O lado negro da força

Por Gerson Nogueira

Dois episódios expressaram nesta segunda-feira, com fidelidade arrasadora, a verdadeira face da gestão do futebol no Brasil. O diretor de Seleções da CBF, Andrés Sanchez, revela publicamente seu menosprezo pelo estilo de jogo do Barcelona, considerado por ele um reles “time de fase”.
Como cartola de clube (é ex-presidente do Corinthians) ou torcedor, Sanchez pode ter a opinião que quiser. Duvido que alguém se importe como o que ele diz ou pensa. Mas, como diretor da Seleção pentacampeã do mundo, a conversa é outra.
Suas palavras ganham verniz oficial e é inaceitável que seja tão desinformado sobre o melhor futebol praticado hoje no mundo. Diminuir a importância do Barcelona é um desserviço, pois valoriza a arrogância que domina a Seleção Brasileira há alguns anos.
O grande time catalão pode até não conseguir preservar por muito tempo o estilo atual, baseado na técnica e na habilidade, mas já impôs uma tendência mundial. A maior contribuição do Barcelona de Guardiola e Messi é provar a todos ser plenamente possível vencer, ganhar títulos e jogar bonito. Desmente um mantra defendido a ferro e fogo no Brasil pela patota de Parreira, Zagallo, Dunga & cia. durante anos.  
No mesmo dia, a CBF convoca entrevista coletiva para anunciar supostas novidades. Na prática, nada mais que um exercício de babação de ovo para o novo manda-chuva, com direito a transmissão ao vivo através de um dos canais de TV paga controlados pela Globo.
Significativo esse detalhe, pois confirma a manutenção de um velho compadrio entre a entidade controladora do futebol brasileiro e a emissora que detém os contratos de exclusividade dos principais torneios. Relação que data dos tempos de João Havelange, floresceu no reinado de Ricardo Teixeira e há de se perpetuar no mandato de José Maria Marin.
Quando esses conchavos se fortalecem, a história mostra que o futebol sempre sai perdendo. Uma evidência disso é que o ensaio de rebeldia entre federações estaduais morreu no nascedouro. Bastaram duas reuniões entre o novo coronel e a cartolagem se rendeu, submissa e silente.
Para sacramentar os velhos esquemas, a CBF saiu distribuindo mimos. Escolheu a presidente de um grande clube, Patrícia Amorim (Flamengo), e um cartola catarinense para chefiar respectivamente as delegações de futebol feminino e masculino aos Jogos de Londres.
Os clubes, que mantêm viva a paixão futebolística, ignoram sua própria força e afundam na subserviência. Palanqueiro, Marin convocou Patrícia para emoldurar a mesa e apresentar um cala-boca nos principais clubes. Em baixa na Gávea, a dirigente mostrou-se até comovida ante os salamaleques do novo chefão.
O detalhe mais simbólico do show foi o gesto público de agradecimento do dirigente catarinense, quase beijando Marin pelo convite para ir à Olimpíada de Londres passear. No final, todos “se” aplaudem. É a essa gente que estão entregues as rédeas do nosso futebol. Oremos.
 
 
Preocupação com o futebol está longe de ser a prioridade de grande parte da cartolagem papachibé. Domingo, depois do empate com o Remo, um dirigente do São Francisco teve a pachorra de invadir o gramado para insultar o trio de arbitragem, acusando-o de prejudicar seu time. Ainda que isto fosse verdade (e não foi), a atitude deve ser repudiada por todos que prezam a boa prática desportiva. Na verdade, ficou a impressão de que o cartola jogava para a platéia, buscando capitalizar a paixão do torcedor. Ano eleitoral, como se sabe, é sempre pródigo em presepadas desse tipo.
 
 
Quando é alvo de algum sarro, Barrichello costuma reclamar de perseguição e diz ter carregado o fardo da ausência de Senna, o que não é bem verdade. Bom piloto, mas dado a trapalhadas e chororô, Barrica deveria erguer as mãos ao céu pelas chances que teve na F-1 e, principalmente, pela fortuna que amealhou na categoria.
Não satisfeito, trata agora de robustecer o anedotário a seu respeito com esse patético pedido público de emprego na Ferrari, justamente a escuderia da qual saiu cheio de ressentimentos e jurando jamais voltar. Vá entender a cabeça do ás da Mooca… 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 10)

6 comentários em “O lado negro da força

  1. Délio,

    Não confundamos originalidade com verborragia ignorante e barata. Partindo de quem partiu a declaração sobre o melhor futebol do mundo hoje (de um torcedor-trambiqueiro-dirigente-ignorante), logo não se deve levar muito em conta a “análise”.

