Por Gerson Nogueira
Quando o Brasil pisar no gramado da Arena São Paulo para enfrentar a Croácia, às 17h da quinta-feira, 12 de junho, abrindo a Copa do Mundo, é impensável que a escalação tenha Henrique, Maxwell, Fernandinho e Bernard entre os titulares. São jogadores da chamada confraria de confiança do técnico Felipão, chamados muito mais pelas afinidades pessoais do que pelo rendimento técnico atual.
Henrique é um zagueiro que se transferiu para o futebol italiano nesta temporada, jogando pouco mais de 10 partidas pelo Nápoli, nem sempre como titular. Nos tempos de Palmeiras, era um beque não mais que razoável, de altos e baixos, como na noite em que foi totalmente envolvido pelos dribles de Pikachu no Mangueirão em partida válida pela Série B do ano passado. Terminaria até expulso de campo no final do jogo.
Antes, sob as ordens de Felipão, é presumível que tenha se destacado internamente pela liderança e capacidade de agregar o grupo. Qualidades sempre ressaltadas pelos técnicos, embora insuficientes para ganhar Copa do Mundo.
Tais virtudes talvez tenha convencido Felipão a premiá-lo com a convocação, preterindo zagueiros melhores, como Miranda, finalista da Liga dos Campeões e do certame espanhol com o Atlético de Madri, e Dedé, campeão brasileiro pelo Cruzeiro.
Quanto a Bernard, dotado de “alegria nas pernas”, segundo o próprio técnico, a dúvida é se um esquema centrado na força física e na intensidade de jogo aceitará a presença de mais um jogador franzino no ataque, levando em conta que Neymar é titular absoluto e maior astro do escrete.
No Atlético, o avante se destacou pela capacidade de puxar contragolpes em velocidade, mas jamais foi visto como indispensável. Negociado com a Ucrânia, sumiu de vista e só foi lembrado pelas atuações na Libertadores 2013.
Como Henrique, Bernard deverá acompanhar a Copa do banco de reservas ou terá alguns minutos para exibir sua alegria em partidas eventualmente já definidas. Maxwell, cuja inclusão também surpreendeu, é a típica escolha por exclusão. Foi chamado porque não havia ninguém melhor.
Depois de pintar como um fenômeno da lateral esquerda pela habilidade ambidestra, perdeu visibilidade nos últimos quatro anos, mas ressurgiu no novo PSG, habilitando-se a ser o suplente de Marcelo. Só vai jogar em caso de contusão do titular.
Fernandinho começou a ser chamado para a Seleção por Mano Menezes há três anos. Graças às convocações, transferiu-se para o Manchester City e convenceu Felipão pela versatilidade e alguns disparos certeiros em direção ao gol. Não é um novo Fernando Redondo, mas pode ser útil, embora seja a última das opções entre os volantes para entrar no time.
Há algum tempo, principalmente a partir da era Parreira na Seleção, o conceito de “família de boleiros” adquiriu conotações menos republicanas. Juntamente com Zagallo, Parreira foi pioneiro no processo de valorização de atletas convocados para vestir a amarelinha. Quase todas as listas incluíam um ou dois desconhecidos, que quase nunca jogavam, mas subiam de cotação nas milionárias negociações do futebol europeu.
A prática se manteve com Mano Menezes e parece refreada na Seleção atual. O fato é que o exemplo vitorioso de 2002, de união em torno de um objetivo, empresta ao conceito da “família Scolari” uma aura simpática. Condição bem diferente da carrancuda e ressentida panelinha em torno de Dunga e Jorginho, em 2010.
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O volante raçudo e o mestre sanguíneo
Volante de estilo bate-estaca, o mineiro Elzo foi o Henrique de Telê Santana na convocação para a Copa de 1986. A surpreendente escolha representava um tremendo contraste com o próprio perfil do técnico. Chamado para ser mero coadjuvante, Elzo surpreendeu ganhando a titularidade. Mais que isso, transformou-se no jogador mais regular do Brasil naquele Mundial.
Em entrevista recente, Elzo revelou o trauma causado por uma duríssima conversa de vestiário com Telê. Dias antes da viagem para o México, o técnico o interpelou, acusando-o de mau caráter, covarde e indigno de confiança. Ainda sentenciou que ele jamais teria chance entre os titulares.
