Mês: maio 2014
Não há mais bobo no futebol…
O deputado federal Romário (PSB-RJ) tem se notabilizado pelas críticas ferinas à organização e à realização da Copa do Mundo no Brasil. Apesar disso, não recusou duas propostas para estrelar anúncios relacionados com o mundial. Matéria publicada na edição desta sexta-feira no caderno SuperEsportes, do Correio Braziliense, aponta que Romário vai receber quase R$ 1 milhão para protagonizar as peças publicitárias. Romário, porém, insiste que seu discurso contra a Copa é coerente e que não muda o posicionamento em relação ao evento porque fez a propaganda.
Com O ou com A
Por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo
E vai por aí o conjunto de prepotências que nega o Direito. Deve ser o novo direito. Ou a velha direita?
Em muitos sentidos, o desenrolar do caso mensalão ultrapassou, desde o início do julgamento, a sua dimensão judicial. Sem mobilizar, no entanto, a classe dos advogados e juristas, que, em geral, evitou incluir-se na movimentação opinativa ativada pela imprensa e publicitariamente aproveitada, como de hábito, pelos chamados cientistas políticos, por sociólogos, historiadores e, não faltariam, economistas. Essa configuração do aspecto judicial e público do caso encerrou-se, e abre agora nova e diferente etapa.
Não fossem já as inúmeras evidências de que advogados e juristas rompem suas barreiras, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, propicia um exemplo eloquente. No posto que leva a preservar o silêncio, em relação a todo presidente do Supremo Tribunal Federal, mesmo que veja contrariado o seu trabalho, Rodrigo Janot opina com objetividade frontal sobre a retirada do trabalho externo, feita pelo ministro Joaquim Barbosa, de condenados ao regime de prisão semiaberta:
“O preso tem direito ao trabalho externo, se há oferta de emprego digno e condições de ressocialização.” Nem precisou de acréscimos.
Joaquim Barbosa não suscitou no meio jurídico apenas discordância e a sentida necessidade de torná-la pública, até para não aparentar aceitação da tese e do ato que impôs com a força do seu cargo (e parece que por ele pensada como sua). Há também muita preocupação com as possíveis extensões da sua decisão a julgamentos em curso no país afora.
Não é para menos. Trocado em miúdos, o que Joaquim Barbosa faz é extinguir a condenação ao regime semiaberto. Se é exigido do condenado a esse regime que, antes de usufruir do direito ao trabalho externo, cumpra em regime fechado um sexto da pena, ele está igualado aos condenados a regime fechado, que têm direito ao semiaberto quando cumprido igual sexto da pena. Ou seja, regime semiaberto e regime fechado tornam-se iguais. Ou um só.
A supressão arbitrária é o que mais agita o meio jurídico, mas não é única na tese de Joaquim Barbosa. Diz um trecho: “Não há (…) motivo para autorizar a saída do preso para executar serviços da mesma natureza do que já vem executando atualmente” dentro da penitenciária. O pedreiro, digamos, que tenha nesse ofício sua habilitação para obter emprego em obra externa, como condenado ao semiaberto, terá o seu direito cassado por já prestar serviços de pedreiro na prisão (o trabalho reduz a pena). A tese é um contrassenso primário, porque o regime semiaberto não se caracteriza pelo trabalho, mas pelo direito, sob determinadas condições, de sair da prisão durante o expediente de dias úteis e em alguns dias de folga.
E vai por aí o conjunto de prepotências, que não nega apenas os códigos brasileiros, mas o próprio Direito. Deve ser o novo direito. Ou seria só a velha direita? Tanto faz, que dá no mesmo.
Capa do Bola, edição de sábado, 17
Rock na madrugada – The Breeders, Divine Hammer
Ainda há jornalistas no Brasil
Por Jorge Furtado
Há muitos bons jornalistas no Brasil, em todos os veículos, em muitos blogs e sites. Sem os bons jornalistas nós, leitores, não temos como saber o que está acontecendo no mundo lá fora, esse lugar que vai do Guarujá até a Croácia, e além. Se você quiser saber o que realmente está acontecendo por aí e por aqui, precisa procurar os bons jornalistas, sem aceitar as facilidades das manchetes e dos comentários de encomenda, e sem a irresponsabilidade dos boatos da internet.
Os bons jornalistas tem uma tarefa bem simples e indispensável, vital para a sobrevivência da humanidade: a tarefa de buscar a verdade. Se ela existe ou não, a tal verdade, é questão menor, realmente não interessa. Existe, sem dúvida – no jornalismo, na ciência, na filosofia e também na arte – , a vontade de buscá-la, existe a necessidade de distinguir o que é verdadeiro e o que é falso e assim melhorar as chances de sobrevivência neste planeta inóspito, a necessidade de distinguir o que é certo e o que é errado, para tomar as decisões certas e não se deixar levar por instintos primitivos e exclamações da turba, ou a coisa acaba em linchamento.
