Opinião: Tchau aos Campeonatos Estaduais

Por Rui Azevedo (ruinazare@gmail.com)

A nova forma de disputa do Campeonato Brasileiro da Série C, alongando a competição até próximo ao mês de dezembro, sinaliza o fim dos campeonatos estaduais nos modelos que ora se disputam. Afinal, não se concebe clubes com investimentos e folhas de pagamentos e custos orçamentários milionários disputando competições sabidamente deficitárias antecipadamente. Então como deverá ser o formato de participação dos clubes de futebol profissional neste negócio. As divisões estão definidas A ,B,C, D, sendo as três primeiras já custeadas total ou parcialmente pela Confederação Brasileira de Futebol e a veiculação remunerada pela televisão.

Os clubes que estiverem elencados nestas séries terão condições de buscar outras formas de patrocínios, pois terão visibilidade. O s campeonatos estaduais serão disputados por clubes que ainda não estão classificados em nenhuma das séries ora reconhecidas em caráter nacional. Qual o objetivo deste texto? Despertar os diretores dos clubes para o que deverá ocorrer no prazo de cinco anos no máximo, essas mudanças constituirá o ápice do verdadeiro negócio futebol. Afinal, não se concebe o Neymar com R$ 3 milhões jogando contra R$ 100 mil, Ronaldinho Gaúcho R$ 1,2 milhão jogando contra R$ 200 mil, Paysandu Sport Club x Tuna Luso Brasileiro jogando segunda-feira à tarde pelo Campeonato Paraense. Nem o Terroada Futebol Clube, meu time de pelada, aceita uma porfia nesse dia e horário.

(*) Rui Azevedo – adm.empresas, professor, ex-atleta de futebol profissional.

12 comentários em “Opinião: Tchau aos Campeonatos Estaduais

  1. A origem das grandes rivalidades regionais e, por conseguinte, da popularidade do futebol brasileiro está nos campeonatos regionais.

    Acredito que em estados como o Pará ainda cabe a realização dos estaduais e em maior período do ano, mesmo que em datas alternativas ou mais espaçadas.

    Um abraço a todos do blogue e ao grande Rui Azevedo, grande craque azulino dos anos de 1970.

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    1. Amigo Valentim, o Rui é um estudioso da gestão esportiva e tem opinião respeitável. Ainda acho que os campeonatos estaduais sobreviverão, talvez mais enxutos e curtos, mas sempre estimulando a rivalidade entre times regionais.

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  2. Nesse caso, Remo e Paysandu que se cuidem, pois se nem no Parazão conseguem ir bem, imagine (no caso do Paysandu) numa terceira divisão forte, como será a deste ano. Um Brasileiro nos moldes do que o Rui Azevedo fala é para clubes profissionais, não para amadores, como nossos dois grandes. Essa mudança no calendários desperta mais preocupações do que entusiasmo.

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  3. Sou a favor desta mudança e na minha opinião, as séries B e C deveriam ter 28 times divididos em duas chaves de 14 e a Série D deveria ter 32 times divididos em 4 grupos de 8. Os times que não fizerem parte das quatro divisões disputariam os estaduais, cujos campeões disputariam uma copa dos campeões no sistema de mata-mata para alcançarem a Série D. Acho também que os clubes grandes do eixo Norte-Norte deveriam criar uma organização similar ao Clube dos 13 para reivindicar as participações dos clubes afiliados nas cotas de televisão e patrocínio, assim como na organização das tabelas.

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  4. No caso paraense o que coloca em risco a subsistência do campeonato de futebol respectivo, em tempo até menor do que os cinco anos estimados no post, é o estado de falência para o qual vai caminhando célere a dupla RE/pa. Por outro lado, acaso a dupla comece a se recuperar administrativa, financeira e tecnicamente, nosso campeonato regional ainda vai muito longe, mesmo com estes ajustes de calendário da CBF.

