O time da temporada

POR GERSON NOGUEIRA

Como é tradição, a última coluna do ano elege os melhores do futebol na temporada paraense, englobando Estadual, Copa Verde, Copa do Brasil e Brasileiro. Nenhuma surpresa nas escolhas: Emerson (PSC); Levy (CR), Gilvan (PSC), Henrique (CR) e Jaquinha (IND); Yuri (CR) e Rodrigo (PSC); Eduardo Ramos (CR), Tiago Luiz (PSC), Leandro Cearense (PSC) e Edno (CR). A revelação é João Victor (CR) e o técnico, pelos títulos do Parazão e da Copa Verde, é Dado Cavalcanti (PSC).

unnamedA única unanimidade, levando em conta as opiniões de muitos colegas de ofício e desportistas em geral, é o goleiro Emerson. Titular absoluto do Papão em todas as competições disputadas, foi responsável por expressiva quantidade de pontos e vitórias.

Nas laterais, prevaleceu a prata da casa. Levy, pela direita, foi o melhor em atividade, não só pela força e velocidade no apoio, como pela habilidade na chegada à linha de fundo. Só não teve mais reconhecimento porque o Remo fracassou no Parazão e na Copa Verde e não obteve o acesso à Série B. Jaquinha, veloz ala do Independente, teve um bom desempenho no Estadual, razão de sua contratação pelo Remo. Caracteriza-se pela agressividade e boa participação no ataque. Gilvan e Henrique formam a dupla de zaga. Gilvan primou pela regularidade e o bom jogo aéreo. Além da segurança defensiva, marcou vários gols na temporada. Henrique, mais discreto, foi figura destacada na retaguarda do Leão.

Yuri e Rodrigo Andrade se sobressaíram na marcação. Ambos têm bom passe e fazem bem da transição. Rodrigo foi uma das surpresas do Papão, suplantando o antes intocável Capanema. Eduardo Ramos e Tiago Luiz são os homens da criação. Tiago com mais brilho, pela excelente participação no returno da Série B. Ramos liderou o Remo, mas não alcançou os mesmos resultados.

Leandro Cearense e Edno tiveram as melhores performances ofensivas. Cearense foi mais participativo e útil ao Papão do que Edno para o Remo, embora este tenha tido atuação destacada na Série C.

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Bola na Torre

No programa deste domingo, entrevista com José Ângelo Miranda, dirigente da FPF e pré-candidato à presidência da entidade. Guilherme Guerreiro apresenta, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Começa logo depois do Pânico, na RBATV.

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Sob as garras da incompetência administrativa

“Entendo que o ano de 2016 não foi para ser esquecido, mas analisado. Ou melhor, desconstruído. No final de 2015, parecia que o Clube do Remo tinha acertado na eleição de André Cavalcante. Agora não sei se foi acerto ou se foi a menos pior das escolhas. A impressão que tenho dos grandes beneméritos é que não se sentem capazes de corrigir as próprias lambanças, e terceirizam a gestão para ‘estranhos’. Foi assim quando Raphael Levy assumiu após a desastrosa campanha de 2004, quando Ubirajara Salgado presidia o mais querido. Em 2005, com Levy, conheceu-se o incrível Fenômeno Azul. E, em 2007, revivemos o fiasco do amadorismo, com Raimundo Ribeiro. Após esse desastre vieram os anos sem série e na Série D, que findaram apenas com o vexame histórico contra o Cuiabá em 2015 e a heroica classificação para a Série C.

Essa desconstrução do Remo permite observar que o triunfo da incompetência administrativa tem sido o principal fator de insucesso do clube no gramado dos últimos dez anos. Em vista dos últimos tempos, não vejo razões para o azulino ter otimismo em 2017. Por outro lado, o rival tem motivos para esperar um ano de bons resultados. Porém, a diretoria do PSC precisa acertar nas contratações, o que até as estátuas das praças sabem que tem sido a dificuldade do staff bicolor.

Importante apontar também o desempenho do Palmeiras. O ano começou com o clube reformulando elenco. Observo que o principal fator que levou o Palmeiras a ser campeão foi o preparo físico. Atletas como Gabriel Jesus e Dudu precisam, e muito, da condição física em alta para executar toda a habilidade que possuem em campo. O exemplo alviverde deve inspirar nossos titãs, porque os dois times perdem muito na reta final dos certames por causa do preparo físico. Essa é a maior semelhança entre os dois e o que os equipara e torna equilibrada a rivalidade Re-Pa”.

O texto é de João Lopes Jr., engenheiro e desportista, que foi um dos colaboradores do fórum criado pela coluna sobre o futebol paraense em 2016.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 01 de janeiro de 2017)