Resultado bom, jogo ruim

POR GERSON NOGUEIRA

O Papão foi a Manaus encarou o Fast, mas não conseguiu sair com a vitória. E o ataque continua jejuando. O empate de 1 a 1 foi alcançado graças a um gol do zagueiro Pablo. Em campo, o time segue com as indefinições já conhecidas, sem mostrar força ofensiva e tropeçando nas próprias pernas no setor de marcação.

Na partida de ontem, o Papão não mostrou nada além do que o torcedor tem acompanhado da equipe nas rodadas mais recentes do Parazão, com a diferença óbvia de qualidade do adversário, inferior tecnicamente à maioria dos times que disputam o certame estadual.

Mesmo com o retorno de Ricardo Capanema ao meio, dividindo as tarefas de proteção à defesa com Augusto Recife, o meio-campo em nenhum momento passou a segurança e o dinamismo necessários para envolver o adversário.

Pelo contrário até. O Fast em muitos momentos levou mais perigo, jogando com vontade e marcando forte. O Papão sofreu o gol num descuido de marcação e foi buscar o empate ainda no primeiro tempo.

Na etapa final, os erros se repetiram e não deixaram que o ataque chegasse a ameaçar seriamente o adversário. Quando se esperava um time mais decidido a brigar pela vitória na etapa final, o time voltou a travar, mesmo contando com Rafael Luz na armação ao lado de Celsinho.

E o Fast ainda perdeu um jogador (Guigui) por expulsão aos 26 minutos da etapa final, permitindo que o Papão tomasse as rédeas do confronto por mais de 20 minutos. Dado Cavalcanti ainda trocou Rafael Luz e Leandro Cearense por Bruno Smith e Betinho, que nada acrescentaram.

A instabilidade bicolor é um fato que não pode ser atribuído mais ao calendário, pois, comparativamente, o Fast Clube ainda está em fase de montagem de elenco para a temporada. O resultado não foi ruim, mas a maneira como o time se comportou aumenta as preocupações em relação ao futuro próximo.

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Leão erra muito, mas se salva no fim

No segundo jogo da noite, o Remo encarou o Nacional e foi logo tomando um gol esquisito aos 18 minutos. Ou melhor, o goleiro Fernando Henrique falhou em cobrança de falta de longa distância. Mas é injusto atribuir ao guardião todas as mazelas do Leão na partida realizada em Manaus. O empate foi arrancado no último ataque, depois de uma atuação errática e pouco inspirada dos azulinos.

Tudo começa com os furos do sistema de três volantes, cuja intenção é guarnecer a defesa, mas que a todo instante permite que os zagueiros fiquem expostos ao ataque adversário. A situação tem sido comum no Parazão, mas na Copa Verde tende a ser irreversível, pois os jogos são eliminatórios.

Eduardo Ramos, principal jogador e organizador, insistiu muito com cruzamentos sobre a área. Quando já parecia exaurido, acertou o pé na última tentativa de chute a gol. Com isso, salvou o Remo (e Leston) de uma derrota desastrosa.

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Direto do blog

“Jogo após jogo, estamos todos ansiosos pelo entrosamento e organização tática do Remo. Mas uma vez o treinador insiste em Michel. Que já mostrou que não tem condições de jogar no time. Outro ponto que vem prejudicando o Remo é a falta de laterais que cheguem à linha de fundo e saibam cruzar. E o principal jogador, que deveria armar e dar passe para gol, fica posicionado como atacante fixo além dos atacantes. Yuri só não erra mais passes porque só toca para trás, incapaz de conduzir a bola para frente. Chicão, o mais esforçado, mas se perde no meio da desorganização tática. E o treinador, se não deu forma até agora, dificilmente vai dar. Já não dá mais para engolir as entrevistas dele dizendo que o time está evoluindo. Repito: com esse time o remo vai pegar surra feia do Vasco e tomar ferro na Série C”.

