Tribuna do torcedor

POR CAMILO FERREIRA (cfsantos07@hotmail.com)
Bom dia escriba Baião, 
Noite trágica nos arraiais azulinos, uma derrota acachapante, humilhante, porém com efeito de choque de realidade. Hoje a triste perda de um título da Copa Verde poderá nos conduzir a um acesso à série C e quem sabe até mesmo um título da série D, agora é a hora de juntar os cacos, arrumar a casa nesses 2 meses predecessores ao campeonato brasileiro.
Sobre o jogo, foi quase o mesmo que vi contra o Independente com a diferença de que o Cuiabá aproveitou as oportunidades, o que aparenta e os mais atentos talvez concordem na hora de decidir o Remo se apequena. Não vi aquela ousadia/sagacidade/raça nem contra o Independente quanto mais contra o Cuiabá.
E ficam aqui três pontos que muito me chatearam quanto a esses dois últimos jogos:
1 – Alex Ruan, nossa prata da casa, deixou buracos no lado esquerdo, isso tem que ser trabalhado, há tempo para ele melhorar.
2 – Igor João, outro prata da casa, assim como nos jogos contra o rival, tem marcado a bola e deixado jogadores livres dentro da grande área. Há tempo para que ele seja trabalhado nesse aspecto.
3 – O Max ontem estava visivelmente nervoso e perdido em campo.
Gerson, agora é a hora do Remo também avaliar alguns jogadores que devem ser dispensados e fazer contratações regionais pontuais, procurar jogadores que se destacaram no campeonato paraense como alguns do Independente/Cametá/Paragominas e Parauapebas, dentro da nossa realidade financeira, sem abusos e absurdos, com os pés no chão. O acesso à série C é um sonho possível e volto a afirmar como há algum tempo atrás lhe disse: “O Remo tem que dar um passo de cada vez”.

Rock na madrugada – Eddie Vedder, Girl From the North Country

Copa Verde escapa outra vez

POR GERSON NOGUEIRA

A animação e o entusiasmo ficaram por conta do torcedor. Os jogadores passaram longe desses sentimentos e o Remo foi fragorosamente batido na final da Copa Verde. Na verdade, foi humilhado. Vitória maiúscula, empolgante e justa do Cuiabá, que se lançou ao ataque desde o primeiro instante, buscando reverter o placar de 4 a 1 que o Remo havia imposto em Belém. Preciso, o representante mato-grossense marcou 5 a 1 e poderia ter feito mais. A taça, pela segunda vez seguida, escapa das mãos do futebol paraense.

O Remo desembarcou em Cuiabá com três gols de vantagem e pareceu acreditar que já tinha levado o caneco. Deixou de jogar e começou a entregar o ouro ainda no primeiro tempo, quando sua defesa bateu cabeça nas bolas aéreas e permitiu que o Dourado chegasse aos três gols, desempatando a disputa.

unnamed (70)Os primeiros movimentos deram a falsa impressão de um time tranquilo. Lento, o Remo não se arriscava, tocava bola na intermediária e de vez em quando lançava Bismarck. As três jogadas de ataque morreram na linha de fundo ou no bloqueio da zaga.

Enquanto isso, atento, o técnico do Cuiabá investia nos pontos mais vulneráveis da equipe paraense: o miolo da defesa e o buraco pelo lado esquerdo. Seus jogadores cruzavam todas as bolas possíveis forçando erros de Max e Igor João. O primeiro gol, aos 26 minutos, em pênalti cometido por Max em Nino Guerreiro, nasceu de um cruzamento que ninguém conseguiu cortar.

Logo depois um lance rápido nas costas de Alex Ruan, Maninho cruzou para o interior da pequena área e Rafael Cruz, o grande nome da noite, girou e bateu forte, sem defesa para Fabiano. O detalhe é que antes de Maninho cruzar, Max podia ter mandado a bola para escanteio.

