Remo x Internacional (comentários on-line)

Copa do Brasil – 1ª rodada

Clube do Remo x Internacional-RS – estádio Jornalista Edgar Proença, 22h

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Cacaio é substituído por Goiano no Paragominas

Com o elenco em greve há quase um mês, por atraso de salários, o Paragominas perdeu hoje o técnico Cacaio. Insatisfeito com a situação do clube e com o sumiço dos dirigentes, o treinador decidiu sair. Será substituído por Flávio Goiano. Cacaio conduziu a equipe durante a Série D 2013, com excelente campanha. O PFC foi eliminado em consequência da perda de seis pontos no STJD por ter escalado um jogador irregularmente. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Re-Pa terá ingressos divididos

As duas diretorias acertaram e as rendas dos dois jogos válidos pela semifinal da Copa Verde seguirão o mesmo critério do Campeonato Paraense. A carga de ingressos para o Re-Pa de domingo (16) será de 35 mil bilhetes. Cada clube receberá 17,500 ingressos para venda, faturando em cima do que conseguir vender. O mesmo acontecerá na segunda partida, prevista para o dia 23 de março. Os preços ainda não foram definidos, mas é provável que a arquibancada custe R$ 30,00 e a cadeira, R$ 60,00.

Os ‘cães de guarda’ contra-atacam

Por Reinaldo Lobo (*)

“Neoconservadores” à brasileira atacam ideias distributivas da esquerda, na defesa do capitalismo.

Eles estão em toda parte. Como gafanhotos vorazes, ocupam espaços na cultura, nas ciências humanas, na imprensa, na TV, no rádio, nas universidades em geral, entre os chamados “formadores de opinião”. São os “neoconservadores” à brasileira, cuja missão é desconstruir o que consideram o pensamento “politicamente correto” de esquerda. Infiltram-se nas brechas e interstícios de vários setores culturais e do poder, porque é isso o que imaginam que a esquerda faz. Seu truque secreto é usar o que pensam ser – depois de uma leitura ligeira de Gramsci – os métodos e a estratégia esquerdista para manter a hegemonia e o mando na sociedade civil e no Estado. Esse é um dos seus grandes equívocos.
Os “neocons”, como alguns gostam de ser chamados, reúnem desde filósofos (Denis Rosenfield, Luiz Felipe Pondé), sociólogos e geógrafos (Demétrio Magnoli), historiadores (Marco Antonio Villa), artistas, roqueiros (como o conhecido Lobão), adeptos da geopolítica pós-militarista (como ocorre com um apresentador da Rede Globo, William Waack), humoristas do “infoentretenimento” (Danilo Gentili, Jô Soares)  até ensaístas de ocasião (Arnaldo Jabor) e jornalistas da imprensa mais conservadora do País (como Reinaldo Azevedo). Jô Soares uma vez chamou Jabor de “comunista de direita”. Essas personagens têm, obviamente, qualificações e talentos diferentes entre si, mas é possível traçar um fio comum – o repúdio às políticas distributivistas e desenvolvimentistas do PT e de quaisquer outros grupos mais socializantes. O máximo que aceitam é a social-democracia à maneira tucana, aliada aos “liberais” dos Democratas (ex-ditadura civil-militar) e com uma base de centro direita.

