Depois de esfaqueado, pastor pede R$ 8 milhões aos fiéis

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DA REVISTA FORUM

O pastor Valdemiro Santiago voltou à Igreja Mundial do Poder de Deus nesta terça-feira (10) depois de ter sido esfaqueado durante um culto há três dias. Na ocasião, ele brincou sobre o ataque ao chamar um fiel ao altar. “Eu não vou nem revistar você. Mas não aperta que eu estou todo costurado”, disse. Depois do abraço, continuou: “Quanto é que vale isso? Isso aí vale uma ‘facãozada’, duas, três, mil. Vale o sangue. Vale a dor. Eu confesso a você que eu vim contra a vontade do médico, da bispa”.

Valdomiro aproveitou a oportunidade para pedir ajuda aos membros da igreja para seu canal de TV que, segundo ele, custaria uma quantia de R$ 8 milhões por mês. “Eu preciso da ajuda de vocês para pagar este canal, esta obra”, pediu. “Deus me deu vocês, não como propriedade, mas como filhinhos, irmãos. Quero ser pai de vocês. Ajudem essa obra. Deus vai lhes dar muito para ajudar”, completou.

Em sua fala, o pastor enfatizou seu estado de saúde. “Eu não posso ficar muito tempo de pé, porque o meu lado esquerdo ainda está um pouco prejudicado. No dia perdi um pouco do movimento, mas já voltou tudo. Quando meus braços se moverem eu vou abraçar. O médico deve estar lá mandando vir camisa de força, tropa de choque me resgatar”, comentou.

Seel promete Mangueirão revitalizado para as competições de 2017

A Seel informou nesta quarta-feira que o gramado do Estádio Olímpico Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, foi revitalizado para a nova temporada estadual de jogos, que será aberta com a disputa do Campeonato Paraense Banpará 2017. O campo recebeu tratamento especial no final de dezembro para atender ao calendário esportivo de 2017, que prevê jogos pelos Campeonatos Paraense, Brasileiro, Copa Verde e Copa do Brasil.

Segundo a diretora do Estádio Olímpico, professora Cláudia Moura, o trabalho inclui descompactação, nivelamento, calagem, adubação com três fatores diferenciados de produtos químicos e manutenção do sistema de irrigação. Após esse procedimento, o gramado passará por um processo de repouso e observação. O trabalho deverá ser concluído até o próximo dia 25, quando o local ficará à disposição da FPF e CBF para realização de jogos oficiais.

Fim de uma era: Bernardinho sai de cena

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Bernardinho está fora da seleção brasileira. Depois de meses de espera, o treinador teve seu futuro anunciado nesta quarta-feira, em uma coletiva de imprensa na sede da Confederação Brasileira de Vôlei, à qual não esteve presente. Nas últimas semanas, o técnico teve uma série de reuniões com a direção da entidade e, na noite de terça-feira, definiu seu futuro. Bernardinho ocupou o cargo por quase 16 anos. Bicampeão olímpico, um dos maiores técnicos da história do vôlei mundial conquistou o histórico ouro nos Jogos do Rio, no ano passado. Agora, se despede antes do início do ciclo rumo aos Jogos de Tóquio, em 2020. Renan Dal Zotto, diretor de seleções até os Jogos do Rio, será o novo técnico da equipe.

– Infelizmente as certezas que a gente estava aguardando só passaram a acontecer de ontem à noite para hoje. O presidente Toroca convidou antes mesmo dos Jogos tanto Zé Roberto quanto Bernardinho para continuar. Zé confirmou que gostaria de continuar. Bernardinho pediu um tempo maior. Ele tinha uma enorme dificuldade de definir sua situação, até que entre Natal e Ano novo começou a decidir e ele anunciou que não continuaria – disse Radamés Lattari, diretor de vôlei de quadra da CBV.

Renan, anunciado como o comandante do time masculino, deu suas primeiras palavras no novo cargo. A história do novo treinador com a seleção brasileira de vôlei é longa. Ele fez parte da chamada “geração de prata” de 1984, dirigiu clubes italianos e do Brasil no início de sua trajetória como treinador e tem um perfil exigente na gestão de seus projetos.