Empolgado com a facilidade que encontrava, o Cuiabá se lançou com mais ímpeto ainda. O terceiro gol não demorou a surgir. Em cobrança de falta, a bola desviou em Dadá e enganou o goleiro Fabiano. As jogadas pela direita eram o melhor caminho, mas Levy era pouco acionado e quando recebia a bola custava a tabelar com os meias. Com a saída de Bismarck para a entrada de Macena o ataque ficou ainda mais prejudicado.

Tudo o que havia funcionado às mil maravilhas no Mangueirão acontecia ao contrário na Arena Pantanal. O Cuiabá acertava passes até quando não queria e o Remo não achava o rumo certo. Cacaio parecia preso ao banco e nem se aproximava da lateral do campo para reanimar o time. Após escapar de mais dois ataques perigosos, o Leão saiu para o intervalo perdendo por 3 a 0, mas ainda com esperanças de mudar a história da decisão.

Lego engano. Logo no reinício, um lance confuso na área depois de rebatida de Fabiano acabou resultando no segundo pênalti da noite. Rafael Cruz, espertamente, chegou chutando a perna do zagueiro do Remo e caiu espetacularmente. O árbitro foi na conversa e assinalou a penalidade. O próprio Cruz, certeiro, mandou no meio do gol e fez seu terceiro gol.

Com 4 a 0 no placar, sem motivos para continuar lá atrás, Cacaio botou Val Barreto no jogo tirando Ratinho. O problema é que Barreto devia ter entrado bem antes e Eduardo Ramos deveria ter saído, visto que nem chegou a ser visto em campo.

A lentidão na saída de bola continuava a atrapalhar os passos do Remo, que nem de longe lembrava aquele time lépido e brigador dos últimos jogos. Nem cruzamentos o time tentava. Dadá corria muito, mas não encaixava o combate na intermediária e era envolvido junto com os companheiros pelo toque de bola tranquilo do Cuiabá.

Uma rara jogada aérea viria dar uma última ilusão. Val Barreto desviou para as redes uma bola levantada por Levy. Diminuiu o prejuízo e abriu àquela altura a possibilidade de decisão nos penais. Logo depois, Max foi expulso (recebeu o segundo amarelo em marcação errada do árbitro) e a defesa remista ficou ainda mais fragilizada.

Explorando a fadiga azulina, em rápido avanço pela esquerda, o Cuiabá chegou ao quinto gol e liquidou a fatura, que ainda perdeu Felipe Macena e ficou sem forças para buscar o segundo gol que lhe garantiria o título. Mas, vamos combinar, o time não fez por merecer qualquer milagre. Nem os erros de arbitragem podem ser alegados para justificar o desastre.

A Copa Verde fica novamente com o Centro-Oeste e o Leão terá que adiar o sonho de disputar uma competição internacional. Incrível foi observar como se deixou vencer com tanta facilidade. Sem luta ou esperneio. Aceitou passivamente o domínio adversário. Ao contrário das semifinais, não jogou como um vencedor.

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Cacaio terá que rearrumar a casa

Depois de passado o furacão mato-grossense, o Remo terá que juntar os cacos e se preparar com afinco para a competição mais importante do ano: a Série D do Campeonato Brasileiro. A goleada sofrida ontem teve pelo menos o efeito positivo de acentuar as muitas vulnerabilidades da equipe, que está longe de ser competitiva em torneios interestaduais.

A lateral esquerda não existiu durante todas as partidas decisivas enfrentadas pelo Remo. Nos outros jogos, o problema foi sanado porque Ilaílson (cuja falta foi muito sentida contra o Cuiabá) se desdobrava para cobrir o setor. Sem ele, Alex Ruan foi presa fácil das jogadinhas em dois toques do time adversário.

A parte central da defesa também requer cuidados urgentes. Cacaio precisa de uma dupla mais efetiva. Max e Igor João quando enfrentam atacantes altos têm muitas dificuldades. O meio-de-campo talvez exija menos ajustes, desde que o setor de criação consiga funcionar. Na Arena Pantanal, isso não existiu e o time foi inteiramente atropelado.

