Frieza e objetividade

POR GERSON NOGUEIRA

Muitos gols, uma virada logo no primeiro tempo e o triunfo final do Papão, com direito a dois sustos nos minutos finais. Tudo como manda o figurino da Série B. Vitória da frieza e objetividade, aproveitando as chances, desperdiçando algumas e correndo alguns riscos. O Papão alcançou 47 pontos, está colado no líder Botafogo e se distancia dos demais times do G4. O acesso, mais do que nunca, é uma possibilidade real.

Não deu muito tempo para que os times entrassem naquela história de estudos. Para surpresa geral, o ABC balançou as redes logo aos 7 minutos, com o bom Ronaldo Mendes. Vacilo de marcação da zaga pelo lado direito permitiu o gol potiguar.

O Papão não se abalou e, mesmo com um time bastante modificado, foi à frente e passou a pressionar em busca do empate. O gol não demorou a nascer. Aos 13, o quase desconhecido Léo – escalado à última hora por Dado Cavalcanti – balançou as redes.

Várias situações de área eram criadas, meio aos trancos e barrancos, mas o Papão continuava em cima, querendo a vitória. Rony já estava em campo, substituindo a Welinton Junior, sacado por contusão. Apesar de boa distribuição em campo, o time perdeu força ofensiva com a saída de Welinton. Ainda assim, chegou ao segundo gol aos 31 minutos, em penal marcado depois de uma bola na mão de zagueiro do ABC. Betinho converteu.

Com a virada, o Papão desceu para os vestiários bem mais confiante, sabendo que poderia administrar as ações na etapa final contra adversário também desfalcado, mas sempre perigoso nos contragolpes.

Do meio para a frente, o time até se movimentava bem, com Jonathan conduzindo o jogo, apesar da apagada atuação de Carlos Alberto, que reaparecia no time titular. Do lado potiguar, o perigo estava nos pés de Ronaldo Mendes e Bismarck, sempre muito ariscos e rondando a área.

A partida foi se arrastando e, aos poucos, o Papão pareceu cair num certo relaxamento, situação que favoreceu algumas estocadas seguidas do ABC, principalmente depois que Adriano entrou no ataque. Quando o perigo de um empate já inquietava a torcida, eis que veio o terceiro gol, aos 34 minutos, através do atacante Betinho, aproveitando um clarão no setor defensivo dos visitantes.

Sempre criticado nas primeiras vezes em que entrou na equipe, Betinho mostrou utilidade, como já havia ocorrido na partida com o Santa Cruz, no Recife. Corpulento, sabe e gosta do jogo de choques com os zagueiros e é muito eficiente ali junto à pequena área. Começa a ganhar a titularidade, apesar de visivelmente ainda não estar em plena forma.

Depois do terceiro gol, o que era tranquilidade virou acomodação e o Papão passou a ceder espaços no meio-campo e se mostrar vulnerável no miolo de zaga. Bismarck tentou duas vezes, Ednei quase acertou um tiro de média distância, Emerson evitou um gol certo e Adriano acabou acertando um cabeceio aos 44 minutos, diminuindo o placar.

O gol deu sangue novo ao ABC e intranquilizou o Papão, que por cinco minutos quase sacrificou uma vitória certa e até cômoda. Bismarck, em dois arremates bem defendidos por Emerson, esteve bem perto de obter o empate final.

No frigir dos ovos, um excelente resultado para o Papão, que tinha contra si o desentrosamento natural de várias peças escaladas para a partida. Sentiu também a ausência de Pikachu, Fahel e Augusto Recife, mas mostrou que tem um jogo pronto, encaixado e maduro.

Com a segurança de quem cumpre campanha quase impecável, o time de Dado Cavalcanti garantiu com sobras a permanência na Série B (o limite mínimo era 45 pontos) e marcha para o acesso com autoridade. A partida de ontem retratou novamente a consistência do esquema montado pelo técnico, que já não depende de um ou outro jogador titular. Funciona a contento mesmo com muitos desfalques. A isto se pode chamar de regularidade.

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Fogão patina e não inspira confiança

Na contramão do bom momento vivido pelo Papão no returno, o Botafogo segue perdendo pontos preciosos em casa, como ontem, diante do Oeste (SP). É natural que as equipes sofram oscilações ao longo de uma competição difícil como a Série B, mas o que o time de Ricardo Gomes patina é uma verdadeira grandeza.

Sem esquema bem definido – ao contrário do Papão – o Fogão depende de ações articuladas no meio e na presença de área de atacantes como Navarro, Lulinha, Sassá e Neílton (ausente da partida). O problema maior é de criatividade, pois Daniel Carvalho, seu meia-armador mais destacado, continua longe de seus momentos mais inspirados.

