Enfim, um reforço de verdade

unnamed (58)

Por Gerson Nogueira

Quando dirigentes saem à cata de reforços quase sempre quebram a cara. Contratam mal, exageram na quantidade e gastam mais do que seus orçamentos permitem. É um eterno calo na gestão do futebol paraense. Tanto que virou lugar-comum criticar a política de contratações de Remo e Paissandu, notadamente nas últimas duas décadas. Raríssimos são os casos de acertos. Ante a avalanche de maus negócios nessa área, até a aquisição de jogadores apenas medianos já é saudada com alívio.

unnamed (61)O Paissandu, que atravessou a temporada de 2013 às voltas com quase meia centena de contratações de baixa qualidade, iniciou a temporada acertando em cheio. A primeira bola dentro foi a vinda de Sérgio Papellin para cuidar do gerenciamento do futebol profissional. A experiência anterior, com Oscar Yamato, resultou em fiasco e insatisfação, por motivos diversos.

Sob a batuta de Papellin, o Paissandu passou a prospectar o mercado dos atletas de porte médio, longe das loucuras de negócios inflacionados pela esperteza de agentes e empresários. Com a chegada do técnico Mazola Junior, iniciou-se um processo de contratações pontuais, mirando na qualidade e nas necessidades do elenco.

A diretoria confiou na visão de seu gerente e resistiu bem às cobranças da torcida, ávida por nomes badalados e instigada pela política de risco desenvolvida pelo maior rival. Deu certo. Aos remanescentes da Série B foram acrescentados três zagueiros (João Paulo, Lacerda e Charles), um lateral-esquerdo (Aírton), um volante (Augusto Recife), dois meias (Héverton e Bruninho) e um centroavante (Lima). No limite do prazo para inscrições no campeonato, chegaram mais dois meias, Marcos Paraná e Jô.

Pode-se até questionar a demora na aquisição de atletas para a disputa da Copa Verde, mas não há como negar que a política conservadora nas contratações é digna de aplausos e vem em boa hora. Melhor ainda porque os jogadores disponíveis vêm dando conta das exigências impostas pelas competições disputadas.

Acima de todos, sem dúvida, está o atacante Lima. Com boas credenciais pelo histórico no futebol catarinense, veio cercado de certa expectativa quanto ao comportamento extracampo. Em poucas rodadas, conseguiu mostrar que a aposta foi muito bem sucedida em todos os aspectos.

Artilheiro do Parazão e da Copa Verde, com folga, Lima tem a eficiência e a frieza dos grandes goleadores. Sua virtude maior é a colocação na área, que facilita tanto o jogo aéreo quanto as manobras com bola no chão. Forte fisicamente, costuma ganhar nas disputas diretas com os zagueiros e finaliza muito bem, raramente desperdiçando oportunidades.

O campeonato estadual está na metade, mas ele já é o principal destaque entre os atacantes, destacando-se inclusive nos confrontos com o maior rival – teste fundamental para os centroavantes locais. A Copa Verde se encaminha para a reta final e não há outro finalizador a lhe fazer sombra. Outros jogadores (Charles e Max, no Remo) também se destacam, mas Lima é até agora a mais destacada exceção ao festival de engodos dos últimos anos.

———————————————————-

Da insustentável leveza do jogo

Pela ordem natural das coisas, depois da goleada sofrida pelo Remo diante do Internacional seguida da troca de técnico e da vitória de virada do Paissandu sobre o Santa Cruz, o favoritismo no clássico já teria nome e endereço. Mas quem disse que o futebol é regido pela ordem natural das coisas? Felizmente, estamos diante do mais imprevisível dos esportes coletivos. Seria muito chato se os jogos fossem regidos por determinismo.

Vai daí que voltamos à situação habitual das vésperas de Re-Pa. Nenhum favoritismo claro, pois quem parece melhor antes pode de repente cair de produção ao longo dos 90 minutos. Valências como força física, raça, determinação e superação podem influir de parte a parte, por vezes de maneira mais decisiva do que a própria técnica. Isso já aconteceu repetidas vezes, desautorizando (e desmoralizando) profetas e xamãs.

O Paissandu tem um time ajustado. Está mais confiante, tranquilo e inteiro fisicamente, pois poupou metade do time na quinta-feira. O Remo vem abalado emocionalmente, tenso e pressionado, além de desgastado pela jornada inglória da quarta-feira. Nada disso, por incrível que pareça, pode ser apontado como fator que desequilibre forças e assegure vantagens.

———————————————————-

unnamed (85)

Reflexos de uma queda

A demissão do técnico Charles Guerreiro na quinta-feira desencadeou um debate sobre a maneira como profissionais do futebol são tratados na hora de deixar os clubes. O próprio Charles reclamou da atitude dos dirigentes, mas o certo é que não se achou ainda um jeito de lidar com isso, principalmente nos clubes de massa, sujeitos a toda sorte de pressão e cobranças.

Charles vinha sofrendo fritura desde o começo do campeonato. A vitória no primeiro turno estabeleceu uma trégua, que foi abalada com o empate em casa diante do Nacional. O segundo empate, em Manaus, deu a classificação, mas não aliviou o coro de críticas ao técnico. Por isso, a surra imposta pelo Inter tornou insustentável sua permanência.

