CBF homenageia o Clube do Remo

Em seu site oficial, a CBF homenageou hoje o Clube do Remo pela passagem do 113º aniversário da agremiação. Abaixo, a íntegra do texto:

REMO X PAYSANDU.
Foto-Wagner Santana/Diário do Pará.

Parabéns, Leão Azul!

Clube do Remo completa 113 anos nesta segunda

Belém está em festa nesta segunda-feira (5). Há 113 anos, era fundado o Clube do Remo. A história do Leão Azul começa no século XX, época em que o remo era um dos principais esportes praticados no Brasil.

No Pará, as competições eram realizadas às margens da baía do Guajará com a presença de grandes públicos. Em uma dessas disputas, no ano de 1905, alguns atletas vinculados ao Sport Club do Pará decidiram se desligar da agremiação devido a desentendimentos com outros companheiros de equipe momentos antes da realização de uma regata. Esses sete atletas logo tiveram a ideia de criar um clube pelo qual pudessem desenvolver as suas atividades. A eles juntaram-se outros desportistas que compartilhavam do mesmo interesse e, juntos, fundaram o Grupo do Remo, em 5 de fevereiro de 1905. 

Ao longo de seus 113 anos de existência, o Leão Azul teve muitas conquistas, com destaque para os seguintes torneios e campeonatos já disputados pela equipe paraense: 44 Campeonatos Paraense; um Campeonato Brasileiro Série C (2005); três Copas Norte (1968, 1969 e 1971); um Campeonato Norte-Nordeste (1971); Torneio Internacional de Caracas (1950). 

Atualmente, o Clube do Remo ocupa a 57ª posição do Ranking Nacional de Clubes com 1.776 pontos. A CBF parabeniza o clube por mais esse ano no futebol brasileiro e deseja muitas glórias no futuro. Parabéns, Leão Azul!

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Da Matta deve fazer mudanças para a estreia na Copa do Brasil

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Com um grupo de 19 jogadores, o Remo viajou nesta segunda-feira ao Espírito Santo enfrentar o Atlético (ES) na cidade de Itapemirim, pela Copa do Brasil 2018. A delegação ficará hospedada cidade vizinha de Cachoeiro de Itapemirim (ES), a 60 quilômetros do local da partida. Antes da partida, marcada para quarta-feira, às 15h30, o time faz um último treinamento amanhã.

O Remo precisa vencer ou empatar para seguir na competição. O técnico Ney da Matta dirigiu treino coletivo neste domingo, no campo do Ciaba, fez várias mudanças, mas não definiu a equipe. A escalação mais provável é a seguinte: Vinícius; Levy, Mimica, Bruno e Esquerdinha; Geandro, Felipe Recife, Fernandes e Jefferson Recife; Isac (Jayme) e Felipe Marques.

Jayme, que vem se destacando nos jogos, pode ser uma opção para a partida, bem como o atacante Elielton (foto), herói azulino no Re-Pa. O meia Andrey que antes estava cotado para ser titular substituindo a Adenilson não viajou com a delegação. Martony também não foi relacionado. Rodriguinho entrou na lista substituindo Andrey e o garoto Kevin vai no lugar de Martony.

A relação dos convocados:

Goleiros: Vinícius e Douglas Dias

Laterais: Levy, Esquerdinha e Jefferson Recife

Zagueiros: Kevin, Mimica e Bruno Maia

Volantes: Felipe Recife, Fernandes, Geandro, Leandro Brasilia e Yuri

Meias: Adenilson e Rodriguinho

Atacantes: Elielton, Felipe Marques, Jayme e Isac 

‘Ordem e Progresso’ desde que continuem nossas putarias

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Por Gregório Duvivier, na Folha de SP

