Civitas para sustentar e ampliar a bancada do golpe.

Uma das grandes interrogações futuras sobre os governos petistas é por que continuaram a prestigiar, com copiosos anúncios, empresas jornalísticas que são hoje, para usar a palavra de Guga Noblat, fábricas de “doentes”.

O mistério é ainda maior porque as audiências das mídias tradicionais despencaram nos últimos anos, com a ascensão da mídia digital.

Um tipo de público foi especialmente afetado pela mídia: pessoas de classe média, ou classe média alta, com pouquíssima leitura.

São os chamados analfabetos políticos.

Um caso exemplar é o do executivo fracassado Danilo Amaral, que hostilizou Padilha num restaurante em São Paulo.

Você tem que estar doente da cabeça para fazer o que ele fez. A vida de Amaral foi vasculhada pelos que se condoeram de Padilha, e hoje todo o Brasil sabe que o ponto supremo de sua carreira foi enterrar uma companhia aérea.

O que fez a fábrica de doentes com Amaral?

Aplaudiu.

Algumas pessoas notaram uma ironia nos apuros de Guga. Ele é filho do jornalista Ricardo Noblat, que em seu blog no Globo é parte do grupo semeador de ódio.

Talvez seja uma oportunidade para Noblat refletir sobre o triste papel que vem desempenhando como blogueiro.

Há um limite para agradar patrões – e este limite foi há muito tempo ultrapassado por Noblat e seus congêneres.

8 comentários em “Guga Noblat descobriu o óbvio: paneleiros são doentes

  1. Conveniência de um lado e de outro, caro Oliveira. É fato que tem se visto uma crítica pesada sobre o governo, que errou menos que FHC, muito menos que Collor, e menos ainda que Sarney e os generais. Os dados do governo petista são de diminuição drástica da miséria e da pobreza, e o aumento considerável de vagas nas universidades. Isso é um passo firme na direção de um futuro melhor.

    O mito neoliberal do estado mínimo não resolve a complexidade das relações sociais das quais o Estado é parte importante sim, pois mediador necessário à paz social. Aliás, esse é o papel mais importante do Estado na Constituição Federal de 1988, pelos valores e princípios que sustenta. Diminuir o Estado brasileiro é condenar uma parcela importante da população à escuridão. E convocar uma minoria às luzes.

    O discurso que se intenta contra o PT agora ocorre depois do grande sucesso de uma política econômica que ampliou o mercado e o emprego, e reduziu as desigualdades sociais, a ponto de madames reclamarem da “plebe” nos aeroportos, mas cuja melhora, que houve e perdura, ainda não se faz sentir plenamente pelo simples motivo de que o noticiário aliena e desinforma, que o burguês brasileiro é preguiçoso e covarde, não é empreendedor, buscando meios fáceis de ganhar a vida, e não investe em risco, como um restaurante, uma fábrica, uma loja, preferindo depósitos no exterior e reclamar de imposto de renda.

    Oliveira, como esquerdista, continuo apoiando a ideologia em que acredito simplesmente porque nego, e nego veementemente, o neoliberalismo como alternativa. Um tatcherismo ou reaganismo no Brasil, seria desastroso porque não temos poupança e nem perspectivas de futuro. Não temos colônias de onde retirar commodities, nem tanto dinheiro emprestado pros outros pra receber. Somos diferentes, Oliveira, não somos nem europeus, nem estadunidenses.

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  2. Amigo Lopes, se você considera assim eu respeito. Mas, sigo uma trilha interpretativa um tanto diferente.

    De fato, me parece que é muito conveniente pro discurso simulador muito comum da galera que propagandeia o governo, pra retórica “cortina de fumaça” governista, apanhar um gesto intolerante de alguns e expandi-lo para todos aqueles milhares que se encontram legitimamente insatisfeitos com os rumos tomados pelo governo reeleito desde o primeiro momento que ele assumiu o poder, e com maioria de razão nos últimos 24 meses. No que respeita

    De outra parte, realmente não vejo muita diferença entre o governo atual e os governos que o antecederam, máxime o do f h c, c o l l o r e S a r n e y. Valendo sustentar, para ilustrar esta enorme semelhança, esta quase absoluta identidade, que os principais expoentes de tais governos de triste memória, que os grandes aliados deste governo eram os grandes expoentes dos indigitados governos anteriores, do que resulta em práticas idênticas, inclusive o engôdo eleitoral.

    Com efeito, se as práticas são idênticas, em decorrência da influência dos aliados e da revelação da índole dos próprios assuntores do poder, resta lógico que o resultado só pode ser o mesmo, como, de fato, é.

    E a violência galopante, é um indicador veemente desta realidade. É impossível que um país onde há redução tão drástica da miséria exista uma incremento tão significativo de violência. Desenganadamente o governo destes últimos 12 anos é um portento na propaganda, no marketing, e uma autêntica tapera no que respeita à realidade.

    Ah, e quanto ao componente alienante e desinformador do noticiário, é dizer que tal não se trata de novidade, cumprindo sustentar, entretanto, que o próprio governo se vale destes componentes. Mas, é importante dizer que sabendo selecionar bem que se encontra dados confiáveis. Exemplos destes são aqueles declarados pelo próprio governo, quando não tem mais como sustentar a propaganda enganosa em que se apoia.