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– É um motivo de muito orgulho estar aqui hoje pela confiança depositava pelo Toroca e pela CBV no meu nome. Estou há mais de 40 anos no vôlei e algumas vezes fui convocado pela CBV. Durante 13 anos como atleta, aquele frio na barriga. Depois em 2001 para ajudar na transição do Bernardo do feminino para o masculino. Isso me entusiasma muito.

Apesar de deixar o comando direto da equipe, CBV e Renan ainda vão contar com o auxílio de Bernardinho. Segundo Radamés, ele terá um cargo de gestão na entidade. Ainda não foram definidos, porém, o nome exato da função e os detalhes dela. Mas a ideia é que ele colabore com o time adulto e também com as categorias de base.

Bernardinho chegou à seleção em 2001, às vésperas da Liga Mundial daquele ano – da qual sairia campeão. Estreou no dia 4 de maio, contra a Noruega, em amistoso disputado em Portugal, como parte da preparação para o torneio. Nos últimos 15 anos, somou mais de 30 conquistas à frente da equipe. Foram dois ouros olímpicos (2004 e 2016), duas pratas (2008 e 2012) e três títulos mundiais (2002, 2006 e 2010), além de oito Ligas Mundiais. Antes, com a seleção feminina, conquistou dois bronzes olímpicos, nos Jogos de Atlanta, em 1996, e de Sydney, em 2000. Foram seis medalhas olímpicas em sequência.

Nos últimos anos, o técnico deixou claro que estava próximo de deixar o cargo. Também à frente do Rio de Janeiro, clube mais vitorioso do país, Bernardinho sentia falta do convívio com a família. O ouro nos Jogos do Rio, porém, deixou o treinador indeciso. Não se sentia pronto para se afastar do trabalho de uma vida. Nos últimos meses, tentou fazer com que a CBV aceitasse a ideia de assumir um cargo diferente, coordenando a seleção, com Rubinho, seu auxiliar, à frente da equipe. A ideia, porém, não agradou à CBV e culminou na decisão anunciada nesta quarta-feira. (Do Globo.esporte)

Montillo, o novo dono da mítica 7 do Fogão

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POR FELLIPE COSTA, MARCELO BALTAR E THIAGO LIMA – Globo.esporte

Pintou o 7! Maior contratação para a temporada, Montillo foi apresentado oficialmente pelo Botafogo na tarde desta quarta-feira com festa para torcedores em General Severiano. O meia argentino recebeu a camisa 7 de um de seus antigos donos, o ex-atacante Maurício, herói do título carioca de 1989. Depois, concedeu pomposa entrevista coletiva aos jornalistas no salão nobre da sede, que também recebeu sócios-torcedores. E por fim, saudou das escadarias do palacete cerca de 300 alvinegros que chegaram desde cedo ao clube. Agora, todos esperam que o reforço pinte o sete na Libertadores. E ele também.

– Muito obrigado a todos que vieram, principalmente com esse calor. É uma honra vestir essa camisa, não só pelo número (7), mas pela história do clube. A negociação foi fácil e rápida porque falamos com a verdade. Me arrepio, Maurício, quando você fala dessa camisa. Fico emocionado também. Muito obrigado aos torcedores pelo carinho. Não comecei a jogar, mas na rua e nas redes sociais só falam coisa boa. Vou deixar tudo aqui para fazer o melhor, mas não individualmente. O grupo está formado, fez um 2016 muito lindo, sou mais um. Não quero ser o cara que vai salvar o time. Vou dar o meu melhor e acho que vai ser um ano muito bom para todos. Estou muito feliz de estar aqui – disse o novo jogador do Botafogo.

O namoro é antigo, e essa não é a primeira vez que o Botafogo tentou a contratação. No ano passado, o clube sondou a situação do meia. Desta vez, com Montillo, de 32 anos, livre no mercado, o Botafogo investiu forte, apresentou um projeto para o jogador, que comprou a ideia e desembarcar em General Severiano em 2017. Há mais de um mês o clube vinha tocando a negociação com o empresário Sergio Irigotia.

Montillo também falou sobre a disputa da Libertadores da América. O Botafogo ainda precisa passar pela fase prévia da competição para chegar à fase de grupos.

– Trabalhando e pensando que são dois jogos (contra o Colo-Colo do Chile), não tem mais. Pensar como final. Está todo mundo empolgado, vi no vestiário. Tem pouco tempo para se preparar, mas acho que é o suficiente para chegar da melhor maneira. Tem que se conhecer, mas futebol é igual em todo lugar do mundo. Quando tem vontade e bons jogadores fica mais fácil. Não pode deixar de lado o Carioca.

