Por Gerson Nogueira
A rodada que define os semifinalistas do returno deve ter emoções e surpresas em doses suficientes para alegrar a domingueira do torcedor, mas as apresentações de Remo e Paissandu no meio da semana não sinalizam para um futuro promissor. No Re-Pa já foi possível observar que algumas das novas apostas não mostraram o desempenho de antes. A chuva comprometeu o lado técnico da partida, mas certas limitações ficaram expostas.
Contra o Independente, o Paissandu teve uma atuação decepcionante, não só parte dos mais experientes. Dos garotos da base, somente Pikachu se sobressaiu. No dia seguinte, o Remo de Betinho e Reis foi dominado por uma Tuna apenas esforçada. Pelo desempenho medíocre em campo, os jovens azulinos foram duramente vaiados pela torcida.
É compreensível que o torcedor se irrite, mas o alvo deveria ser o clube, não o garoto. Avalio que de todos os problemas que empurram para baixo o futebol paraense talvez o mais sério seja a prolongada entressafra de talentos. Houve época em que a periferia e o interior do Estado contribuíam para a renovação, revelando atletas de bom nível.
Desse período, mais ou menos entre 1970 e 2000, pode-se citar um expressivo número de jogadores que fizeram história nos grandes da capital. Cuca, Belterra, Darinta, Ageu, Marajó, Chico Monte Alegre, Alfredinho, Tuíca, Charles, Geovani, Balão, Lupercínio, Tiago, Evandro, Careca e outros são citados até hoje pelos torcedores.
Uma onda de otimismo varreu as arquibancadas quando, ao longo deste campeonato, subiu ao palco a geração de Pikachu, Lineker, Jhonnatan, Bartola, Betinho, Cametazinho, Neto, Paulo Rafael, Jaime, Yuri, Pablo, Reis, Tiago Costa, Igor João e Alan Peterson. A partir da quantidade, parecia que estávamos diante de uma explosão de talentos.
Aos poucos, porém, a ficha começa a cair. Talvez a safra não seja tão qualificada assim. Quatro ou cinco (Pikachu, Jhonnatan, Lineker, Reis, talvez Betinho) têm boas possibilidades. Os demais são comuns, sendo que alguns inclusive foram superestimados.
Como há um clamor por jovens valores, vistos como a redenção dos grandes da capital, qualquer garoto mais habilidoso é imediatamente alçado à condição de futuro craque. Por motivos diversos, nem sempre essas promessas vingam.
Remo e Paissandu, mais que a Tuna, torcem (esta é a melhor palavra) para descobrir novos (e rentáveis) jogadores. Sem a estrutura adequada, nada fazem para fabricar craques e pouco se esforçam para segurá-los quando eles acidentalmente aparecem.
Até mesmo a formação técnica dos garotos é negligenciada, que são promovidos a titulares na marra, sem ter o preparo necessário. Alguns têm visíveis problemas de fundamento: passam mal, posicionam-se erradamente e não sabem cabecear. Tudo isso deve ser ensinado nas escolinhas até os 12 anos. Depois dessa idade, só os verdadeiros fenômenos conseguem explodir para o sucesso. Os demais engrossam os compêndios de promessas não concretizadas. Assim é a vida.
Remo classificado, São Francisco quase e mais quatro times batalhando por duas vagas nas semifinais do returno. São Raimundo x Paissandu e Independente x Águia entram em campo às 17h deste domingo para os jogos mais eletrizantes da super rodada. Os mandantes sempre levam alguma vantagem, mas o Parazão tem sido pródigo em resultados surpreendentes.
O jogo de Santarém reúne os ingredientes mais dramáticos, devido ao desespero das equipes, que lutam tanto para continuar na disputa como para fugir ao rebaixamento. Não há meio-termo, é vencer ou vencer.
Desfalcado de Vânderson e Cariri, o Paissandu terá ainda que lutar contra a má fase técnica de algumas peças fundamentais, como Tiago Potiguar e Adriano Magrão. Além disso, Lecheva sabe que a sua permanência como técnico dependerá do êxito na espinhosa missão de hoje.
