Um corpo estranho no mundo do futebol?

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Por Fabio Chiorino

É como uma atração à parte, uma incoerência que chama a atenção dos primatas. Assim é o comportamento dos homens diante de Fernanda Colombo, que fez um ensaio como modelo nos últimos dias, mas anunciou que deseja seguir a carreira como auxiliar de arbitragem.

“Musa da Bandeira”. Parte da imprensa esportiva logo tratou de cravar uma alcunha marota, que aumentasse a exposição daquele absurdo em campo. Sim, absurdo. Porque na cabeça do técnico Muricy Ramalho existe algo errado. “É bonita mesmo, mas tem de bandeirar melhor”, afirmou após o jogo do São Paulo contra o CRB. Como se os elementos beleza e técnica fossem obrigatoriamente relacionados.

E o que diremos então de Alexandre Mattos, diretor de futebol do Cruzeiro? “Se é bonitinha, que vá posar para a Playboy, não trabalhar com futebol”, afirmou, após a derrota por 2 a 1, ontem, no clássico contra o Atlético Mineiro. O machismo em sua essência. Ofensivo, atroz, deselegante, covarde.

Não se trata de defender Fernanda Colombo como auxiliar; trata-se de defendê-la como mulher. Falhou muito nos últimos dois jogos que atuou. Mas que seja avaliada apenas por isso. Até mesmo afastada, dependendo da avaliação da Comissão de Arbitragem. Entretanto, não há espaço para qualificá-la tendo como critério o comprimento do seu shorts.

É o que fez o jornal Extra, por exemplo, num desserviço monstruoso. Uma aula de jornalismo canalha. Uma masturbação pública e completamente fora de propósito. Até mesmo as legendas das fotos expõem o modo ridículo como alguns homens enxergam a mulher participando do espetáculo quase como uma intrusa. É como se dissessem: “É bonita? É gostosa? Então vamos focar nisso. Não se esqueçam de montar mais uma galeria de fotos”.

Um lembrete a Alexandre Mattos. Dinei e Túlio Maravilha, dois ex-jogadores com passagens pelo Cruzeiro, posaram para a G Magazine. Aparentemente, isso não impediu de trabalharem com futebol ou mesmo vestirem a camisa celeste. Talvez o diretor queira mudar o exemplo. Não apagará sua declaração, mas ao menos poderá recuperar a lógica do seu raciocínio estúpido.

Tradutor italiano denuncia blogueira cubana

Por Marcos Pedlowski

Quem não se lembra da passagem meteórica pelo Brasil da “blogueira” cubana Yoani Sánchez que foi recebida no Brasil com tapete verde-amarelo pela direita tupiniquim, e em especial por órgãos da mídia corporativa. Agora, eis que o tradutor oficial de Yoani no jornal italiano “La Stampa” nos últimos seis anos, Gordiano Lupi, acaba de lançar uma espécie de carta-testemunho que detona a sua imagem de paladina da democracia em Cuba. Uma questão interessante nessa carta é a questão levantada por Lupi: a quem serve Yoani, ao castrismo ou aos exilados de direita em Miami? (Abaixo minha tradução do original italiano)

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YOANI SÁNCHEZ, SEU JORNAL É A MINHA LIBERDADE

Por Gordiano Lupi

Yoani Sánchez encerrou o contrato com a La Stampa e fez-me um homem livre, porque até ontem eu não poderia dizer que ele estava pensando, mas apenas fazer a tradução de suas falas. Agora que eu já não tenho qualquer ligação e que os interesses dos mais ricos e blogueira mais premiada do mundo são administrados por seu agente, Erica Beba, eu posso tirar meus sapatos de pedra que me estavam fazendo mal.

Eu cometi o erro de acreditar na luta Yoani Sánchez, acreditar que era uma luta de David e Golias, uma luta que foi a partir de baixo para combater o poder, uma luta idealista pela liberdade de Cuba. Agora eu tenho que explicar – ao som de amargas decepções – que a oposição Yoani era letra morta, para não mencionar confortável, como se para fazer o mundo acreditar que em Cuba não há liberdade de expressão. Comecei a duvidar de que Yoani não era tanto uma agente da CIA- como diziam seus detratores – como a família Castro, mas uma assalariada para jogar areia nos nossos olhos. Mas mesmo se não fosse nada disso, bastaria dizer que eu percebi que você tem que lidar com uma pessoa que dá prioridade aos interesses de todo idealista. Um blogueira que leva a sua vida tranquila em Cuba, que ninguém sabe e ninguém incomoda, e que não é ameaçada, presa, silenciada, que não tem nenhum problema para entrar e sair da sua terra. Por seu belo rosto recebi ofensas e ameaças de seguidores de Fidel Castro e de comunistas italianos, para partilhar de uma luta que não existe, um sonho de liberdade esperado por muitos, mas certamente que não é dela, que só pensava no dinheiro proveniente de doações e contratos. Nesse ponto, eu não sei se Yoani Sánchez é uma agente da CIA ou da Revolução Cubana. Eu não sei e não me importo em saber. Eu só sei que não é a pessoa que eu pensava. E isto é suficiente para mim.