Na internet, você pode facilmente organizar a sua própria lista de jornalistas, colunistas, blogs e sites favoritos, só anda mal informado quem quer, ou tem preguiça.
Quando o assunto é política, minha lista pessoal, no momento, está aqui: http://www.omercadodenoticias.com.br/pesquisa/
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Fico triste ao ver artistas brasileiros, meus colegas, tão mal informados.
Imagino que, com suas agendas cheias, não tenham muito tempo para procurar diferentes fontes para a mesma informação, tempo para ouvir e ler outras versões dos acontecimentos, isso antes de falar sobre eles em entrevistas, amplificando equívocos com leituras rasas e impressionistas das manchetes de telejornais e revistas ou, pior, reproduzindo comentários de colunistas que escrevem suas manchetes em caixa alta, seguidas de ponto de exclamação.
Fico triste ao ler artistas dizendo que não dá mais para viver no Brasil, como se as coisas estivessem piorando, e muito, para a maioria. Dizer que não dá mais para viver no Brasil logo agora, agora que milhões de pessoas conquistaram alguns direitos mínimos, emprego, casa própria, luz elétrica, acesso às universidades e até, muitas vezes, a um prato de comida, não fica bem na boca de um artista, menos ainda de um artista popular, artista que este mesmo povo ama e admira. Em que as coisas estão piorando? E piorando para quem? Quem disse? Qual a fonte da sua informação?
Fico triste ao ouvir artistas que parecem sentir orgulho em dizer que odeiam política, que julgam as mudanças que aconteceram no Brasil nos últimos 12 anos insignificantes, ou ainda, ruins, acham que o país mudou sim, mas foi para pior. Artistas dizendo que pioramos tanto que não há mais jeito da coisa “voltar ao ‘normal ‘”, como se normal talvez fosse ter os pobres desempregados ou abrindo portas pelo salário mínimo de 60 dólares, pobres longe dos aeroportos, das lojas de automóvel e das universidades, se ”normal” fosse a casa grande e a senzala, ou a ditadura militar. Quando o Brasil foi normal? Quando o Brasil foi melhor? E melhor para quem?
A mim, não enrolam. Desde que eu nasci (1959) o Brasil não foi melhor do que é que hoje. Há quem fale muito bem dos anos 50, antes da inflação explodir com a construção de Brasília, antes que o golpe civil-militar, adiado em 1954 pelo revólver de Getúlio, se desse em 1964 e nos mergulhasse na mais longa ditadura militar das américas. Pode ser, mas nos anos 50 a população era muito menor, muito mais rural e a pobreza era extrema em muitos lugares. Vivia-se bem na zona sul carioca e nos jardins paulistas, gaúchos e mineiros. No sertão, nas favelas, nos cortiços, vivia-se muito mal.
A desigualdade social brasileira continua um escândalo, a violência é um terror diário, 50 mil mortos a tiros por ano, somos campeões mundiais de assassinatos, sendo a maioria de meninos negros das periferias, nossos hospitais e escolas públicos são para lá de carentes, o Brasil nos dá motivos diários de vergonha e tristeza, quem não sabe? Mas, estamos piorando? Tem certeza? Quem lhe disse? Qual sua fonte? E piorando para quem?
(*) Jorge Furtado é diretor e roteirista de cinema e TV.
Enquanto isso, no país da Copa…
Dilma quer reforma no futebol após a Copa
Por Renato Maurício Prado
Um dos grandes legados da Copa do Mundo no Brasil pode ser uma profunda reforma das estruturas e a modernização do nosso futebol. Ao final de um jantar com 10 jornalistas esportivos, no Palácio da Alvorada, a presidente da República, Dilma Rousseff, se empolgou, ao abordar o assunto, e mandou agendar, para o próximo dia 27, uma terça-feira, reunião com os líderes do Bom Senso F.C – possivelmente até com a presença do zagueiro Paulo André, que atualmente joga na China.
– Quero conversar com eles, antes da estreia do Brasil. A modernização do nosso futebol seria um grande legado da Copa. E, por tudo que ouvi essa noite, me parece que a turma do Bom Senso poderá nos ajudar a encontrar alguns caminhos.
Dilma estava especialmente interessada em entender as estruturas de poder da CBF, Federações e clubes. Mostrou-se ainda simpática a ideia da formação de uma liga independente, que poderia fortalecer e dar mais liberdade aos clubes, como acontece, por exemplo, na Inglaterra e na Alemanha.