Montillo passou os últimos três anos no futebol chinês, mas teve passagem de sucesso pelo Brasil. Entre 2010 e 2014, ele defendeu Cruzeiro e Santos e teve sucesso, especialmente, com a camisa do clube mineiro. Na última temporada, pelo Shandong Luneng, ele disputou 34 jogos e marcou 13 gols entre jogos do Campeonato Chinês e da Liga dos Campeões da Ásia.

Montillo é um dos seis reforços do Botafogo nessa janela. Antes dele, o clube acertou com o goleiro paraguaio Gatito Fernández (Figueirense), com os laterais Gilson e Jonas (América-MG), com o meia João Paulo (Santa Cruz) e com o atacante Roger (Ponte Preta). Além disso, a diretoria renovou os contratos de Emerson Silva e Victor Luis.

Confira outros trechos da entrevista coletiva do jogador:

Conversa com Camilo

– A gente vai se conhecendo aos poucos. Tinha treinado com ele no Cruzeiro. Teve um ano muito bom, faz a diferença dentro do campo. Vou tentar ajudar ele no que precisar para continuar crescendo. Menino novo, tem muito para dar ainda.

Condição física

– Mais importante para mim é pegar ritmo. O calendário chinês acaba em novembro e não tem mais jogo. Continuei treinando porque sabia que esse ano seria muito importante para mim. Tenho que pegar agora ritmo de jogo. Esquecer de jogar bola ninguém esquece. Trabalhei muito a parte física para chegar da melhor maneira. Estou muito empolgado, acho que as coisas vão bem.

Estrangeiros no Brasil

– Sempre tem, argentino tem muito. E aqui tem bastante. Conhecia o Canales de jogar contra só. São experientes, sempre bom ter no time. Carli temporada muito boa. Sempre bom ter pessoal do mesmo país para conversar um pouco, mas todos falam que o grupo é muito bom.

Retorno de jogadores da China para o Brasil

– Cumpri o contrato, queriam que ficasse mais um, mas para mim é difícil, tenho dois filhos pequenos. Com o Conca não sei por que voltou, isso é muito pessoal. Era o momento para voltar e essa oportunidade para mim é muito linda.

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Sobre superstições

– Tenho todas (risos). Várias, vai perceber quando entro no campo. Sempre com o pé esquerdo, faço sinal da cruz, olho para o céu, agradeço minha vó, meu avô. Mando três beijos para o céu. Tem algumas outras que não posso ficar falando (risos).

Momento do futebol brasileiro

– Acompanhava porque tinha muitos brasileiros lá, mas era muito difícil ver os jogos pelo horário. Via mais o resumo, não posso falar da parte tática porque há muito tempo não vejo um jogo completo. Uma coisa que eu gosto é que todo mundo procura ganhar, então não fica especulação.

Tempo para o ritmo ideal

– Tomara que seja nos treinos, né? Sou um cara que me cobra muito. Ainda não falei com treinador, não sabemos quem vai ser escalado ainda. Dentro do jogo vou querer estar sempre da melhor maneira, tomara que seja já no primeiro jogo.

Golaço sobre o Flamengo

Aquele gol (na Libertadores 2010) fica na memória do torcedor (assista ao vídeo abaixo). Na La U todo mundo lembra esse gol. Deixar fora o Flamengo, que era candidato a ser campeão ficou marcado. Difícil fazer o mesmo porque todo gol é diferente, todo jogo é diferente. Vou tentar fazer gol de qualquer jeito. De mão, se ninguém ver, vale também (risos).

A cara do torcedor

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O jornalista e crítico musical Edgar Augusto Proença posa, orgulhosamente, com a camisa do Fogão bem em frente à tradicional sede do Mourisco, no Rio.

Renan é o novo técnico da seleção de vôlei

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Ex-craque da equipe de vôlei, medalhista olímpico, Renan foi anunciado hoje como substituto de Bernardinho no comando da seleção masculina da modalidade. Bernardinho havia pedido afastamento logo depois dos Jogos Olímpicos do Rio.

A sentença eterna

“Todo presidente norte-americano pós 2ª Guerra Mundial deveria ir preso por crimes contra a humanidade”.