Um episódio que me abriu os olhos à realidade, correu há mais de um ano atrás, quando eu mandei a minha sogra à casa de Yoani para pedir esclarecimentos sobre uma viagem à Itália. Bem, eles a fizeram esperar nas escadas. Nem sequer a deixaram ir para um quarto. Um comportamento muito estranho para o povo cubano. Eu deveria ter acreditado na minha sogra, quando ela me disse: ” Essas pessoas não lutam pela liberdade de Cuba Elas estão interessadas ​​apenas encher os bolsos”. Eu não acreditei na minha sogra e estava errado. Eu acreditava em uma luta ideológica que não existia. Na verdade, o objetivo de Yoani Sánchez foi sempre a de se tornar rica e famosa. Agora, ela conseguiu. Agora poderá ficar longe de mim , pois eu mesmo perdi o direito de voltar a Cuba, enquanto a princesa de blogueiros pode entrar e sair, como se fosse uma mosca que fica zumbindo em Havana e um pouco em Miami. A palavra borboleta não combina com ela, pois mosca-varejeira é o termo mais apropriado . Agora Yoani Sánchez vai abrir uma falsa revista , como as chamamos aqui na Itália , que poderá ser traduzida por outra pessoa, pois eu não irei. Um falso jornal como a “La Avanti” de Valter Lavitola , com todo o respeito para Lavitola. Yoani vai abrir um jornal , junto com seus amigos, que ninguém em Cuba não vai ler, porque só estará disponível online. Mas o que isso importa? Ela apenas quer alguém para financiá-la, e que será lido em Miami e na Espanha, onde a comunidade cubana continua a se iludir com uma paladina inexistente.

Até agora, viajamos bastante juntos, querida Yoani. Mas suficiente é suficiente. Continuarei minha jornada sozinho, longe de suas ambições. Ele também toca Cuba é claro, que faz parte da minha vida, embora muitos cubanos tenham me decepcionado . Vou tentar não pensar sobre isso, por respeito a minha esposa, que é cubana, e não tem nada a ver com a sua arrogância burguesa. E como Fidel Castro disse que a história vai decidir, vamos ver quem vai ser absolvido.

FONTE: http://www.tellusfolio.it/index.php?prec=%2Findex.php&cmd=v&id=17330#

Copa para quem e para quê?

Por Juca Kfouri

20140512-135621Para que serve uma Copa do Mundo?
Os preparativos para o mundial da Fifa ocorrem da mesma forma nos países desenvolvidos e naqueles ainda em desenvolvimento?
Violações de direitos acontecem em todos eles?
São algumas das perguntas que o livro “Copa para quem e para quê?
Um olhar sobre os legados dos mundiais no Brasil, África do Sul e Alemanha” se propõe a responder.
Organizada pela Fundação Heinrich Böll (FHB), a publicação foi lançada durante a II Conferência Internacional Megaeventos e Cidades, que aconteceu em abril no Rio de Janeiro.
O livro analisa os preparativos das Copas da África do Sul, da Alemanha e do Brasil, e mostra como as ações da Fifa, dos governos e das empresas patrocinadoras mercantilizam cada vez mais os espaços públicos, com a justificativa de benefícios futuros para os povos dos países que sediam os eventos.
De acordo com as análises, na Alemanha o legado está ligado ao ganho simbólico durante o chamado “verão de contos de fadas” em que ocorreu a Copa, no qual os alemães foram apresentados ao mundo como um povo festivo e amigável.
O legado da África do Sul também trouxe mudanças na imagem do país, mas o que sobressaiu foram as violações de direitos, como as remoções forcadas para áreas “provisórias” de moradia, nas quais inúmeras famílias permanecem até hoje vivendo em condições precárias.
Uma semelhança evidente com o que hoje ocorre no Brasil, onde 250 mil pessoas sofrem ou estão em processo de remoção por conta dos megaeventos, segundo estimativas dos comitês populares da Copa.
O livro também aborda outras semelhanças entre Brasil e África do Sul, como o endividamento público para a construção dos estádios e as prisões arbitrárias, como as que ocorreram durante a Copa das Confederações.
Assinam os artigos: Christian Russau, jornalista alemão e ativista de direitos humanos; Laura Burocco, pesquisadora em políticas urbanas e desenvolvimento, doutoranda da ECO/UFRJ; Glaucia Marinho, Mario Campagnani e Renato Cosentino, jornalistas da Justiça Global e integrantes do Comitê Popular da Copa do Rio e da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop). Dawid Bartelt e Marilene de Paula, da FHB Brasil, organizaram a publicação.
A publicação pode ser solicitada por email (info@br.boell.org) e estará disponível em breve no site da Fundação (http://br.boell.org/). A distribuição é gratuita. 

