Que não tirem o prazer do jogo

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Por Gerson Nogueira

unnamed (93)A 16 dias da Copa das Copas, o Brasil parece ainda amortecido por um sentimento confuso em relação ao mundial. Diferentemente de tantas outras vezes, o país não respira ainda o verdadeiro clima de Copa. Esse sentimento sempre se traduziu no uso desenfreado do verde-amarelo nas ruas, praças e vilas de todo o país. Por ora, apenas uma parte da população parece estar na frequência certa do grande momento.
Até a apresentação dos jogadores da Seleção Brasileira, ontem, na Granja Comary, foi marcada por um inusitado protesto de professores estaduais, ávidos – como tantos outros – por alguns minutos de exposição no noticiário mundial. Sim, porque a partir de agora tudo que se relacionar com a Copa estará na pauta e na grade dos telejornais do mundo inteiro.
E é aí que o Brasil entorpecido por interesses mais ou menos difusos, com ênfase na agenda eleitoral, sofre suas maiores perdas. A Copa do Mundo vale muito, principalmente pela capacidade de projetar a imagem de um país ao planeta. A grande vitrine mundial está montada aqui, mas há quem deliberadamente queira transformá-la em vidraça estilhaçada.
areacomum07Mas, apesar desse ar macambúzio, resta a esperança no poder transformador que o futebol tem. Com a bola rolando, principalmente se a Seleção estrear de maneira empolgante, poucos terão tempo ainda para formular protestos sem pé nem cabeça e as ruas certamente irão respirar uma nova atmosfera.
Foi assim na Copa das Confederações, quando as manifestações de protesto chegaram a ameaçar a realização do torneio. À medida que o Brasil foi destroçando seus adversários em campo, arrefeceu o sentimento de indignação que alguns grupos expunham nas ruas.
A responsabilidade do time vai, portanto, além das quatro linhas. Precisa vencer para que a Copa floresça e os lucros – que muita gente tenta ignorar – apareçam, beneficiando o país em todos os aspectos.
Matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo no domingo desmente parte da lenda que se fabricou sobre o excesso de gastos com as obras da Copa. Estudos mostram que, proporcionalmente, o Brasil gastou menos que Alemanha e África do Sul na organização do mundial. Logo, as pessoas irão descobrir outras verdades, mas obviamente é tanto melhor que o esclarecimento venha acompanhado de vitórias e muitos gols.

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Uma chance de mudança para o futebol

Jogadores da chamada elite do futebol no Brasil, sob a chancela do movimento Bom Senso, apresentaram à presidenta Dilma Rousseff um plano nacional de gestão para os clubes, federações e atletas. É a primeira vez que o governo se preocupa com um setor que sempre esteve entregue à administração de cartolas e que se gabava de uma independência. Este quadro passou a ser contestado a partir da constatação de que os clubes estão falidos e que a classe dos atletas é escravizada por um sistema que só permite lucro e liberdade financeira a alguns poucos. A hora da mudança pode estar chegando.

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No fundo do poço, Águia abre o cofre

Depois de contratar o meia Leílson, o Águia anuncia a intenção de fazer mais duas contratações. Quer reforçar a zaga e o setor de marcação do meio-de-campo. A saúde financeira do clube contrasta com a fragilidade do time montado por Dario Pereyra. Para quem entrou na Série C com fortes ambições de acesso, o começo da competição revela uma realidade completamente decepcionante.
Depois de cinco rodadas, o Águia frequenta a zona do rebaixamento, ocupando a vice-lanterna do torneio, com apenas 26% de aproveitamento. O mais grave é que o time perdeu uma de suas características mais fortes: o destemor nos jogos fora de casa.
No passado, sob o comando de João Galvão, o Águia ganhou fama por vitórias heroicas fora de seus domínios. Hoje, ao contrário, coleciona insucessos. Em três compromissos como visitante, sofreu três derrotas.
A aquisição desenfreada de reforços também contraria uma velha filosofia do clube, que se notabilizou por contratar cirurgicamente, sem excessos. Nas circunstâncias, porém, parece não haver melhor alternativa para salvar a temporada aguiana, levando em conta que depois da Copa a Série C deve se mostrar ainda mais acirrada e equilibrada.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 27)

19 comentários em “Que não tirem o prazer do jogo

  1. O blogueiro vem se superando. Depois de afirmar, dias atrás, que a dinheirama (30 bilhões) gasta na copa é “só um pouquinho” e acabou “diluída” já não dá pra se surpreender com nada. Agora a insatisfação generalizada contra a copa é um “sentimento confuso”, de setores “restritos” da sociedade… Os protestos são “sem pé nem cabeça” HAHAHAHA (podem ler, está lá escrito!). Lamentavelmente, ele insiste no mesmo conceito de sempre: as vitórias do futebol vão mitigar o sofrimento do povo, lero-lero mais do que batido, e que infelizmente ainda mantém a força.

