Papão tem time modificado para pegar o ABC

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Sem os titulares Fahel, Augusto Recife, Pikachu, Carlinhos e Valdívia, o Paissandu se prepara para receber o ABC de Natal nesta terça-feira à noite, no Mangueirão, tentando manter a vice-liderança da Série B. Com 44 pontos, o Papão tem Bahia e Vitória no seu encalço e está a 4 pontos do líder Botafogo. Em função dos desfalques, o time terá uma escalação inédita para a partida, principalmente no meio-de-campo, setor mais afetado pelas ausências.

Os titulares Emerson e Leandro Cearense retornam. Pela movimentação de domingo e desta manhã, o técnico Dado Cavalcanti deve escalar a seguinte equipe: Emerson; Luís Felipe, Gualberto, Tiago Martins e João Lucas; Gilson, Fernando, Jonathan e Edinho (ou Rony); Leandro Cearense e Welinton Jr. (foto). Betinho é opção para o segundo tempo.

O time potiguar é o vice-lanterna e já está no quinto técnico. Hélio dos Anjos assumiu a equipe e ainda não venceu – 5 empates e 1 derrota. O ABC ganhou somente quatro vezes na Série B, sempre fora de casa. Contra o Papão o retrospecto na temporada é completamente desfavorável: perdeu as três partidas disputadas. O time também tem vários desfalques importantes, principalmente no ataque. Lesionados, Rafael Oliveira, Edno e Rafinha não acompanharam a delegação. (Foto: MÁRIO QUADROS) 

