O sol por testemunha

POR GERSON NOGUEIRA

Diante das constantes críticas ao famigerado horário das 11h, inventado inicialmente como alternativa às manifestações de revoltados diversos em São Paulo, a CBF se saiu com uma tirada bem ao seu estilo. Culpou os clubes pela deficiência de preparo dos atletas, como se o horário e a temperatura permitissem que a medicina operasse milagres para preservar a integridade física dos jogadores. Em outras palavras, se esquivou da responsabilidade.

O fato é que a mudança de horário, experimentada (e até aplaudida) em algumas capitais do Sudeste e Centro-Oeste, só interessa mesmo a dirigentes gananciosos e à emissora detentora dos direitos de transmissão, a exemplo do que já ocorre com outro horário tenebroso, o das 22h. Claro que cartolas e executivos acham o horário maravilhoso porque não são obrigados a se esfalfar em campo, sob sol senegalês, arriscando até a vida.

A alegação de que jogando às 11h alguns clubes obtêm arrecadações melhores não justifica a imposição de tal flagelo aos atletas, profissionais que dependem de boa forma atlética e adequadas condições fisiológicas para oferecer rendimento de alto nível.

Em recente conversa, quando compareceu ao programa Bola na Torre na RBATV, o goleiro Emerson (PSC) contou que de suas agruras durante o jogo com o Botafogo, na abertura do returno da Série B, disputado sob sol a pino no estádio Nilton Santos, no Rio.

Segundo ele, já na metade do primeiro tempo teve que molhar os pés com água gelada para resistir à insolação. Em seguida, precisou de atendimento médico em três momentos por passar mal enquanto a bola rolava. Nem as pausas para hidratação servem para restabelecer o condicionamento físico dos jogadores.

Lembro que dentre as reivindicações elencadas em documento do Bom Senso F. C., no final do ano passado, grande parte dizia respeito à integridade física dos profissionais do futebol. O grupo, que reúne atletas e ex-atletas, chamava atenção para a realidade do esporte no país, alertando para os riscos de um calendário abusivo, que castiga o artista do espetáculo e contribui para encurtar sua carreira.

Nada parece ter sido levado em consideração. Quando o futebol atravessa momento crítico no Brasil, com crescente desinteresse do torcedor exposto em pesquisas de opinião e no baixo comparecimento aos estádios, CBF e clubes decidiram por em prática a ideia de jerico dos jogos às 11h, cujo término ocorre por volta de 13h, em horário de sol inclemente, exceto nos  períodos de frio em algumas cidades do Sul e Sudeste.

Desunidos e fragilizados como segmento profissional, os atletas pouco podem fazer para mudar essa realidade. O brado deve partir de vozes que realmente se preocupem com o futuro do futebol por aqui, na esperança de que venha a ser atendido.

Não custa lembrar que a velha desconfiança de que CBF e seus sócios estavam matando a galinha dos ovos de ouro se tornou realidade nua e crua durante a última Copa do Mundo.

Depois de tanto insistir com fórmulas absurdas de disputa, calendários confusos e espichados, a entidade que manda e desmanda juntou-se aos cúmplices de sempre para sufocar as chances de soerguimento do futebol através dos clubes, células fundamentais na formação de craques.

Quando aparecem aqui e ali alguns futebolistas de boa técnica, como Lucas Lima e Gabriel de Jesus, o peso da estrutura corrompida conspira para que essas revelações se tornem cada vez mais raras.

Os ingênuos podem pensar que não, mas abusos como o futebol ao sol do meio-dia integram o cardápio de maldades que dona CBF atira sobre o esporte (ainda) mais popular do país. Infelizmente, é provável que esse absurdo só venha a ser corrigido diante de uma tragédia ou ameaça de punição por parte da Fifa.

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Sobre a reconstrução do Remo

Recebo e transcrevo na íntegra atenciosa mensagem de Ronaldo Passarinho, grande benemérito do Clube do Remo. “Não costumo fazer pedido de divulgação, mas queria lhe solicitar que falasse de alguns nomes que estão ajudando a enfrentar o momento grave e de renovação no CR. A simbiose entre velhos e novos remistas pode alavancar o clube, para voltar ao seu passado glorioso. Refiro-me ao trabalho incansável de André Cavalcante, Ângelo Carrascosa, Milton Campos, Fábio Bentes, coronel Bahia e muitos outros, que, sob a direção de Manoel Ribeiro, aconselhado pela tradição de Ubirajara Salgado, Moacyr Gomes, Jô Ferreira e outros, dão uma perspectiva excelente para o futuro. Entendo que a citação dos nomes referidos pode incentivar muitos outros a participarem dessa caminhada”.

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Bola na Torre

O programa de hoje terá o amigo Edson Matoso como convidado. Ícone do bom jornalismo esportivo, Matoso participará dos debates sobre a rodada do final de semana envolvendo os representantes paraenses. Guilherme Guerreiro comanda a atração, ao lado de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O Bola na Torre começa logo depois do Pânico, por volta de 00h20.

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A moda retrô invade a Seleção

A convocação de Ricardo Oliveira, 35 anos, para suprir o corte de Roberto Firmino confirma a tendência de volta ao passado na Seleção, inaugurada por Dunga desde que convocou Robinho e Kaká. A onda retrô não pode ser saudada por ninguém de bom senso porque vai na contramão dos rumos do futebol atual, cada vez mais entregue a jovens e talentosos boleiros nos países europeus, africanos e até entre os vizinhos sul-americanos.