Uma língua diz muito sobre a cultura na qual ela está inserida. Os esquimós, dizem, têm 50 palavras para a neve, outros dizem que são 7, outros dizem que isso não passa de um mito linguístico, o que muito provavelmente é verdade, mas é muito chato quando alguém estraga seu exemplo com preciosismo linguístico.
Tenho a impressão de que nosso maior tesouro vocabular se concentra no ramo da corrupção. Tramoia, mamata, mutreta, maracutaia, trambique, propina, esquema, falcatrua, negociata, muamba, faz-me rir. A corrupção está pra gente como a neve pro esquimó.
O léxico, claro, não é estanque. Aumenta à medida que surgem novas e inusitadas maneiras de burlar a lei. Mensalão, Petrolão, Trensalão, Pixuleco, Propinoduto, Grande-Acordo-Nacional-Com-Supremo-Com-Tudo.
Sérgio Côrtes, secretário preso de Sérgio Cabral, teclou, da cadeia, para um empresário-parceiro: “Podemos passar um tempo na cadeia, mas nossas putarias têm que continuar”. “Nossas-putarias” se destaca pela franqueza. Podia entrar na bandeira. Ordem e Progresso Desde que Continuem Nossas Putarias.
Essa semana surgiu uma expressão preciosa. Revelou-se, só agora, que o juiz Sergio Moro recebe, há anos, o famoso auxílio-moradia, mesmo já tendo moradia e já tendo um salário que beira os R$ 30 mil, fora os benefícios (em dezembro passa de R$ 100 mil).
Questionado, o juiz chamou o auxílio-moradia de “compensação” porque seu salário não pode ser reajustado por causa do teto constitucional.
A palavra “compensação” pra designar uma tramoia me fascinou porque mostra bem como pensa aquele que pratica uma contravenção: ele está sempre apenas resgatando o que lhe é de direito.
Sonego, mas pra compensar tanto imposto. Roubo, mas pra compensar o que me roubam. O tríplex, o helicóptero de cocaína, o apartamento cheio de caixas de dinheiro, a mala, o dinheiro na cueca, os 500 anos de vantagem indevida: tudo compensação.
Moro, claro, não é o único. Os três juízes do TRF-4 também recebem auxílio-moradia embora também possuam moradia, além do salário vultoso. Esse ano a gente deve gastar R$ 800 milhões só com o tal auxílio-moradia. Um dinheiro precioso num país em que tanta gente não tem onde morar.
Como é que esse povo dorme à noite? Pensando: “Não é corrupção, é compensação”.
Por que então pagamos o auxílio, já que não é pra moradia? Moro assumiu, Fux também: pra que juízes ganhem mais do que é permitido por lei. Isso foi dito por agentes da lei.
Até quando essas putarias vão continuar?

Quem, afinal, apequena a Justiça?

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio determinou nesta segunda-feira (5) o arquivamento de um inquérito aberto em 2004 contra o senador Romero Jucá (MDB-RR). O pedido de arquivamento foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em função da prescrição da pretensão punitiva.

O inquérito apurava o envolvimento do senador em um suposto esquema de desvios de recursos oriundos de emendas parlamentares para o município de Cantá (RR) em troca de vantagens indevidas, entre 1999 e 2001.

Ao solicitar o arquivamento, a PGR afirmou que os dados colhidos durante as investigações foram insuficientes para “colher elementos indicativos ou comprobatórios” da prática de delitos”. Para a procuradoria, a prescrição da pretensão punitiva ocorreu em 2017, 16 anos após a data dos supostos crimes. (Da Ag. Brasil)

Reabilitação adiada

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo se desenhava como a chance de reabilitação do Papão após as duas derrotas seguidas (Remo e Novo Hamburgo), mas a atuação repetiu o padrão das últimas apresentações. Cauteloso em excesso e pouco confiante, o time foi sufocado pelo esforçado Paragominas, que prevaleceu no primeiro tempo e só pecou nas finalizações.

O 2º tempo, disputado sob chuva, teve pouco futebol, mas os bicolores continuaram a jogar em nível insatisfatório, perdendo divididas e errando muitos passes. O empate em 0 a 0 não fez justiça ao volume ofensivo do Paragominas na partida.

Dispersivo e com o setor defensivo desprotegido, sem participação dos laterais Victor Lindenberg e Maicon, o PSC custou a se aprumar em campo. A cada investida do Paragominas, a defesa entrava em pânico. Apavorada, saía dando chutão e mandando a bola para fora, sintomas de um time sem entrosamento.

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A opção por dois armadores, Fábio e Pedro Carmona, pretendia tornar o time mais agressivo. Na prática, a proposta não deu em nada, pois ambos evitaram as jogadas de risco e ficaram sempre desconectados dos atacantes Cassiano e Moisés. A única boa investida do primeiro tempo resultou em chute torto de Carmona após passe de Cassiano.