Dilma e a corrupção na Petrobras

POR JORGE FURTADO
Se for possível, esqueça por alguns minutos todos os adjetivos e piadinhas, toda indignação seletiva dos que governaram o país por décadas e o transformaram na sociedade mais desigual do planeta, todas as manchetes escandalosas, esqueça as frases de efeito dos jornalistas que garantem seus empregos pensando exatamente como o patrão manda, os comentários dos seus amigos e colegas ressentidos pela ascensão social dos mais pobres, esqueça por alguns segundos o nosso racismo, nossa centenária indiferença com os miseráveis, nossa cordial tolerância com as injustiças sociais, nossa cômoda aceitação da existência de uma multidão de pobres dispostos a fazer o trabalho pesado por salários irrisórios, deixe de lado nossa ancestral complacência com a corrupção – que começa com a carta de Pero Vaz de Caminha pedindo ao Rei um emprego para um parente e vem até ontem, quando você aceitou pagar menos por um serviço sem recibo ou ofereceu um troco (ou um milhão) para o fiscal não lhe multar -, esqueça tudo isso por um breve instante e pense nos fatos.
1. O golpe civil-militar de 1964, que jogou o Brasil numa ditadura cruel que durou 25 anos e foi planejado e executado (hoje todos sabem) pelo governo americano e segundo interesses das grande empresas americanas, foi apoiado por pessoas de bem como você, que acreditavam no que diziam os jornais da época (os mesmos de agora), e queriam combater a corrupção na Petrobras e impedir as práticas comunistas do governo eleito.
2. Em 1989, ano que marca a volta da democracia com eleições diretas para presidente, o jornalista Ricardo Boechat foi premiado por denunciar a corrupção na Petrobras.
3. Em 1995 o jornalista Paulo Francis denunciou a corrupção na Petrobras e, por isso, foi processado.
4. Em 1997, o presidente Fernando Henrique Cardoso acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo brasileiro e criou o sistema de concessão, que favoreceu as grande petroleiras americanas. FHC também editou a Lei n° 9.478, que autorizou a Petrobras a se submeter ao regime de licitação simplificado, na prática permitindo que a empresa contratasse fornecedores sem fazer concorrências públicas. Para o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, esse foi o momento em que “o governo Fernando Henrique colocou o galinheiro ao cuidado da raposa”.
5. Segundo o depoimento dos delatores premiados da Lava Jato (Pedro Barusco e outros) e segundo a denúncia do Ministério Público, foi em 1997 que esta quadrilha (Paulo Roberto Costa, Youssef e turma) começou a roubar a Petrobras.
6. Durante o segundo mandato de FHC, o Ministro da Justiça – e, portanto, chefe da Polícia Federal – era Renan Calheiros (PMDB).
7. Em 2009, com a descoberta das gigantescas reservas do pré-sal, o governo Lula anunciou mudanças na lei de exploração do petróleo, favorecendo a Petrobras. As petroleiras americanas, Chevron, Shell, Exxon e a inglesa BP, ficaram de fora. Em telegramas revelados pelo Wikileaks e publicados pela Folha de SP, o candidato tucano José Serra garantiu aos representantes da Chevron que, se eleito, voltaria ao sistema anterior. Desde então Serra e o PSDB vem defendendo o modelo de concessão e os interesses americanos no petróleo brasileiro.
8. A quadrilha de Youssef e Paulo Roberto Costa começou a roubar em 1997, roubou a Petrobras durante o segundo mandato de FHC, durante todo o governo Lula e nos primeiros anos do governo Dilma. Entre os beneficiados com o esquema milionário estão empresários e políticos de todos os partidos, especialmente do PP e do PMDB, mas também do PT, do PSDB, do PSB e outros.
9. Em 2013 Dilma sancionou a lei 12.846 que definiu como corruptores tanto as pessoas físicas como as pessoas jurídicas. Graças a esta lei, pelo menos oito empresas tiveram executivos presos: Camargo Corrêa, Odebrecht, OAS, UTC, Engevix, Iesa, Queiroz Galvão e Mendes Júnior. A lei sancionada por Dilma pode render a condenação criminal dos sócios e executivos e pune as empresas com multas que variam de 0,1% a 20% sobre o seu faturamento. Foi com este temor que os milionários presos fizeram suas delações premiadas.
10. Dilma indicou e reconduziu ao cargo o Procurador Geral Rodrigo Janot, que investiga a corrupção na Petrobras e já indiciou muitas pessoas. (Bem diferente do que fazia o engavetador geral da república no governo FHC.)
11. A Polícia Federal, durante o governo Dilma, levou a cabo a Operação Lava Jato, que prendeu e desbaratou a quadrilha de Youssef e Paulo Costa, que roubava a Petrobras desde o governo de FHC, atravessou o governo Lula roubando e bateu no poste no governo Dilma. Entre os investigados, com fortes indícios de terem recebido dinheiro sujo, estão Renan Calheiros (ministro da Justiça e chefe da Polícia Federal de FHC) e Eduardo Cunha (PMDB), atual presidente da Câmara, com um longo histórico de envolvimento em falcatruas de toda espécie.
A corrupção na Petrobras é antiga, no Brasil é ancestral, e os ladrões de dinheiro público, de qualquer partido ou governo, devem ser severamente punidos e, isso é importante, devem devolver o dinheiro que roubaram aos cofres públicos, mas repassando esta lista de fatos, todos incontestáveis, você ainda acha que há algum sentido em pedir, com o pretexto de combater a corrupção na Petrobras, a saída de Dilma para entregar o governo a Renan Calheiros e a Eduardo Cunha?
Você não acha bem mais provável que, sob o pretexto de combater a corrupção, essa turma queira que a Dilma saia para atender interesses poderosos e voltar a roubar, como sempre fizeram?
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*Jorge Furtado é cineasta brasileiro, premiado internacionalmente e autor de diversos filmes e mini-séries para a TV de sucesso.

Nunca a história precisou tanto do jornalismo

POR MAGDA ALMEIDA, no Observatório da Imprensa

Li no site do Observatório sobre a ” Hecatombe Silenciosa ” que atinge O Globo, na esteiras de outras maciças demissões Brasil afora em jornais impressos , revistas e alguns programas jornalísticos televisivos. Li e tremi.

O que mais podemos dizer ou fazer diante desses episódios, para mim emblemáticos, de um novo  tempo que nos assusta e que exige profundas reflexões? Temos vivência suficiente da profissão para saber que, embora devastadores para todos nós, ativos  ou aposentados, podemos estar diante de situações sazonais que, embora pouco nos surpreendam, preocupa pelo que  tem de injusto e de diabólico.