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  5. Gerson, só para termos uma ideia da irracionalidade que comanda o nosso futebol, vou citar o dilema vivido pelo Paraná Clube. Este clube que atualmente disputa a Série B nacional, foi rebaixado para a segunda divisão do campeonato paranaense. Como esta competição é disputadapenas no segundo semestre, o clube só não está sem competições oficiais neste primeiro semestre porque disputa a Copa do Brasil , que a exemplo do Remo, foi convidado. O pior é que o clube terá que disputar duas segundas divisões simultâneas, a nacional e a estadual, e corre o risco de uma competição atrapalhar a outra. Se o Paraná privilegiar a Série B nacional, poderá não retornar para a elite paranaense e ter que viver o mesmo drama em 2013. Mas prejuízo será maior se o clube for rebaixado para a Série C nacional, o que já vem batendo na trave há uns dois anos e que tem tudo para se concretizar este ano. Agora eu te pergunto, um clube como o Paraná merece viver uma situação desta? Vale lembrar que Portuguesa e Guarani já viveram situações parecidas, embora menos dramática, pois a Série A 2 paulista é disputada simultaneamente à Série A1. Agora, você acha que isso aconteceria num país de dirigentes sério? Eu duvido.

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  6. Aqui no PARÁ se respira futebol, o caboco dorme pensando em futebol, acorda pensando em futebol.
    Onde vai se fala em futebol.
    Os meios de comunicação fomentam isso.

    Por conscidencia hoje na rua aqui em Marituba, algo me deixou feliz e me chamou muto atenção, em locais e horários diferentes observei que 4 crianças usavam a camisa do papão.
    Meus filhos, como o jogo de segunda é a tarde já me intimaram a leva-los ao mangueirão.
    Ou seja é algo que passa de pai pra filho.

    No melhor ano da sua história, em 2003, o Paysandu não foi campeão local lembram?

    Nos dias de hoje o campeonato local é importante, mas o Brasileiro é muito mais.
    Nossos times precisam urgentemente está em divisões melhores, no minímo na 2° divisão, pois é apartir deste campeonato, que há melhores patrocinios, despesas bancadas e uma maior visibilidade.

    Fábio Oliveira veio pra cá dizendo atender um convite do amigo Charles Guerreiro ( puro amadorismo ), quando teve uma oportunidade se mandou pro remo.
    O Adriano Magrão disse que o motivou a vim pra cá é a história do clube.
    Ninguém vem pra cá pra disputar o campeonato paraense.
    Taí o Rafael Oliveira e o Harrison aceitando jogar só a copa Brasil e a terceirona.

    PAYSANDU & REMO são times grandes, mas por serem mal administrados até no parazão viraram times comuns.
    Como pode o Paysandu aceitar jogar numa segunda de tarde e a FPF pouco se importar?

    Os times PEQUENOS com o apoio da FPF estão colocando os dois no bolso, porque eles não sabem se impor.
    FALÊNCIA é algo impossível pra esses dois, mas precisam de imediato terem melhores administradores que trabalhem “juntos” criando formulas que lhes beneficie.

    Amigo Ruy só corroborando de forma bem humilde em seu texto, essa nova ordem do nosso futebol já vem acontecendo à algum tempo, principalmente desde a criação do mesmo na forma de disputa de pontos corridos.
    A 1° e a 2° já estão bem estruturadas.
    A 3° e a 4° dentro dos 5 nos que vc disse também deverão se estruturar, a 5° deverá vim pra acolher o resto que sobrar.

    Falando pelo Paysandu, ser administrado pelo LOP, daqui a 5 anos vamos estar brigando pra conseguir uma vaguinha na 5° divisão.

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  7. Com todo respeito ao Rui uma pessoa muito bem intencionada e amante do futebol, mas não adianta nada esse seu comportamento de Don Quixote do futebo paraense, pois ninguem lhe dará oudido. Meu irmão, quem quizer levantar o futebol paraense tem que entrar com grana e com grana alta, como o próprio Rui escreveu com um mês de salário do Neymar da pra pagar todas as despesas do campeonato paraense e ainda sobra troco. Então não adianta vir com conversinha, tem que ter é grana mesmo.

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  8. Levará algum tempo até que os campeonatos estaduais caiam em desuso. Num pais de dimensões continentais é desinteligente
    pensar que tudo pode ser encarado e tratado por igual.
    As rivalidades entre os grandes do sul maravilha poderão ser vividas ou revividas em outras outras competições nacionais.
    Entre nós (Remo e Paissandu) a coisa não vem sendo simples e resta-nos o parazão velho de guerra para accirar os animos.
    Dos problemas regionais, todos sabemo-los, ainda que teoricamente, só nos falta encontrar as soluções. Com a palvra os estudiosos.