    Sobre a cartolagem nacional Gerson, somente um processo de ruptura e clamor popular podem mudar as coisas. E esse processo pode se concretizar sabe quando? Em 2014, com a perda (a 2ª em casa) da Copa do Mundo. Não torcerei contra o selecionado, mas justamente pela oportunidade de mudanças radicais com o revés, não ficarei triste se perdermos mais essa.

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  2. Mas, a verdade é que seria muito bom para o futebol mundial se a excelência da bola que joga atualmente o Barcelona fosse tão longeva quanto a perniciosa administração do esporte que de há muito, muitíssimo, muito mesmo, vem sendo realizada pelos Havelanges, Blateres, Teixeiras e cia ilimitada.

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  3. Diz o dr.Alonso que este sujeito era um feirante.Até se envolver com o futebol.Acho que ainda ouviremos muitas preciosidades do corinthiano.E quem não for corintiano se prepare.Com ele na CBF a proteção ao time mosqueteiro vai ser ampliada.

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  4. Caro Gerson Nogueira: Li seu comentário a respeito da pachorra (?) da invasão de dirigente do São Francisco para reclamar da arbitragem e gostaria de esclarecer o episódio:
    1- Fui eu quem entrei em campo após a partida para reclamar da arbitragem. Sou um dos médicos do clube e um colaborador do São Francisco e não mais diretor (deixei o cargo de vice presidente há alguns meses). Somente fui médico naquele jogo devido viagem do chefe do Departamento Médico do clube. Assumo que errei em entrar em campo para reclamar, e não para insultar, da pífia arbitragem do Sr Dewson, opinião compartilhada não só por mim, mas por grande parte da torcida e imprensa santarena. Apesar do árbitro não ter errado em um lance polêmico, o mesmo inverteu várias faltas, segurou o jogo após o Remo ter feito o gol, não coibiu o anti-jogo (cera) dos jogadores do Remo além de outros erros menores. Erros de arbitragem têm acontecido de forma rotineira em Santarém, seja contra São Francisco ou São Raimundo. Talvez por isso minha reação e de outros em Santarém estejam sendo “exacerbadas”.
    2- Sei reconhecer quando o bom trabalho do trio de arbitragem é realizado. No penúltimo jogo de Remo x São Francisco no Baenão fiz questão de ir no vestiário de arbitragem e parabenizar o trabalho dos árbitros naquele dia.
    3- Gostaria de esclarecer também que verbalmente foi o árbitro que me xingou primeiramente, por isso também me alterei posteriormente, fato que assumo ter errado. Pena que somente ele tem o direito de escrever o que quiser, como fez, na súmula de jogo, onde declarou que o xinguei com palavras impublicáveis, que sinceramente, jamais falaria. Além disso o árbitro relatou que foi atingido por um tijolo jogado pela torcida e que o mesmo luxou sua perna mas que não precisou de atendimento médico”. Como médico sei que isso não é possível. Detalhe é que ninguém em Santarém teve notícia desse episódio. Ai está um exemplo do outro lado da força e de como ela pode ser negativamente usada…
    4- Não tenho nenhuma, repito, nenhuma intenção de aparecer para a platéia para querer de alguma forma me beneficiar eleitoralmente. Não sou filiado a nenhum partido político e nem tenho qualquer intenção política e jamais usaria o São Francisco FC para tirar qualquer tipo de proveito. Meu trabalho, juntamente com muitos dos atuais diretores que ali estão, é de abnegação e dedicação ao clube. Pessoas que aceitaram o desafio de revitalizar esse grande clube do futebol paraense, fato concretizado hoje. Dediquei boa parte de meu tempo nesse projeto por uma causa coletiva. Por ter a certeza que o objetivo foi alcançado e que os diretores que continuam tem competência de sobra para continuar na caminhada, renunciei ao cargo de vice-presidente. Chegou o momento de voltar a lutar por outra causa coletiva a me dedicar de corpo e alma à saúde do povo do Oeste do Pará
    5- Volto a reconhecer o erro da atitude anti-desportiva da invasão de campo talvez até pela inexperiência à beira de campo.
    Com respeito e admiração, fico a sua disposição para qualquer outro esclarecimento
    Bruno Moura – Médico, colaborador e torcedor do São Francisco FC

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