Reabilitação adiada

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo se desenhava como a chance de reabilitação do Papão após as duas derrotas seguidas (Remo e Novo Hamburgo), mas a atuação repetiu o padrão das últimas apresentações. Cauteloso em excesso e pouco confiante, o time foi sufocado pelo esforçado Paragominas, que prevaleceu no primeiro tempo e só pecou nas finalizações.

O 2º tempo, disputado sob chuva, teve pouco futebol, mas os bicolores continuaram a jogar em nível insatisfatório, perdendo divididas e errando muitos passes. O empate em 0 a 0 não fez justiça ao volume ofensivo do Paragominas na partida.

Dispersivo e com o setor defensivo desprotegido, sem participação dos laterais Victor Lindenberg e Maicon, o PSC custou a se aprumar em campo. A cada investida do Paragominas, a defesa entrava em pânico. Apavorada, saía dando chutão e mandando a bola para fora, sintomas de um time sem entrosamento.

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A opção por dois armadores, Fábio e Pedro Carmona, pretendia tornar o time mais agressivo. Na prática, a proposta não deu em nada, pois ambos evitaram as jogadas de risco e ficaram sempre desconectados dos atacantes Cassiano e Moisés. A única boa investida do primeiro tempo resultou em chute torto de Carmona após passe de Cassiano.

Pelo lado do Paragominas, Balotelli, um atacante de força, criou seguidas situações de perigo. Errou três finalizações que poderiam ter levado ao gol, mas se destacou pela luta incessante. Na maioria das tentativas, levou a melhor sobre os marcadores, inclusive no lance mais bonito da tarde, aos 13’ do segundo tempo, quando disparou um chute cruzado que bateu na haste de proteção da trave de Marcão.

João Neto, Luquinha e Lincoln foram outros destaques da equipe. Curiosamente, apenas Marcão teve presença digna de registro no PSC. Muito exigido, fez intervenções corretas, sem dar rebotes.

A impressão é de que comissão técnica e jogadores do Papão ainda não atinaram para o tamanho do compromisso que têm com o projeto estabelecido pelo clube para a temporada. A maioria parece ver o Parazão como algo menor, esquecendo que a construção de um time vitorioso deve começar pela competição estadual.

Até agora, o PSC não mostrou qualidades que o diferenciem dos demais times do campeonato. Dispõe de valores individuais mais conhecidos e valorizados, mas é preciso que esses jogadores mostrem que podem ser úteis ao time.

A desorganização e o pouco apetite ofensivo refletem os tropeços recentes e também as dúvidas esboçadas pelo próprio treinador, ainda indeciso quanto a usar dois ou três volantes. A fragilidade defensiva afeta a produção dos laterais e, por tabela, termina estourando na linha de frente, onde Cassiano e Moisés têm ficado muito isolados e sem função.

O mais preocupante é que, em meio à crise provocada pelos últimos resultados, técnico e jogadores tenham saído de campo valorizando um empate conquistado a duras penas, satisfeitos com o resultado. É, no mínimo, uma visão distorcida da realidade.

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Críticas exigem equilíbrio e compreensão

Depois do jogo, entrevistado pelo repórter Dinho Menezes, o goleiro Marcão afirmou que o empate tinha sido importante, atribuiu ao gramado parte das dificuldades da equipe, destacando sempre que o time é muito técnico e possui alta qualidade. São jogadores que, acostumados a jogar em arenas da Copa, têm dificuldades de adaptação nos gramados locais.

Reclamou de cobranças exageradas e ressaltou, como problemas determinantes para a atuação de ontem, o trauma do revés em Novo Hamburgo e o desgaste das viagens, fator citado também pelo técnico.

Quanto às viagens, o problema é de natureza geográfica e, portanto, sem solução. Sobre críticas e trauma de derrotas, é preciso serenidade e compreensão quanto às expectativas do torcedor. Acima de tudo, cabe entender que o privilégio de jogar em time de massa traz junto o ônus da cobrança permanente.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 05) 

3 comentários em “Reabilitação adiada

  1. O rival não se houve bem, realmente. Perdeu o duelo na defesa, na meia cancha e no ataque. Ah, e no banco de reservas também, se é que me explico. Aliás, com o campo pesado, e, depois, impraticável, ontem, até o Moisés se nivelou por baixo com os outros.

    Mas, creio que o pior problema, não seja exatamente de cunho técnico individual, ou mesmo relacionado com alguma dificuldade de entender as expectativas do torcedor listrado no que respeita à competição regional, até porque já houve eliminação na primeira competição nacional disputada.

    Tudo me parece relacionado com as opções do treinador, seja quanto à postura tática do time nos jogos, seja quanto aos jogadores escolhidos para ir a campo enfrentar os adversários.

    Contra o Remo o resultado foi normal. O time, mesmo sentindo o campo, adotou uma postura incisiva no primeiro tempo e deu muito trabalho ao Leão, que acabou não resistindo e saiu perdendo para o intervalo. Mas, no segundo tempo, o treinador listrado que já perdera o seu melhor zagueiro, foi paulatinamente perdendo outros jogadores em espaços importantes, especialmente na meia e no ataque, eis que o treinador manteve ali dois jogadores extenuados. Em contrapartida, o Mais Querido, fez reposições felizes que oxigenaram o físico e acenderam a inspiração do Clube do Remo. O resultado foi a primeira derrota. Na Copa do Brasil, dispondo de peças para ser mais incisivo, o treinador optou por aquelas que melhor se adequassem à postura cautelosa que ele escolheu adotar no jogo. Daí, quando se espertou e resolveu ser mais insinuante, fez um gol, mas já era tarde para a reação. Sem contar que manteve em campo, por tempo demais, jogadores que ainda não estão em condições físicas de suportar os rigores de um jogo valendo seiscentos mil reais, no mínimo.
    Ontem, novamente optou por jogadores que ainda não estão em condições de se entregar a uma disputa num campo pesado, exigente de uma postura mais carregada no físico.
    Os atletas se empenham, mas o condicionamento é “eclesiástico”. Não vem antes do tempo. Aliás, a pressa pode até atrasar ainda mais. Os interiorano colocavam a bola na frente e não raras vezes chegavam na frente para apanhá-la. Ou, nos lançamentos, saíam atrás e quase sempre chegavam antes dos defensores do rival. E no segundo tempo quando só restava o uso da força, com o retorno pro jogo daqueles carentes da valência física condicionada, a derrota não veio porque os adversários, via de regra, não tinham muito mais a oferecer que não fosse o físico mais condicionado às condições do campo de jogo.

    Quanto ao Marcão, realmente esteve muito bem ontem. Aliás, como também esteve bem nos dois jogos anteriores. Errou duas reposições contra o Mais Querido, e fez uma saída em falso contra o time gaúcho. Nada que justificasse tamanhas e inusitadas críticas feitas pela imprensa (o torcedor foi mais na corda) que chegaram ao ponto de aumentar em mais de cem por cento os erros de reposição no Re/Pa (de 2 para cinco). Por exemplo, o Marquinhos Belém, sempre ponderado nos seus comentários, surpreendentemente chegou até a questionar se o goleiro tinha condições de jogar no listrado. E, no que respeita à reação às críticas, achei bem serena e ponderada. O Marcão reclamou delas, como tem direito de fazê-lo, mas, não se exasperou, nem fez nenhuma retorsão. Quanto às justificativas para os reveses, sustentou o básico, num tom que me pareceu uma tentativa de fugir do constrangimento e da insistência dos repórteres, e não alguma forma de incompreensão ou com a ansiedade e frustração da galera listrada.

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