    As voltas que o mundo dá: E pensar que durante a copa de 70 a dilma estava puxando cana, como guerrilheira. Na cadeia, ela certamente torcia contra a alienação promovida pela copa do mundo, mais ainda contra a conquista do título. Agora, mais de quarenta anos depois (como as coisas mudam) ela se vê na condição de presidente, assiste os jogos de braço dado com Marín, que apoiou a ditadura, e se vê obrigada a gastar bilhões com um evento inútil e, mais ainda, a torcer pelo título porque irá ajudar na eleição. O mundo gira e colocou dilma no lugar dos que a torturaram e ela está se saindo bem pior do que eles. Já anunciou há tempos que não vai fazer discurso na abertura da copa (pode isso? já tinham visto copa sem discurso do presidente?) e, de seu gabinete, ela assiste o caos em que o brasil se transformou no seu (des)governo. Saques, greves abusivas em SP, sem teto, sem terra, tudo fora de controle…

    Não importa o “custo relativo” da copa. Está explícito o desrespeito com o cidadão num país que tem dezenas de outras prioridades. Seria preciso resolver todos os problemas sociais antes de gastar dinheiro com um evento inútil. Quem defende a copa? Os que vão faturar com ela ou os analfabetos funcionais que decoram as ruas.

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    1. Não há contradição ou desinformação no que escrevi, cidadão. São informações publicadas por um dos principais arautos do conservadorismo (faz oposição declarada a Dilma) brasileiro. Informe-se melhor. Quanto ao papel da presidenta, obviamente que sob circunstâncias completamente diversas ela deve ter torcido contra na Copa de 70. Hoje, porém, sob plena democracia (apesar dos percalços e das desesperadas tentativas golpistas), ela governa um país que ostenta números absolutamente elogiáveis quanto a geração de empregos, elevação do nível educacional (nunca se criou tantas universidades federais), crescimento econômico e políticas públicas de inserção social. O tal desgoverno, citado por você, é a senha dos tucanos nos últimos dois anos, tentando tornar realidade o que o Brasil das ruas não vê. Insegurança, corrupção e serviços públicos deficientes não são primazia do governo Dilma. Novamente, recomendo informar-se melhor sobre a história recente do país.

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  2. Bom dia. Não que haja desinteresse pela Copa na minha opinião, como pode fazer parecer essa falta de atmosfera. Mas sim, as pessoas começam a tratar o futebol como algo não tão fundamental como outras tantas coisas, e isso já vem de algumas copas. Nada se compara com o clima vivido em 82 e que apenas arrefeceu mas foi marcante até 94. A internet dá uma possibilidade incrível de se inteirar sobre tudo no mundo e no Brasil e aí, Copa só quando a bola rolar mesmo. A vida está mais frenética, o trabalho, a faculdade e as escolas mais exigentes. Mesmo no dia a dia, encontramos cada vez mais pessoas que não dão tanta importância a um determinado jogo. E quanto aos nossos problemas, eles até sempre existiram mas a rapidez e universalidade da internet os amplifica e faz amedrontar a todos. Apenas uma análise que pode ser boba, mas passa por aí. Com a palavra os sociólogos, antropólogos, cientistas políticos etc

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  3. Maurício tem razão em vários aspectos, mas não se pode negar o grau de radicalização política da atmosfera eleitoral que tomou conta do país.

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  4. Maurício, estando de um modo geral de acordo com sua análise nada boba, só me permito acrescentar que o uso do futebol e das participações da Seleção em copas como instrumento de uso político sempre foi repudiado. Quem não lembra do futebol ser tratado como o ópio do povo? Ocorre que quem antes repudiava a administração do ópio é hoje quem está administrando este mesmo ópio.