Pelo lado do Paragominas, Balotelli, um atacante de força, criou seguidas situações de perigo. Errou três finalizações que poderiam ter levado ao gol, mas se destacou pela luta incessante. Na maioria das tentativas, levou a melhor sobre os marcadores, inclusive no lance mais bonito da tarde, aos 13’ do segundo tempo, quando disparou um chute cruzado que bateu na haste de proteção da trave de Marcão.

João Neto, Luquinha e Lincoln foram outros destaques da equipe. Curiosamente, apenas Marcão teve presença digna de registro no PSC. Muito exigido, fez intervenções corretas, sem dar rebotes.

A impressão é de que comissão técnica e jogadores do Papão ainda não atinaram para o tamanho do compromisso que têm com o projeto estabelecido pelo clube para a temporada. A maioria parece ver o Parazão como algo menor, esquecendo que a construção de um time vitorioso deve começar pela competição estadual.

Até agora, o PSC não mostrou qualidades que o diferenciem dos demais times do campeonato. Dispõe de valores individuais mais conhecidos e valorizados, mas é preciso que esses jogadores mostrem que podem ser úteis ao time.

A desorganização e o pouco apetite ofensivo refletem os tropeços recentes e também as dúvidas esboçadas pelo próprio treinador, ainda indeciso quanto a usar dois ou três volantes. A fragilidade defensiva afeta a produção dos laterais e, por tabela, termina estourando na linha de frente, onde Cassiano e Moisés têm ficado muito isolados e sem função.

O mais preocupante é que, em meio à crise provocada pelos últimos resultados, técnico e jogadores tenham saído de campo valorizando um empate conquistado a duras penas, satisfeitos com o resultado. É, no mínimo, uma visão distorcida da realidade.

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Críticas exigem equilíbrio e compreensão

Depois do jogo, entrevistado pelo repórter Dinho Menezes, o goleiro Marcão afirmou que o empate tinha sido importante, atribuiu ao gramado parte das dificuldades da equipe, destacando sempre que o time é muito técnico e possui alta qualidade. São jogadores que, acostumados a jogar em arenas da Copa, têm dificuldades de adaptação nos gramados locais.

Reclamou de cobranças exageradas e ressaltou, como problemas determinantes para a atuação de ontem, o trauma do revés em Novo Hamburgo e o desgaste das viagens, fator citado também pelo técnico.

Quanto às viagens, o problema é de natureza geográfica e, portanto, sem solução. Sobre críticas e trauma de derrotas, é preciso serenidade e compreensão quanto às expectativas do torcedor. Acima de tudo, cabe entender que o privilégio de jogar em time de massa traz junto o ônus da cobrança permanente.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 05) 

Rock na madrugada – The Byrds, I’ll Feel A Whole Lot Better

Bate-papo no boteco virtual – Paragominas x PSC

Campeonato Paraense 2018 – 5ª rodada

Paragominas x Paissandu – Arena Verde, em Paragominas, às 16h

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Na Rádio Clube, Carlos Gaia narra, Gerson Nogueira comenta. Reportagens – Dinho Menezes, Giuseppe Tommaso. Banco de Informações – Adilson Brasil 

Fargo 2ª temporada: ironia fina, direção firme e excentricidades seguram a trama

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Por Vitor Gross, no Omelete

Uma das minhas poucas ressalvas com a primeira e brilhante temporada de Fargo era a maneira como alguns cacoetes de narrativa e arquétipos de personagens foram praticamente tirados do longa de 1996 e implementados – com muita habilidade, vale ressaltar – na televisão. Não levo isso como um defeito em si, mas como algo que poderia ser melhor aproveitado. E foi o que Noah Hawley fez no segundo ano da produção do FX: tudo mudou, mas a essência irônica e excêntrica da criação dos irmãos Coen foi mantida com originalidade.

Ambientada em 1979 na cidade de Luverne, Minnesota, Fargo retornou com a difícil tarefa de orquestrar quatro núcleos diferentes e narrar a caminhada de seus personagens até o massacre de Sioux Falls, mencionado na primeira temporada por Lou Solverson (então vivido por Keith Carradine, papel segue no segundo ano para Patrick Wilson), o pai de Molly e agora protagonista da série. O ainda jovem policial precisa investigar um sangrento crime envolvendo a criminosa família Gerhardt; o estranho casal Peggy (Kirsten Dunst) e Ed Blumquist (Jesse Plemons); e o conflito entre os criminosos locais e a máfia de Kansas, com sua trupe liderada pelo filosófico Mike Milligan (Bokeen Woodbine).

