Uruguai tinha o Mestre. Brasil tinha o Dunga

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DO BLOG DO MENON

Faltou pouco para o Uruguai acrescentar mais um feito em seu olimpo de conquistas. Depois do Maracanazo de 50, quase tivemos o Recifazo de 2016. E, se acontecesse a virada, não teria nada de heroica. Seria apenas a consequência natural de dois fatores que se fizeram notar intensamente: a superioridade de Tabarez sobre Dunga e a imensa diferença de caráter das duas equipes. Antes de continuar, uma digressão. Para mim, o título uruguaio de 50 tem a ver, sim, com heroísmo, mas pode ser explicado também por questões táticas e técnicas. Mas esta é outra história.

O Brasil fez uma boa partida até marcar o segundo gol. Havia inversão de jogadas e Neymar havia encontrado um bom espaço entre as duas linhas de quatro da seleção uruguaia. Flutuava por ali, leve e solto. E tudo foi facilitado pelo gol de Douglas Costa aos 40 segundos. William, na direita, foi marcado pelo alto e fraco Coates. Vitorino errou e não interrompeu o cruzamento. Nova digressão. Lembremos que Maxi Pereira, Josema Gimenez, Diego Godin e Martin Caceres, a zaga titular não estava em campo.

Depois do segundo gol – lindo gol – brasileiro, o Uruguai foi à frente impulsionado pelo profissionalismo e vontade de jogar. Alvaro Pereira cruzou da esquerda, Carlos Sanchez cabeceou para trás e Cavani acertou um lindo chute. David Luiz estava a alguns metros dele, dentro da área, com as mãos para trás para impedir um pênalti que não houve.

E aí, antes da intervenção de Tabarez, veio algo que eu não gosto de reconhecer, que considero até primário, mas que se fez notar. O DNA de cada futebol. O milionário futebol brasileiro se encolheu na dificuldade. O sofrido futebol uruguaio cresceu. E foi atrás de seu passado, de sua história. Foi atrás do empate.

No segundo tempo, Tabarez fez a substituição que mudou o jogo. Trocou o 4-4-2 pelo 4-1-4-1, Recuou Arevalo Rios para ser uma espécie de terceiro zagueiro, mais adiantado. Passou a marcar duramente Neymar. O craque brasileiro não conseguia flutuar mais. Tabarez tirou Cebolla Rodriguez e colocou Tata Gonzalez. Ele, com muito esforço e raça, passou a ajudar Alvaro Pereira. Cavani passou a jogar pela esquerda, de área a área.

Suárez era o único atacante. E que atacante!!!! Empatou o jogo logo a cinco minutos, deixando David Luiz na saudade. Como sempre, aliás. E o Brasil murchou. E o Uruguai cresceu. Os brasileiros começaram a bater muito e as dificuldades técnicas de David Luiz vieram à tona novamente. Não tem noção de espaço, não marca bem, não tem velocidade. No final do jogo, cabeceou uma bola para trás e Allison conseguiu defender o chute de Suárez.

A situação estava tão favorável que Tabarez resolveu arriscar. Tirou o meia Carlos Sanchez e colocou o atacante Christian Stuani. Correu riscos, sim, pois Fucille teve dificuldades para marcar Neymar, que foi para a ponta esquerda.

O Brasil sofre com a falta de um armador. Não tem um centroavante. Neymar deveria ter jogado como Messi, fora da área para receber a bola, mas dentro dela após um curto pique. Não foi assim. David Luiz foi muito mal novamente. Filipe Luiz é limitado. Fernandinho e Luis Gustavo são fracos.

Mas a maior diferença estava em campo. Eles tinham um Maestro (Mestre). E nós, um Dunga

6 comentários em “Uruguai tinha o Mestre. Brasil tinha o Dunga

  1. A fala de Menon ao final do texto diz tudo: “o Brasil sofre com a falta de um armador”. A questão é que o Brasil tem armador, mas Dunga ignora ele por completo. Ganso voltou a jogar bola no lerdo São Paulo. Está fazendo gols. Está dando assistência. É a única coisa que se salva no tricolor. Não tenho dúvidas que, agora mais maduro, brilharia ao lado de Neymar.

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  2. Celira, também acho que Ganso merecia uma chance, pois quantas tranqueiras já engolimos com a amarelinha? Nem sei se vingaria ou se nos decepcionaria, mas sabe jogar, tem técnica refinada. Agora, penso que o maior problema é Dunga mesmo. Técnico limitado, que fica à beira do campo se descabelando enquanto o uruguaio quietinho, sem levantar do banco, foi lá e mudou o jogo no intervalo. Acho que Tite vai assumir a seleção antes do que se imagina, dependendo do resultado contra o Paraguai.

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    1. De fato, amigo Maurício. Era evidente o contraste entre a serenidade do professor Tabarez e a intranquilidade de Dunga. Tabarez é mais que um técnico, é realmente um mestre, admirado por seus jogadores. Vi as imagens dele se dirigindo ao gramado, ainda nos corredores da Arena Pernambuco, apoiando-se numa bengala e reverenciado por todos os uruguaios. Coisa muito bonita.

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  3. Além de todas as já conhecidas mazelas admistrativas que assolam o futebol basileiro, existe aquela que é a marca registrada na seleção do Dunga, a famosa panelinha. O Schwarzenegger tupiniquim escala o seu time de confiança, começando pelo goleiro, que não é a melhor formação. Igualzinho aos três últimos professores importados pelo Remo (Fernandes, Zé teodoro e Leston Jr.) que desafiam a lógica para encaixarem seus homens na onzena titular.

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  4. Como bom Cristão que sou repudiei esse jogo em plena sexta-feira santa

    Ignorei que nem sabia que este jogo foi no Brasil
    Pensando que fosse no Uruguai, quando soube do empate, tinha achado um belo resultado.

    Nenê do Vasco e Ganso já merecem o chamado

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