Noam Chomsky

Fifa supera crise, expande Copa do Mundo e amplia negócios bilionários

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POR LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI

Fifa é tradução de dinheiro. Sai presidente, entra presidente e a história não muda. Alguns são afastados por corrupção, outros algemados, uns alijados do poder por embolsar dinheiro alheio. Tudo continua como se nada tivesse acontecido. Nessa ciranda a busca constante por mais grana vem da Copa do Mundo, o maior negócio do esporte de que se tem história. Receitas de uma Copa hoje não ficam abaixo dos R$ 10 bilhões. Por isso a Fifa anunciou nesta terça-feira o inchaço do Mundial de 2026 com 48 seleções – contra 32 que teremos na Rússia em 2018 e no Catar, 2022.

Com mais 16 seleções no grid da Copa, as receitas tendem alcançar o patamar de R$ 12,8 bilhões. Quem são os candidatos mais fortes a sediar o evento? Estados Unidos e China. Alguém tinha alguma dúvida.

Gianni Infantino, suíço herdeiro do espólio de Joseph Blatter na presidência da Fifa, deu essa tacada e seus súditos assinaram embaixo. Ampliando o leque de seleções na Copa, Infantino agrada aos países periféricos do futebol e os com mais poder financeiro.

A conta é simples. Continentes como África e Ásia, por exemplo, ganham mais vagas no Mundial. Portanto, seleções de pouca expressão têm mais chance de se classificar e desfrutar da Copa, tanto com o futebol em si como também com o aporte financeiro que recebem da Fifa.

Infantino não é o primeiro presidente da Fifa a inchar a Copa. João Havelange, no trono do futebol de 1974 a 1998, pegou a Copa com 16 seleções e passou a 24 em 1982 no Mundial da Espanha. Em 1998 na França, pulou para 32. Blatter, mandatário de 1998 a 2014, sustentou os 32 times, mas mexeu na cota dos continentes.

Em 1982, ano do grande salto no número de participantes de uma Copa, a Fifa tinha 109 países filiados, quase cem a mais que 50 anos atrás. Em 98, ao passar para 32 seleções, os países filiados eram 174. No Mundial de 2002 (Coreia do Sul e Japão), 200 países estavam abrigados no guarda-chuva da Fifa. E hoje já são 211.

Apenas como registro histórico, Havelange morreu ano passado banido da Fifa. Blatter continua vivo, mas banido da Fifa também. Os dois se meteram em corrupção no futebol.

Voltamos a Infantino. Para abrir mais espaço aos filiados, a Fifa amplia agora de 32 a 48 o número de seleções na Copa de 2026. Assim, dos 64 jogos que tínhamos em um mês de competição, teremos 80 partidas no mesmo período. Os grupos, antes com quatro seleções, terão três times. Eram 8 chaves, agora serão 16.

Essas mudanças obrigam a Fifa a rever questões técnicas como acabar, por exemplo, com os empates na primeira fase. Estuda ainda eliminar as prorrogações na fase de mata-mata até chegarmos às semifinais. Ou seja, a Copa terá outra cara.

Onde enfiar tantas seleções? Aí entra o poder da grana. A Fifa vai exigir 12 estádios, no mínimo, aos candidatos a sediar o Mundial. Estádios são a tradução de mais dinheiro em caixa. Mais jogos, mais receitas de marketing e venda de direitos de televisão.

Com o inchaço, as Eliminatórias serão esvaziadas. América do Sul, hoje com cinco vagas e a possibilidade de uma sexta com a disputa na repescagem, passa a ter seis vagas fixas e uma eventual sétima na repescagem. Ou seja, de 10 seleções sul-americanas que disputam as Eliminatórias, apenas três ficariam fora da Copa.

Nos outros continentes, a mesma situação. Ao ampliar o número de vagas, a China, que sofre para se classificar, teria vida fácil nas Eliminatórias asiáticas e seria figurinha carimbada em todos Mundiais a partir de 2026. Assim por diante na África, Américas e Oceania.

E com mais gente envolvida na corrida pela Copa, mais cifrões vão brilhar nos olhos dos cartolas da Fifa e engordar os cofres…. ou os bolsos, como queiram.

