A imagem do dia

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Avião presidencial americano Air Force One prepara aterrissagem história em Havana, neste domingo, levando o presidente Barack Obama em visita oficial à terra de Fidel e Céspedes. (Foto: Reuters)

Enquanto isso, no Brasil, tem babaca insultando e espancando pessoas que vestem vermelho. 

Dilma e a imprensa internacional

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POR MIGUEL DO ROSÁRIO, em O Cafezinho

Há um mistério no ar.

Ele se chama Dilma.

Em qualquer país do mundo, os presidentes da república tem contato frequente com a imprensa internacional.

Em momentos de turbulência política, esses contatos se adensam, porque todos os presidentes precisam difundir a sua versão sobre os fatos, para que a narrativa de oposição não prevaleça mundo a fora.

O Brasil vive uma grave crise política.

Por que Dilma não convoca, hoje mesmo, uma coletiva de imprensa internacional para falar da crise política?

Por que Dilma não usa os instrumentos de que dispõe?

No caso do Brasil, há semelhanças com 1964. Muitos falam – eu, por exemplo – em golpe de Estado.

O The Guardian, o Intercept (com matéria do Glenn Greenwald) e o principal jornal alemão publicaram matérias que, a esta altura, devem ter alarmado uma parte do mundo. Esses jornais denunciaram um golpe midiático no Brasil. E nenhum deles tem qualquer ligação política, ideológica ou de qualquer tipo com o governo ou o PT.

Um golpe no Brasil teria consequências políticas negativas para muitos países. Eles também merecem, por isso mesmo, ser melhor informados, e diretamente pelo Palácio do Planalto, via imprensa internacional.

Não se trata mais de um problema político relacionado apenas à senhora ou ao presidente Lula.

O que está em jogo é a legalidade democrática e as liberdades políticas de todos os brasileiros.

Se enfrentamos violências à democracia no Brasil, conseguiremos apoio dos defensores da democracia em todo o planeta.

Se golpistas incrustados no Estado podem agredir assim a senhora, o ex-presidente, se podem fazer extorsão contra grandes empresários, então nós todos nos sentimos vulneráveis à violência de um Estado autoritário.

O ministro Gilmar Mendes acaba de editar uma espécie de AI-5, cassando os direitos políticos do ministro da Casa Civil, Luis Inácio Lula da Silva.

Em que país, senão em ditaduras, um ministro é cassado por razões puramente políticas?

É um ato arbitrário, que mostra que o golpe já foi dado, em parte.

Do lado da direita, insuflada pela mídia, há desordem e violência.

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, foi xingado e quase linchado na Avenida Paulista.

O secretário de segurança do estado de São Paulo quase foi agredido por manifestantes na mesma avenida.

A mídia brasileira conseguiu insuflar um perigosíssimo espírito de violência e intolerância política no país.

E conseguiu fazer isso através de métodos inescrupulosos de manipulação da opinião pública.

Lula, por outro lado, foi ovacionado ontem por milhões em todo país.

Ontem, milhões de brasileiros foram às ruas pedir democracia.

As atenções do mundo inteiro estão se voltando para o país.

O golpe não se mede mais em dias, ele marcha minuto a minuto.

O vazamento ilegal das conversas entre a senhora e o então ex-presidente Lula representam um atentado ao Estado Democrático de Direito.

A senhora precisa dizer isso ao mundo.

A imprensa internacional, infelizmente,  lê a realidade brasileira pela grande mídia.

Com suas prerrogativas, concedidas pelo voto de 54 milhões de eleitores, a senhora pode denunciar o golpe lá fora, através de uma coletiva para todos os correspondentes internacionais, além de transmissão devidamente traduzida para outras línguas.

Não seria uma boa ideia convocar uma coletiva, Dilma?

Ou então você, Lula? Ladeado por juristas, parlamentares, etc.

