
POR GERSON NOGUEIRA
À medida que se aproxima a maratona mais pesada para o Remo neste começo de temporada aumenta a cobrança sobre a comissão técnica. Pesam contra o trabalho de Leston Junior neste momento as atuações pouco convincentes, os muitos embaraços para superar equipes apenas medianas e a falta de um esquema definido e treinado.
Em dois meses à frente do Remo, o técnico ainda parece tatear no escuro, buscando ajustes a cada jogo e quase nunca repetindo a mesma formação ao longo do Campeonato Paraense. De definitivo apenas o apego ao sistema 4-5-1 e aos três volantes.
Essa maneira de atuar torna o time absolutamente previsível, na medida em que os laterais funcionam como válvula de escape. Lecheva, nos dois confrontos entre Remo e Independente, fechou os lados e investiu nas jogadas pelo meio-campo.
Na semifinal do turno, quase ganhou o jogo conseguindo ser ligeiramente superior aos azulinos. No sábado, escolado pelo primeiro enfrentamento, voltou a tentar fazer o bloqueio pelos lados, mas quase perdeu o jogo na etapa inicial porque Leston adiantou Levy e Eduardo Ramos pela direita surpreendendo a marcação do Independente.
Já no segundo tempo, quando Leston substituiu Ramos por Alisson, a equipe se encolheu e esqueceu tudo o que havia produzido de positivo na primeira parte do jogo, quando desfrutou de pelo menos quatro chances, além do gol de Ciro.
Recuado e cauteloso, o Remo ficou à mercê do Independente, que empatou e só não venceu porque insistiu excessivamente em cruzamentos sobre a área. Quando arriscava a troca de passes no chão, levava sempre de vencida o trio de marcação posicionado à frente da zaga remista.
Vale dizer que a filosofia de Leston em nada difere de tantos outros treinadores de perfil conservador que já trabalharam no Pará – e no Remo. Os mais recentes e notórios foram Flávio Araújo, Zé Teodoro e Roberto Fernandes. Coincidentemente, nenhum logrou obter resultados gloriosos. Muito pelo contrário.
Brandiam formatação tática defensivista, com alguns resultados positivos no começo, seguidos de frustração no desfecho das competições. Leston ainda tem crédito, pelo curto tempo de trabalho, mas começa a sofrer um desgaste oriundo da má performance do Remo no Parazão, mesmo não sendo o único culpado pelo acontece.
O elenco é limitado e é pública a reivindicação dele por reforços pontuais. A questão é que, para um torneio de muro baixo como o estadual, esperava-se bem mais do atual time azulino. Dos contratados com aval de Leston somente Ciro se destacou até agora. Marco Goiano, Ítalo e Yuri têm sido razoáveis. João Vítor, Artur, Michel, Murilo e Alisson nada acrescentaram.
Ao mesmo tempo, o discurso inicial de valorização dos atletas caseiros vem sendo derrubado pela realidade. Depois da surpreendente liberação de Alex Ruan, outros bons valores – Edcléber, Igor João, João Victor e Sílvio – raramente são lembrados.
O tempo conspira contra o projeto de Leston no Remo. Os três próximos jogos pelo Parazão (Tapajós, Papão e São Raimundo) definem seu futuro no Evandro Almeida. Precisará somar sete pontos nesses confrontos para ir à semifinal. Caso não alcance essa soma mínima, o sonho do tri azulino se desfaz e a torcida não assimilará o fracasso.

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Direto do Facebook
“Eu estou querendo acreditar que as coisas vão melhorar, mas a paciência já está indo pro espaço. É sempre o mesmo discurso. O Remo não está evoluindo nada. Nem queria que o técnico fosse embora, mas precisamos reforçar. E o preparo físico está muito ruim. Acho que pro Campeonato Paraense já era pra ter contratado jogadores daqui. O Ezequias (Independente) é bom zagueiro, o lateral Jaquinha também. É preciso ver mais um atacante, mas está acabando o prazo. Melhor reforçar logo com jogadores da região, que já conhecem o campeonato”.
Bruno Ruivo, torcedor do Leão, agoniado com as incertezas vistas até aqui.
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Com o boi na sombra
Em situação oposta à vivida pelo maior rival, o Papão administra estrategicamente sua campanha no Campeonato Paraense. Assegurado na final pelo título da Taça Cidade de Belém, o time de Dado Cavalcanti não precisa se arrebentar na disputa do segundo turno.
Os quatro empates em sequência não geram (ainda) preocupações maiores na Curuzu, embora evidenciem uma queda acentuada de rendimento em relação ao primeiro turno. Comissão técnica e diretoria partilham do mesmo ponto de vista: não há motivo para desespero a essa altura.
Ao Papão resta disputar bem a Copa Verde e correr poucos riscos no returno. O Re-Pa da quarta rodada é o único ponto fora da curva nesse projeto de risco calculado. Um mau resultado diante dos azulinos poderia abrir a crise que tem sido evitada pela lembrança da conquista do turno.
Os próximos confrontos pela Copa Verde (Fast Clube) e Copa do Brasil (Independente) preocupam, mas não alteram a agenda traçada de preparação para a competição mais importante – o Campeonato Brasileiro da Série B.