O ataque ainda é o setor menos problemático. Quando a bola chegou, Val Barreto conferiu. Prova de que os finalizadores funcionam.

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Direto do blog

“Nosso futebol há dez anos que é só vexame. Derrotas vergonhosas, rebaixamentos, títulos/vagas que já estão ganhos e acabam perdidos infantilmente. Vive do passado somente porque o presente é nebuloso. Ingênuo quem acha que são acidentes ou mero azar. Um rosário de fracassos seguidos que parece impossível de estancar.”

Davi Junior, sobre mais um fracasso do Pará na Copa Verde.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 08)

Cuiabá x Remo (comentários online)

Copa Verde 2015 – Final

Cuiabá x Clube do Remo – Arena Pantanal, 22h

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube, Valmir Rodrigues narra; João Cunha comenta. Reportagens – Paulo Caxiado, Giuseppe Tommaso. Banco de Informações – Fábio Scerni.

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CBF negocia transmissão de jogos da Série D

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A CBF está negociando a transmissão dos jogos da Série D 2015 pela TV a cabo. Segundo o diretor de desenvolvimento e projetos da entidade, André Pitta (que também preside a Federação Goiana), o fortalecimento da quarta divisão do futebol nacional é o objetivo prioritário do setor, segundo orientação do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. “Estamos conversando com todas as emissoras. A Série D vai ter atenção especial”, disse Pitta.

Em relação ao formato da competição, a CBF entende que o número de 40 participantes está funcionando bem e não pretende alterá-lo. Pelo calendário, a Série D começa no dia 12 de julho, terminando em 15 de novembro. O Remo, bicampeão estadual, será o representante paraense na competição. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Imagem do dia

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Papa Francisco com atletas do Harlem Globe Trotters em frente à basílica de São Pedro, no Vaticano.