Mesmo depois de aquinhoado com a titularidade, Elzo jamais assimilou as pancadas verbais proferidas do comandante. Tempos depois, já em fim de carreira, esbarrou em Telê num evento e este fez questão de explicar o inusitado diálogo: era um truque para motivá-lo e evitar que se encabulasse diante de craques consagrados, como Sócrates, Zico e Careca.
Elzo agradeceu e aceitou a explicação, mas jamais esqueceu a mágoa com a rispidez do velho professor, a quem sempre admirou como um mestre.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 11)
O vestiário tem muita história pra contar,
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Sabemos que nestas convocações sempre existem as negociatas, as comissões por venda e valorização de jogadores. Qualquer técnico vai estar submetido a isso. A CBF e a FIFA são também bancos de “negócios”. Aqui no Pará e no resto do Brasil está cheio de diretores com arranjos de contratos combinados com empresários. Nenhuma novidade que algumas convocações sejam e sigam o ritmo do jogo sujo comum no futebol.
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NOTA: Atacante Ruan, saiu da relação de jogadores do Internacional… Seu destino pode ser mesmo o Paysandu..
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de fato, a matéria tem fundamento. tirando o neymar, qual é o outro grande jogador da seleção? pior, qual o outro grande atacante?
o esquema parece ser único: o do abafa. é, deixa o torneio começar…
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Nenhuma notinha Sobre o papão?
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Amigo, não foi possível noticiar nada sobre o jogo do Papão porque a coluna é escrita na manhã de sábado, pois a edição de domingo do jornal é impressa às 14h.
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Análise muito severa em relação ao menino Bernard. Porque ninguém lembra de Lucas, o outrora xodó da mídia e da torcida? Assisti ao jogo da semifinal da Copa das Confederações, uma partida duríssima e emocionante contra o Uruguai. A torcida local gritava por Lucas, em pleno Mineirao – eu vi. Felipao botou o garoto Bernard que entrou muito bem e ali, creio, garantiu sua vaga para a Copa. Nas vezes em que foi escalado correspondeu plenamente. A filosofia minelliana – típica de nossos treinadores da base- de achar que só meninos taludos podem ter vez no futebol é que nos faz passar pela seca de meias habilidosos atualmente. Bom dia das mães a todos os amigos do blog.
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Marcos, repare que o artigo refere-se a jogadores convocados. Tudo gira em torno do conceito de família Scolari. Lucas não foi convocado para a Copa.
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Tirando Bernard, que penso ser um jogador promissor, que fez (e faz) muita falta ao Atlético Mineiro e pode ser útil na caminhada da copa (depende muito da moral que Felipao dará a ele). Concordo com as demais colocações do baionense Gerson (inclusive sobre o fato de Bernard ser franzino para o esquema de marcação da nossa seleção).
Para finalizar, estas histórias de bastidores são muito bacana… O Gerson poderia escrever o caso do Geovani na frança com Zagalo.
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Amigo Celira, já escrevi várias vezes sob a patifaria do Velho Lobo com o nosso Geovani. Mas, qualquer hora dessas, voltarei ao tema.
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Um Feliz dia das Mães.
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A convocação de Henrique é inexplicável, zagueiro muito limitado, que no começo da carreira chegou a ser contratado pelo Barcelona e não vingou, Maxwel é realmente o melhor dos menos piores (nos últimos meses Fellipe Luís tem jogado bem). Agora Bernard e Fernandinho são bons jogadores e podem ser bem úteis nessa copa. Principalmente o Fernandinho volante moderno com bom passe e chute, titular indiscutível do Manchester City.
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Feliz dia das mães
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Resultados de hoje, pela série C:
CRB 2 x 3 Crac
Cuiabá 0 x 0 Treze(estreia do Givanildo Oliveira)
– Qualquer empate amanhã entre Fortaleza x Águia, faz com que o Papão permaneça na liderança..