Quem nunca se desesperou diante dos muitos passaralhos que rondavam nossas cabeças, algumas até coroadas? Quem nunca buscou na tenebrosa rádio-corredor as informações que vinham a conta-gotas, aumentando ainda mais o clima de insegurança que se espalhava pela redação e impactava nossa produtividade?

Desta vez, entretanto,  há um agravante e é aqui que reside o medão: o atual clima político-econômico não nos permite manter a esperança de uma recolocação a curto e até a médio prazo.

Todos os dias recebo emails de colegas à beira de um ataque de nervos. Buscam consolo e uma palavra de esperança. Não tenho nenhum deles, infelizmente, e meus nervos também não ficam nada bem diante do que ouço e vejo. Ainda que indiretamente, me sinto  impactada por tudo que vem acontecendo com nossa mídia,  jornais impressos principalmente, e me pergunto a cada email ou telefonema que recebo:  será este o canto do cisne do bom jornalismo no país?

Se a chamada grande imprensa se ajoelha ( mas não reza ) diante do que julga inevitável, o que esperar dos nanicos? Será que tudo que venho lendo e ouvindo a respeito indica a aproximação de  um grand finale constrangedor, injusto e mal dimensionado?

Não me lembro o autor, mas já passou pelas minhas mãos um livro com o título: ” Por que as empresas adoecem e fazem adoecer? ” O autor usa de metáforas para mostrar ( pelo menos tenta ) que, a exemplo do que ocorre com o organismo humano, as muitas doenças corporativas não resultam do acaso nem surgem repentinamente ou de uma só vez.

Como uma gripe, os sintomas no corpo vão sinalizando que algo não vai bem, que os remédios usados são apenas paliativos, que a febre já exige cuidados médicos para evitar uma pneumonia. O corpo fala, não podemos esquecer. A má gestão também.

Um novo holocausto?

Mas nenhuma tragédia por aqui me parece comparável à que hoje atinge essa legião de refugiados que transformam o Mediterrâneo num imenso cemitério. Estamos diante de um novo Holocausto, de uma segunda Diáspora?   Desde esta última quarta-feira, jornalistas e sociedade debatem a publicação da foto que mostra o corpo inerte do menino Aylan sendo carregado por um guarda, após ser retirada das águas turcas onde também morreram seus irmãos e sua mãe. Questiona-se ( nacional e internacionalmente ) a sua publicação, se deveria ir para a primeira página ou se não seria melhor jogá-la num canto qualquer de um página qualquer do jornal. Por que levar para a capa a fotografia de uma criança que perdeu a vida quando sua família buscava a liberdade, fugindo da barbárie que estarrece o mundo?  Por muitas razões.

A História parece estar se repetindo e o que assistimos, hoje, em tempo real, nos remete a um passado que não pode ser esquecido. Há quase 60 anos,  o mundo em geral e a Europa em particular faziam cara de paisagem diante dos horrores de Auschwitz e Treblinka, apenas para citar estes últimos, ignorando a tragédia que se abatia sobre milhões de seres humanos condenados à morte nos campos de concentração e a uma diáspora que separou famílias e espalhou mundo afora legiões de refugiados em fuga das loucuras humanas.

Sabemos o resultado desse descaso, que agora teima em se repetir.  Salvaguardadas as devidas proporções e motivações, a marcha dessa legião de homens, mulheres e crianças  pelos caminhos da Hungria em direção à Alemanha, me lembra a Grande Marcha que sacudiu a China no final dos anos 40.  Nunca o jornalismo, representado pela palavra escrita, pelos filmes ou pelas fotografias, foi tão indispensável.

Nunca a História tanto precisou dele. Nunca a presença do jornalista foi tão importante para descrever o desenrolar dos fatos que um dia farão parte da História da civilização. Há quem veja nessas tragédias nada mais do que o próprio caminhar da Humanidade, lembrando que a civilização se deu à custa do trágico, de avanços e recuos, da eterna luta pelo poder, do bem e do mal em permanente confronto. Tenho medo desses novos tempos, tenho medo desse homem novo.  Seja como for,  resta a pergunta: o que fizemos de nós mesmos?

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Magda Almeida é jornalista