O Grande Prêmio Brasil Caixa de Atletismo não será disputado em Belém (PA) este ano. A informação é da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que agora tentará novas parcerias na busca de viabilizar o evento, previsto para 21 de junho, em outra cidade do país.
Desde 2002, graças à parceria da CBAt com o Governo do Pará, anualmente o Estádio do Mangueirão foi palco do Meeting Internacional, que trouxe ao Brasil grandes nomes do esporte mundial.
Segundo carta da Secretaria de Esporte e Lazer (SEEL) do Pará, a parceria não poderá ser mantida “por motivos de ordem orçamentária, neste ano de 2015”. “Vamos trabalhar em busca de viabilizar a realização do Grande Prêmio Brasil Caixa de Atletismo este ano”, reforçou o presidente da CBAt, José Antonio Martins Fernandes, o Toninho.
Mês: maio 2015
O que esperar do Papão?
POR GERSON NOGUEIRA
Tudo indicava que o jogo ia terminar em 0 a 0 mesmo, e não seria um resultado injusto, apesar de maior domínio do Botafogo. Acontece que os ataques estiveram sempre aquém das defesas em quase 90 minutos de bola rolando. Eis que, aos 41 minutos do segundo tempo, um cruzamento do lateral Carleto alcançou Rodrigo Pimpão dentro da área. Este foi mais ágil que o seu marcador e recebeu a bola já batendo de chapa no canto, sem defesa para o goleiro Emerson.
O Botafogo fez ali naquele momento o que já podia ter feito em pelo menos três outras oportunidades, desperdiçadas principalmente pelo atacante Bill. O Papão sofreu um duro castigo na desatenção final da defesa, que tinha se comportado razoavelmente bem no jogo.
O gol no apagar das luzes foi mais lamentado pelos bicolores em face do mal anulado lance de Leandro Cearense um pouco antes. Após cruzamento perfeito, o atacante escorou para as redes de Jefferson. Mas a beldade-bandeirinha Fernanda Colombo Uliana invalidou o lance, apontando impedimento. Na verdade, Cearense estava na mesma linha da zaga e, portanto, tinha posição legal.
No primeiro tempo, o Papão teve poucos momentos de agressividade ofensiva, preferindo optar pela cautela exagerada. De maneira geral, o time respeitou demais o Botafogo, que é naturalmente cotado para o acesso, mas tem uma equipe ainda em construção, apresentando vários pontos vulneráveis.
Diante do posicionamento de espera dos bicolores, o Botafogo foi à frente e dominou a partida, ditando o ritmo e retendo a bola, embora sem maior objetividade. Pecava nas finalizações, mas tomava sempre a iniciativa. No Papão, Bruno Veiga começou bem, escapando em velocidade, mas aos poucos passou a ser mais vigiado. Um grande momento do ataque bicolor foi o disparo de Rogerinho para grande defesa de Jefferson.
Souza, funcionando como pivô, recebia forte vigilância de Marcelo Matos e dos zagueiros botafoguenses, mas criava condições para os demais companheiros. Pena que ninguém conseguiu aproveitar, nem Veiga e nem Pikachu, sempre os mais insistentes.
Quando Souza deu lugar a Leandro Cearense no segundo tempo, a equipe ganhou um novo jeito de buscar o ataque, valorizando mais a troca de passes em velocidade. A substituição poderia ter sido ainda mais festejada se o lance do gol tivesse sido validado. Mas ficou a sensação de que Dado Cavalcanti passa a ver em Cearense uma opção para tornar seu ataque menos previsível e mais ágil.
Outro aspecto positivo foi o comportamento dos zagueiros. Com mais entrosamento, a zaga tem tudo para funcionar na longa campanha da Série B. Gualberto e Tiago Martins se destacaram pela segurança nas antecipações e no jogo aéreo. O lateral João Lucas atuou com correção, embora mais preso à marcação, mas acabou falhando no lance fatal com Rodrigo Pimpão.
A marcação podia ter sido mais eficiente, mas Augusto Recife voltou a jogar abaixo do que normalmente rende e Fahel foi mais ou menos o que normalmente é. Acabou substituído por Ricardo Capanema, que é muito mais brigador e voluntarioso. Ainda assim permitiu que o rápido Sassá criasse dificuldades em arrancadas junto à área nos minutos finais.