A tragédia da TAM e as mentiras da mídia

POR PAULO MOREIRA LEITE
tragediaTAMSete anos e nove meses depois da tragédia do Air Bus da TAM, onde morreram 197 pessoas em Congonhas, a Justiça inocentou os três principais acusados pelo desastre. Acatando as conclusões de um laudo da Aeronáutica, o juiz Marcio Guardia considerou que o acidente foi provocado por um lamentável problema técnico – o manete que deveria inverter a rotação das turbinas e freiar o avião não funcionou. A sentença contraria a versão divulgada inicialmente pelos meios de comunicação, de que a tragédia teria sido provocada por imprudência do governo federal, acusado de autorizar o uso de uma pista do aeroporto antes que ela atendesse todos requisitos de segurança.
Diante do veredito, que pode até ser contestado tecnicamente, desde que apareçam dados novos, capazes de alimentar uma discussão embasada e racional, eu acho indispensável examinar o papel dos meios de comunicação na cobertura daquela tragédia, a maior da aviação civil brasileira. Iniciada quando os trabalhos de rescaldo, em Congonhas, nem haviam terminado, o país assistiu a um esforço absurdo para culpar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criminalizar pessoas de confiança da Presidência.
O saldo, lamentável, foi confirmar uma conhecida máxima de Joseph Goebells, o ministro da propaganda nazista, sobre a manipulação política nas sociedades contemporâneas: uma mentira, repetida 1 000 vezes, se transforma em verdade.
Apenas 48 horas depois da tragédia, a Folha de S. Paulo deu um título na primeira página: “O que ocorreu não foi acidente, foi crime.” O autor do texto, que sequer era um especialista em acidentes aéreos – tratava-se do psicanalista Francisco Daudt, do Rio de Janeiro – falava com clareza. Referindo-se, nominalmente, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, (“demagogo tão esperto e eficiente”) Daudt escreveu: “O assassino não é só aquele que enfia a faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo.”
Referindo-se à uma situação que meses antes a própria mídia havia batizado de “caos aéreo”, um editorial do Globo apontou o dedo para o Planalto, sugerindo que 197 pessoas haviam morrido em função de oportunismo político: “Pode ser que alguém no governo, Infraero ou Anac tenha preferido não correr o risco político de o termo ‘apagão aéreo’ voltar às manchetes da imprensa. Infelizmente, foi preciso essa tragédia para ficar claro que Congonhas precisa operar com um grau mais amplo de segurança”.
A mesma visão chegou a imprensa internacional. O correspondente do “Financial Times” no Brasil, Jonathan Wheatley, denunciou no portal da publicação a “incompetência” do governo Lula para enfrentar uma crise que já durava pelo menos dez meses. Embora Lula tivesse três anos e meio de mandato pela frente, Wheatley apontou para a sucessão presidencial: “A extrema necessidade de um governo mais eficiente no Brasil nunca esteve tão clara.”
A indignação também apareceu a seção de cartas dos grandes jornais, em grande parte refletindo o tom da cobertura. No Estado de S. Paulo, um leitor perguntou: “Quantos morreram desta vez? E quantos nossos governantes conseguirão assassinar até o final de seus mandatos?” Outro leitor foi direto: “O que se verifica é que a sanha populista de um governo despreparado é a responsável pelos acontecimentos. O Senhor Presidente terá a dignidade de reconhecer sua parcela de culpa?”
Isso não ocorria por acaso. Naquele Brasil de 2007, onde Luiz Inácio Lula da Silva acabara de dar início ao segundo mandato, derrotando uma campanha infame em torno da AP 470, os aeroportos eram um dos símbolos da distribuição de renda e crescimento do consumo. Num país continental, com um sistema de transporte de passageiros precário e obsoleto, a venda de passagens aéreas crescia 13% ao ano desde 2003. Apertadas nas filas de restaurantes, no guichê de embarque e nos sanitários, famílias tradicionais de classe média se queixavam da falta de conforto. Também sentiam-se ameaçadas em seu prestígio e na hierarquia social.
Um mês antes da tragédia, quando a confusão – transitória, como se veria mais tarde – atingia um ponto máximo, a então ministra do Turismo Marta Suplicy anunciou um conselho célebre (“relaxa e goza”) quando lhe perguntaram o que era preciso para enfrentar aquela situação – frase que os adversários do governo iriam recuperar, semanas depois, para mostrar o pouco caso do Planalto com a segurança dos passageiros.
Como não poderia deixar de acontecer, o caso mobilizou o ministério público. O mesmo procurador Rodrigo de Grandis, responsável pela Operação Satiagraha, e que deixou na gaveta errada um pedido da justiça suíça envolvendo a investigação do metroduto paulista, garantiu sua participação no caso. Pediu uma pena espetacular de 24 anos de prisão para os acusados.
Numa postura que expressa, no fim das contas, uma profunda falta de respeito humano com a dor de milhares de pessoas enlutadas, que necessitam de informações confiáveis e seguras para enfrentar uma tragédia difícil de entender e impossível de nunca de aceitar intimamente, nossos jornais, revistas e emissoras de TV decidiram fazer uma cobertura política-eleitoral, estimulando o desconhecimento e o preconceito de uma parcela da população. Tentaram, descaradamente, usar a tragédia para atender finalidades políticas.
A pior notícia, meus amigos, é que a propaganda funcionou – ao menos em parte. Um mês depois, quando já se sabia que a tragédia fora produto de um problema mecânico, envolvendo uma empresa privada, fosse a TAM, fosse a Airbus, já havia se formado um ambiente de protesto político que seria mantido de qualquer maneira, mesmo contrariando avaliações técnicas. No Rio de Janeiro, as famílias organizaram uma manifestação de luto e protesto, onde puxaram uma vaia para Lula. Em São Paulo, centenas de pessoas desfilaram atrás de uma faixa que exibia uma afirmação de classe: “Somos a elite decente.” O pai de uma menina de 14 anos subiu no carro de som para dizer: “Eu sei que minha filha foi assassinada pela incompetência do governo.”