Ou vão esperar Sergio Moro consumar o golpe de Estado, prender Lula e derrubar um governo eleito quatro vezes consecutivas pelo voto popular?

Não é possível que, com tudo que está acontecendo, seu governo se limite a dar entrevistas à Globo e Folha, justamente os líderes do golpe midiático.

Chico Buarque desautoriza peça de ator que insulta Dilma e negros

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O cantor e compositor Chico Buarque de Hollanda retirou, neste domingo, a autorização para que o ator Cláudio Botelho continuasse a apresentar um musical feito a partir de suas canções. Na noite de ontem, em Belo Horizonte, Botelho atacou a presidente Dilma Rousseff no meio da peça e foi interrompido pela plateia, que passou a gritar “não vai ter golpe”.

Em seguida, Botelho disse que “um ator não pode ser peitado por um negro”. Antes, nas redes sociais, ele já havia pregado a morte dos parlamentares Lindbergh Farias (PT-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Como os direitos autorais são de Chico, o musical terminou ontem em Belo Horizonte.

“Nunca senti medo de me expressar. E se o Chico não vai dar mais autorização para remontarmos o espetáculo, paciência. Lamento muito porque sou apaixonado por ele, admiro o trabalho dele, e sempre o considerei um defensor da liberdade, acima de qualquer orientação política”, disse ele.

Leia, abaixo, reportagem anterior do 247 sobre o caso:

Minas 247 – Uma confusão marcou a apresentação do espetáculo “Todos os Musicais de Chico Buarque”, no teatro do Palácio das Artes em Belo Horizonte, nesse sábado, 19. Durante a peça, o diretor e ator Claudio Botelho protagonizou uma sequência de ataques à presidente Dilma Rousseff, entre outros adjetivos, chamada de “ladra” e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A plateia reagiu com gritos de “Não Vai Ter Golpe!!”

O espetáculo foi interrompido antes do fim pela plateia, que chegou a pedir o dinheiro do ingresso de volta.

Já no camarim, em áudio divulgado na internet, Cláudio Botelho aparece nervoso, desferindo xingamentos de cunho racista contra o público. “Eles são neofascistas, neonazistas, são petistas, são o que há de pior no Brasil”, afirmou. “O ator quando entra em cena é um rei, não pode ser peitado por um negro filho da puta que sai da plateia. Não pode”, diz Botelho em tom exaltado.

Na conversa, Botelho é acusado de ter misturado, durante a apresentação, a obra de ficção com o momento político atual, ao atacar a presidente Dilma Rousseff. (Do Brasil247)

Pelas honras da firma

POR GERSON NOGUEIRA

O Campeonato Paraense está se desenrolando há 50 dias, o primeiro turno já foi disputado e os times tiveram tempo suficiente para se ajustar. Apesar disso, o nível geral da competição é dos mais rasos, talvez o pior dos últimos cinco anos. A dupla Re-Pa, principal atração e chamariz de público, responde pelas maiores decepções até aqui.

A rodada disputada no fim de semana é um retrato da indigência técnica. O Remo empatou com o Independente em casa, sábado à noite, alternando bons momentos com rasgos de extrema pobreza de jogo. O empate, no fim das contas, premiou o equilíbrio entre os times.

Na primeira etapa, o Remo acuou o Independente e conseguiu fazer uma boa transição. Surgiram boas jogadas em velocidade, empreendidas na direita pelo lateral Levy e por Eduardo Ramos, que explorava o setor esquerdo do Galo, desfalcado do titular e bom Jaquinha (suspenso).

O cruzamento para o gol nasceu justamente por ali. Depois de rebote do goleiro Alencar Baú, Ciro tocou para as redes, depois de ter desperdiçado duas grandes oportunidades. Yuri já tinha errado um cabeceio na pequena área. Welton também perdeu gol certo. Henrique fez o seu, mas o árbitro viu falta em lance absolutamente normal. Pelo Galo, Fabrício e Chaveirinho ameaçaram em chutes de fora da área.

