Por Gerson Nogueira
A 16 dias da Copa das Copas, o Brasil parece ainda amortecido por um sentimento confuso em relação ao mundial. Diferentemente de tantas outras vezes, o país não respira ainda o verdadeiro clima de Copa. Esse sentimento sempre se traduziu no uso desenfreado do verde-amarelo nas ruas, praças e vilas de todo o país. Por ora, apenas uma parte da população parece estar na frequência certa do grande momento.
Até a apresentação dos jogadores da Seleção Brasileira, ontem, na Granja Comary, foi marcada por um inusitado protesto de professores estaduais, ávidos – como tantos outros – por alguns minutos de exposição no noticiário mundial. Sim, porque a partir de agora tudo que se relacionar com a Copa estará na pauta e na grade dos telejornais do mundo inteiro.
E é aí que o Brasil entorpecido por interesses mais ou menos difusos, com ênfase na agenda eleitoral, sofre suas maiores perdas. A Copa do Mundo vale muito, principalmente pela capacidade de projetar a imagem de um país ao planeta. A grande vitrine mundial está montada aqui, mas há quem deliberadamente queira transformá-la em vidraça estilhaçada.
Mas, apesar desse ar macambúzio, resta a esperança no poder transformador que o futebol tem. Com a bola rolando, principalmente se a Seleção estrear de maneira empolgante, poucos terão tempo ainda para formular protestos sem pé nem cabeça e as ruas certamente irão respirar uma nova atmosfera.
Foi assim na Copa das Confederações, quando as manifestações de protesto chegaram a ameaçar a realização do torneio. À medida que o Brasil foi destroçando seus adversários em campo, arrefeceu o sentimento de indignação que alguns grupos expunham nas ruas.
A responsabilidade do time vai, portanto, além das quatro linhas. Precisa vencer para que a Copa floresça e os lucros – que muita gente tenta ignorar – apareçam, beneficiando o país em todos os aspectos.
Matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo no domingo desmente parte da lenda que se fabricou sobre o excesso de gastos com as obras da Copa. Estudos mostram que, proporcionalmente, o Brasil gastou menos que Alemanha e África do Sul na organização do mundial. Logo, as pessoas irão descobrir outras verdades, mas obviamente é tanto melhor que o esclarecimento venha acompanhado de vitórias e muitos gols.
Uma chance de mudança para o futebol
Jogadores da chamada elite do futebol no Brasil, sob a chancela do movimento Bom Senso, apresentaram à presidenta Dilma Rousseff um plano nacional de gestão para os clubes, federações e atletas. É a primeira vez que o governo se preocupa com um setor que sempre esteve entregue à administração de cartolas e que se gabava de uma independência. Este quadro passou a ser contestado a partir da constatação de que os clubes estão falidos e que a classe dos atletas é escravizada por um sistema que só permite lucro e liberdade financeira a alguns poucos. A hora da mudança pode estar chegando.
————————————————————
No fundo do poço, Águia abre o cofre
Depois de contratar o meia Leílson, o Águia anuncia a intenção de fazer mais duas contratações. Quer reforçar a zaga e o setor de marcação do meio-de-campo. A saúde financeira do clube contrasta com a fragilidade do time montado por Dario Pereyra. Para quem entrou na Série C com fortes ambições de acesso, o começo da competição revela uma realidade completamente decepcionante.
Depois de cinco rodadas, o Águia frequenta a zona do rebaixamento, ocupando a vice-lanterna do torneio, com apenas 26% de aproveitamento. O mais grave é que o time perdeu uma de suas características mais fortes: o destemor nos jogos fora de casa.
No passado, sob o comando de João Galvão, o Águia ganhou fama por vitórias heroicas fora de seus domínios. Hoje, ao contrário, coleciona insucessos. Em três compromissos como visitante, sofreu três derrotas.
A aquisição desenfreada de reforços também contraria uma velha filosofia do clube, que se notabilizou por contratar cirurgicamente, sem excessos. Nas circunstâncias, porém, parece não haver melhor alternativa para salvar a temporada aguiana, levando em conta que depois da Copa a Série C deve se mostrar ainda mais acirrada e equilibrada.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 27)


Deixe uma resposta para Luis Sergio Anders CavalcanteCancelar resposta