Sobre payxão e coração

POR CARLOS EDUARDO LIRA
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O que esperar de um documentário?
A este simples e complexo questionamento algumas pessoas dirão “Que nos contem histórias verídicas”ou “Que nos diga o que aconteceu de verdade naqueles dias” ou ainda “quero apenas a verdade”.
Bem, um documentário não necessariamente deve ter a responsabilidade de narrar à verdade unívoca. Pelo contrário, ele é tão ficcional quantos os melhores filmes de ficção-científica já lançados na história da sétima arte, pois nos apresenta uma história inventada pelo documentarista.
Isto por que, o documentário lida com uma realidade inventada, o que, obviamente, sugere que documentário não é mais do que um tipo de ficção que nega seu status ficcional.
Daí que é possível entender e tranquilamente aceitar o apagamento de determinadas histórias do futebol paraense (como o famigerado Tabu de 33 jogos imposto pelo Remo ao Paysandu) e a ausência de figuras relevantes que o Paysandu teve ao longo de sua história centenária (Artur Tourinho, Ricardo Rezende, Geraldo Rabelo, Miguel Pinho e Luiz Omar Pinheiro não aparecem no filme) no decorrer do documentário “Paysandu: 100 anos de Payxão”, dirigido apaixonadamente por Gustavo Godinho e Marco André, com duração de aproximadamente 90 minutos.
Apesar destes apagamentos, que podem fazer falta para alguns espectadores, o documentário consegue manter força ao longo de toda sua exibição, não sendo uma experiência fastidiosa para quem está na sala do cinema. Tal fato ocorre, por que “Paysandu: 100 anos de Payxão” é pautada principalmente na emoção dos grandes feitos do clube de Suíço. Logo, não é por acaso que o torcedor do Paysandu que vai ao cinema se emociona, chora ou ri a cada fala de um ex-jogador, um dirigente, um técnico e até mesmo na fala de um jornalista supostamente neutro.
Com excelente trabalho técnico – o documentário destaca-se pela a excelente montagem não linear, a edição com cortes precisos, que não atrapalham o desenrolar da história, além da ótima qualidade do som e iluminação – “Paysandu: 100 anos de Payxão” é parada obrigatória para todos que gostam de esporte e história do futebol nacional e paraense.
Muito boa diversão.

24 comentários em “Sobre payxão e coração

  1. Quero dizer ao amigo Carlos Lira, que da relação de ausentes do documentário que ele citou, fico muito sentido apenas com a ausência do Dr Tourinho, o maior responsável por essa conquistas que nos enchem de orgulho e motiva o sucesso do filme. Sinto um pouquinho também pelas ausências de LOP e Resende. Porem parabenizo a produção e o autor pelas ausências de pINHO E RABELO porque esses senhores definitivamente não mereciam aparecer na coleção de glórias do maior clube do norte. Em relação a rabelo não precisa nem comentar seus pontos negativos a frente do bicolor e quanto a Pinho, nunca ganhou nada a não ser um título estadual e ainda dizem as más línguas que ele teria dito a um radialista secador que essas ditas glórias bicolores teriam sido “compradas” mas não disse o que , nem quem ,nem como, nem quando e nem onde

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  2. Amigo Nelio, o PSC poderia ter muitas histórias e todas seriam verdadeiras, pois, como disse no texto: todo documentário é uma ficção (nem todos teóricos do cinema concordam com isso).

    Apenas citei nomes, inclusive de Geraldo Rabelo, amigo Nélio, sem me ater se fizeram bem ou mal ao clube, pois foram figuras que marcaram o clube (sem juízo de valores se para bem ou mal).

    No mais, garanto que é uma baita diversão com boas histórias.

    PS.: inclusive o documentário destaca, não sei se querendo ou não, a importância do Remo na história do PSC, importância está que é recíproca.

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  3. Amigo Lira tu sabes quando estará disponível para outras praças através de outras mídias, acredito que eu e mais milhares de torcedores do Papão espalhados pelo Brasil estão sedentos para curtir, se emocionar e sorrir com o documentário.