A maior dor de cabeça de Dado continua na criação, como já se observava no Parazão e na Copa Verde. Dispersivo, Rogerinho não organizou a equipe e nem criou as situações necessárias para que o ataque pudesse superar a marcação do Botafogo. Foi substituído por Carlinhos, que pouco acrescentou à articulação e aproximação com o ataque.
Ficou evidente que nenhum dos armadores faz por merecer a titularidade. Se quiser um ataque eficiente, Dado terá que optar por meias mais criativos e dinâmicos (Carlos Alberto? Edinho?). Restam 37 rodadas, há tempo para ajustes, mas é bom apressar as soluções.
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Direto do blog
“Planejamento zero! O Paysandu já deveria estar com um time pronto, com uma base inteiramente definido. Isso era elementar justamente para não repetir os erros do passado, como os de 2013, para ser mais recente. Tenho fé que o clube se mantenha na Série B, pelo menos. Agora, sobre reforços, o Papão precisa de um lateral-direito, um meia e dois atacantes, no mínimo. Edinho não é meia, mas um segundo volante. Carlos Alberto é uma incógnita, já Rogerinho e Carlinhos são muito irregulares e improdutivos”.
Charles Rezende, torcedor alviceleste, cabreiro com a estreia do time.
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Velhas dúvidas e poucas certezas no novo Botafogo
O torcedor botafoguense tem motivos para preocupações. A Série B mais competitiva dos últimos anos vai exigir um elenco mais estável, com peças de qualidade. O time que enfrentou o Papão tem perfil operário, o que é bom, mas ainda se perde em jogadas de pouca inspiração. A zaga é forte. Diego Jardel é meia de recursos, mas cansou muito cedo.
O ataque depende mais de Pimpão do que de Bill, muito impreciso nos chutes. E, francamente, Renê Simões já teve tempo suficiente para arranjar um volante menos atrapalhado que Marcelo Matos.
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Festival de bordoadas no clássico argentino
O futebol argentino, que no passado brindou o mundo com Alfredo Di Stéfano e Diego Maradona, brilha hoje intensamente no cenário da bola através dos dribles e golaços de Lionel Messi. Prova da excepcional qualidade do jogo praticado no país vizinho ao longo do tempo.
Pois na última quinta-feira, apenas 48 horas depois de mais um show irrepreensível de Messi na Champions League, me deparei com um tosco River Plate x Boca. Foi um dos piores jogos que vi na temporada, incluindo aí algumas peladas ordinárias vistas no nosso Parazão.
Cada time cometeu pelo menos 30 faltas (fora aquelas ignoradas pela arbitragem) e o jogo foi uma sucessão de cabeçadas, pernadas e cusparadas. O pior lado da decantada catimba argentina esteve solto em campo, diante de milhares de pessoas no estádio Monumental de Nuñez.
Um clássico secular não merecia o baixo nível de hoje. Nenhuma jogada digna de admiração, como também nenhum craque em campo, pelo menos que se fizesse visível em meio à troca de golpes entre os dois times rivais. À certa altura, parecia mais um duelo de rúgbi, tal a ferocidade dos litigantes. Uma noite triste para o futebol.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 11)
Tricolor estreia derrotando o Flamengo
Capa do DIÁRIO, edição de segunda-feira, 11
Galeria do rock
Capa do Bola, edição de segunda-feira, 11
Rock na madrugada – Deep Purple, Child in Time
Homenagem do blog a todas as mães do mundo
A sentença eterna
Camisa de Vênus passa o rolo compressor no Circo
DO BLOG DO JAMA – JAM SESSIONS
RIO – A turnê de 35 anos do Camisa de Venus começou muito bem noite passada no Circo Voador. Marcelo Nova diz que é a primeira desde 1987, em reuniões anteriores foram apenas alguns shows e Roberio Santana me disse que pode se estender até 2016. A maior parte da plateia nem era espermatozóide ainda quando a banda começou em Salvador no agora distante 1980. Casa cheia, visto das arquibancadas, o tempo não parecia ter passado. Uma galera jovem cantando a maioria das músicas, Marcelo mandava a primeira parte do verso, o povo completava, os refrões ficaram por conta do público, enquanto Marcelo passeava pelo palco ou até se sentava no estrado da bateria só apreciando a colheita das sementes que plantou. Sem contar a roda de pogo que se abriu em canções como Joana D’Arc, a última do show, com os jovens em frenéticas trombadas, exatamente como seus pais nos anos 80.
