Dilma recebe Bom Senso e cria grupo de trabalho

Por Rafael Morais Moura, do Estadão

Em um gesto de aproximação com os jogadores de futebol às vésperas da Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff recebeu nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, representantes do Bom Senso FC para acertar a criação de um grupo de trabalho para elaborar um plano nacional de desenvolvimento do esporte. Entre as propostas apresentadas pelo movimento na reunião estão o fortalecimento da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte e a regulamentação da participação de atletas em assembleias gerais de entidades. “A reunião foi muito mais proveitosa do que a gente imaginava”, comentou o jogador Ruy, um dos representantes do Bom Senso no encontro desta segunda-feira.

Bom-senso-Fernando-Bizerra-Jr-EFE-26052014-292x280“Foram palavras da presidente: ela está estarrecida com a falta de compromisso dos clubes brasileiros em relação a salários. A presidente não imaginava que existisse no Brasil, país do futebol, tantos clubes com salários atrasados.” O meia Alex (Coritiba), os zagueiros Cris (sem clube), Gilberto Silva (sem clube, pentacampeão com a seleção brasileira em 2002) e Juan (Internacional), o atacante Marcinho (Ituano) e o goleiro Dida (Internacional, também da seleção do penta) participaram da audiência de uma hora e dez minutos com a presidente e o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. Com o fortalecimento da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, seriam reforçados mecanismos referentes ao pagamento de salário dos jogadores, explicou o secretário do Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, Antônio Nascimento.

“É tentar direcionar o pagamento dos clubes que devem ao governo para que o pagamento dos salários atrasados tenham certa prioridade”, comentou ele. Outro item da discussão, comunicou Antônio Nascimento, é regulamentar medida provisória que pressupõe que clubes que recebam dinheiro público permitam aos atletas votar em entidades, confederações e federações. “A ideia é usar a regulamentação para tornar os atletas, no caso o Bom Senso e os atletas de modo geral, com uma participação maior dentro das entidades e clubes, coisa que não acontece neste momento em que os atletas não participam de votação nem nada”, disse o secretário.

O grupo de trabalho a ser formado terá representantes do Ministério do Esporte, Bom Senso e provavelmente do Ministério do Trabalho, informou Antônio Nascimento. “A presidente foi clara para que a gente tentasse concentrar em poucas ideias que sejam factíveis imediatamente, em vez de tentar criar a roda de novo”, comentou.

ADESÃO

De acordo com Ruy, o Bom Senso é um “movimento revolucionário” que conta com a adesão de pelo menos 1,2 mil jogadores. “Esperamos que após a Copa do Mundo o movimento se fortaleça ainda mais”, comentou. A decisão de se reunir com representantes do Bom Senso foi tomada pela presidente Dilma Rousseff após receber no Palácio da Alvorada repórteres e colunistas que trabalham na cobertura esportiva. Ao se aproximar da pauta de reivindicações do movimento dos jogadores, ela se distancia da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Para Alex, não houve problema nenhum no fato de a CBF não ter sido convidada para a audiência desta segunda-feira. “A CBF sempre nos tratou bem, mas de concreto não vimos nem uma mínima mudança. Não vejo problema nenhum (na ausência da CBF), porque os convidados por enquanto foram os jogadores”, disse o jogador. Para Antônio Nascimento, a reunião no Planalto “não foi contra ninguém” e sim “a favor do futebol”.

Busto para um dos grandes líderes das Américas

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O ex-presidente Lula ganhou homenagem especial nos jardins da sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) na forma de um busto de bronze em exposição no National Mall, centro de Washington, capital dos Estados Unidos. O National Mall fica perto da Casa Branca. A obra é do artista chinês Yuan Xikun, que fez bustos de 10 grandes nomes das Américas. Além de Lula, Abraham Lincoln, Simon Bolívar e Gabriel García Marquez são algumas das personalidades retratadas pelo artista.

Cabra bom.

Copa tem custo igual ao da usina de Belo Monte

Segundo matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, despesas com o Mundial equivalem ao custo de Belo Monte, maior obra financiada pelo governo. Mesmo mais altos hoje do que o previsto inicialmente, os investimentos para a Copa representam parcela diminuta dos orçamentos públicos. Alvos frequentes das manifestações de rua, os gastos e os empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras com a Copa somam R$ 25,8 bilhões, segundo as previsões oficiais.

O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões. Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área. A comparação deve ser relativizada porque haverá retorno, no futuro, de financiamentos. O Corinthians, por exemplo, terá de devolver os recursos que custearam o Itaquerão. Além disso, os gastos da Copa começaram a ser feitos há sete anos – concentrados nos últimos três.

A frase do dia

“Brasil e Argentina devem lutar para fazer uma boa primeira fase, e ganharem confiança. Se isso acontecer, adeus. Mas a Copa é do Brasil, no Brasil. É como fazer testes de atores na casa de Marlon Brando”.