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  4. Égua Carlos Lira, dá licença meu amigo tu querias que no filme do centenário fosse mostrado o periodo do tabu remista? foi isso mesmo que eu entendi? se fosses torcedor remo eu até entenderia tamanha aberração mas partindo de um bicolor como você é inadmissivel, quanto ao Tourinho, se fosse pra mostrar que ele foi o presidente bicolor no auge das grandes conquistas teriam também de mostrar que ele foi o presidente responsável pelo maior vexame da história bicolor que foi a derrota 9×0 pro paulista e que também foi o Tourinho, que rebaixou o papão pra série C, onde lá naquele inferno o papão passou vários anos, então por favor esqueçam dfefinitivamente este cidadão que faz parte da chapa “VELHOS RUMOS” e que inclusive foi expulso do condel bicolor.

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  5. Não concordo com você Marcelino, quanto ao Tourinho, realmente ele fez algumas (muitas) besteiras como presidente, mas não podemos tirar o mérito pelas conquistas que o Papão teve no seu mandato e não foram poucas, então pra falar da história do Paysandu tem que falar de Arthur Tourinho.

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  6. Não, amigo Marcelino. Eu não quis dizer isso.

    Eu mostrei no texto a razão de uma história pode ser contada sem determinados eventos e personagens sem perder qualidade.

    É o caso do filme do Papão. Que é um bom entretenimento.

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  7. O filme não deve ser tratado como um documentário, e nem é essa a sua pretensão, mas apenas como uma narrativa das glórias e dos momentos pitorescos do clube.
    Fosse um documentário deveria retratar todos os principais acontecimentos da história do clube (dentre eles o tabu 33), contextualizando o momento histórico, suas causas e consequências, como deve ser toda boa película do gênero.

    Das ausências só lamento a do Luis Omar, que pegou o clube completamente destruído, na ultima divisão do campeonato brasileiro, sem jogadores e ATOLADO, digo, ATOLADO, em dívidas deixadas pelo glorioso ladrão Tourinho, quando ninguém queria assumir tal responsabilidade, e aos trancos e barrancos, entregou o clube 4 anos depois, na elite do campeonato brasileiro e em uma situação infinitamente melhor.

    Achei uma covardia não o terem inserido no filme.

    Segundamente boa tarde a todos

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    1. Amigo Carlos Lira, documentários podem, eventualmente, conter elementos de ficção, mas são sempre fundamentados em fatos, daí o nome (originado do termo documento). Mas sua abordagem sobre o filme ficou muito boa, com o olhar atilado do torcedor bem informado. Ninguém, além do próprio aficionado bicolor, tem condições de analisar uma obra voltada exclusivamente para a torcida alviceleste. Parabéns.

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  8. A proposta do documentário é perfeita e inclusive já sugeri que fossem colocados à venda posteres do material de divulgação no tamanho original e menor, dado o impacto que o mesmo vem tendo em cima dos bicolores.
    Gostaria de saber se em documentários semelhantes é feita alguma menção a reveses para adversários tradicionais.
    Quanto aos ex-presidentes não citados, realmente deveriam dispensar ainda que fosse segundos em rápida aparição e menção.
    De resto, é aproveitar ao máximo e curtir esse breve relato da história do clube mais vitorioso do norte do país.

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  9. Amigo Celira, pesquisando a respeito, pude verificar que o gênero cinematográfico em questão não descarta a subjetividade de quem o concebe. Além do que, tratando-se a obra de uma edição com o específico propósito de explorar comemorativamente as jornadas vitoriosas da história do clube, é coerente que dela não façam parte aquelas páginas que os artistas, segundo seus próprios motivos, não considerem ostentar dito perfil.

    Logo, ainda que sob um tratamento subjetivo, sendo essencialmente verdadeiro o fato registrado, insubsiste óbice para que ele, o fato, possa assumir a condição de documento cinematográfico. E, em tratando-se de um conjunto de fatos, constitua um documentário.