O Camisa de Venus nunca aliviou ninguém e continua na mesma batida: “Aos que nos acompanham desde o começo Bota pra fudê, aos que estão chegando agora bota pra fudê,” gritou Marcelo. Foi a música de abertura e a palavra de ordem usada o show inteiro, dava uma sumida, de repente lá estava em alto e bom som. Veteranos perto de mim, alguns já de cabelos platinados, voltaram à juventude para encher o peito e gritar a plenos pulmões.”Bota pra fudê!”
Marcelo Nova saiu pilhado do palco. Energizado pelo feedback monstro da plateia foi arredio com quem tentou lhe falar. Não posou pra fotos e saiu batido. Como tive dificuldade para entrar no backstage não o peguei. Roberio também estava meio no ar com a amostra do que os aguarda pelos palcos desses Brasis. Casa lotada, a banda ficou no palco uma hora e 24 minutos, um tempo padrão, a plateia merecia mais.
“Quando deixamos Salvador, o primeiro porto em que encostamos nossa nave foi aqui, faz todo sentido começar a turnê pelo Circo Voador,” disse Nova, em forma do alto de seus 63 anos, todo de preto, regendo o público com gestos quando não estava cantando. Plateia adora cantar em shows e teve horas em que virou um karaokê, enquanto Marcelo guardava o fôlego para canções menos conhecidas, como Rostos e Aeroportos e A Ferro e Fogo.
Foram poucas assim. Ele privilegiou o primeiro disco, de 1983 com quatro canções. O libelo sobre a violência contra a mulher em Bete Morreu, uma visão ácida da vida urbana em Passatempo, o amor rejeitado de Negue, samba canção sucesso de Nelson Gonçalves vertido para o rock e, heresia suprema (Oh! faz sinal da cruz, se benze), O Adventista, em que ele rezou o pai-nosso de joelhos enquanto a plateia repetia “não vai haver amor nessa porra nunca mais.” Foi o único disco na Som Livre porque eles não aceitaram a exigência de mudar o nome da banda, camisinha ainda não era fashion, quer dizer, até aceitaram para Capa de Pica. Não rolou.
Oportunidade de reconstrução
POR GERSON NOGUEIRA
O traumático desfecho da Copa Verde frustrou sonhos azulinos e surpreendeu a quase toda a torcida paraense, mas teve pelo menos um aspecto positivo. Com o revés, o Remo ganha a chance de analisar seus erros internos, remontar o elenco e partir para o projeto de acesso à Série C 2016.
Depois de incrível arrancada, durante a qual enfrentou nada menos que sete decisões, Cacaio e seu grupo foram duramente castigados na derradeira final. Os motivos do desastre são diversos, dependem do ponto de vista de cada um, mas todos concordam que é preciso mudar.
Como vários jogadores terão contratos vencendo em maio, junho e julho, há a previsão de redução drástica do elenco. Dificilmente o clube renovará os contratos de Rafael Andrade, Ciro Sena, George Lucas, Mateus, Jadilson, Camilo, Cezar Luz e Alberto. Já Bismarck, Felipe Macena e Fabrício têm boas chances de permanência.
Cacaio, que errou nas substituições feitas durante a decisão em Cuiabá, conquistou tanto em tão pouco tempo no clube que não chegou a ter seu prestígio afetado pelos efeitos da trágica derrota. Venceu seis de sete confrontos decisivos desde o começo de abril e deu ao Remo uma feição vencedora que a equipe havia perdido há tempos. Tem, portanto, todo crédito para comandar o processo de reconstrução, fazendo suas indicações para reforçar o elenco.
Ao longo dos próximos dois meses, quando o Remo ficará inativo, aguardando o começo da Série D, Cacaio e sua comissão técnica terão tempo e tranquilidade para ir em busca de jogadores regionais que fizeram boa figura no Campeonato Paraense.
Existe o já declarado interesse pelo meia Juninho (Parauapebas) e os zagueiros Ezequias (Independente) e Henrique (Parauapebas). Léo Rosa e Jaquinha, laterais do Independente, e Welton, atacante do Tapajós, também são especulados. Todos estão rigorosamente dentro do limite salarial que o Remo pretende adotar para o segundo semestre.