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  5. Acredito que quando parar todos os campeonatos, A B e C.. Regionais… Aí sim, o torcedor só pensará em Copa do Mundo… Aqui, caso o Paysandu vença o 2º turno, Parazão só acabará dia 08/06… com o 1º jogo marcado para 04/06.. Ruas, já começaram a ser enfeitadas…. Aliás, amigo Gerson poderia abrir um post como ele já faz, mostrando as ruas enfeitadas para a Copa, no País, mas dessa vez, com as ruas enfeitadas de quem participa do blog…É só uma ideia, até o início da Copa…

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  6. Concordo plenamente com a forma como você aborda quando diz “A grande vitrine mundial está montada aqui, mas há quem deliberadamente queira transformá-la em vidraça estilhaçada”. Só acho que tudo é hoje em dia vira noticia e tem gente que acredita.
    Todos os dias acompanho as seguintes comparações no Blog, o mundo do governo, que só enxerga acertos versus os governos locais de oposição, com o seu legado maldito e falhas recorrentes. Isso não é por si só o suficiente para reforçar a ideia que o Brasil tem muitas falhas e algo precisa ser feito? Olha que a base do Blog é futebol – musica – jornalismo, imagine os que trabalham exclusivamente com a finalidade de reforçar os radicais “contra-copa” que possuem a capacidade de analise e discernimento no mínimo “limitada”. Os oportunistas se alimentam nessa fonte. Sei que Copa não tem relação direta com as ações politicas, mas tem gente que não sabe, tem gente que não quer saber, só quer ver o circo pegar fogo.
    Esse grupo confunde confundindo ações de governo com ações de partido.
    O oportunismo é parte do jogo. Acho que será reduzido o pó quando a seleção vencer o primeiro jogo.

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  7. É claro que a copa tem relação direta co ações políticas! A própria copa é uma ação política. Foi trazida para o Brasil para ajudar os PTralhas a ganhar a eleição. E tudo será feito dentro e fora das quatro linhas para que a seleção vença, o que será favorável nas urnas, pois vivemos num país de analfabetos funcionais.

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  8. É verdade que eu concordo que as manifestações de protestos durante a copa é oportunismo puro mas não posso concordar com o bloguista quando nega a legitimidade (os motivos existem e são muitos) dessas manifestações e que sempre procura varrer pra debaixo do tapete toda a sujeira, gastos excessivos, atrasos, envolvidos.

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    1. Não nego a legitimidade de muitas reivindicações, Gleydson. Critico a oportunidade dessas manifestações, visivelmente coincidentes com a agenda eleitoral. Apenas isso.

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  9. Amigos comentaristas, o Sr. Gerson defende Dilma(PT) e por tabela seu patrão Jáder(PMDB) e, antes de tudo, o seu salario(emprego). Tudo normal, não fosse Jáder o que é. Durante a greve dos jornalistas próxima passada, ao ser questionado pq de sua não adesão ao movimento paredista, saiu pela tangente, com argumentos esdrúxulos. Varios profissionais, não só do grupo RBA, estão tendo ganho de causa na Justiça e reintegrados em seus cargos. O blogueiro ainda se diz de esquerda. Só se for aquela que não se alinha com nenhuma das tendencias internas petistas. Em tempo : E que dizer de Lula cumprimentando(ou seria “reverenciando” ?) Maluf(um dos maiores ladrões de dinheiro público) em SP. E Collor afagando e sendo afagado por Dilma, após o mesmo ter “entregue” o tempo de TV e radio de seu partido ao PT. O tempo de ” bazar ” chegou.Onde vende-se, literalmente, a alma, e de tudo, menos a mãe que não tem valôr nesse mercado. Te dizer….Em 28.05.14, Marabá-PA..

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    1. Luís, você não me conhece. Está me julgando pelas minhas opiniões e posicionamentos no blog. Por isso, até por questão de civilidade, respeitar as pessoas. Sou um trabalhador como qualquer outro e a greve a que se refere teve adesão de uma minoria dos componentes da redação do jornal, envolvendo um grupo de 14 iniciantes e 4 profissionais mais experientes, isto num universo de 122 jornalistas. A maioria dos profissionais que dirijo não apoiou a paralisação, embora concordando com reivindicações pontuais. Estou falando de questões muito internas e específicas da minha profissão, que você certamente desconhece. E, embora respeitando o direito de greve, manifestei claramente minha posição durante o episódio. Isto é ser atrabiliário ou reacionário? Não, é ter consciência do que deve ou não ser feito. Jamais fugi às minhas responsabilidades. Quanto aos meus patrões, são exatamente isso: os meus patrões. Se você tem algo contra eles, tome os caminhos legais que qualquer cidadão deve tomar, só não fique detratando e insultando sem motivos.

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