Daniel Lima, aflito com nova atuação pífia do Remo

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Para testar a força do escrete de Dunga

A Seleção Brasileira encara hoje à noite seu adversário mais duro nesta retomada das Eliminatórias Sul-Americanas. O velho e tinhoso Uruguai esboça um quê de renovação em torno de seu principal jogador, Luizito Suarez, astro do Barcelona. Em situação normal, a Celeste Olímpica é sempre um osso duro de roer. A presença de um artilheiro em grande fase deve potencializar seu nível de agressividade.

Do lado brasileiro, a confusão que normalmente se vê nas atuações do escrete se estende à lista de convocados. Dunga chamou apenas dois volantes, Fernandinho e Luiz Gustavo, sendo que ambos irão jogar. Caso um deles seja expulso ou se lesione, o time ficará sem alternativas para a proteção à zaga.

O descuido de Dunga poderia ser aplaudido se representasse uma inesperada mudança de conceito por parte do treinador. Ocorre que o gaúcho resmungão continua mais conservador do que nunca em relação às táticas de jogo, passando a léguas de distância do celebrado formato que o Barcelona pratica, com dois meias e um volante de ofício.

É mais provável que tenha esquecido mesmo de chamar reservas para a posição, o que é revelador do atual momento conturbado da Seleção e da própria CBF. Pelas características, Renato Augusto é o meia-armador mais afeito à proteção da zaga, embora não seja um especialista.

Por outro lado, na formatação da equipe titular, o corintiano surge como novidade na meia-cancha, entre os volantes e Willian, podendo ser uma alternativa interessante de reforço para o trabalho de posse de bola no setor mais importante do campo.

No ataque, Neymar terá a companhia de Douglas Costa, cuja excelente temporada alemã fez esquecer o período de instabilidade na Seleção. Caso jogue pela extrema esquerda, como ensinou Pep Guardiola, há possibilidade de ser muito útil às ações ofensivas do Brasil.

Um clássico sul-americano e mundial que deve lotar a Arena Pernambuco e, pelo fator campo, que pode mostrar uma Seleção menos insegura do que foi nas partidas iniciais das eliminatórias. Os uruguaios ocupam a vice-liderança do torneio, enquanto o Brasil está na quinta posição.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 25)

10 comentários em “Resultado bom, jogo ruim

  1. Bom dia amigo colunista,

    Considerando o momento que o Tapajós está passando, com todas as lambanças administrativas que vem cometendo, o Remo tem a obrigação de ganhar por pelo menos dois gols de diferença lá em Santarém e jogando pra frente do começo ao fim, é o jogo para o teimoso treinador perceber o quanto esse elenco do Remo é capaz de fazer com uma formação ofensiva. Eu escalaria o Remo da seguinte maneira:
    Douglas Borges (para dar movimentação ao atleta); Levy, Henrique, Igor João e João Victor; Chicão, Yuri, Edicleber e Marco Goiano; Whelton ou Luiz Carlos e Ciro.

    Se as circunstâncias do jogo não me exigissem outras formas de substituições eu colocaria o Michel aos 20/25 do segundo tempo no lugar do Yuri, tiraria o Edicleber e colocaria o Léo Paraíba pra jogar no ataque caindo pela esquerda, tiraria o Whelton ou Luiz Carlos e colocaria o Silvio ou o Potita (ainda não mostrou o que veio fazer no Remo) pra cair pela direita, passando então do 4-4-2 para o 4-2-1-3 (neste, o marco goiano não atuaria no sistema defensivo, faria o papel do camisa 10).

    Mas passo longe de acreditar que o treinador azulino fará isso ou algo semelhante, dando então continuidade ao pífio sistema de 3 volantes.

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  2. Quero saber qual vai ser a desculpa, agora. Não ganhar de um time praticamente amador, com uma base sub-20 e durante quase metade do segundo tempo com um jogador a mais. Esses jogadores tem de jogar bola e o Técnico e a Diretoria precisam cobrar mais empenho.

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  3. Qual a diferença entre o professor Dado Cavalcante e esse Leston Junior?
    Os times comandados por eles empataram os últimos cinco jogos que disputaram, e jogando com adversários teoricamente inferiores, então porque esse tratamento diferente por parte da imprensa???
    Quem esta tirando leite de pedra?