Há outro fator a blindar a caminhada do time. Dado Cavalcanti, que acabou de comemorar um ano de casa, consolidou prestígio e ganhou a confiança do torcedor. Não há quem discuta o fato de que ele é o comandante certo para a campanha na Série B. Isto, naturalmente, contribui bastante para serenar os ânimos na Curuzu.
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Um novo projeto de vovô ídolo
O anúncio de Luiz Carlos Imperador, 35 anos, ídolo do imponente Guarani de Sobral, como reforço para a reta final do Parazão reaviva de imediato duas lembranças desagradáveis (e recentes) no Baenão. Finazzi, o centroavante que foi trazido mesmo com a costela fraturada, só marcou passagem pelo dinheiro obtido na Justiça do Trabalho. Flávio Caça-Rato ganhou recepção de ídolo e saiu pela porta dos fundos.
(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 22)
Excelente coluna amigo Gerson. O que de fato me preocupa em relação ao Clube do Remo é a manutenção do velho modo de pensar a administração do clube por essa nova diretoria, tão elogiada aqui por ser composta por gente jovem e de ideais supostamente inovadores. A confirmar isso a condescendência com treinadores que não se prestam a se afeiçoar com o contexto de bons valores locais e saem indicando “reforços” de outros estados que nada vêm acrescentar; a contratação desses “ídolos” duvidosos e em fim de carreira, que chegam ao clube para ou ficar no estaleiro, curando contusões adquiridas em outras paragens, ou ficarem se arrastando em campo, fazendo o time jogar com um a menos na maioria das partidas. Para um clube que, depois de longo e tenebroso inverno, volta a disputar a série C, e justamente no ano em que teremos uma das mais difíceis e niveladas tecnicamente, é de se ficar com a respiração suspensa a constatação de o quanto o Remo não vem evoluindo taticamente, de que temos um treinador conservador, de como o elenco é limitado. Como torcedor, temos sempre a esperança em dias melhores, mas o peso dos fatos é deveras desanimador.
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Amigo Gerson, bela observação com relação ao Remo e Paysandu, só não podemos esquecer que ano passado também o rival estava com o boi na sombra no Paraense e na CV e todos sabemos o que aconteceu. Espero que se repta o ocorrido.
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E pode ate repetir ser o LJ ser esperta ou mandar ele embora igual como foi o ZT com a chegada do Cacaio assim pode ser repetir
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Mais um vovô no Remo, nessas condições deveriam ter repatriado o Val Barreto. Triste mesmo é ver que o técnico continua brincando de pira com a diretoria do clube.
Gerson, caso o Leston caia quais seriam os possíveis nomes que poderiam aparecer no baenão?
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Gerson e amigos bicolores, eu não me iludi com um conquista de turno conquistada na marca do cal. Pior, desde as semifinais o Paysandú não realizou uma partida convincente, foram jogas bisonhos, este último então…, quanto ao boi na sombra, só lembro que ano passado roubaram o boi e o churrasco foi realizado do outro lado da Almirante Barroso, kkkk. Portanto, no parazão não se pode vacilar pois o castigo não vem a cavalo ele vem de avião a jato mesmo!
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Não entendo como o Paysandu mantém esse elenco de “atacantes” que em 4 partidas não balançaram a rede e vai levando como se estivesse tudo as mil maravilhas. Será que vamos padecer do mesmo erro do ano passado? Ti dizer!!! E o Monga dando sopa, como dizem os antigos.
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Caro Gerson, acrescentaria Marco Goiano como uma das boas aquisições azulinas sim, mas tem sido mal escalado e vem jogando numa posição em que não parece a vontade. E, de fato, as piores contratações são as dos cabeças-de-área, consagrando a maior burrada dos dirigentes remistas até aqui, a dispensa de Ilailson, que não foi feita por André Cavalcante, diga-se de passagem… A desvalorização da base é evidente pela forma de se fazer futebol no Remo, que não prestigia de modo algum a garotada formada na base do próprio clube. Não duvido de que o Clube, antes do fim do segundo turno, acabe experimentando um técnico regional, como fez com Cacaio no ano passado. E entendo ser Lecheva a melhor opção atualmente. Os reforços são necessários, mais para a Copa Verde e Copa do brasil que para o Parazão, já visando a série C. Todos os setores precisam de melhorar mesmo, mas pensaria antes em trocar o técnico e, só depois, na troca do elenco.
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Remo e PSC, amigos, acertadamente, usam o Parazão, pra montar seus times pro brasileiro… Percebam que os titãs estão no caminho certo, que mesmo eles em fase de montagem, com jogadores de fora, desgastados, pela forte preparação física,.. e os outros times quase todos com jogadores locais, acostumados com a chuva, o calor do Pará,…..Mesmo assim, Remo e PSC disputaram o 1º turno, certamente disputarão o 2º turno e, talvez, o título… Remo vem numa crescente muito boa… Papão, parou, por causa dos muitos desfalques, isso faz com que o time caia…Se perdesse 4, 5 jogadores, com o time montado, não cairia, mas em fase inicial, desmonta..O torcedor precisa atentar pra esses detalhes.
Leston, será o técnico do Remo, pra série C
Dado, será o técnico do PSC, pra série B
Cacaio, com essa diretoria, não treina o Remo.. Aliás, depois de um tempo desempregado, está acertando com o Santos/AP, dizem
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