Depois do intervalo, tudo mudou. O Remo voltou a ser o Remo de sempre, acomodado e confuso. Recuado, cheio de volantes, permitiu a pressão do Independente, sofreu um gol de Monga mal anulado e acabou cedendo o empate no último lance, em falha do goleiro Fernando Henrique.

O Papão repetiu o rival – até no placar – jogando ontem à tarde em Parauapebas. Fez 1 a 0 em golaço de Celsinho, mas arrefeceu do ritmo forte que imprimiu no início e cedeu o empate, após bobeada de Augusto Recife. A queda de rendimento quase propiciou ao Pebas a virada no segundo tempo. Fininho e Danúbio quase conseguiram.

É verdade que fazia um calor senegalês na cidade, causando acentuado desgaste nos atletas, mas o time alviceleste ficou com um jogador a mais (Danúbio foi expulso) nos 12 minutos finais, sem saber se valer dessa vantagem. E cabe registrar que este mesmo Pebas foi derrotado na quarta-feira pelo mistão do Londrina.

No geral, o Papão passa hoje a ideia de um time que já viveu dias melhores no próprio Parazão e que depende dramaticamente das habilidades de Celsinho, que ontem consignou o gol mais bonito deste início de temporada. Sem Ronaldinho Gaúcho cover, o Papão sofre horrores em campo – curiosamente, no elenco existem mais seis armadores.

Há quem atribua a visível desaceleração bicolor à ressaca pelo título do turno. É bem mais aceitável que tenha a ver com os cuidados das equipes interioranas em relação aos pontos fortes do time de Dado Cavalcanti.

As deficiências mais preocupantes da equipe são a falta de alternativas para mudar a forma de jogar, a facilidade com que se deixa agredir (principalmente quando não tem Ricardo Capanema, como ontem) e o inquietante jejum do ataque, que não marca há quatro rodadas.

Os demais jogos da rodada não acrescentaram muito ao pobre panorama exposto pelos dois grandes clubes da capital, que colecionam quatro empates consecutivos (4 pontos ganhos em 12 disputados) cada. O fato é que o Parazão vive um segundo turno extremamente parelho, o que pode levar à falsa impressão de uma equiparação de forças. Ledo engano.

O que há, até o momento, é um claro nivelamento por baixo, que inspira desde já sérias preocupações quanto à participação dos representantes do Estado nas competições nacionais – Copa Verde, Copa do Brasil e Brasileiros da Série B, C e D.

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Um reforço certeiro e acessível

A pergunta que não quer calar: será que os grandes da capital não veem as qualidades do centrovante Monga, do Independente¿

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Tabela reflete a balbúrdia técnica

A chave A1 do Parazão tem o Cametá em primeiro com 3 pontos, o Remo em segundo com 2, seguido pelo Parauapebas (2). São Francisco e Águia têm um ponto.

Na A2, o São Raimundo é o destaque, com 6 pontos. O Paragominas tem 4. Independente e Papão têm 2. Tapajós tem um.

Significa que, a três rodadas do final da fase classificatória do returno, todos têm chances de chegar às semifinais.

Parece um momento emocionante, acirrado e imprevisível. Só que não. É retrato explícito do baixo rendimento dos times, que provoca resultados surpreendentes e não permite destacar ninguém até aqui.

O São Raimundo, que não foi bem no primeiro turno, venceu duas vezes e se insinua como o time mais determinado desta fase. Contudo, do jeito como as coisas estão, não é seguro cravar todas as fichas no Pantera, até porque tudo pode mudar na próxima rodada.

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Fla-Flu vale pelo diferente, mas bola sofre

Foi até interessante ver o Fla-Flu disputado pela primeira vez em São Paulo. Por coincidência, o clássico inventado 40 mil anos antes do nada, segundo Nelson Rodrigues, aconteceu no lendário Pacaembu, um dos estádios mais simpáticos do país.

