Big troquinho nosso de cada dia

Vejam só: quando se compra algo na rede de drogarias Big Ben, a loja pede que o troco seja doado a instituição filantrópica. E quase todo mundo doa. Eu mesma já fiz isso várias vezes. Pois um consumidor descobriu que, na verdade, a operação era de título de capitalização. Sentiu-se lesado, óbvio, e denunciou ao Ministério Público Federal – MPF, que realizou vistorias em várias lojas da rede e confirmou que a abordagem era a forma padrão de venda do título.

Questionada pelo MPF, a Big Ben confessou que de fato o troco é usado como compra de título de capitalização, e que a rede de drogarias recebe remuneração pela emissora do título, a Icatu Capitalização.

O procurador da República Bruno Araújo Soares Valente abriu inquérito e concluiu que “essa situação representa indução a erro aos adquirentes do título, visto que a eles é feita uma oferta de doar seu troco a uma instituição filantrópica, não lhes sendo informado que estão, na verdade, adquirindo títulos de capitalização, que inclusive lhes confere a possibilidade de participar de sorteios, e que realizam a cessão para a instituição filantrópica indicada de apenas metade do valor investido, gerando lucros para a sociedade de capitalização emissora do título e estabelecimento comercial no qual é feita a aquisição”.

Para escapar de inevitável multa, a Big Ben acatou formalmente a recomendação do MPF e assumiu o compromisso de, ao invés de perguntar se o consumidor tem interesse em “doar” o troco a entidade assistencial, indagar se há interesse em adquirir título de capitalização que lhes confere o direito a participar de sorteios, com a cessão de seu direito de resgate – correspondente a metade do valor investido – em favor de instituição filantrópica.

A Big Ben – que atua no Pará, Paraíba, Maranhão, Pernambuco e Piauí – terá também que afixar e manter, nos caixas de seus estabelecimentos comerciais, pelo prazo de 30 dias, cartazes com essas informações e, por pelo menos três dias, incluindo um domingo, divulgar esses esclarecimentos nos jornais do Pará, onde está a maioria das lojas da rede.

Caso queiram denunciar desrespeito aos compromissos assumidos ou irregularidades similares de outras empresas, podem utilizar este link do site do PMF, ou o aplicativo SAC MPF, gratuito para smartphones dos sistemas Android ou iOS. (Do Blog da Franssinete Florenzano)

Porque nasci Paysandu

POR SYANNE NENO (*), no Facebook

Todo jornalista esportivo que realmente ama o futebol e não cai na profissão de paraquedas, para aparecer na TV, tem um time de infância.
O meu já estava escolhido desde o ventre da mamãe. Papai era diretor de futebol do Clube de Suiço e tio Toni havia sido artilheiro e carrasco do Leão no último minuto da decisão do título de 59. Mas mesmo que eu não tivesse tido essa influência dentro de casa, traduzida em hinos do bicola ouvidos aos domingos, bandeira desfilada no carro em dia de decisão ( era mais pesada que a menina magricela que a segurava na janela) e muitas histórias vitoriosas contadas pelo papai, eu acho que teria escolhido ser bicolor.
A aura do torcedor do Paysandu sempre pareceu diferente para esta garotinha observadora. Eu percebia que os desdentadinhos das gerais do Mangueirão eram mais engraçados e meigos. Os velhinhos do lado bicolor, com seus rádios de pilha colados no ouvido, todos pareciam o vovô Gepeto, do Pinóquio.
Cresci reconhecendo no Paysandu Sport Club um time de massa que queria crescer. O Remo, por outro lado, para mim, era a aristocracia, herança da Belle Epoque paraense. Tradição, dinheiro e uma torcida maior do que a nossa.
Torcer para o Paysandu foi ter escolhido o clube que nasceu de uma dissidência, o subversivo, o revolucionário, para ser “apenas” um time de futebol com raizes mais populares.
Mas com o passar do tempo, o “time de futebol” embarcou nas asas de seu escudo rumo ao infinito e além. Conquistou a América, calou a Bombonera e bla bla bla, a história todos vocês conhecem.
Hoje, o Paysandu é realmente um clube de futebol de verdade e colhe os frutos de uma gestão moderna e profissional. O Sócio Torcedor é responsável por 25% da arrecadação do clube. E com a nova gestão deSergio Serra, o Paysandu quer voltar a ser o Paysandu que me encantou na infância. Entre as metas expostas em um quadro no auditório da Curuzu, está lá: ” A valorização de nossa origem”
Mas para que isso saia do papel e vire realidade, é preciso criar um plano de sócio torcedor que caiba no bolso daquele torcedor humilde e não deixe ele se sentir mais excluído dessa orgulhosa alcateia de lobos.
Os treinos, que hoje são fechados para a torcida, poderiam ser abertos pelo menos uma vez por semana para sócios e não sócios, incluindo os aposentados e cadeirantes que não pagam ingresso nos jogos e não podem arcar com um plano de ST.
Aí sim, o Paysandu vai começar a resgatar a sua verdadeira essência. A do clube que reconhece como hino uma marchinha que mais parece de Carnaval, a de um time eminentemente do povo!!
Porque é possível, sim, se modernizar, criar mecanismos para estimular o clube enquanto empresa, mas sem esquecer jamais daquele que o fez ser grande como hoje é: o torcedor das gerais. Aquele que hoje precisa decidir entre pagar o almoço da família ou ir para o estádio ver seu time jogar.
Torço de verdade, principalmente como jornalista, para que a nova gestão do Paysandu faça o clube realmente valorizar a sua identidade popular.
#Payxao #NovosRumos

O país das coincidências

De fato é bobagem levantar teorias conspiratórias sobre acidentes no país onde a morte de JK foi anunciada na véspera; Vladimir Herzog foi ‘suicidado’; Ulysses e Campos foram abatidos em pleno voo; Tancredo dançou antes de tomar posse; e o golpe parlamentar mais sórdido das Américas foi executado bem nas nossas fuças.

