Leão enfrenta Castanhal no domingo pela manhã

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O Remo retomou atividades na manhã desta terça-feira, iniciando o período de preparativos para o mata-mata com o Palmas (TO). O clube recebeu notificação da CBF confirmando que o jogador Kiros não tem pendências a cumprir e está apto a defender o Remo na Série D. O nome do atacante já consta do BID e sua estreia oficial deve ocorrer na partida do dia 26, em Palmas. No elenco, o técnico Cacaio terá também a volta do zagueiro Max, que cumpriu suspensão. Os jogadores Eduardo Ramos (foto), Levy, Silvio e Chicão estão pendurados com 2 cartões amarelos.

Até a estreia no mata-mata, Cacaio tem 14 dias para preparar a equipe. O grupo se reapresentou nesta terça-feira no Baenão, para reinício dos treinos. Para manter a equipe em atividade, foi agendado um amistoso para o próximo domingo (20), às 10h, contra o Castanhal, no estádio Jornalista Edgar Proença. Os ingressos custam R$ 20,00. O jogo seria à tarde, mas a Seel solicitou a mudança de horário. Kiros será apresentado à torcida azulina antes da partida.

O Marketing do Leão se mobiliza para criar promoções que atraiam o torcedor, incluindo sorteios em parceria com a empresa Linfam. O programa de Sócio Torcedor recebeu 1911 adesões nos últimos dias. (Foto: MÁRIO QUADROS) 

Sobre payxão e coração

POR CARLOS EDUARDO LIRA
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O que esperar de um documentário?
A este simples e complexo questionamento algumas pessoas dirão “Que nos contem histórias verídicas”ou “Que nos diga o que aconteceu de verdade naqueles dias” ou ainda “quero apenas a verdade”.
Bem, um documentário não necessariamente deve ter a responsabilidade de narrar à verdade unívoca. Pelo contrário, ele é tão ficcional quantos os melhores filmes de ficção-científica já lançados na história da sétima arte, pois nos apresenta uma história inventada pelo documentarista.
Isto por que, o documentário lida com uma realidade inventada, o que, obviamente, sugere que documentário não é mais do que um tipo de ficção que nega seu status ficcional.
Daí que é possível entender e tranquilamente aceitar o apagamento de determinadas histórias do futebol paraense (como o famigerado Tabu de 33 jogos imposto pelo Remo ao Paysandu) e a ausência de figuras relevantes que o Paysandu teve ao longo de sua história centenária (Artur Tourinho, Ricardo Rezende, Geraldo Rabelo, Miguel Pinho e Luiz Omar Pinheiro não aparecem no filme) no decorrer do documentário “Paysandu: 100 anos de Payxão”, dirigido apaixonadamente por Gustavo Godinho e Marco André, com duração de aproximadamente 90 minutos.
Apesar destes apagamentos, que podem fazer falta para alguns espectadores, o documentário consegue manter força ao longo de toda sua exibição, não sendo uma experiência fastidiosa para quem está na sala do cinema. Tal fato ocorre, por que “Paysandu: 100 anos de Payxão” é pautada principalmente na emoção dos grandes feitos do clube de Suíço. Logo, não é por acaso que o torcedor do Paysandu que vai ao cinema se emociona, chora ou ri a cada fala de um ex-jogador, um dirigente, um técnico e até mesmo na fala de um jornalista supostamente neutro.
Com excelente trabalho técnico – o documentário destaca-se pela a excelente montagem não linear, a edição com cortes precisos, que não atrapalham o desenrolar da história, além da ótima qualidade do som e iluminação – “Paysandu: 100 anos de Payxão” é parada obrigatória para todos que gostam de esporte e história do futebol nacional e paraense.
Muito boa diversão.

Compartilhar sem ler – reflexão sobre o jornalismo atual

POR DANIELLE CHEVRAND (*)

O assunto do momento para quem trabalha com comunicação é como o jornalismo pode se reinventar para sobreviver aos ‘novos tempos’. Com as recentes demissões em massa nas principais redações do país, jornalistas têm comparado o processo que ocorre com os veículos de comunicação, especialmente os impressos, ao que ocorreu com os cavalos, quando substituídos pelos carros, ou com as máquinas de escrever, quando substituídas pelos computadores. Alguns dizem que temos de aceitar a derrota, que os veículos impressos serão eliminados, cedo ou tarde, em detrimento dos ‘online’. Não é possível prever isso. Quando os computadores foram lançados, falava-se na extinção dos livros impressos. Hoje, mesmo com os computadores e tablets feitos para leitura, os livros impressos continuam sendo comercializados em larga escala.