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  9. Creio que certos estaduais se privilegiarem a objetividade ainda podem manter o charme da disputa.Parazão com 10 times é viável desde que seja em pontos corridos, um turno somente e os quatro primeiros decidindo em semi-finais e final.Seria enxuto e as partidas somente aos domingos e apenas uma ou outra rodada no meio da semana manteriam o interesse do torcedor paraense.Com jogos domingo, terça,quinta,sábado pela manhã ou domingo pela manhã cai o interesse pela alta exposição dos clubes,exposição negativa.Nesse formato a exposição é positiva.Imaginemos uma semi entre Remo e Tuna e outra entre águia e paissandu.Seriam dois jogos pra encher os estádios.Afinal nesse formato atual um time que perde muito e quase não joga nada pode ser finalista e até campeão.

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  10. Quando a CBF passou a realizar a Série A nos moldes das temporadas européias a partir de 2003 (jogos em turno e returno, com o campeão sendo aquele que ao fim da competição somasse o maior número de pontos), muitos jornalistas, dirigentes e cartolas em geral diziam que era um crime contra os campeonatos estaduais, que por sua vez foram resgatados das ameaças de esvaziamento e de ostracismo que estavam em curso até 2002 por conta das Copas Regionais e da independência que as ligas que organizavam os torneios (com exceção da Copa Norte) proporcionavam aos clubes, o que reduziria em nível exponencial o poder das federações estaduais, minando assim a legitimação da estrutura de poder da CBF. A CBF e as federações perceberam que alimentavam um “monstro” que poderia arruiná-las. Lembro-me da evocação das tradições, do charme e do surgimento das rivalidades históricas entre os clubes de um mesmo estado ou cidade que dirigentes, a mídia esportiva locupletada e os boquirrotos presidentes de clubes faziam ao afirmar a importância histórica do certames estaduais. De fato os certames o eram, mas, o anacronismo flagrante de tais competições hoje – agravado pela crise técnica, tática e de talento dos times e técnicos nacionais – demonstra que os torcedores, a imprensa esportiva e até mesmo alguns dirigentes mudaram de perfil, são mais exigentes. E realçam e muito o oportunismo e a desfaçatez daqueles tempos e que decapitaram as Copas Regionais, que tinham caído no gosto de torcedor.
    Dizia-se ainda que a Série A nos moldes europeus mataria os estaduais menos badalados (leia-se, os certames do Norte, Nordeste e Centro-Oeste) e sobreviveriam apenas os estaduais mais fortes e tradicionais, compostos por times de alcance nacional (Carioca e Paulista, seguidos do Mineiro e do Gaúcho e, em menor escala, do Paranaense, do Baiano, do Pernambucano e, incluído com muito boa vontade, do Cearense). Tal análise colocava em cheque a própria competitividade dos clubes, o que poderia refletir até mesmo no equilíbrio dos campeonatos nacionais em todas as suas divisões. Muitos falavam até mesmo no risco de “espanholização” do futebol brasileiro (concentração de riqueza e competitividade nas mãos de poucos clubes, sobretudo daqueles que disputariam os estaduais “maiores”) caso os estaduais “menores” desaparecessem. Contudo, o processo se mostrou inverso. O Paulistão virou paulistinha, o Cariocão virou carioquinha/carioqueta, equipes como Americano de Campos, Paulista de Jundiaí, Ferroviária, os XV’s de Jaú e Piracicaba, América RJ, Bangu, Novorizontino e União São João de Araras tornaram-se minúsculas ou desapareceram, prevalecem os times de empresários e itinerantes, enquanto que o Campeonato Pernambucano – e mesmo o nosso Campeonato Paraense – por exemplo, leva mais público aos estádios do que os estaduais do “Sul Maravilha”.
    Concordo com Rui Azevedo. Os estaduais hoje são meros espectros do que já foram um dia, numa época em que ocupavam mais de 6 meses do calendário do futebol brasileiro. Campeonatos como o Paraense, enxuto e com poucas datas, são exequíveis e até necessários para se manter a “chama acessa” dadas as contingências da dupla Re-Pa, por exemplo. Mas os outrora grandes estaduais são impraticáveis sob qualquer fórmula. São desinteressantes, não tem apelo e, o que é pior, são deficitários financeiramente e técnicamente e não levam mais a lugar nenhum. São monstrengos mastodônticos em tempos de futebol competitivo, de alto rendimento dentro de campo e de alta rentabilidade fora dele.

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