    Muito bom o seu escrito.

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  10. Amigo Celira, pesquisando a respeito, pude verificar que o gênero cinematográfico em questão não descarta a subjetividade de quem o concebe. Além do que, tratando-se a obra de uma edição com o específico propósito de explorar comemorativamente as jornadas vitoriosas da história do clube, é coerente que dela não façam parte aquelas páginas que os artistas, segundo seus próprios motivos, não considerem ostentar dito perfil.

    Logo, ainda que sob um tratamento subjetivo, sendo essencialmente verdadeiro o fato registrado, insubsiste óbice para que ele, o fato, possa assumir a condição de documento cinematográfico. E, em tratando-se de um conjunto de fatos, constitua um documentário.

    Muito bom o seu escrito.

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  11. Prezado Marcelo Manaus, respeito sua opinião mas continuo tendo a convicção que o mal que o Tourinho foi irreparável, quase o papão chegou nessa fase pré falimentar hoje vivida pelo rival, quanto ao Luis Omar, concordo plenamente com o nação bicolor, ele só assumiu porque naquela ocasião ninguém, ABSOLUTAMENTE NINGUÉM, teve a coragem de assumir o papão que naquele momento era terra arrasada deixada justamente pelo algoz Arthur Tourinho, e também concordo que o Luis Omar, merecia no minimo uma menção honrosa no filme.

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  12. Amigo Gerson,

    De fato o documentário é construido a partir de fatos reais, mas ele, enquanto obra, é uma ficção que produz formas de ver as coisas.

    Só a título de informação, está perspectiva que assumo é fundada em autores como Deleuze, Guatari, Foucault entre outros.

    Obrigado pela oportunidade de expor meu ponto de vista sobre o filme.

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  13. Amigo Marcelino, preste muita atenção: nós estamos nos referindo a conquistas, glórias, fatos relevantes do futebol paraense em todos tempos. O filme 100 a’nos de payxão retrata fielmente tudo isto tendo o Paysandu como centro das atenções . Se fosse para falar em fracassos e fracassados no futebol, muita gente da antiga e atual não poderia mais ter espaço e deveriam ser apagados na história do futebol, tanto bicolor quanto azulina. Você fala mal do Tourinho mas sem o que ele conquistou, esse filme não teria muito sentido e ficaria reduzido melancolicamente às conquistas locais igual a história do vizinho azulino. Dificilmente teria um argentino dando depoimento. Outra é que se fosse para falar de males feitos ao Paysandu, não esqueça que o LOP, antes de se redimir , deixou o Paysandu padecer 7 anos na terceira divisão e se não estamos hoje amargando .quarta divisão e passando o mesmo sofrimento dos azulinos a 7 anos, foi graças à canela milagrosa do zé augusto da fiel que marcou gol aos 49 do segundo contra o Ananindeua em 2008 em jogo do Parazão, quando caminhávamos para ficar sem divisão em 2008 graças ao LOP.Lembras??? Outra é que até nosso querido Wandick, fez um dos maiores vexames deixando o Paysandu cair para a terceira antes do glorioso ano do centenário. É claro que ele se redimiu e bem, mas deixou essa negativa. Do outro lado da Almirante tem dirigente que já derrubou pórtico, derrubou muro, derrubou metade do estádio e nem por isso foi expulso do quadro azulino. Tem dirigente lá que rebaixou o azulino para as quatro divisões do Brasil e não foi expulso do quadro azulino e ainda aparecerão como heróis no filme do tabu que eles farão. E diferente do Tourinho que tem crédito de ter ganho as maiores glórias para o Paysandu, esses outros não ganharam nada por seus clubes quando foram presidentes , a não ser alguns feitos regionais e só. Então porque só Tourinho tem de ser penalizado quando se fala em conquistas??? não aceito, acho que Tourinho mais que muitos merecia parecer neste filme e foram muito injustos com o homem. è a minha opinião marcelino.