Além do mercado paraense, o Remo vai prospectar o futebol dos Estados vizinhos, a partir do que se observou na própria Copa Verde. No Cuiabá, alguns jogadores merecem atenção. Rafael Luz, organizador e artilheiro da equipe, é um nome até óbvio. O zagueiro Egon, o atacante Nino Guerreiro e o ala Maninho também se sobressaíram. O Princesa do Solimões (AM) apresentou o atacante Léo Paraíba, de bons recursos. No Nacional, o avante Leonardo também apareceu bem nos confrontos com o Papão.
Com sérias deficiências no miolo de defesa, laterais e setor de criação, Cacaio precisará de liberdade para escolher os jogadores que se adéquam ao projeto da Série D. Atletas que demonstrem o espírito competitivo e a ambição que parecem ter faltado no confronto final da Copa Verde.
Para reverter a imagem deixada na última apresentação deste semestre, ao Remo só resta agora se dedicar com afinco e determinação em busca da classificação à Série C, se possível com a conquista da Série D 2015. É um grande desafio, mas perfeitamente possível para quem conseguiu sair do fundo do poço em apenas 26 dias.
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O futebol nem sempre tem respostas fáceis
Nunca se vai saber exatamente o que abateu o time do Remo naquele errático primeiro tempo na Arena Pantanal. As perguntas irão se repetir por muito tempo ainda, sem receber respostas – por mais que se fale em sapato alto ou apatia, que se especule sobre desinteresse de alguns atletas ou, mesmo, que se levante a tese do cansaço físico e mental,
É difícil entender o que houve pela simples razão de que o futebol, apesar de simples na sua execução prática, é cercado de nuances e influências que o tornam extremamente complexo quanto a desfechos de jogos ou competições.
Ninguém, por exemplo, poderá dizer sem margem de erro o que cercou a bisonha atuação da Seleção Brasileira diante da Alemanha em Belo Horizonte na semifinal da recente Copa. O desastroso escore final também é difícil de explicar do lado alemão, que certamente irá se indagar durante décadas quais os motivos de tamanha bem-aventurança em 90 minutos.
Por ser emocionante, tenso e imprevisível é que o futebol é o que é. Por não dar espaço a explicações fáceis é que será sempre o esporte maior, capaz de arrebatar multidões, fazendo rir ou chorar.
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Séries A e B: hierarquia e incertezas
A abertura dos campeonatos da Série A e Série B movimentam o fim de semana esportivo no Brasil. A rodada inaugural serve para dar uma impressão inicial sobre os times. Na Primeira Divisão, há hoje uma clara hierarquia, que pode ou não se confirmar durante a longa competição.
Corinthians, Internacional, Cruzeiro, Grêmio, Atlético e São Paulo são os mais cotados para o título da temporada. Flamengo, Santos e Fluminense por fora. Palmeiras e Vasco são franco-atiradores. Os demais participantes, que têm orçamentos bem menores, dificilmente passarão da condição de figurantes.
Na Segunda Divisão, a disputa é muito mais equilibrada e acirrada. Além do Botafogo, que busca retornar à Série A, há um pelotão de pelo menos dez a doze times com chances reais de título e acesso, embora rigorosamente todos (inclusive o Papão) estejam na briga por uma das quatro vagas.
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Direto do blog
“Não quero causar problemas, nem cometer injustiças, mas os títulos do Brasília e do Cuiabá na Copa Verde me dão a impressão de combinação para promoverem as novas arenas da Copa nesses Estados. Querem justificar a existência dessas arenas, tanto que as finais sempre foram sorteadas para as duas capitais que foram sedes do Mundial de 2014. Tenho parentes em Belém e virei torcedor fanático do Papão, mas também do futebol do Pará. Não vi nas duas edições da Copa Verde nenhuma superioridade sobre dos outros times sobre os representantes do Pará”.
De Paulo Majone, de Sorocaba-SP, sobre as decisões da Copa Verde.
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Bola na Torre
Guerreiro comanda a atração a partir de 00h10, na RBATV, com participações de Giuseppe Tommaso, Géo Araújo e deste escriba de Baião na bancada de analistas. Começa logo depois do Pânico na Band.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 10)