A diretoria, por mais que pudesse tentar outra maneira de comunicar o afastamento, não tinha meios de enfrentar a fúria do torcedor e a contrariedade dos associados. Calejado no futebol, o próprio Charles certamente tem consciência disso.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 16) 

18 comentários em “Enfim, um reforço de verdade

  1. Bom dia Gerson Nogueira & Amigos do Blog;
    Perfeito, como sempre, os comentários da coluna, foca na cultura imposta ao futebol paraense, por dirigentes que sempre utilizaram essas instituições, para se promoverem na carreira política partidária dos Estados da Federação Brasileira, e da União, inclusive, quando chega, porém, o momento da mudança, o conservadorismo instalado reclama, é o caso das torcidas, onde me incluo, daí a tradicional chiadeira, quando seca a fonte das badaladas contratações, mas, é sim digna de elogios, a conduta profissional, da atual direção do Grande Bicolor Celeste Amazônico centrada no Vandick Lima, sabemos da equipe que o ajuda nessa empreitada.
    Quanto ao Yamato, todos sabemos que desenvolveu bom trabalho, com muito boas indicações, não concretizadas, devido aos elevados salários, daí é que se cristaliza o problema que foi contratar quem não conhece a região, o nosso celeiro de craques continua por aqui, daí, a contratação do Papellin, se transformou na melhor aquisição do momento, e das melhores da atual gestão, senão a melhor.
    Quanto ao nosso ´plantel e sobre o trabalho do Mazola, está de parabéns, ele conseguiu dar padrão de jogo ao time e o mais notável, dar rotatividade ao elenco, sem prejuízos aos resultados perseguidos, conseguiu ainda otimizar o desempenho do talento do Pikachú, aí ele foi muito ousado e deu reais condições de aproveitamento aos da base, aos Regionais, oportunidades tão reclamadas por muitos daqui;claro, não somos nenhum Barcelçona, nem assim o desejo, quero o meu Paysandu, sempre, como em sendo o “Grande Bicolor Celeste Amazônico” podem, os adversários, nos roubar uma sub sede de copa do mundo, mas, NA AMAZÔNIA BRASILEIRA A SOBERANIA DO FUTEBOL É NOSSA!! doa em quem doer, e isso dói, eu sei que dói, e muuuuuuito.

    Curtir

  2. Concordo com quase tudo, só faço uma observação, em qualquer lugar do mundo a grande maioria das contratações não dão certo, por diversos motivos.

    Curtir

  3. Boa coluna amigo Gerson.

    Sobre esta temática, penso que, no caso do Paissandu, deve-se avaliar muito criteriosamente o plantel para série C, posto que, ano passado o Paissandu também realizou poucas contratações no paraense, montando um plantel razoável.

    Todavia, no Brasileiro série B, constatamos o óbvio, campeonato paraense não é parâmetro para competição nacional.

    Vale lembrar que no início da série B o Paissandu realizou contratações pontuais que não vingaram. Depois, desesperados pelo possivel rebaixamento, os dirigentes passaram a contratar sem muito critério (Fabiano gordo foi o pior deles).

    Bom dia a todos, bom jogo e muita Paz.

    Curtir

  4. Fazer uma boa análise é obrigação do Gerson pela bagagem que carrega. O seu boneco deve ficar no comando caso o Remo vença, pois seria um erro mudar o comando depois de um bom resultado. Os bicolas são favoritos e isto é muito bom para o Mais Querido que após a humilhante derrota, precisa mostrar que tem um elenco bom para os demais campeonatos. Por outro lado, o Claudio Santos continuará secando, pois prefere o seu Leão caindo do que ver sua convicção de descrédito junto aos técnicos regionais seja abalada. Te dizer.

    Curtir

  5. Rosivan, o que o Cláudio já falou aqui (que o Remo ataca de forma desordenada), já foi comentada pelo amigo Gerson, pelo comentarista do Esporte Interativo e pelo comentarista do SporTV, no jogo contra o Inter. Eu e muitos outros também vêem isso, então não é possível que seja simplismente “secação”. Vamos analisar o jogo com inteligência ok?

    Curtir

  6. Pé atrás amigos, o leão tá ferido em seus brios e isso é um belo combustível. Os caras vão vibrar a cada bola roubada, a cada defesa do Fabiano e imaginem se sairem na frente. A permanência do CG seria boa pro Paysandu, já seu Boneco é talhado pra essas situações adversas.

    Curtir

  7. Anselmo, a secação do amigo Claudio Santos não é novidade. Você é novo no pedaço e nem imagina o quanto ele derruba. Podia ter 100% em tudo e ele ainda diria…Me tirem os tubos…kkkk

    Curtir

  8. Mangueirão de REPA é emoção a flor da pele.
    REPA é emoção, tensão. O coração acelera e os pelos da pele se inflamam. Quem é desta terra e gosta do esporte sabe do que eu escrevo. Tal como muitos momentos da vida, não existe espaço para racionalidade e lógica. Nada se compara a estar lá. Somos amazônicos, caboclos do Pará em nossas essências. Nosso dia a dia e nossa cultura respiram o REPA. Hoje é como se o nosso pequeno mundo parasse. A Copa Verde é o retrato da emoção. Viva o Mangueirão.

    Curtir

Deixar mensagem para Anônimo Cancelar resposta