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O neoconservadorismo, como muitos sabem, é uma visão política do mundo inaugurada nos Estados Unidos. Essa corrente ideológica surgiu logo após a Segunda Guerra Mundial, quando surgiu a Guerra Fria. Desenvolveu-se entre ex-comunistas que passaram da crítica à burocracia soviética e aos horrores do stalinismo para uma posição de direita. Nasceu num meio de jornalistas trotskistas, ao redor da revista “Commentary”. Dois dos seus primeiros intelectuais convertidos foram Irving Kristol e James Burnham, esse último autor de um best-seller intitulado “A Revolução dos Gerentes”, onde defendia a tese de que as sociedades capitalista e comunista tendiam a se tornar uma coisa só, sob uma administração tecnoburocrática e gerencial. Essa mesma teoria foi defendida na França por Raymond Aron, um franco conservador. Foi a raiz da ideologia da “terceira via”, que ressurgiria recentemente na Inglaterra com Anthony Giddens e o primeiro ministro Tony Blair. Mas os neocons dos EUA não hesitavam em aderir ao “modo de produção menos ruim”, o capitalismo no sentido estrito. Não é preciso dizer que o auge de seu prestígio foi sob os governos de Reagan e Bush (pai e filho).
Os neocons brasileiros, diferentes dos norte-americanos, são mais sutis na defesa do capitalismo. Preferem apresentar-se como os verdadeiros transformadores e democratas, a partir de uma crítica pretensamente demolidora das ideologias em geral e do socialismo petista em particular. A sua ideologia consiste em se declararem anti-ideológicos. E os seus procedimentos argumentativos são de dois tipos.
O primeiro é a teoria do aparelhamento do Estado, pois o Partido tenderia a se confundir com o poder estatal, como na URSS, sem se considerar que todos os partidos no Brasil colocam, sem exceção, os seus aliados e militantes nos cargos mais importantes. Como o regime do PT e do País está longe de ser uma URSS, esse argumento se liquefaz. Fazem parte da base do governo e da burocracia estatal mais de dez outros partidos e estamos numa democracia.  Os atuais membros petistas do governo sempre disputaram eleições livres e assim se mantiveram em uma parte do poder coligado.
O segundo procedimento dos neocons deriva do fato de muitos deles terem migrado da esquerda para a direita, talvez por motivos até semelhantes aos norte-americanos — “o peso da realidade” da vitória do capitalismo na Guerra Fria e os horrores do stalinismo. Concedamos que seja assim. O seu truque consiste, porém, em inverter os argumentos da esquerda contra ela própria. Assim, tivemos há pouco um artigo do colunista da Folha, R. Azevedo, em que inventa um “racismo de segunda ordem” a ser atribuído a qualquer petista que criticar as decisões erradas do ministro do STF, Joaquim Barbosa. Todos sabem que a luta contra o racismo é uma bandeira histórica da esquerda. O próprio Barbosa já foi chamado pela direita de ministro da “cota de Lula”.  Nada melhor para os propósitos ideológicos do colunista Azevedo do que “informar”, invertendo o racismo da elite, dizendo à população que “racistas” são Lula e o PT. É como a crítica ao programa de cotas – estimularia o “racismo ao contrário”, dos negros contra os brancos e criaria uma “elite privilegiada”.
Essas figuras decidiram que a melhor defesa do sistema elitista,  escondendo suas mazelas, é partir para o ataque. São os falsos rebeldes que desejam destruir os “mitos” da esquerda para impor seus próprios mitos, como a “captura das mentes” e a “infiltração”.
O truque é simples, mas tem funcionado e se repete. Um outro articulista, Jabor, só se refere aos adversários como a “velha esquerda”, como se ele fizesse parte da nova, a moderna e vanguardista. É bem conhecida a relação de Jabor com a “social-democracia” tucana. E sua luta para se tornar Ministro da Cultura numa pretendida volta dos tucanos ao poder. Há algo de mais velho na praça do que a social- democracia?
Uma característica dos neocons é a de se mostrarem os defensores da modernidade (capitalista, é claro). Ou como a encarnação da pós-modernidade. Todos falam do “atraso” da esquerda e de seu ultrapassamento. Mas as ideologias dos “novos conservadores”, em alguns casos, lembram demais a Velha Direita de Joseph de Maistre, da Action Française e das falanges de Mussolini.
Autores um pouco mais sofisticados, como Luis Felipe Pondé, reproduzem aqui no Brasil as idéias do filósofo pessimista inglês John Gray, para quem não existe progresso real na história e a “natureza humana” predatória e violenta só se coaduna com regimes de “alta competição” – como se o capitalismo atual, de monopólios, fosse competitivo! Essa pequena teoria “hobbesiana”, evidentemente distorcida, vale para tudo: o capital, o combate ao crime, etc. O paradoxo de Gray — ele defende a modernidade, mas sustenta, ao mesmo tempo que ela não tem sentido, pois é a maior ilusão vinda do Iluminismo e da noção de progresso. Em seu livro “Straw Dogs (Cachorros de Palha): Thoughts on Human and other Animals”, Gray diz que, de Platão à Cristandade, do Iluminismo a Nietzsche, a tradição ocidental tem sido baseada em crenças arrogantes e errôneas sobre os seres humanos e o seu lugar no mundo. Quer retirar o “privilégio” concedido por essa tradição ao homem em relação aos animais e à sua própria animalidade. Filosofias como o liberalismo e o marxismo pensariam a humanidade como uma espécie cujo destino é transcender seus limites naturais. Gray argumenta que essa crença na diferença humana é uma ilusão perigosa.  Propõe investigar a vida do homem “da forma como ela se parece”, uma vez que o “humanismo foi finalmente abandonado” ( pelo pós-modernismo). Ele pensa ter perturbado nossas mais profundas crenças, mas nada mais faz, na melhor das hipóteses, do que propor uma natureza humana ao modo do século XVIII ou, na pior das hipóteses, à maneira do ultra-conservadorismo pessimista do fascismo. Sua teoria quer-se moderna ou até pós, mas é mais antiga do que andar para a frente.
O filósofo Pondé importa até os cacoetes e ironias de autores como Gray. A frase mais espirituosa do brasileiro é também uma contradição em termos –  “O Viagra fez mais pela humanidade do que 200 anos de marxismo”. Ora, para quem vê o progresso como ilusão, cabe a pergunta – o Viagra não é progresso? Tecnológico, é verdade, mas progresso? Saibam que o Viagra é perfeitamente compatível com o marxismo e até com o liberalismo. A incompatibilidade só pode ser uma brincadeirinha de mau gosto do filósofo da PUC.
Pessimismo sempre foi uma marca registrada do conservadorismo. É regressivo. Seu corolário é a antiutopia e o conformismo. Mas essa turma tem prestígio e muitos ganham bem para cumprir a função que outrora Paul Nizan,  escritor de esquerda vítima do fascismo, chamou de “cães de guarda” do sistema.