Veja gráfico publicado pelo El País, da Espanha, com a evolução do número de seleções em cada uma das Copas do Mundo:

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Antes da carona de Temer, Gilmar viajou no helicóptero de Aécio Neves

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POR KIKO NOGUEIRA, no DCM

O discurso de Gilmar Mendes em torno da revolta generalizada por causa de sua ida a Portugal com Temer é algo que vai para a antologia da vida política nacional pós-golpe. “Meu compromisso é com a Constituição. É com a lei”, disse ele ao Blog do Moreno.

“A maior prova de que o presidente Temer e eu temos uma relação altamente republicana está justamente no fato de ele, sabendo que fui eu que reabri esse processo, mesmo assim ter me convidado para integrar a comitiva”.

Ele “explicou” o que aconteceu. “Eu estou de férias em Portugal. Precisei vir ao Brasil para resolver problemas pessoais. O presidente me convidou para voltar com ele”, falou.

“Chegamos em Lisboa por volta das quatro da manhã. A cerimônia ocorreria horas depois. Desembarquei com uma crise de labirintinte. E por isso não fui.”

E deu uma amostra de seu modus operandi:

Se aceitar caronas, convites para almoçar e jantar comprometessem a atividade de cada um que os aceitasse, seria impossível trabalhar em Brasília. Quantas vezes sou convidado, por exemplo, para almoçar ou jantar com jornalistas e empresários de comunicação e isso nunca interferiu no trabalho deles nem no meu. Sou às vezes muito e até injustamente criticado pela mídia. E nem por isso deixo de atender seus convites.

Noves fora tudo — o desrespeito à liturgia do cargo, o conflito de interesses, os “problemas pessoais” não esclarecidos, o custo para o erário, a confusão entre público e privado, o silêncio de Temer sobre o caso —,  Gilmar força a mão para que as pessoas encarem como absolutamente normais esses acidentes éticos pavorosos.

Não, não é uma coisa ordinária a quantidade de vezes em que ele aceita convites de “jornalistas e empresários”, sempre os mesmos, sempre do mesmo lado, e não é verdade que isso não interfira no trabalho deles e na agenda política brasileira.

É comum para ele. Não é a primeira vez e não será a última em que GM toma uma boleia do gênero.

Em 2009, usou o famoso helicóptero do estado de Minas Gerais, uma das aeronaves que Aécio Neves tomou como suas durante seu governo.

Foi em Belo Horizonte e está registrado na planilha com os vôos realizados durante os 7 anos e três meses da administração aecista, entre 2003 e 2010.

Aécio se apropriou de um Citation, um Learjet, um helicóptero Dauphin e um turboélice King Air como se fossem de sua companhia de aviação.

Foram 1430 viagens ao todo, 110 com pouso ou decolagem do aeroporto de Cláudio, construído nas terras do tio Múcio Toletino, que ficou com a chave.

Em pelo menos 198 vezes ele não estava a bordo. Os aviões e o helicóptero carregaram figuras como Delcídio do Amaral, Roberto Civita (para visitar com a mulher um museu em Brumadinho), José Dirceu, Luciano Huck, “Roberto Marinho” (em email ao DCM, a advogada de João Roberto Marinho, dono da Globo, nega que seja seu cliente), Ricardo Teixeira, além de toda a família e amigos.

De acordo com o documento obtido pelo DCM através da Lei de Acesso à Informação, Gilmar, então presidente do STF, pegou sozinho o Dauphin no dia 23 de junho. Naquele dia, segundo seu site oficial, ele recebeu uma medalha: “Do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, concessão da Medalha da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho Desembargador Ari Rocha, no de grau Grã-Cruz. Belo Horizonte/MG”.

A página de GM sobre suas premiações diz o seguinte: “Gilmar Mendes possui diversas menções honrosas recebidas, em especial pelos serviços prestados à cultura jurídica, como defensor das garantias do Estado Democrático de Direito e da altivez do Poder Judiciário Brasileiro, e pelo reconhecimento em homenagem aos relevantes serviços prestados à Justiça Brasileira.”

Retrato do Brasil

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Michel Temer, réu no TSE, deu carona no jato presidencial ao magistrado que o julgará no processo em que é acusado de receber propina da Odebrecht como verba de campanha. Na foto acima, ministro Gilmar Mendes vem logo atrás do presidente substituto no desembarque em Lisboa para os funerais de Mário Soares. O detalhe é que Mendes, alegando labiritinte, nem compareceu à cerimônia fúnebre.