Dever cumprido, apesar dos sustos

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Por Gerson Nogueira

Competição marcada por grande equilíbrio, a Série C não permite tropeços caseiros. Para se manter vivo na competição, os times devem sempre se garantir dentro de seus domínios. O Paissandu seguiu à risca esse receituário e derrotou o ASA-AL por 1 a 0, sábado à noite, em Castanhal.

Sem o calor da torcida – time cumpre punição por episódios envolvendo gangues uniformizadas na Série B 2013 –, o bicampeão paraense tomou a iniciativa do jogo desde os primeiros movimentos, padecendo com as conhecidas dificuldades de criação no meio-de-campo.
unnamedCom três volantes, o time de Mazola Junior se defendia com eficiência, mas quase nunca conseguia chegar com qualidade à área alagoana. O artilheiro Lima ficava isolado entre os zagueiros, enquanto o atacante Jô buscava chegar pela esquerda, revezando-se com o lateral Aírton.
unnamed (97)O ASA baseava seu jogo na espera, mantendo-se muito recuado nos primeiros 20 minutos. Com subidas constantes pela direita, Djalma e Pikachu levavam ampla vantagem sobre a marcação improvisada de Talyson. Leandrinho, pela direita, era a peça mais avançada do ASA. Chegou a invadir a área, numa sequência de dribles, mas Paulo Rafael defendeu bem.
Até que, aos 40 minutos, uma bola cruzada por Djalma foi rebatida pela zaga e caiu nos pés de Charles. O zagueiro lançou na área, Jô raspou de cabeça e Pikachu recebeu de frente pro gol. O chute saiu à meia altura, com endereço certo.
A vantagem parcial fez com que o Paissandu voltasse para o segundo tempo bem mais tranquilo, buscando tocar a bola e explorar o contra-ataque. Acontece que o ASA voltou do mesmo jeito, fechado atrás e raramente se aventurando no ataque.

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Lima, aos 11 minutos, apareceu finalmente no jogo, recebendo pela esquerda e mandando um tiro rasteiro e cruzado, que passou rente a trave do goleiro Marcão. O lance parece ter despertado a equipe alagoana, que partiu para uma sequência de ataques, acuando o Papão em seu campo.
unnamed (50)Tiago Frutuoso, Talyson e Didira criaram várias situações de perigo e Paulo Rafael fez três importantes defesas a partir dos 35 minutos. A pressão era desordenada, mas constante. Sem Augusto Recife (substituído por Billy), seu melhor passador, o Paissandu não conseguia administrar o resultado e perdia o duelo na meia cancha.
No fim, o presidente Vandick Lima admitiu que o time teve sorte em conquistar a vitória. Mazola reclamou da maratona de competições e lamentou a ausência forçada da torcida. Ambos, porém, festejaram o excelente resultado. Quanto à sorte, não é fator que desmereça ninguém. Afinal, dizia Nelson Rodrigues, é preciso ter sorte até para chupar picolé.

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Inter e Flu ensaiam disparar no Brasileiro

É muito cedo para cravar favoritismos, afinal a Série A está apenas na quarta rodada. A questão é que nos últimos anos o começo da competição é determinante para a classificação final. Por ora, Fluminense e Internacional começam a impressionar pela consistência técnica, valendo-se de elencos caros e mais qualificados. Impressiona, na parte de baixo, o péssimo início do futebol catarinense. Criciúma, Chapecoense e Figueirense seguem firmes na zona do rebaixamento.

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Quando a matemática entra em campo

E eis que surge mais um especialista inglês dedicou horas de pesquisa e cálculo para esmiuçar algumas verdades não escritas do nobre esporte bretão, conforme matéria exibida no programa “Fantástico”. Para começo de conversa, ele decreta que, ao contrário do que imaginam nossos técnicos, em 89% das vezes escanteio (e cobranças de falta) não dá em nada.
Ele também contesta algumas certezas. Por exemplo, técnico que substitui antes dos 12 minutos do segundo tempo tem mais chance de se dar bem. Nesse caso específico, a estatística flerta com a Lei de Murphy: quem espera demais quase nunca alcança.
Outra bomba do metódico pesquisador: quem abre série de penalidades tem mais de 60% de chances de vencer. Ele revela também que índice de acertos nos penais é de quase 70%, mas alerta: o último batedor quase sempre fracassa. Há menos de 15% de acerto no chute derradeiro.
E a velha crença de que os craques são os jogadores mais importantes de um time é parcialmente abalada. Segundo ele, jogadores ruins são mais decisivos, no mau sentido. Eles são os causadores da maioria das derrotas. Grosso modo, segundo a cartesiana análise, é mais importante reduzir a quantidade de pernas-de-pau no time do que aumentar a presença de craques.
É, pode ser.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 12)