* Reinaldo Lobo é psicanalista e jornalista. Tem um blog -imaginarioradical.blogspot.com.

O dinheiro fala mais alto

Por Gerson Nogueira

unnamedEnfrentar o Internacional, seja qual for a circunstância, é parada difícil para times brasileiros de qualquer divisão. O Remo sabe disso e vai lançar mão de todas as armas no confronto desta noite, no estádio Jornalista Edgar Proença. Mais do que avançar na Copa do Brasil, os azulinos tentam levar a cabo um projeto de natureza financeira.

Para não perder o dinheiro da arrecadação do jogo, o Remo é obrigado a provocar o jogo de volta, previsto para o mês que vem em Porto Alegre (RS). Para isso, não pode perder por mais de dois gols de diferença.

Aos remistas interessa mais o faturamento do que a permanência na Copa BR. E a razão é bem simples: a nenhum clube emergente ou mediano, fora do eixo Sul-Sudeste, é permitido hoje sonhar com uma campanha longa e exitosa na competição.

Com a mudança no regulamento, que passou a incluir também os clubes disputantes da Taça Libertadores, a Copa do Brasil deixou de ser um torneio propício à vitória de azarões, como ocorre na França e Inglaterra. Os tempos de triunfos inesperados de Paulista de Jundiaí, Juventude e Sport-PE, ficaram pelo caminho. Fazem parte de um passado romântico. Uma nova zebra campeã é hipótese quase impossível de acontecer.

Hoje, a Copa BR é dominada pelos grandes, que têm elencos estrelados e folhas salariais que chegam à faixa dos R$ 12 milhões. O Internacional, mesmo depois de perder suas maiores estrelas (Leandro Damião e Diego Forlán), segue no rol dos favoritos ao título. Vem a Belém sem seu meia-armador titular, D’Alessandro, mas traz nomes conhecidos, como Dida e Jorge Henrique.

O Remo vai com a força máxima, mas ciente de que o jogo realmente importante será no domingo, contra o Paissandu, abrindo a semifinal da Copa Verde. Como o adversário é o Internacional, o técnico Charles Guerreiro não pode se dar ao luxo de poupar titulares. Deve repetir a mesma formação que começou a partida de domingo passado contra o Nacional, em Manaus.

Diante da necessidade de fazer caixa, admitida pela própria diretoria, soou estranha a majoração dos ingressos para o jogo desta noite. A R$ 50,00 (arquibancada), o preço afugentou muita gente. Nem as explicações do programa de sócio-torcedor servem como justificativa para valor tão alto – ainda mais às vésperas de clássicos regionais decisivos.

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Missão de extrema importância

O presidente da Federação das Associações de Municípios do Estado do Pará (Famep), Helder Barbalho, o presidente de honra do PT no Pará, Paulo Rocha e o deputado federal Beto Faro conseguiram marcar para hoje uma audiência na presidência da Caixa, em Brasília, para tentar assegurar patrocínio aos clubes de futebol do Pará. Neste primeiro momento o processo começa por Remo e Paissandu, em virtude da representatividade e tradição que possuem. Em seguida, será reivindicado o apoio aos demais clubes paraenses. Integram a comitiva o presidente do Remo, Zeca Pirão, e o presidente do Paissandu, Vandick Lima.

Clubes do mesmo porte de Remo e Paissandu, alguns até inferiores em termos de história e torcida, já contam com suporte financeiro da Caixa. A entrada em cena de Helder, ao lado de Paulo Rocha e Beto Faro, pode viabilizar um patrocínio que permitirá aos titãs do nosso futebol alçar voos mais altos.

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Sobre as escolhas da Fifa

Transcrevo aqui o comentário do amigo Cosme Rímoli, jornalista de São Paulo e colunista do portal R7, sobre a inauguração da Arena da Amazônia, em Manaus. É interessante a comparação que ele faz entre o nosso futebol e o dos vizinhos.

“O estádio ainda está em obras.

Após 44 meses…

Goteiras, banheiros ainda sem condições de uso…

Falta de energia elétrica na bancada dos jornalistas.

Internet péssima.

Reclamação dos torcedores porque o acesso ao estádio não está finalizado.

Cadeirantes protestando.

Enfim, um vexame.

Mas a inauguração às pressas tinha de acontecer.

A oportunidade era de ouro.

Jogo eliminatório da Copa Verde.

Nacional e Remo.

O empate em 2 a 2 classificou os paraenses.

Eles ficaram com a vaga.

Quando na verdade, deveria ter ficado com a sede da Copa do Mundo.

Manaus só é sede do torneio por força política.

O futebol de Belém é muito mais representativo.

Teve representante até na Libertadores.

Os clubes são mais estruturados, fortes financeiramente.

A média dos estaduais deixa claro quem é quem.

O torneio paraense em 2013 teve média de 5.022 pagantes.

O do Amazonas ficou em incríveis 807 torcedores.” 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 12)