Será que a solução para o jornalismo impresso é ouvir o que leitor quer? Henry Ford, o fundador da indústria automobilística, diria que não. Em uma de suas frases mais famosas disse “Se eu perguntasse a meus compradores o que eles queriam, teriam dito que era um cavalo mais rápido”. O fundador da Apple, Steve Jobs, corroborava com esse pensamento: “As pessoas não sabem o que querem, até mostrarmos a elas”. Hoje grande parte da população mundial não vive mais sem as invenções de Ford e Jobs. Os dois nos deram boas lições de como criar valor oferecendo um produto novo sem que haja necessariamente uma demanda por ele. Então, em vez de perguntar ao leitor o que ele quer, que tal mostrar a ele algo novo? Que tal surpreende-lo?

Muitos veículos impressos no Brasil e no exterior têm optado por um jornalismo mais analítico e aprofundado, em contraste com  a superficialidade comum da internet. Mas, hoje, mesmo no ambiente online, encontramos matérias aprofundadas, incrementadas com os recursos da rede: vídeos, animações e infográficos. Um ótimo exemplo é o especial “Desperate Crossing“, da The New York Times Magazine, sobre os refugiados que chegam à Europa todos os dias. É o bom e velho jornalismo, com uma roupagem multimídia. Uma questão que não sai da cabeça dos empresários da comunicação, no entanto, é como ganhar dinheiro com a internet. O retorno publicitário de um banner não se compara ao lucro gerado por um anúncio impresso ou veiculado na televisão. Como manter toda a gama de recursos e os bons profissionais sem uma fonte de renda que garanta a sustentabilidade do veículo?

Usar as redes sociais para divulgar e disseminar um conteúdo é uma alternativa irresistível para os meios de comunicação, porém há uma lógica torta aí. O número de curtidas ou compartilhamentos de uma matéria em uma rede social como o Facebook, por exemplo, é muito superior ao número de cliques que a mesma matéria tem no portal em que foi publicada. Ou seja: o leitor curte e compartilha sem ler. Inúmeras pesquisas demonstraram isso. O internauta é um ser impaciente, que gasta no máximo 90 segundos com qualquer conteúdo, como mostra este artigo da revista Galileu.

O internauta que compartilha sem ler gera audiência e lucro apenas para os provedores das redes sociais e não para os veículos que produzem conteúdo. E o pior: somos leitores de títulos. Quantas vezes você já fez isso: leu apenas o título de uma matéria, gostou da foto, curtiu e compartilhou, mas sequer leu a matéria inteira? E tem quem ainda faça comentários sem sequer ter lido até o final. Estamos nos tornando pessoas com conhecimento superficial sobre os assuntos e ainda saímos por aí falando sobre as manchetes sem o conhecimento completo do que foi abordado. Ficamos com uma visão limitada, uma vez que o título é apenas um chamariz e, na maioria dos casos, não representa exatamente o conteúdo apresentado.

Bom, se você chegou até aqui e não parou no título ou no primeiro parágrafo, está de parabéns. Mas não espere uma conclusão inédita sobre o futuro do jornalismo. Há muitas perguntas ainda sem resposta. Se os jornais e revistas em papel vão acabar, só o futuro dirá. O jornalismo, por si só, não vai morrer. A imprensa é um dos mais fortes pilares da sociedade atual. Prova disso é a foto que rodou o mundo do menino sírio morto na praia, focando a atenção do planeta na crise migratória da Europa. O jornalismo continua sendo a melhor janela para a sociedade. E, não sejamos ingênuos, também pode ser usado para o mal – basta lembrarmos dos vídeos do Estado Islâmico, que ganham dimensões globais graças aos meios de comunicação (eles teriam sido feitos se a mídia não os divulgasse? – é uma questão). Acima de tudo, a imprensa serve como uma terapia de grupo, pois graças a ela refletimos sobre muitas questões pertinentes à sociedade. O grande desafio dos provedores de conteúdo para o futuro, sem dúvida, é conseguir prender a atenção do leitor. E que ele queira ler cada matéria até o fim. Por mais que não consigamos enxergar agora, deve haver uma solução. Os carros e Iphones que o digam.

(*) Danielle Chevrand é jornalista.

Frieza e objetividade

POR GERSON NOGUEIRA

Muitos gols, uma virada logo no primeiro tempo e o triunfo final do Papão, com direito a dois sustos nos minutos finais. Tudo como manda o figurino da Série B. Vitória da frieza e objetividade, aproveitando as chances, desperdiçando algumas e correndo alguns riscos. O Papão alcançou 47 pontos, está colado no líder Botafogo e se distancia dos demais times do G4. O acesso, mais do que nunca, é uma possibilidade real.

Não deu muito tempo para que os times entrassem naquela história de estudos. Para surpresa geral, o ABC balançou as redes logo aos 7 minutos, com o bom Ronaldo Mendes. Vacilo de marcação da zaga pelo lado direito permitiu o gol potiguar.

O Papão não se abalou e, mesmo com um time bastante modificado, foi à frente e passou a pressionar em busca do empate. O gol não demorou a nascer. Aos 13, o quase desconhecido Léo – escalado à última hora por Dado Cavalcanti – balançou as redes.