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  14. Já disse várias vezes e repito para os que falam mal do Tourinho: Existe hoje uma diferença descomunal entre Remo e Paysandu quando se fala em status e conquistas nacionais e internacionais, ranking etc. Porém mesmo com esta enorme diferença em favor bicolor, todos são testemunhas que tem muitos azulino que pentelham a paciência, botam garganta, aqui no blog e em todos os lugares onde muitos tiram até vários bicolores do sério somente com aquele assunto e sarro repetitivo de tabu 33 jogos, única vantagem deles sobre o Paysandu, porque de resto não tem mais nada. Imaginem o que seria de nós bicolores se não fosse esta diferença de conquistas em favor do Paysandu??? imaginem se em vez do Paysandu ter batido o Boca na Bombonera, fosse o azulino que tivesse ganhado lá?? imaginem se em vez do Paysandu, fosse o azulino único do norte que tivesse disputado Libertadores e fosse 9º lugar?? imaginem se fosse o azulino e não o Paysandu, que tivesse um bi da serie B e Copa dos Campões ( titulo a nível de primeira) ??? Credo!!! conhecendo a garganta dos azulinos como já conheço, não precisa nem imaginar. É certeza que estaríamos fritos na mão deles. Por isso eu enquanto bicolor tenho é mais que gradecer ao Tourinho por essas conquistas, OBRIGADO TOURINHO!!!!!! É bom não esquecer que só de acharem que estavam na Sulamericana, os azulinos fizeram muito barulho, e quase botaram fogo na cidade. devemos agradecer também ao cuiazinho querido que calou a boca deles. rsrsrsrsrsr

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  15. Em primeiro lugar, parabéns Lira pelo texto.

    Em segundo lugar, fiquei satisfeito que não foi apenas o Tourinho tirado do filme, ficaria feio, se todos fossem citados e ele não.

    O que ele fez de bom e de ruim ficou na história.

    Só acho que o mínimo que podiam fazer por ele, era devolver sue titulo de sócio, titulo que o Hamilton Gualberto tem, e ninguém lhe tira.

    Em 3° lugar, penso que um relato de uma pessoa sem comprovação documental acaba sendo fictício, podendo ser uma historia ou uma estória.

    Por exemplo, o MIGUEL ALEXANDRE PINHO, MEU ETERNO PRESIDENTE, enganou o Ferreirinha com umas potocas e ele caiu.

    Em 4° lugar, concordo com o amigo Lira, o maior feito do remo na sua historia, o tabu tlinta e tles, pode ser contido sim, de forma irônica, como estou fazendo agora.

    Em sem divisão ( 5° lugar ), só um time com Historia e bons relatos pode realizar um trabalho como esse.
    Pautado a nível, local, regional, nacional e internacional.

    Local: 45 títulos estaduais
    Regional: Único time do Norte competitivo
    Nacional: Campeão dos campeões
    Internacional:´ Colocou o Norte na Libertadores

    Tem historia pra 10 filmes

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  16. Pois eu quero é que o tourinho se exploda.
    Além de péssimo administrador é desonesto e tirou do papão a melhor oportunidade que teve até hj de se estruturar como um time de grande porte. Tanto dinheiro que esse senhor recebeu e roubou até o q o papão não tinha, deixando o clube totalmente endividado, de modo que pena até hj, e ainda vai penar por pelo menos uns 4 anos para limpar a sujeira que este senhor deixou pra traz.
    Se o papão ganhou títulos isso não lhe dá carta branca pra assaltar o clube.

    Quanto ao texto, embora discorde em alguns pontos (quanto ao elemento ficcional de um documentário), está muito bem escrito.
    esqueci de parabeniza-lo em minha primeira explanação.

    Parabéns Sr. Carlos Lira

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  17. Amigos,

    Vamos parar de discutir A ou B, o PSC, para seu torcedor, está acima de todos (o mesmo vale para o torcedor rival). Afinal, todos passaremos e o Paissandu continuará. Basicamente isso. Bola pra frente!

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