No Bola na Torre (RBATV, 23h30), o volante remista Jhonnatan é o convidado especial. Guilherme Guerreiro comanda.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 1º)
GN, é claro que não daria pra você relacionar todos os craques que sugiram no período citado, mas citar o Alfredinho, que foi um jogador apenas serelepe, e não citar Paulo Robson, Heider, Mesquita, Marinho e Haroldo, é demais.
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Citei vários jogadores de épocas diferentes, Otávio. Particularmente, gostava do Alfredinho, de estilo rápido e driblador, características de nossos melhores atacantes.
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E ainda tem mais um o “Bambino de Ouro”, Oberdan, seu conterrâneo.
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Otávio, algumas omissões foram propositais, mas o amigo Oberdan é uma referência óbvia, até mesmo pelo fato de ter vindo de Baião, um celeiro de craques.
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O Oberdan realmente foi um ótimo jogador, agora não lembro de outro que tenha feito sucesso lá de Baião, o Marçal só joga em time pequeno.
Que celeiro é esse?
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O outro é o GN, “crakão” lá em Baião.
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Obrigado pelo reconhecimento de meus dotes boleiros, amigo Otávio.. rss
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De todos estes garotos que meio que forçados foram colocados na vitrine, eu destacaria:
Betinho e Jhonnatan pelo remo, Lineker e Mensalão pela Tuna, Yago( Pikachú? Isso não é nome de jogador, precisa mudar logo) e Bartola do papão.
Tem um outro no remo que tem que ser ele e parar de imitar o Neymar.
De todos esses citados acima destaco dois em especial, Bartola e Betinho. São duas gratas revelações e que precisam receber atenção especial.
No caso do Bartola, o próprio pai está lhe atrapalhando, pois nessa história não sei que é mais olho gordo, o pai do Bartola ou o LOP.
Briguem por dinheiro mais não atrapalhem o rapaz.
O Betinho é diferenciádo, o problema é que ele está sendo vitíma da impaciência do torcedor com os jogadores locais.
O Magrão está há seculos no futebol e chegou sequer fez um golzinho, já teve jogo que ele foi aplaudido como se ele fosse contratado pra segurar zagueiro.
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Paulo Rafael, Pikathu, Perema, Thiago, Jairinho, Jonathan, Mensalão, Lineker, Betinho, Bartola e Ricardinho. Seleção de novos.
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Concordo com o Edson sobre o Betinho. Quanto a imitar o Neymar ou não, isso é coisa de jovem e a gente não pode, em sã consciência, condenar, mas se ele – Reis – jogar o que sabe, isso de imitar não vai pesar na balança.
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Gerson, duas palavras:
(i) o desempenho dos jovens promissores, pelo menos os azulinos, sob a minha ótica (e a de alguns outros comentaristas também) foi sempre o mesmo que estamos assistindo atualmente. Principalmente o Betinho, que foi o que mais atuou. Ele sempre teve este comportamento dispersivo, sonolento a maior parte dos jogos, autor de jogadas arriscadas demais, ou com falta de capricho nas mais simples. Isto é, aquele que é capaz de cobrar faltas indefensáveis, fazer lançamentos milimétricos que resultam em gols, disputar valentemente jogadas ríspidas com os mais violentos brucutus, é, o mesmo que por firula erra passes de um metro, cobra escanteios bisonhamente com a bola não subindo uma gilete do chão, e se esconde do jogo, ficando atrás da linha dos volantes (como no jogo contra a tuna), às vezes até querendo cobrar arremessos laterais. As minhas postagens sempre refletiram este aspecto;
(ii) não obstante as críticas supra, não considero a juventude perdida. Cumpre ao Clube e ao treinador atual, ou a outro que o substitua, buscar orientar os garotos, seja para filtrar melhor os elogios fáceis da midia dita especializada, seja para assimilar as críticas da torcida, seja para se empenhar mais nos treinamentos e a encarar com mais seriedades os jogos. E o Clube tem que estar atento a isso, porque, do contrário, no futuro, assim como pode ver os garotos só reforçando os clubes interioranos ou os pequenos da capital, eventualmente, pode experimentar a sensação de ver surgirem novos Giovanes.
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