No início do primeiro episódio é possível notar que o humor negro será um personagem recorrente. Logo quando Rye Gerhardt (Kieran Culkin), filho mais novo do casal Floyd (Jean Smart) e Otto (Michael Hogan), entra em cena e discute com seu irmão Dodd (Jeffrey Donovan), Fargo antecipa em apenas algumas linhas de diálogo a bagunça absurda que aguarda os personagens nos próximos capítulos.

Mesmo que o humor por vezes ácido e característico das produções dos irmãos Coen – produtores executivos da série – apareça com frequência, a maneira como ele é implementado acaba sendo o diferencial. Por mais que todos os personagens contribuam para o ar cômico em algumas cenas, eles fazem isso sem perder a seriedade e densidade de suas personas. Os momentos genuinamente dignos de uma comédia são fruto de situações absurdas e personagens preparados para isso, como Karl Weathers (Nick Offerman), o único advogado da cidade que claramente tem uma personalidade inspirada em Walter Sobchak (John Goodman), de O Grande Lebowski, e rouba a cena em seus poucos minutos de tela.

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Já a seriedade do programa alcança um nível muito mais profundo do que o visto na primeira temporada. Abandonando o simbolismo e alegorias dos primeiros dez episódios – que levaram muitos a acreditar que o Lorne Malvo de Billy Bob Thornton fosse o próprio diabo -, Fargo volta com uma proposta um pouco mais desenvolvida. O contexto social da época é refletido de maneira quase que intimista em seus personagens, fazendo com que o tempo de tela de cada um deles seja relevante não só para o andamento da trama, mas também para a construção daquele universo recheado de um medo sutil e momentos que flertam com o realismo mágico. Desde o papel de uma mulher na estrutura familiar da época, bravamente desafiado pelas personagens de Dunst e Smart – ambas entregando performances sensacionais -, até a apreensão trazida pelos conflitos governamentais e internacionais da época, a série balanceia com perfeição o absurdo e uma teórica vida normal.

[Cuidado, possíveis spoilers abaixo!]

A palavra “absurdo” não foi mencionada tantas vezes por nada. A premissa de Fargo basicamente se apoia nas incoerências que resultam de pequenos crimes e como eles influenciam a vida de todos os envolvidos. Porém, essa temporada não se reservou apenas aos inesperados surtos de violência que acabavam por reduzir o número de personagens e aumentar a contagem de cadáveres. A inesperada presença de alienígenas é um fator determinante para a trama da série desde seu primeiro episódio, quando Rye para no meio da estrada ao avistar um disco voador e é atropelado por Peggy. A imprevisibilidade desses pontuais e inimagináveis eventos adicionam um charme – com o perdão do trocadilho – de outro mundo ao programa.

Fargo aposta sempre na capacidade do espectador de aceitar que as decisões e ações de seus personagens são nada menos do que dignas de suas problemáticas e complexas personalidades, desafiando sempre essa habilidade de aceitação por tomar direções inesperadas que, por mais absurdas que sejam, sempre soam naturais e friamente calculadas para encaixar no complexo esquema de eventos do seriado. Mike Milligan, por exemplo, representa parte do sentimento de inquietação passado, já que sua presença ganha um tom ameaçador uma vez que imprevisibilidade e astúcia se tornam aspectos marcantes de sua persona. Toda a expectativa em torno do que o personagem seria capaz só se torna realidade quando ele abandona seus incríveis monólogos filosóficos para liquidar três personagens introduzidos de uma maneira tão cerimoniosa que era fácil confundi-los como grandes reforços ao elenco.

Balanceada com perfeição entre momentos inesperados e grandiosos com suas cenas mais intimistas, Fargo fecha com maestria sua segunda antologia pontuada por personagens e atuações excêntricas e uma trama que funciona no melhor estilo Coen, homenageando várias produções dos consagrados diretores mas criando uma personalidade forte sem perder a sua essência.