Pena que a bola sofreu um bocado nos pés de gente sem a devida qualificação para o nobre esporte bretão. O Flu, mais técnico, foi incapaz de definir as jogadas. O Fla, disciplinado, seguiu à risca as normas do Muricybol: cruzou umas 300 vezes na direção da área, sem sucesso.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 21)

Ministro do STF, sobre vazamentos: “Moro simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado”

Em entrevista concedida por telefone ao Sul21, Marco Aurélio Mello critica a conduta de Sérgio Moro: “Ele não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiro de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei”.

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POR MARCO WESSHEIMER, no Sul21

Nas últimas semanas, Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal, tem erguido a voz contra o que considera ser um perigoso movimento de atropelo da ordem jurídica no país. Em recentes manifestações, Marco Aurélio criticou a flexibilização do princípio da não culpabilidade, e a liberação para a Receita Federal do acesso direto aos dados bancários de qualquer cidadão brasileiro. Na semana passada, o ministro criticou a conduta do juiz Sérgio Moro, no episódio do vazamento do conteúdo das interceptações telefônicas, envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff.

Em entrevista concedida por telefone ao Sul21, Marco Aurélio fala sobre esses episódios e critica a conduta de Sérgio Moro: “Ele não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiro de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei. Ele simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado. Não se avança culturalmente, atropelando a ordem jurídica, principalmente a constitucional”, adverte.

Sul21: Considerando os acontecimentos dos últimos dias, como o senhor definiria a atual situação política do Brasil? Na sua avaliação, há uma ameaça de ruptura constitucional ou de ruptura social?

Marco Aurélio Mello: A situação chegou a um patamar inimaginável. Eu penso que nós precisamos deixar as instituições funcionarem segundo o figurino legal, porque fora da lei não há salvação. Aí vigora o critério de plantão e teremos só insegurança jurídica. As instituições vêm funcionando, com alguns pecadilhos, mas vêm funcionando. Não vejo uma ameaça de ruptura. O que eu receio é o problema das manifestações de rua. Mas aí nós contamos com uma polícia repressiva, que é a polícia militar, no caso de conflitos entre os segmentos que defendem o impeachment e os segmentos que apoiam o governo. Só receio a eclosão de conflitos de rua.

Sul21: Algumas decisões do juiz Sérgio Moro vêm sendo objeto de polêmica, como esta mais recente das interceptações telefônicas envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff. Como o senhor avalia estas decisões?

Marco Aurélio Mello: Ele não é o único juiz do país e deve atuar como todo juiz. Agora, houve essa divulgação por terceiros de sigilo telefônico. Isso é crime, está na lei. Ele simplesmente deixou de lado a lei. Isso está escancarado e foi objeto, inclusive, de reportagem no exterior. Não se avança culturalmente, atropelando a ordem jurídica, principalmente a constitucional. O avanço pressupõe a observância irrestrita do que está escrito na lei de regência da matéria. Dizer que interessa ao público em geral conhecer o teor de gravações sigilosas não se sustenta. O público também está submetido à legislação.

Sul21: Na sua opinião, essas pressões midiáticas e de setores da chamada opinião pública vêm de certo modo contaminando algumas decisões judiciais?

Marco Aurélio Mello: Os fatos foram se acumulando. Nós tivemos a divulgação, para mim imprópria, do objeto da delação do senador Delcídio Amaral e agora, por último, tivemos a divulgação também da interceptação telefônica, com vários diálogos da presidente, do ex-presidente Lula, do presidente do Partido dos Trabalhadores com o ministro Jacques Wagner. Isso é muito ruim pois implica colocar lenha na fogueira e não se avança assim, de cambulhada.

Sul21: Os ministros do Supremo, para além do que é debatido durante as sessões no plenário, têm conversado entre si sobre a situação política do país?