Dunga parece ter se dado conta de que não há muito tempo para prestigiar jovens atletas e resolveu apostar na velha guarda. Jogador de razoável qualidade, Oliveira desfruta de súbito brilho no Santos. Não é garantia de excelência, pois seu bom momento acontece em campeonato de baixíssimo nível técnico.

Mesmo claudicante nas últimas passagens pelo escrete, o são-paulino Alexandre Pato talvez fosse merecedor de lembrança. Jovem ainda, pode ser trabalhado para a Copa de 2018, enquanto Oliveira já está na fase crepuscular da carreira.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 27)

9 comentários em “O sol por testemunha

  1. Amigo Gerson,

    Concordo que a parte física é extremamente afetada. Pior do que isso, coisas mais sérias podem acontecer. Mas sou a favor do horário pela manhã. Ele parece mais “família”. Penso que obhorário poderia ser as 10:00 ou mesmo as 9:30 da manhã.

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  2. Quem jà jogou o famoso “esfria sol” mesmo no futebol pelada tem uma ideia da tortura física e psicológica que deve ser iniciar um jogo de futebol profissional às 11 horas da manhã. Aliás, um jogo neste horário é “esquenta sol”, o que ainda é pior.
    Mas, considerando que vários jogos de copa do mundo já foram disputados sob condições até mais escaldantes, como nos Estados Unidos, e até mesmo aqui no Brasil, acho muito difícil que a fifa adote uma postura sensata e heróica neste caso. A não ser que após estas investidas policiais de que a entidade e seus dirigentes foram alvo eles tenham mudado de procedimento. Assim, melhor seria que antes de uma tragédia, alguma autoridade pública tomasse a providência de proibir jogos no horário.

    Quanto à convocação do instável Pato no lugar do recém convocado Ricardo Oliveira, não vejo motivo para que não tivesse sido feita. Apesar de já ter tido algumas boas oportunidades e não ter se firmado, apesar de ser dado a altos e baixos frequentes, mas como é mais jovem que o Ricardo, tem uma técnica muito boa e apresentou uma sensível melhora na condição atlética, acredito que se conseguir prolongar a boa fase atual vai ser muito mais útil do que o estrangeiro preferido da cbf. Enfim, seja o Pato, seja o Ricardo, o importante é que os bons jogadores brasileiros que jogam no Brasil, tenham as mesmas oportunidades que têm os medianos jogadores brasileiros que estão no exterior. A propósito, estou enganado ou foi quando esteve no exterior que o Pato teve suas oportunidades no escrete?

    Muita boa sorte ao meu querido Clube do Remo.

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  3. Em relação a essa moda retrocesso na seleção eu só tenho uma certeza: ESTAREMOS FORTA DA COPA DO MUNDO 2018 NA RUSSIA E PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA, FORA DE UMA COPA DO MUNDO. LAMENTÁVEL….. QUEM VIVER VERÁ.

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  4. A necessária, e demorada, reconstrução do Remo lembra aquelas promessas que fazemos todas as noites de 31 de dezembro; repetidas, inócuas, a maioria não tornamos realidade. Ao final do ano seguinte, tiramos uma cópia xerox, e a repetimos como mais alarde e mais alguns fantasiosos itens.
    A proposição do reconhecido benemérito Ronaldo Passarinho, de pretender através de sua coluna restringir elogios a meia dúzia de nomes como heróis – de plantão, em mais um processo de “reconstrução” do clube soa como jogar confete em suas próprias cabeças. O sucesso de qualquer organização passa muito longe da composição de sua administração superior, mas se estende e se completa com o trabalho do conjunto. A simbiose entre velhos e novos pode, de fato, alavancar qualquer organização, mas ou se elogia TODOS ou nenhum.

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  5. Atenção: sabendo que em Belém a rivalidade entre remo e Paysandu é muito grande e um não quer perder para o outro ou tirar por menos o que o outro faz, corre boatos na cidade que o remo já está montando um filme longa metragem de sucesso na cidade com o título: “leão azul de antonio baena 100 anos de dar pena” kakakakakakakakakakakakakakakaka . acho que esse filme vai ser sucesso total e campeão de bilheteria, porque vai ser muito choro de sofrimento dentro das salas de cinema, kakakakakakakakakak
    vai ser muita emoção e precisará de muito cardiologista nas salas de cinema porque quando os remistas lembrarem 22 anos longe da primeira, 8 anos longe da segunda, 7 anos longe da terceira e 7 anos sem divisão vai ser muito chororô kakakakakakakakakakakakakakakakakakak,

    Quando os remistas descobrirem que verdadeiro rankiado oficial é Paysandu com 34 posições a frente do remo e caxiado mente chamando o remo de verdadeiro rankiado, muito remista vai enlouquecer nas salas de cimema….. de raiva é claro kakakakakakakakakakak
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  6. Aí podem ter certeza que o enorme sucesso nas bilheteria do filme “leão azul de antonio baena 100 anos de dar pena” vai ter o choro por testemunha.

    kakakakakakakakakakakakakakakakakakakakaka
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