A obrigação de vencer bem

Por Gerson Nogueira

unnamedA missão é desafiadora. O Remo precisa vencer por três gols de diferença para ir à final do returno do Parazão. Fazer gols por necessidade premente é um dos grandes dilemas do futebol. Sempre é mais fácil, ou menos difícil, chegar ao gol quando não há uma obrigação a pairar sobre a cabeça.
A coisa se complica ainda mais quando o adversário tem bom time e sabe como se comportar fora de casa. O Baenão lotado sempre representou vantagem para os azulinos, mas, em determinadas circunstâncias, também pode se tornar mais um oponente.
É o que Lecheva e seus comandados irão buscar hoje à tarde. Conduzir o Remo a uma zona de desconforto é o primeiro passo para que o Independente saia de Belém com a classificação garantida para a decisão. No primeiro jogo, o posicionamento da equipe foi decisivo para a vantagem estabelecida no final.
Lecheva pôs o Independente para jogar no campo de defesa remista, diminuindo espaços e não permitindo que os azulinos tivessem uma saída de bola com qualidade. Com paciência e organização, o time construiu o placar que lhe interessava. A mesma frieza tática deve ser empregada hoje para conservar a vantagem e, se possível, ampliá-la.
Abalado pela derrota, Roberto Fernandes reconheceu que o Remo abdicou da luta em Tucuruí. Comportou-se de maneira apática, como se não estivesse disputando uma decisão. Em consequência disso, ele anunciou que iria promover mudanças drásticas no time.
No meio do caminho, a preparação foi atrapalhada pela invasão de baderneiros ao Baenão, hostilizando e ameaçando jogadores. Eduardo Ramos, alvo dos “uniformizados”, não deve entrar de cara. Será substituído por Athos, que quase pediu as contas no sábado.
Athos é a melhor das escolhas para organizar o meio-campo, mas precisará ter suporte de volantes que saiam para o jogo. Jonathan e Dadá têm essa característica. Na frente, Leandro Cearense e Potiguar (ou Ratinho) terão a incumbência de definir as jogadas. De quebra, têm a responsabilidade de fazer com que o ataque seja novamente um setor decisivo da equipe.

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Racismo no futebol: os perigos da impunidade

Por força da leniência de alguns e da impunidade que campeia em todos os níveis, o futebol paraense tem servido de cenário para atos racistas nos últimos três campeonatos. O preparador físico Wellington Vero foi protagonista de dois episódios, um em Castanhal em 2011 e outro em Marabá em 2012. Nada aconteceu para coibir a prática discriminatória.
Um novo incidente foi registrado, sábado, no estádio Maximino Porpino, em Castanhal, depois da partida entre Paissandu e Águia pela Série C. O auxiliar técnico Brigatti, do Papão, teria dirigido ofensas racistas ao jogador Eduardinho, do Águia.
Os jogadores do time marabaense se revoltaram com o ocorrido, o diretor João Galvão exigiu um posicionamento por parte dos bicolores, mas a história mudou de curso depois que o próprio atleta decidiu não levar o caso adiante. Todos se contentaram com a visita cordial que o presidente Vandick Lima, do Paissandu, fez a Eduardinho ainda nos vestiários, desculpando-se pelos impropérios do auxiliar.
O caso Eduardinho amplia o histórico de ocorrências de ódio racial no Pará e a impunidade sempre tende a estimular a repetição. Se é verdade que aumentou muito o nível de consciência quanto à gravidade do crime, é inegável também que as próprias vítimas não se sentem encorajadas a sustentar as denúncias.

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Sob o signo da valentia

Não foi uma façanha qualquer. A história do jogo teve tintas épicas para o surpreendente e aguerrido Atlético de Madri, que conquistou o direito de disputar pela primeira vez a final da Liga dos Campeões arrancando vitória incontestável dentro de Londres. E alcançou essa condição contra um time formatado preferencialmente para não perder.
Não levava fé no Atlético desde que vi a primeira partida contra o Chelsea, na semana passada. Naquele dia, os encarnados de Madri exageraram nos chutões e passes errados, sucumbindo à duríssima marcação inglesa. Ontem, porém, Simeone posicionou seu time com ousadia e mobilidade.
Nem o gol de Fernando Torres no começo do primeiro tempo esmoreceu o Atlético. Seguiu atacando com o mesmo ímpeto e chegou ao empate antes do intervalo, aproveitando-se do surpreendente nervosismo dos donos da casa e dos talentos de Arda Turan e Diego Costa. Depois, quando se esperava um sufoco inglês, o que prevaleceu foi a tranquila postura de um time rápido e determinado tanto atacando como defendendo.
Simeone, um ex-volante botocudo, aplica no Atlético a filosofia argentina de jogar futebol. Marcação incansável, objetividade nos contra-ataques e destemor em relação a qualquer adversário. Apesar das limitações do elenco, um dos menos estrelados da Europa, a fórmula está dando certo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 1º)