Como se vê, suspeita é apenas coisa de gente maldosa. Hehe…

Galeria do rock

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The Black Crowes é uma banda norte-americana de rock, fundada pelos irmãos Chris e Rich Robinson, na cidade de Atlanta (Georgia), em 1984. Explorando um som influenciado por Rolling Stones e The Faces, destacou-se pelas apresentações ao vivo e gosto pelos solos de guitarra. Com algumas interrupções e troca de alguns integrantes, a banda produziu seis álbuns até 2005, quando encerrou atividades.

Amistoso em tom morno

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POR GERSON NOGUEIRA 

Foi um amistoso no sentido exato do termo. O gol de Dudu logo no começo da etapa final garantiu a magra vitória e ainda trouxe o bônus da liderança no sempre surpreendente ranking da Fifa – posição que deve ser anunciada nas próximas semanas. De maneira geral, jogos de confraternização não rendem grandes espetáculos.

Os dois times vestiam as camisas oficiais de seus países, mas foram formados por jogadores nativos, que jogam no próprio país. A Colômbia teve como base o Atlético Nacional, clube que conquistou a torcida brasileira ao ao abrir generosamente mão do título sul-americano em favor da Chapecoense.

No primeiro tempo, o time brasileiro parecia se comportar em ritmo de treino, evitando agredir e correr. Acabava permitindo alguns contra-ataques perigosos, sempre no espaço aberto no lado direito da defesa pela marcação frouxa de Fagner e William Arão, responsáveis por vigiar o grandalhão Borja, solitário dianteiro da Colômbia. O excesso de toques laterais tornava a evolução do Brasil em campo um festival de lentidão.

Diante do previsível desentrosamento, restou observar a atuação individual dos jogadores. O eixo da defesa se comportou sem grandes sobressaltos, embora Geromel precise ainda justificar a enxurrada de elogios que os gaúchos lhe fazem há dois anos. Rodrigo Caio é técnico, mas tem dificuldades no jogo aéreo.

Lucas Lima, que já foi saudado como grande promessa, joga cada vez mais a conta do chá, correndo de um lado a outro e fugindo da área. Grandes meias nacionais se destacaram justamente pelo jeito ofensivo de atuar, com fome de gol. Em certos momentos, parecia que Arão era o meia, pois demonstrava maior apetite para tentar marcar. Como lhe falta jeito e técnica, conseguiu apenas atrapalhar ainda mais a já fraca movimentação do meio-campo.

Diego Souza, que voltou à Seleção para o amistoso em face das boas atuações no Sport em 2016, ainda precisa se condicionar melhor. Até arriscou algumas jogadas, mas não teve fôlego para ir adiante. Restou, então, Dudu. Posicionando-se pelo lado direito do ataque, produziu dois bons ataques e quase marcou após receber dentro da área. Foi desarmado quando iria dar o último toque.

Os colombianos começaram respeitosamente, mas, aos poucos, foram se soltando e criando algumas situações, como no perigoso chute de Borja em contragolpe nascido de erro no ataque brasileiro e no cabeceio de Uribe no poste do Brasil quase no final do primeiro tempo.

Tite providenciou mudanças no intervalo. Tirou Arão e Robinho e colocou em campo Diego (Flamengo) e Rodriguinho. Em arrancada pela direita, o meia corintiano tabelou com Fagner, que cruzou rasteiro. No rebote da zaga, Dudu foi rápido e cabeceou para as redes.

O gol sufocou um começo de vaias que a torcida começava a ensaiar no estádio Nilton Santos. Depois de abrir o placar, o time brasileiro foi se desembaraçando e Diego passou a movimentar bem os lados do campo, amedrontando os colombianos. Como as jogadas não terminavam em lances perigosos, o adversário voltou a se assanhar e criou alguns lances de perigo em cruzamentos para a área.

O time brasileiro só acordou quando Camilo, ídolo da torcida botafoguense, entrou aos 36 minutos. Não fez muita coisa, mas mostrou algo que nenhum outro jogador da Seleção ousou na partida: ser ele mesmo. Aplicou uma caneta no marcador colombiano, deu um toque de calcanhar para Rodriguinho e disparou um chute da entrada da área.

Camilo, com esse desembaraço e vontade de mostrar algo diferente com a camisa do escrete, exibiu a consciência da importância de defender o Brasil, mesmo que num simples jogo festivo.

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Remo faz outra aposta para arrumar o setor defensivo

Os seis gols em dois jogos deixaram o técnico Josué Teixeira realmente acabrunhado com o Remo. A imediata contratação de um volante – Renan (ex-Bangu) – mostra essa preocupação. O time precisa urgentemente de um marcador cão-de-guarda, que proteja a linha de zagueiros.

Renan tem experiência, mas a idade (33 anos) acaba preocupando, principalmente para uma competição disputada em período chuvoso, que exige muito dos atletas no aspecto físico.

A conferir.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 26)