– É muito triste ver, como vi, o outro dia, um garoto que me dizer que não se interessava por futebol. Isso é grave. O futebol é um dos mais importantes patrimônios culturais do nosso país. Não podemos permitir que se esvazie. É preciso que os clubes encontrem formas de se tornar mais fortes, para manter nossos melhores jogadores atuando aqui e não no exterior.
Ciente das enormes dificuldades financeiras que os clubes brasileiros enfrentam (fruto de suas próprias administrações desastrosas), a presidente ressaltou não ser favorável ao perdão das dívidas nem a novo parcelamento sem contrapartidas bem definidas:
– Não adianta ficar refinanciando o que os clubes devem, se eles não conseguirem arcar com as prestações de suas dívidas e com os impostos futuros. Se houver nova inadimplência, o melhor caminho me parece ser mesmo o de penas esportivas. Podemos ajudar com o novo programa, mas exigindo um comportamento correto daqui pra frente. Quem não cumprir o combinado, deve perder pontos e pode até ser rebaixado ou excluído dos campeonatos.
Uma intervenção governamental direta, entretanto, está afastada:
– Não vou criar a Futebrás. Mas o Governo pode conduzir essa reforma e a modernização das gestões. A CBF, a Federação e os clubes são entidades privadas, mas, por exemplo, todos os 12 estádios construídos ou reformados para a Copa têm dinheiro do BNDES e, portanto, podem ser fiscalizados…
VIOLÊNCIA E MANIFESTAÇÕES
O tema da violência nos estádios também entrou na pauta e mereceu atenção especial:
– Não é possível que um torcedor morra, atingido por um vaso sanitário e nada aconteça. Precisamos fazer algo – disse, dirigindo-se ao ministro de esportes, Aldo Rebello.
Já em relação aos prováveis protestos e distúrbios, durante o Mundial, Dilma se mostrou segura:
– Aprendemos muito com o que houve na Copa das Confederações. Ali tivemos excessos das duas partes; dos manifestantes e da repressão policial. Desta vez, acho que todos se portarão de forma bem diferente, até porque a opinião pública está contrária a violência e quebra-quebra . De qualquer forma, fizemos um grande trabalho de integração entre todas as forças de segurança, as polícias militar e federal e até o exército, que participará como última linha de proteção dos cinturões que serão posicionados em torno dos estádios, hotéis das delegações e aeroportos. Garanto que nenhum membro da Fifa ou das seleções estrangeiras será importunado.
Apesar dos atrasos nas obras, a presidente continua convencida de que o Brasil fará “a Copa das Copas”.
– Vai tudo funcionar, vocês vão ver. E o país do futebol sediará o maior espetáculo esportivo do mundo como ninguém.
Nem mesmo os atrasos nas obras, como as dos aeroportos a desanima:
– Começamos o processo dos aeroportos em 2011 e embora as reformas ainda não estejam todas prontas, não teremos atropelos, vocês verão. As delegações de chefes de estado deverão desembarcar em bases aéreas militares, até por uma questão maior de segurança, e as demais serão bem atendidas, mesmo nos aeroportos que ainda estão sendo reformados, pois já terão áreas novas e estruturas temporárias para facilitar o embarque e o desembarque. O Galeão, no Rio, por exemplo, só ficará totalmente pronto daqui a uns três anos. Mas vai funcionar bem durante o Mundial e, quando estiver totalmente reformado, deverá se tornar o principal ponto de conexões da América do Sul, superando até São Paulo. A empresa que assumiu 51% dele não nos pagaria, como pagou, R$ 19 bilhões, senão tivesse a certeza de que poderia transformá-lo num enorme sucesso empresarial. A Infraero, que ficou com 49%, terá nessa parceria um ganho enorme de know-how de operação. Conhecimento que poderá ser utilizado em todos os outros aeroportos que opera, Brasil afora.
SEM MEDO DE DERROTA
O risco de a Copa trazer algum tipo de repercussão negativa para o Governo, segundo Dilma, não a assusta. E ela nem mesmo crê que a conquista da Copa possa influenciar os eleitores:
– Sinceramente, não acredito que nada disso vá influir decisivamente na eleição. Nem ganhando, nem perdendo. O que vai contar mesmo são as realizações do meu Governo. Que são muitas e as mostraremos em detalhes, depois do Mundial, durante a campanha.
As últimas pesquisas, que apontam uma queda de seus índices de votação, aumentando a possibilidade de um segundo turno, também não tiram o seu sono:
– Em 2006, nessa mesma época, o Lula tinha índices piores que os meus e ganhou. Quanto a ir para um possível segundo turno, nenhum problema. Ninguém se candidata pensando em vencer no primeiro turno. O importante é a vitória final.