 

17 comentários em “A obrigação de vencer bem

  1. Sem querer desmerecer a vitória dos madrilenhos, justíssima, por sinal, mas em um jogo decisivo daqueles o time sai na frente e na hora de comemorar o autor do gol só faltou pedir um minuto de silêncio pela “fatalidade” que ocasionou. Depois disso, o time entrou em clima de velório e não acertou mais nada. Patético!
    Quanto ao pedido de desculpas de Vandick, nada mais solerte. Só me vem à mente aquele trecho da letra de Rui Guerra, na parceria com Chico Buarque, em ‘Fado Tropical’, “…E se a sentença se anuncia bruta, mais que depressa a mão cega executa, pois, que senão o coração perdoa…”É o mesmo jeito civilizado do colonizador facinoroso.

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  2. Remo, tem que ir pra cima e fazer valer sua grandeza dentro do Baenão.. Torcedor será fundamental para essa classificação… É empurrar o time a toda hora… Torcedor, aposta todas as fichas em Thiago Potyguar e Ratinho.. Se eles estiverem no dia deles, um abraço…. Remo tem mais time e torcida e jogando dentro de seu estádio, tem que se impor, desde o início do jogo… EU ACREDITOOOOOOO…. Leão, 4 x 1

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  3. Aliás, fico imaginando o quanto o Vero e o Lecheva devem ter ligado para o Giva essa semana, mandando o vídeo do último jogo e pedindo informações de como devem jogar…Hehehe… Falo sério,não duvidem… Pelo menos pedem ajuda a quem sabe.. Já é alguma coisa

    No Paysandu, Mazola,muito P da vida, após o jogo contra o SF, disse que o Rafael Tavares, chegou muito fora de forma e só deve ser aproveitado, após a Copa do Mundo… Me tire o tubo….

    Papão demora uma eternidade pra contratar e quando contrata, jogador está fora de forma e terá que passar 1 mês pra se recuperar fisicamente… Pode?

    Mazola falou que o Reniê, zagueiro, é a mesma situação…. Pensem

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  4. Diferentemente do amigo Cláudio, sempre vi Lecheva com alguma habilidade para posicionar o time. Mexe muito mal. Mas sabe armar o time para determinados jogos (vide Sport x PSC) como o de hoje. Acho que se o mesmo empreendesse uma melhor formação teria grandes chances de tornar-se um técnico melhor.

    Para o jogo eu aposto no galo, pois a vantagem é muito grande… somente por isso vejo o Galo com 80 porcento de chance de chegar a final.

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  5. Esse papo furado de racismo que o Aguia tá levantando é mais uma armação do insuportável João Galvão, useiro e vezeiro em fazer confusão no nosso futebol, e pior , do tipo que atira a pedra e esconde a mão.

    Até que se prove ao contrário, fico com o Brigatti, que empenhou sua palavra dizendo que não falou o que estão dizendo.

    E detalhe, esse fato esconde a atitude dos jogadores aguiano que durante e depois do jogo foram bastante agressivos, se a tv tiver as imagens, teriam que see denunciados, principalmente o tal de Xaro, que chegou ontem e já quer sentar na janela do avião.

    Eduardinho, um conselho meu rapaz, fostes chamado de macaco?
    Denuncia quem te chamou, e prove, pois do contrário, ficou claro que vc tá mais pra ator do que pra jogador de futebol.

    E se conseguires provar, cadeia pro Brigatti!

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  6. Amigo Claudio, não disse que Lecheva é um grande técnico. Mas um técnico com potencial (muito em virtude da posição que jogava, era um jogador muito aplicado taticamente, lembra?), por isso, sugeri que o mesmo empreendesse em sua formação de técnico.

    Agora uma correção. Lecheva não fez apenas aquele jogo contra o Sport. Fez bons jogos na série C, depois que Giva passou meio campeonato sem ganhar, e fez duas excelentes apresentações contra o Macaé (que era tido como favorito, Barçaé lembra?) fazendo os vinte primeiros minutos, no jogo fora de casa, os mais bonitos do Paissandu (jogando fora) em anos.

    Agora é aquela história, tem que estudar… Os caras promissores teimam em treinar esses times de interior, morrendo neles.

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  7. Amigo Cláudio, o Remo teve dois períodos de tempo suficientes para treinar e ajustar à equipe, no jogo passado já esperávamos alguma evolução técnica e tática, e nada disso aconteceu, foi mais fracasso. Agora mais uma vez, e o que pior, em situação delicada pois precisa marcar 3 gols sem sofrer nenhum para garantir à classificação pra final do returno. Convenhamos, parece tarefa difícil, porém alguns fatores podem conspirar contra, como a ansiedade em marcar os gols necessários. A organização e um plano objetivo em campo serão os principais fatores que podem influenciar no placar. Espero que os jogadores deem uma resposta positiva em campo.