De Ricardo Darín, ator argentino.

Um tropeço inesperado

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Por Gerson Nogueira

unnamed (56)O empate não foi o pior dos resultados, mas deixou no ar certa preocupação com a caminhada do Paissandu na Série C. Todos os campeonatos nacionais têm como característica comum a necessidade de bons resultados em casa. Boas campanhas normalmente têm como base a acumulação de pontos pelos mandantes.
O Papão fez seus três primeiros jogos como mandante longe de casa e do torcedor. O confronto com o Botafogo da Paraíba, ontem à noite, em Castanhal, foi o último da punição imposta pelo STJD e parecia destinado a ser o mais fácil de todos, visto que o oponente veio sem nove titulares.
Com a bola rolando, o velho problema: Paissandu se atrapalhava para estabelecer um jogo de qualidade no meio-campo. Essa imperícia responde pela ausência de domínio consciente da partida. Como não retém a bola, permite que o adversário saia e planeje situações perigosas.
Desde o começo, o Botafogo mostrou-se esperto, entrosado e interessado em arrancar pelo menos o empate. Conseguiu, com alguma sorte e muito esforço. Rápido, principalmente nas arrancadas de Warley e Chapinha, o time paraibano levava muito perigo quando saía de seu campo.
Defensivamente, porém, a equipe deixava espaços, falhava no jogo aéreo e não acertava a marcação pelo lado esquerdo de sua defesa. Foi por ali que o Papão conseguiu suas melhores jogadas, incluindo o lance do gol de Lima, aos 23 minutos do segundo tempo, completando cruzamento que veio da linha de fundo.
Antes do gol, o Paissandu já tinha desperdiçado seguidas oportunidades, com Lima, Pikachu, Reiniê e Ruan, com chutes tortos ou que foram direto nas mãos do goleiro Genivaldo. Apesar dos bons lances criados no ataque, o time não funcionava de maneira ordenada. A insistência em jogar pela esquerda com Aírton também comprometeu a eficácia dos ataques.

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Como esperado, a escalação de três zagueiros mostrou-se defensiva em excesso, travando a saída para o ataque e prejudicando a transição. Augusto Recife, o melhor passador do time, não repetiu as atuações recentes, talvez por se preocupar em acompanhar o meia Chapinha, o mais lúcido do Botafogo. Isso influiu na lentidão que o Paissandu exibia quando tinha a posse da bola.

unnamed (76)Leandro Carvalho, Marcos Paraná e Djalma, principalmente, custaram a entrar. Poderiam assegurar mais habilidade e velocidade à pressão sobre os zagueiros do Botafogo. Com eles em campo, Lima passou a ser mais acionado. Rafael Tavares, o meia-armador estreante, apareceu pouco e não deu sinais de que seja o organizador que tanta falta faz ao time.
Cabe registrar que entre os 15 e os 22 minutos do segundo tempo, o Botafogo apertou e esteve a pique de marcar em chutes de Warley, Leomir e Izaías. Na sequência do gol de Lima, mais dois lances agudos do Papão poderiam ter definido o jogo.
Uma falha do goleiro Paulo Rafael permitiu o empate do Botafogo, com Lúcio Curió aos 31 minutos, mas a situação já havia se esboçado em vários momentos do jogo. O fato é que a fartura de oportunidades desfrutada pelo Paissandu não foi devidamente aproveitada, resultando no castigo final.
Diga-se que, dois minutos depois de sofrer o gol do Botafogo, o Papão teve chance preciosa nos pés de Lima, que, sozinho diante do goleiro, mandou por cima. Depois vieram as expulsões (Augusto Recife e Paraná), mas o jogo já entrava na reta final, entregue a paralisações seguidas e sem qualquer vestígio de técnica ou organização. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

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Arbitragem acima de qualquer suspeita

O trio de arbitragem, todo de Rondônia, teve boa atuação, a partir de marcações firmes de Arnoldo Vasconcelos Figarela, sempre próximo aos lances e enérgico na aplicação dos amarelos.
Todas as lamentações devem ser direcionadas à má pontaria dos atacantes e aos vacilos do sistema de defesa, mas, desta vez, o árbitro não pode ser crucificado pelo mau passo do Papão.

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Águia já é o vice-lanterna

Em Arapiraca, o Águia seguiu seu roteiro de derrotas fora de casa, caindo diante do ASA por 3 a 1, vitimado principalmente por dois gols seguidos, aos 15 e 16 minutos do primeiro tempo. Para piorar, depois de chegar ao primeiro gol na etapa final, Aleílson ainda desperdiçou um penal que podia ter dado ao Águia forças para tentar o empate.
Na penúltima posição, com 4 pontos, o Azulão marabaense precisa redefinir suas forças para buscar uma reação no torneio.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 26)