– Empate do Águia, amanhã, a partir de 2 x 2, 3 x 3…. Mantém o Papão na liderança e o Águia, no G4
Vamos secar, amigos…
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Crac vai cair
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Classificação Grupo A – Série C
P J
1º- Paysandu-PA 7 3
2º- Fortaleza-CE 6 2
3º- Botafogo-PB 5 3
4º- Cuiabá-MT 4 3
5º- Crac-GO 4 3
6º- Águia-PA 3 2
7º- Treze-PB 2 3
8º- CRB-AL 1 2
9º- ASA-AL 1 2
10º- Salgueiro-PE 1 3
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Crac entrou com jogador irregular na primeira rodada.
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Verdade, amigo Carlos… Deverá perder 3 pontos..
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O fato e que Felipao desfruta de uma certa simpatia da crônica, justamente porque está ocupando o lugar do Dunga que teve coragem de peitar a imprensa, especialmente a globo, com quem, aliás, o Felipao até aqui vem dando tratamento VIP. Vamos ver mais pra frente.
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Amigo Oliveira, apesar dos comentários bem substanciados, desta vez você exagerou na desmemória. Dizer que Dunga peitava imprensa é liberdade poética, meu caro. O cara era um brucutu, agia como capitão do mato e formou um time à sua feição, acreditando piamente que chegaria aos píncaros da glória pela força da oração. Deu no que deu. Criou até um alter-ego, Felipe Melo, de triste memória. Felipão também engrossa, mas jamais tive notícia de insultos e palavrões dirigidos a profissionais da imprensa. Neste caso específico de Dunga, vale a velha máxima: “quem planta vento, colhe tempestade”.
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Gerson, meu amigo, o seu comentário letra por letra, comprova que minha memória está sob o mais perfeito funcionamento.
Ora, eu não disse que o Dunga pura e simplesmente divergia, discordava, polemizava, tinha opinião diferente da imprensa.
O que eu disse foi que o Dunga “peitou” a imprensa. E peitar tem conotação de enfrentamento violento, que se não partir para as vias de fato, fica ao menos na incontinência verbal.
E, todo este significado de “peitar” é perfeitamente compatível com o agir como Brucutu, de proferir palavrões para integrantes da imprensa a que voce se refere que foi exatamente como ele fez com o Escobar da Globo diante de todo o mundo.
E este foi o ponto culminante. Mas, antes disso, ele já havia acabado com as benesses de que desfrutava a globo de ter entrevistas exclusivas, de ter jogadores liberados para participar dos programas dela, de ter autorizacao para seus reporteres frequentarem os aposentos dos jogadores, alem de ter feito outros vetos.
Ou seja, sem eufemismo ou sem exagero o Dunga literalmente peitou a imprensa principalmente a globo, que era a patrocinadora da Seleção e paga até hoje o preço desta atitude destemperada.
Quanto a perder a Copa, outros treinadores também perderam, ate com times melhores, enfrentando adversários menos qualificados do que a Holanda enfrentada pelo time do Dunga. Aliás, no caso do time do Dunga, mais culpado do que o Felipe Melo, foi o Júlio Cezar, que viu a bola cheia de penas, e que tá aí novamente no time sob tímida oposição da imprensa, principalmente da globo, dado o tratamento VIP que esta recebe.
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Amigo, não me prendo ao significado do verbo “peitar”, mas à conotação quase heróica dada ao comportamento errático de Dunga. Se teve coragem de enfrentar os “globais” (duvido um pouco desta afirmação), ele falhou ao eleger a batalha contra a mídia como aspecto prioritário de seu trabalho. Quanto a perder ou ganhar a Copa, é parte das regras do jogo. Concordo que, mesmo que tivesse sido afável e civilizado, o técnico poderia perder da mesmíssima forma.
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Amigo Gerson, ao usar o verbo “peitar” para dar a conotação de enfrentamento violento, verbalmente grosseiro e incontinente, eu não entrei no mérito da atitude do treinador, não fiz juízo de valor. Apenas relatei o fato incontroverso que foi o Dunga ter enfrentado a imprensa, principalmente a globo, e por isso ter colhido a antipatia da corporação.
Não discordo que o Dunga ocupou parte de seu precioso tempo para focar na imprensa, quando poderia te-lo usado integralmente para focar na Seleção, bem assim que o método foi para além do mal humor, descambando para a grosseria, para a violência reprovável, mas esta distorção metodológica não desconstitui a natureza de enfrentamento de sua postura e nem as naturais consequências corporativas.
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