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O Lula não é um cidadão qualquer. É ex-presidente, e o melhor da história do país, do que nem os neoliberais entreguistas podem discordar porque não podem mesmo. Lula e Dilma nomearam a maioria dos ministros do STF. Ao fazer isso, mostram que confiam neles. Mostram que os conhecem bem. Lula parece não acreditar na aparente falta de firmeza dos juízes do STF, parece ter desacreditado das qualidades que viu nos nomeados. Como isso pode parecer favorecimento para mudança de foro?
Lula sabe o que acontece nos bastidores da política e do poder. O que Lula disse numa conversa privada sobre o aparente acovardamento de autoridades não é a opinião de qualquer um, é a opinião de um homem que transformou um país muito desigual num lugar um pouco melhor, convivendo com as mesmas autoridades criticadas, as eleitas pelo povo e as nomeadas pelo PT. Tudo democraticamente. Ora, pela teoria do domínio do fato, fato é que Lula conhece muito bem os atores e é no mínimo estranha a indignação que gerou julgamentos morais por parte dos magistrados praticamente condenado-o previamente nas declarações públicas dadas à Globo, afinal, é assegurada a todo cidadão o direito de opinar. É uma opinião dele, e a de muitos brasileiros, de que o judiciário é desigual, desequilibrado. Não no sentido de ser tresloucado, mas de ter dois pesos e duas medidas, uma para ricos, outra para pobres. Mas às vezes é um pouco tresloucado também, como bem mostra a decisão relâmpago de 28 segundos contra Lula. E a decisão de vazar a conversa de Lula com a presidenta. O judiciário é passível de críticas, e isso é republicano! Como as respostas dos magistrados e políticos também são.
É marcante na história do país a diferença com que criminosos pobres e ricos são tratados. A opinião de Lula sobre a justiça e outras autoridades, no fim, pode ser justa. É bem possível que a mídia alcance tamanho poder de intimidação, como tem feito com a própria Dilma ao longo de dois anos. As próprias respostas dos magistrados das altas cortes e líderes políticos soam como concessão e alento, a aceno de bandeira branca da mídia. Finalmente trégua, após longa e impiedosa exposição diuturna sob suspeição da correção dos magistrados. Os agentes políticos do governo e do judiciário mostram sinais de stress, de cansaço. Aí também pode haver, com a saída de Dilma, o fim das incitações públicas ao impeachment, o fim dos vazamentos seletivos e do espetáculo midiático. Em minha avaliação, Lula percebeu isso e se mexeu para, além de salvar a própria pele, o legado e o projeto político, salvar o mandato de Dilma. E salvar os pobres da nação. Talvez os mesmos que o hostilizam, e à presidenta. Talvez, porque parece também que se trata só da simplória face da lumpemburguesia brasileira.
O grande feito de Lula é ainda pouco, e o que o engrandece é ter tirado tantas pessoas da miséria, da fome e da escuridão, é o que era possível naquele momento e não é mais agora. Por quê? Por que o mundo atravessa uma crise que é causada pela concentração de renda, e, no caso brasileiro, pelo fascismo decorrente da direita golpista. Para além de dizer em conversa privada uma opinião de que os principais agentes da república que deveriam zelar pelo, bem, pelo republicanismo, que não confia na ombridade e na coragem de encarar os fatos nada republicanos de delações e divulgações de informações sigilosas de modo a expor uns e poupar outros, a seletividade, que é algo mais que inaceitável, mas condenável.
Para além de tratá-lo como a um cidadão comum, fosse eu ou fosse você opinando reservadamente ao telefone sobre o que se vê como seletividade, sobre sabotar projetos políticos, sobre como os maiores defensores das liberdades e garantias da constituição, sei não, também estaria bastante insatisfeito com o desempenho das instituições republicanas e achando mesmo que haveria algum temor ou acovardamento diante do poder da mídia. Se entendi bem, e acho mesmo que entendi bem, o contexto da conversa leva a crer que o que acovardou as instituições democráticas, ou os representantes das instituições democráticas, é a ação policialesca com a qual as autoridades eram tratadas, ou eram submetidas, quando/se discordassem da vontade da grande mídia, representante das velhas, mas ainda nada senis, oligarquias nacionais.
Para além das insinuações de que o foro privilegiado é assim tão melhor para Lula, do que discordo porque havendo menos instâncias haveria menos recursos, juridicamente falando, o discurso parece algo improvisado para mim porque não considera exatamente este aspecto, da inconveniência jurídica para acusação e defesa, do processo mais curto. Havendo a suspeição de Gilmar Mendes sobre a nomeação de Lula atrapalhar as investigações, foi ele quem insinuou, primariamente, que os juízes estão se acovardando, ou agiu para intimidá-los. Até onde eu saiba, nem o STF está livre de crítica, em nome da democracia. E nem está livre de interferências políticas, como se vê, na reação externada ao comentário grampeado, e vazado ilegalmente, de Lula. Quero a Lula o mesmo que quero a cada brasileiro, e não só à imprensa, quanto a liberdade de expressão. É preciso limites para isso. Como é possível à imprensa tamanha “liberdade de se expressar” e não ao cidadão comum? É preciso refletir.
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Corrupção se combate combatendo a sociedade CAPITALISTA!…Não há CAPITALISMO de MÃOS LIMPAS!…Abaixo esse vil sistema caduco, obsoleto, ultrapassado e sem mais razão de existir!
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