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  8. Como remista, acho que o Remo tem totais condições de superar o Independente, uma vez que vencera os dois confrontos anteriores por 2 e 3 gols de vantagem, porém, acho improvável uma classificação azulina à final do segundo turno, por conta do seu confuso treinador. Roberto Fernandes é o culpado pelo fiasco em Tucuruí, ele mexeu no esquema tático sem necessidade, poderia até mudar algumas peças, mas sem alterar a forma de jogar. Ele está confuso e o Lecheva vai se aproveitar disso.

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  9. NOTA: Ricardo Capanema, por indisciplina, tá fora do jogo contra o CRB… Não apareceu para treinar…

    Relação dos jogadores do Papão, que viajarão às 18:30hs para Alagoas:

    – Paulo Rafael, Matheus, Charles, João Paulo, Lacerda, Yago Pikachu, Airton, Vanderson, Augusto Recife, Billy, Zé Antônio, Murilo, Djalma, Marcos Paraná, Bruninho, Lima, Jô e Leandro Carvalho

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  10. Tem coisas que eu custo a entender. Uma camisa da seleção brasileira impõe respeito em qualquer lugar do mundo. É claro que ninguém quer perder, mas o Brasil não precisava do discurso da humildade antes do jogo para justificar uma possível derrota. E nem por isso a seleção jogava mal ou precisava dar desculpas. Simples, o Brasil sempre atacava, sempre buscava o gol. E o torcedor de hoje não é diferente. Não é pedir muito que o time ataque. Se o time perder mas com jogo ofensivo e, por outro lado, perder vexatoriamente num joguinho de retranca, a torcida aplaudirá quem arrisca o ataque porque quem arrisca atacar está tentando vencer. Quem joga na retranca só quer não perder.

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  11. No caso da Pseudo ofensa racista a um jogador do Águia de Marabá, precisa-se separar joio de trigo, e isso não está acontecendo, é necessário analisar a situação na qual ocorreu o provável, xingamento, prá definir se, realmente, houve ofensa à raça, quero ainda lembrar aos verdadeiros “racistas”, que no Brasil somos uma ETNIA, o discurso está muito fácil, esse negócio de racismo está tomando ares de caça às Bruxas, e bruxa, não existe; qualquer coisinha agora é racismo, qualquer xingamento é racismo, Pô! camarada, tu entra na porrada, bate no cara, ele te xinga e só ele é que está errado, qual é mano, não aguenta a porrada não entra! não provoca!!! sarta dé banda! cai fora! na porrada bate-se, mas, apanha-se também e tem que ser macho aguentar a porrada, se apanhou, depois junta tua turma e pega ele lá fora, aí tu vais à forra, tem que honrar o culhão que tem entre as pernas, P.! .
    Essa onda de novos relacionamentos e modus vivendi pela qual, a atual e confusa sociedade brasileira passa, lembra-me, presepada do Saudoso e sempre autêntico, Papudinho, o ex-prefeito Hélio Gueiros, certa vez, escreveu em sua coluna “antigamente, quando alguém descobria que tomara algum chifre, corria para saber tudo e tomava providencias para que a notícia não se espalhasse, às vezes até com agrados (suborno) ao dedo duro que descobrira a tramóia; hoje o otário leva um chifre e a primeira coisa que faz pé ir prá programa de TV, chorar prá todo mundo ficar sabendo” dá prá entender? tal qual é essa moda de xingamento com racismo
    Recado prá turma do futebol; manos, prá não ser processado por racismo, nada de bate bocas, BAIXA À PORRADA, CALADINHO!!!!! é o jeito cara!

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    1. Amigo Silas, certas ofensas só doem no lombo de quem é ofendido. Como todos sabemos que o Brasil é a terra da impunidade e o Pará mais ainda, cabe a todos (TODOS!!) guardar vigilância em relação a esse tipo de “gracejo”. Só combateremos essa prática com o combate permanente. Chama atenção que esses episódios envolvam sempre cidadãos que estão de passagem por aqui, sempre expondo o preconceito que nortistas sofrem em outras regiões do Brasil. Só os desinformados ou cegos ignoram essa realidade. Racismo, venha de onde vier, é prática odiosa e desumana. Não se pode compactuar com isso. Está acima de eventuais paixões clubísticas. Costumo fazer um teste com os liberais e avançados que acham ofensa racista coisa irrelevante: imagine um filho ou irmão seu sendo discriminado pela cor dos cabelos ou da pele. É isso.

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