Pelo futebol instável e a falta de gana em campo, o Botafogo pode até vir a obter o acesso, mas terá sérias dificuldades para se manter em primeiro lugar no torneio.

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Sobre futebol e civilidade

O Grêmio de Futebol Porto-Alegrense festejou nesta terça-feira (13) seus 112 anos de fundação. Entre as muitas manifestações de torcedores nas redes sociais ganhou destaque uma mensagem oficial do Sport Club Internacional, maior rival do Tricolor gaúcho: “Parabéns, @grêmiooficial, pelos seus 112 anos! Sem vocês nossa história não seria tão Gigante!”. Em resposta, minutos depois, o perfil oficial do Grêmio no Twitter agradeceu, retribuindo a gentileza: “Obrigado, @SCInternacional!”.

Rivalidade é uma coisa, incivilidade é outra. As boas regras de convivência exigem que se tenha respeito e educação em todos os contextos. Nossos grandes clubes precisam aprender a conviver dessa forma. Aliás, o perfil oficial do Remo no Twitter perdeu ontem boa ocasião de contribuir para esse clima de civilidade. Mandou ontem um chiste, tão provocador quanto desnecessário, ao maior rival pelo transcurso do Dia do Cliente.

É preciso que nossos grandes clubes aprendam com os congêneres gaúchos a construir uma rivalidade sadia, dando bom exemplo a seus milhões de torcedores.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 16)

7 comentários em “Frieza e objetividade

  1. Apenas um comentário breve sobre o jogo, amigo Gerson.

    Papão foi, depois do primeiro gol, soberano no primeiro tempo, tendo, além dos gols, pelo menos três excelentes oportunidades de ampliar o placar.

    Já o segundo o tempo foi totalmente do ABC que merecia melhor sorte. O PSC foi apagadíssima e achou o gol na única jogada do segundo tempo, no mais, deteve-se a ficar atrás sofrendo pressão.

    Para mim Betinho está longe de ser titular, pois, com Cearense o time ganhar na marcação do meio para frente, coisa que Betinho não proporciona. Além disso, penso que cabe olhar melhor Betinho, afinal o ABC tem uma das defesas mais fracas da B.

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  2. Olha rapaz, o Gerson reconhecendo a importância do Fahel.

    Mesmo com tantos desfalques, o Paysandu hoje tem um bom grupo, exatamente o que faltou no parazão.

    Porém, hoje o dado se atrapalhou, pois na pressa de colocar seus reforços, falo exclusivamente desse Roni, um jogador fraquíssimo, quase perde pontos em casa.

    Deveria quando o Junior se bateu, por o Aylon, ou o Misael.

    Fora isso, o papão jogou pro gasto pra garantir os 3 pontos.

    Emerson, hoje estava meio inseguro, ainda deve está abalado com o problema familiar.

    Luis Felipe vai morrer sendo reserva do pikachú

    Zaga teve uma atuação normal

    João Lucas já podia forçar um terceiro amarelo pra recarregar as energias.

    Apesar do gol que fez, quem viu Edil, Marcos Nogueira, cacaio, Patrulheiro, Iarley atuar com a mística camisa 7×0 do papão, não vai dormir bacana depois de ver esse Leo Melo.

    Betinho, pra mim o nome do jogo, fez dois gols, brigou lá na frente, e se tivesse sido mais municiado, faria mais gols.

    Diferente do Cearense só não volta pra ajudar a zaga, mas atua muito bem lá no ataque.

    Juiz teve uma atuação boa, já o bandeirinha do lado das cabines de imprensa andou pisando na bola.

    O ABC é um time em frangalhos, vai cair não tem jeito.

    O camisa 10 Ronaldo Mendes joga muito, era de um 10 desse que o papão precisava.

    Torcida não apoiou como podia, em que pese ser meio de mês e de semana, mas bem que poderia dá uns 15 mil.

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    1. Não sou fã, pelo contrário, do futebol do Fahel, mas é indiscutível a importância dele para o esquema montado pelo Dado Cavalcanti, Edson. Não é um craque – longe disso – e vacila em certos momentos do jogo, mas tem sido muito eficiente em jogadas aéreas. Segundo o técnico, tem também características de liderança no grupo. Por isso, justificou sua titularidade plenamente.

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  3. A falta de alguns titulares foi sentida, mas a maratona de jogos exige permutações, principalmente quando a situação exige. A vitória veio, como esperada, e isso é que importa.

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  4. No sufoco, mas o importante são os três pontos, assim continuamos nossa caminhada rumo a série A. Concordo com Celira, Betinho fez gols, mas não acho que mereça ser titular, pois com Cearense o Paysandu fica mais forte na marcação, além de tá dando conta do recado no ataque bicolor.

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