Várias situações de área eram criadas, meio aos trancos e barrancos, mas o Papão continuava em cima, querendo a vitória. Rony já estava em campo, substituindo a Welinton Junior, sacado por contusão. Apesar de boa distribuição em campo, o time perdeu força ofensiva com a saída de Welinton. Ainda assim, chegou ao segundo gol aos 31 minutos, em penal marcado depois de uma bola na mão de zagueiro do ABC. Betinho converteu.

Com a virada, o Papão desceu para os vestiários bem mais confiante, sabendo que poderia administrar as ações na etapa final contra adversário também desfalcado, mas sempre perigoso nos contragolpes.

Do meio para a frente, o time até se movimentava bem, com Jonathan conduzindo o jogo, apesar da apagada atuação de Carlos Alberto, que reaparecia no time titular. Do lado potiguar, o perigo estava nos pés de Ronaldo Mendes e Bismarck, sempre muito ariscos e rondando a área.

A partida foi se arrastando e, aos poucos, o Papão pareceu cair num certo relaxamento, situação que favoreceu algumas estocadas seguidas do ABC, principalmente depois que Adriano entrou no ataque. Quando o perigo de um empate já inquietava a torcida, eis que veio o terceiro gol, aos 34 minutos, através do atacante Betinho, aproveitando um clarão no setor defensivo dos visitantes.

Sempre criticado nas primeiras vezes em que entrou na equipe, Betinho mostrou utilidade, como já havia ocorrido na partida com o Santa Cruz, no Recife. Corpulento, sabe e gosta do jogo de choques com os zagueiros e é muito eficiente ali junto à pequena área. Começa a ganhar a titularidade, apesar de visivelmente ainda não estar em plena forma.

Depois do terceiro gol, o que era tranquilidade virou acomodação e o Papão passou a ceder espaços no meio-campo e se mostrar vulnerável no miolo de zaga. Bismarck tentou duas vezes, Ednei quase acertou um tiro de média distância, Emerson evitou um gol certo e Adriano acabou acertando um cabeceio aos 44 minutos, diminuindo o placar.

O gol deu sangue novo ao ABC e intranquilizou o Papão, que por cinco minutos quase sacrificou uma vitória certa e até cômoda. Bismarck, em dois arremates bem defendidos por Emerson, esteve bem perto de obter o empate final.

No frigir dos ovos, um excelente resultado para o Papão, que tinha contra si o desentrosamento natural de várias peças escaladas para a partida. Sentiu também a ausência de Pikachu, Fahel e Augusto Recife, mas mostrou que tem um jogo pronto, encaixado e maduro.

Com a segurança de quem cumpre campanha quase impecável, o time de Dado Cavalcanti garantiu com sobras a permanência na Série B (o limite mínimo era 45 pontos) e marcha para o acesso com autoridade. A partida de ontem retratou novamente a consistência do esquema montado pelo técnico, que já não depende de um ou outro jogador titular. Funciona a contento mesmo com muitos desfalques. A isto se pode chamar de regularidade.

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Fogão patina e não inspira confiança

Na contramão do bom momento vivido pelo Papão no returno, o Botafogo segue perdendo pontos preciosos em casa, como ontem, diante do Oeste (SP). É natural que as equipes sofram oscilações ao longo de uma competição difícil como a Série B, mas o que o time de Ricardo Gomes patina é uma verdadeira grandeza.

Sem esquema bem definido – ao contrário do Papão – o Fogão depende de ações articuladas no meio e na presença de área de atacantes como Navarro, Lulinha, Sassá e Neílton (ausente da partida). O problema maior é de criatividade, pois Daniel Carvalho, seu meia-armador mais destacado, continua longe de seus momentos mais inspirados.

Pelo futebol instável e a falta de gana em campo, o Botafogo pode até vir a obter o acesso, mas terá sérias dificuldades para se manter em primeiro lugar no torneio.

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Sobre futebol e civilidade

O Grêmio de Futebol Porto-Alegrense festejou nesta terça-feira (13) seus 112 anos de fundação. Entre as muitas manifestações de torcedores nas redes sociais ganhou destaque uma mensagem oficial do Sport Club Internacional, maior rival do Tricolor gaúcho: “Parabéns, @grêmiooficial, pelos seus 112 anos! Sem vocês nossa história não seria tão Gigante!”. Em resposta, minutos depois, o perfil oficial do Grêmio no Twitter agradeceu, retribuindo a gentileza: “Obrigado, @SCInternacional!”.

Rivalidade é uma coisa, incivilidade é outra. As boas regras de convivência exigem que se tenha respeito e educação em todos os contextos. Nossos grandes clubes precisam aprender a conviver dessa forma. Aliás, o perfil oficial do Remo no Twitter perdeu ontem boa ocasião de contribuir para esse clima de civilidade. Mandou ontem um chiste, tão provocador quanto desnecessário, ao maior rival pelo transcurso do Dia do Cliente.

É preciso que nossos grandes clubes aprendam com os congêneres gaúchos a construir uma rivalidade sadia, dando bom exemplo a seus milhões de torcedores.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 16)