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  4. Dois empates e abordagens distintas.
    O empate do Independente nos acréscimos foi diferente do de Manaus? No Amazonas o Remo, a duras penas, conseguiu o empate depois do tempo regulamentar, e aqui em Belém não conseguiu ganhar, cedendo o empate em falha individual, no minuto final de partida.

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  5. Esse resultado foi bom para o Leão, inegavelmente, pois já inicia o jogo aqui classificado. Agora, para mim, não merecia o resultado;só que sabemos que a questão do merecimento é complicada no futebol; o Nacional bobeou e, no último ataque, felizmente o Leão conseguiu empatar, em bela cabeçada de Eduardo Ramos. Creio que o time amazonense se postou melhor no jogo, mas não tanto assim, também;diria que foi ligeiramente melhor;em determinado momento do segundo tempo, nitidamente quis segurar o jogo e o resultado. Deu no que deu, e provou do mesmo veneno que o Remo provou contra o Independente. Futebol tem dessas coisas! Abraços à galera azulina. Valeu !

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  6. Amigo ASilva a questão não eh comparar os dois técnicos. Eu estou analisando o jogos e não o tempo que cada técnico tem. E baseando-se nisso te asseguro que nem remo e nem Paysandu nas suas respectivas divisões estão com time competitivo e estão sim muito aquém do esperado. Vejo que o remo está pior não pelo resultados mas como vem jogando sem organização tática e sim um amontoado de jogadores dispersos em campo sem compactação de jogo, fica parecendo que o time nunca jogou junto e se encontraram ali e cada um joga o que for capaz. No Paysandu apesar dos resultados não tão favoráveis vc ainda consegue ver um esquema e cada jogador tentando fazer o q o treinador pede. Mas mesmo assim está jogando bem fraco perto do que o segura da divisão pede. Mas vejo no Paysandu mais possibilidade de ajeitar o time do o remo. Primeiro que o treinador eh teimoso. O Cláudio fala q ele não tem culpa pq não foi o jogador q ele pediu, Mas acho q ele tem culpa por insistir em jogadores que, segundos ele não pediu, Mas que continua escalando e menosprezando a Prata de casa, garotos que todos sabem jogam mais bola e tb doam mais sangue por essa camisa. Bom esse eh meu pensamento.

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  7. Para dirimir essa dúvida, peço ajuda aos azulinos do blog ou ao Gerson:quais foram então os jogadores indicados por Leston Júnior ? Vejamos os contratados para esse ano : Douglas Borges, Murilo, Italo, João Vitor, Michel, Yuri, Arthur, Alisson, Marco Goiano, Potita, Ciro e Luis Carlos. No total, 12 jogadores. Esqueci alguém ? Se Michel não foi indicação dele, de quem foi ? Mas se não o indicou, parece ter caído nas graças do mineiro, pois ele não sai do time; ou então alguém está bancando a permanência desse “bonde” no time titular. Quem é ? É Fred Gomes, o gerente de futebol ? Fred é cearense, e Michel parece ter sido “ídolo” por lá. Só quero saber:do que isso nos serve, de ter sido idolatrado no Ceará. Acho muito estranho um jogador que está parado há um ano, com uma justificativa pra lá de esfarrapada, entrar de cara no time, em um campeonato todo praticamente de tiro curto, como é o caso do Paraense. Logicamente, um jogador desses vai destoar do resto do time, pelo tempo de inatividade. Tudo bem:só se adquire ritmo de jogo, jogando. Mas porquê não foi feito um trabalho especial com esse atleta, de readaptação e recondicionamento físico ? E o mesmo, deixando(e muitíssimo)a desejar, tanto física, tática ou tecnicamente, mesmo assim não sai do time titular, de maneira alguma, desde o jogo de abertura do campeonato. No glossário futebolístico, diríamos que alguém está “bancando” o jogador no time titular;se o treinador não for, é alguém da diretoria. Se for livre opção do mineiro(o que quero crer),então ele está perdido mesmo, pois poderia sacá-lo do time e não faz, prejudicando o coletivo. Em qualquer das hipóteses, vê-se que a coisa não caminha de maneira correta, e está muito aquém de uma pretensa organização, de uma racionalidade, de um planejamento. É a minha opinião.

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