Com o assunto descambando para ã eleição, Dilma falou também da possibilidade, sempre aventada, de Lula a substituir como candidato, caso a situação se torne preocupante:
– Lula e eu somos muito próximos. Já passamos muita coisa junta. De bom e de ruim. E ele já me disse que nem sequer cogita essa hipótese. É a minha hora. E vou até o fim. Perdendo ou ganhando.
Quando lhe perguntei sobre a propaganda que tem sido feita na TV, mostrando pessoas que dizem não querer perder o que conquistaram nos últimos governos, a presidente preferiu não se aprofundar na discussão que fala numa troca da estratégia da “esperança vencer o medo”, da época da primeira eleição de Lula, para o temor de se perder as conquistas atuais das classes mais pobres :
– Sinceramente, ainda nem vi essa propagada. Mas é importante dizer que ela é do PT, não do Governo. E acho que eles têm todo o direito de se defender, quando atacados.
ISOLANDO NA MADEIRA
Já ao final do jantar, voltando ao mundo da bola, lhe perguntei sobre aquele que poderia ser, em sua opinião, o maior adversário do Brasil na Copa. Lembrei, brincando até da declaração do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que ameaçava se matar em caso de derrota na final para a Argentina. Dilma riu, bateu na madeira da mesa e emendou:
– Eu não vou matar. E nós não vamos perder… – enfatizou, batendo, novamente na madeira.
Na despedida bem-humorada, uma última informação:
– Completei o álbum de figurinhas da Copa, viu?
Estiveram presentes, no jantar do Alvorada, além da presidente Dilma Rousseff, os ministros Aldo Rebelo, do esporte, Paulo Bernardo, das comunicações, Thomas Traumann, da secretaria de comunicação social, e os jornalistas Juca Kfouri, Paulo Vinícius Coelho, Milton Leite, Renata Fan, Paulo Calçade, Paulo Santana, Tino Marcos, Téo José, Mauro Betting e este escriba.
Pra não esquecer a poesia
“É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração”
Vinícius de Moraes, em Samba da Bênção
A arte de Atorres
Dilma recebe os craques da comunicação esportiva
Depois de jantar no Palácio da Alvorada, ontem à noite, em Brasília, jornalistas esportivos posam para foto ao lado da presidenta Dilma Rousseff e dos ministros dos Esportes, Aldo Rabelo, e das Comunicações, Paulo Bernardo. Aparecem no registro, da esquerda para a direita, Téo José (Band), Paulo Vinícius Coelho (ESPN), Renato Maurício Prado (Fox e O Globo), Juca Kfouri (ESPN e UOL), Mauro Betting (Band), Renata Fan (Band), Milton Leite (Sportv), Paulo Calçade (ESPN).
Irmãos Marinho têm a maior fortuna do Brasil
Os irmãos Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho aparecem no topo da lista das famílias mais ricas do Brasil, divulgada pela revista Forbes. Juntos, a fortuna dos Marinho soma US$ 28,9 bilhões, o equivalente pelo câmbio atual a R$ 64,3 bilhões, quase 50 vezes o custo da Arena Itaquera, o estádio de abertura da Copa 2014.
A lista das 15 famílias mais ricas do Brasil tem também outros sobrenomes famosos como Safra, Ermírio de Moraes, Moreira Salles, Camargo Correia, Vilella, Odebrecht e Setubal, entre outros. As fortunas das 15 famílias mais ricas do Brasil guardam US$ 122 bilhões, o equivalente a R$ 269 bilhões, ou cerca de 5% do PIB do país. Segundo a revista, o número de bilionários no País cresceu significativamente desde 1987, quando a primeira lista de bilionários Forbes foi publicada.
Na época, apenas três brasileiros estavam no grupo dos bilionários do mundo: Sebastião Camargo, fundador do grupo Camargo Correa e dono da marca sandálias Havaianas; Antônio Ermírio de Moraes, um dos acionistas do Grupo Votorantim; e Roberto Marinho, que herdou o jornal O Globo e deixou para os filhos as Organizações Globo, maior império de mídia do continente.
Na lista deste ano, aparecem 65 brasileiros bilionários, sendo que 25 deles são parentes. Oito famílias têm vários membros no ranking. A revista constata que nascer rico ainda é o jeito mais fácil de virar bilionário, embora a porcentagem dos herdeiros venha diminuindo nos últimos rankings dos mais ricos do mundo. A família Odebrecht, por exemplo, é uma das mais ricas do País mas tem 15 pessoas dividindo a fortuna. (Do Estadão)