    Nessa linha, dentre milhares citáveis, para não abusar do espaço, podemos citar alguns poucos exemplos, dentre milhares, os relatórios da Controladoria Geral da União apontando os enormes prejuízos e malfeitos na Petrobrás. O balanço da própria Petrobras admitindo prejuízo bilionário, e, consequentemente, as mentiras que pregou nos balanços dos anos anteriores. A confissão dos cortes orçamentários na área da educação, os aumentos nos combustíveis e na energia, a inércia no que respeita à reforma agrária, os cortes nos direitos trabalhistas e previdenciários.

    Quanto a sua inclinação esquerdista e contrária ao neoliberalismo, e de sua defesa destas posições eu não tenho, nem nunca tive dúvida. Agora, seria importante que o próprio governo assumisse postura esquerdista e contrária ao neoliberalismo. Mas, isso, infelizmente, você há de convir que independentemente de todo o seu empenho, do empenho do meu irmão, do empenho do meu cunhado, de outros diletos amigos que tenho, que também seguem esta linha, o governo não vai jamais se comportar assim. In fe liz men te!

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  3. Esses blogueiros doentes – faltaram outros doentes como o AUGUSTO NUNES – ficam inventando notícias contra o maravilhoso governo petista. Isso é pura inveja, tanto que eles fabricam notícias pesarosas.

    É a chamada mídia golpista, que fica inventando notícias contra São Lula e Santa Dilma, tentando mudar a cabeça dos humildes, mas, ainda bem que eles não leem a VEJA, pois não vão gastar o dinheirinho sofrido caridosamente distribuído pelo governo fraterno do PT, através dos programas de bolsas.

    Esses jornalistas citados são doentes mesmo. E pior, conseguem ainda iludir meia dúzia dos que tem possibilidades de comprar suas tendenciosas revistas, que veiculam as mais deslavadas mentiras.

    Tudo mentira, mentira, mentira!

    Esse negócio de MENSALÃO é tudo mentira! Mentira, mentira, mentira!

    Esse negócio da compra da refinaria de Pasadena, também é tudo invenção. Isso não existe, tudo mentira! Mentira, mentira, mentira!

    Essas notícias envolvendo gente honesta do governo nos inventados rombos da PETROBRÁS é tudo sacanagem, mentira, mentira, invenção de jornalistas doidos, mentirosos, doentes, pois, nunca, em tempo algum, houve rombo na PETROBRÁS!

    Mas, o Lula fica rindo, achando graça, se lixando dessas mentiras, sentindo pena desses jornalistas mentirosos. Isso é quer é político, sem rancor, que sofre ofensas e so faz rir!

    E o pior é que esses jornalistas psicopatas acabam levando a Polícia Federal e alguns membros do MPF a provocar a prisão de pessoas honestas, inocentes, ligadas ao governo de Lula/Dilma, levando pessoas inocentes à cadeia.

    Mas, o tempo, Senhor da Razão irá mostrar essa conspiração ao conspícuo governo petista, maldosa e injustamente chamado de ptralhas, fazendo a verdadeira e inequívoca justiça!

    Vamos aguardar!

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  4. Do Manifesto Comunista e do 18 Brumário de Luís Bonaparte estão a retórica mais clara do socialismo. Este, não é o mesmo que o comunismo, é sim o mesmo que distribuição de renda e acesso ao Estado, usando verbetes atuais. Não é o não definitivo ao capitalismo, mas seu direcionamento à promessa de ordem e progresso, e, dentro de certos parâmetros, de evolução. Jacques Derrida põe em dúvida o que significa “evitar”, por Heidegger, assim mesmo, entre aspas. É que as aspas alteram o sentido de qualquer palavra. A promessa burguesa de ordem e progresso é totalmente feita entre aspas. É manifesto, também em Marx, que a corrupção é necessária ao modo de produção vigente, cabendo ao povo o papel transformador da sociedade, como na revolução francesa lhe coube, como lhe coube ser passado para trás. O erro é típico, histórico e previsível. O discurso socialista é uma promessa cumprida pelo PT, entendo, dadas as coisas como estavam lá no início dos anos 2000. E entendo que o PT poderia ir mais longe, mas desagradar a burguesia é um tiro no pé, como se vê.

    É um legado da ditadura a rejeição impensada ao comunismo e ao esquerdismo. Digo impensado, e digo bem, porque as velhas retóricas populista e coronelista discursam contra o comunismo alegando-lhe um retrocesso, baseados numa forma de pensar niilista. É esse aspecto que salta aos olhos nas manifestações anti-partidárias e é, prosaicamente, neste contexto, que a direita ganha força, num movimento de clara vanguarda fascista. É ignorando toda ideologia que o fascismo cresce e tem-se visto esta receita aplicada cotidianamente.

    A violência é sim um indicativo social muito claro de que as desigualdades sociais perduram, e é perfeitamente natural que se queira ir além de onde se tem chegado. Como disse há pouco, o erro é típico, histórico e previsível. O erro é considerar que o discurso socialista é o vencedor definitivo da disputa política no Brasil. O erro é considerar que todo partido é igual, e que toda ideologia é basicamente uma desculpa conveniente para se arriscar a enriquecer do Estado. Funcionará assim enquanto imperar o fascismo, enquanto o povo não tomar as rédeas do pensamento político. Enquanto excluído da política, o povo sofrerá violência, física e simbólica, pelo que se pode inferir de Bourdieu. O socialismo e o Estado são necessários à participação popular, que o neoliberalismo afasta definitivamente. Nesse ponto, concordo que o PT afastou-se das suas bases, e por isso tem sofrido como tem sofrido. Mas não é aceitável que a corrupção perdure por causa do PT, quando é por causa do sistema.

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