Marco Aurélio Mello: Não. Nós temos uma tradição de não comentar sobre processos, nem de processos que está sob a relatoria de um dos integrantes nem a situação política do país. Cada qual tem a sua concepção e aguarda o momento de seu pronunciar, se houver um conflito de posições. Já se disse que o Supremo é composto por onze ilhas. Acho bom que seja assim, que guardemos no nosso convívio uma certa cerimônia. O sistema americano é diferente. Lá, quando chega uma controvérsia, os juízes trocam memorandos entre si. Aqui nós atuamos em sessão pública, que inclusive é veiculada pela TV Justiça, de uma forma totalmente diferente.

Sul21: A Constituição de 1988 incorporou um espírito garantista de direitos. Na sua avaliação, esse espírito estaria sob ameaça no Brasil?

 Marco Aurélio Mello: Toda vez que se atropela o que está previsto em uma norma, nós temos a colocação em plano secundário de liberdades constitucionais. Isso ocorreu, continuo dizendo, com a flexibilização do princípio da não culpabilidade e ocorreu também quando se admitiu, depois de decisão tomada há cerca de cinco antes, que a Receita Federal, que é parte na relação jurídica tributária, pode ter acesso direto aos dados bancários.

Sul21: A expressão “ativismo jurídico” vem circulando muito na mídia brasileira e nos debates sobre a conjuntura atual. Qual sua opinião sobre essa expressão?

Marco Aurélio Mello: A atuação do Judiciário brasileiro é vinculada ao direito positivo, que é o direito aprovado pela casa legislativa ou pelas casas legislativas. Não cabe atuar à margem da lei. À margem da lei não há salvação. Se for assim, vinga que critério? Não o critério normativo, da norma a qual estamos submetidos pelo princípio da legalidade. Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Se o que vale é o critério subjetivo do julgador, isso gera uma insegurança muito grande.

Sul21: Esse ativismo jurídico vem acontecendo em um nível preocupante, na sua opinião?

Marco Aurélio Mello: Há um afã muito grande de se buscar correção de rumos. Mas a correção de rumos pressupõe a observância das regras jurídicas. Eu, por exemplo, nunca vi tanta delação premiada, essa postura de co-réu querendo colaborar com o Judiciário. Eu nunca vi tanta prisão preventiva como nós temos no Brasil em geral. A população carcerária provisória chegou praticamente ao mesmo patamar da definitiva, em que pese a existência do princípio da não culpabilidade. Tem alguma coisa errada. Não é por aí que nós avançaremos e chegaremos ao Brasil sonhado.

Sul21: Como deve ser o encaminhamento da série de ações enviadas ao Supremo contestando a posse do ex-presidente Lula como ministro?

Marco Aurélio Mello: Eu recebi uma ação cautelar e neguei seguimento, pois havia um defeito instrumental. Nem cheguei a entrar no mérito. Nós temos agora pendentes no Supremo seis mandados de segurança com o ministro Gilmar Mendes e duas ações de descumprimento de preceito fundamental com o ministro Teori Zavaski, além de outras ações que tem se veiculado que existem e que estariam aguardando distribuição. Como também temos cerca de 20 ações populares em andamento.

No tocante aos mandados de segurança, a competência quanto à medida de urgência liminar é do relator. Não é julgamento definitivo. Quanto à arguição de descumprimento de preceito fundamental, muito embora a atribuição seja do pleno, este não estando reunido – só teremos sessão agora no dia 28 de março – o relator é quem atua ad referendum do plenário.

Temos que esperar as próximas horas. A situação se agravou muito com os últimos episódios envolvendo a delação do senador Delcídio e a divulgação das interceptações telefônicas. Não podemos incendiar o país.

Sul21: O STF deverá ter um papel fundamental para que isso não ocorra…

Marco Aurélio Mello: Sim. É a última trincheira da cidadania. Quando o Supremo falha, você não tem a quem recorrer. Por isso é que precisamos ter uma compenetração maior, recebendo não só a legislação e as regras da Constituição Federal, que precisam ser um pouco mais amadas pelos brasileiros, como também os fatos envolvidos.

Foto de capa: Dorivan Marinho/SCO/STF

O desespero de Emílio Odebrecht

POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

Disse já mais de uma vez que tenho sido procurado por jornalistas da Globo revoltados com o que a empresa tem feito. Uma mensagem que me chegou ontem à noite me trouxe tristes memórias. Não tenho condições de confirmar. Então vou desde já avisando que o teor da carta pode ser falso.

Mas, lamentavelmente, é uma situação factível.

X – chamemos assim –me disse o seguinte. “Emílio Odebrecht procurou João Roberto Marinho em busca de ajuda para seu filho Marcelo, preso. E ouviu o seguinte: ‘Fala para o Marcelo entregar o Lula que a gente ajuda.’”

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De novo: pode ser invenção, e espero que seja. Não consigo acreditar que João Roberto Marinho fosse capaz de uma resposta daquelas. Convivi com JRM no Conselho Editorial da Globo quase três anos, entre 2006 e 2008, e guardei a lembrança de um homem equilibrado, sereno e sensato.

Mas o mais importante é outra coisa.

Neste momento, já não é surpresa se um pai desesperado recorrer à Globo na procura de ajuda para um filho preso.

Se há alguém que pode efetivamente colaborar num quadro daqueles é a Globo, de cujo apoio Moro depende. Moro sabe que se a Globo se voltar contra ele por algum motivo, ele pode terminar na cadeia pelos abusos cometidos na Lava Jato.

A mensagem de X me remeteu à ditadura militar.

Pais de filhos desaparecidos tentavam de tudo para conseguir informações. Os donos de empresas jornalísticas, dada a sua proximidade com os generais, eram frequentemente procurados.

O livro K, de Bernardo Kucinski, conta uma dessas histórias. É um livro autobiográfico. K é o pai de Kucinski. E o enredo gira em torno da enlouquecedora jornada de K para conseguir informações sobre sua filha, Ana Rosa, sequestrada (e morta) pela ditadura. Ana, irmã de Bernardo Kucinski, era uma jovem e brilhante professora de química da USP.

K recorreu a um empresário de mídia não nomeado no livro, e judeu como ele. Mas nada obteve senão uma seca resposta de que não havia como fazer nada, visto que ela era comunista.

A filha de K já estava morta enquanto ele ainda a procurava. Abutres chegavam a ele dizendo que tinham informações, e as dariam caso recebessem dinheiro.

O que K faria hoje caso um filho fosse alcançado por Moro?

Se tivesse acesso à Globo, como provavelmente Emílio Odebrecht tem, recorreria aos Marinhos.

É a história, perturbadoramente, que se remete.

Troque os generais por Moro. Foi dado a Moro um poder extraordinário de prender pessoas. Ninguém o fiscaliza, ninguém lhe cobra nada. O antigo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sempre se omitiu diante das evidências de abuso e partidarismo de Moro.

Os juízes do STF, como notou com precisão Lula, se acovardaram. A imprensa, interessada no foco anti-PT dado por Moro, sempre o incentivou. Os primeiros e tímidos reparos apareceram apenas quando extrapolou como no caso da condução coercitiva de Lula.

É apavorante a perspectiva de que retornemos ao ambiente da ditadura. Emílio Odebrecht, quer tenha ou não apelado para João Roberto Marinho, é um pai tão atormentado quanto K.

E isto pode ser uma tragédia nacional.

Parauapebas x PSC – comentários on-line

Campeonato Paraense 2016 – 2ª rodada do returno

Parauapebas x PSC – estádio Rosenão, 16h

Rádio Clube _ IBOPE _  Sábado e Domingo _ Tablóide

Na Rádio Clube, Géo Araujo narra, Carlos Castilho comenta. Reportagens – Giuseppe Tommaso e Dinho Menezes. Banco de Informações – Adilson Brasil e Fábio Scerni