Afinal, quem tem a maior torcida?

O futebol, fonte de paixão para milhões de brasileiros, nem sempre consegue ter uma tabulação precisa do tamanho das torcidas no Brasil. Na semana passada, o Ibope e o Lance! publicaram novo levantamento apontando resultados surpreendentes, principalmente por destacar o crescimento de clubes do Nordeste. Há, ainda, uma pesquisa (de janeiro de 2012) do IBGE, que não deixa de ser polêmica pois inclui Portuguesa, Guarani, Vila Nova (?), Goiás (??), Paraná (???), Avaí (????) e Figueirense como clubes mais populares que a dupla Re-Pa, por exemplo. Abaixo, os gráficos das duas pesquisas para discussão dos comentaristas do blog.

Outono dos poderosos

Por Juca Kfouri

Aos 95 anos e depois de ter renunciado ao COI para dele não ser expulso por corrupção, João Havelange está em estado grave no hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. Seu ex-genro, Ricardo Teixeira, depois de 23 anos no poder, renunciou ontem também na Fifa, como já  havia feito uma semana atrás na CBF e no COL. E são cada vez mais fortes os rumores de que Joana Havelange, neta de João e filha de Ricardo, não resistirá muito tempo no  cargo que ganhou de presente do pai no COL. São as agruras de março fechando o verão e antecipando o outono do patriarca e seus protegidos. Nem a literatura fantástica latino-americana imaginaria um final tão inglório.

Jogada ensaiada na Curuzu

Por Gerson Nogueira

O Paissandu continua a caprichar na capacidade de aprontar surpresas, mesmo sob a forma de factóides. O anúncio do nome de Robgol como novo homem-forte do futebol pode parecer outra daquelas decisões emocionais do atual presidente. Na verdade, só os desavisados acreditam nisso. Segundo fontes do próprio clube, a volta do ex-atacante à Curuzu é parte de um ritual que tem dois objetivos não declarados.
O primeiro, obviamente, é mostrar quem manda no clube. Desde que concedeu plenos poderes à comissão de notáveis para administrar o futebol, o presidente tem ensaiado incursões para reafirmar sua autoridade. Foi assim quando anunciou a volta de Tiago Potiguar e a contratação de Adriano Magrão. Os diretores não acusaram o golpe e a vida seguiu seu curso normal, mas o episódio deixou fissuras na relação.
A segunda intenção embutida na contratação de Robgol tem a ver com compromissos da chapa reeleita. No começo de 2011, a convite do presidente, o ex-artilheiro assumiu a gerência de futebol e se viu obrigado a pedir o boné após ser desautorizado publicamente. Acertava com Givanildo Oliveira quando foi atropelado pelo anúncio da chegada de Sérgio Cosme.
Ao mesmo tempo em que paga essa dívida moral com Robgol, a diretoria cria condições para o ídolo resgatar a imagem arranhada pelos escândalos na Assembléia Legislativa. Talvez não seja suficiente para habilitá-lo a uma vaga na Câmara dos Vereadores, mas o cargo pode servir de alavanca para se tornar o candidato da situação à presidência do clube.
De uma coisa quase ninguém tem dúvida na Curuzu: Robgol representará o papel de dirigente, mas, na prática, será um gerente atuando ao lado de Lecheva. Mais ou menos como Fernando Oliveira atua no Remo. Talvez nem isso. 
 
 
Em meio aos dramáticos momentos de atendimento ao zagueiro Tonhão, no final do jogo Remo x Cametá, passou quase despercebido o empurrão que o jogador Rafael Paty deu no repórter Giuseppe Tommaso, tentando afastá-lo do local em que o zagueiro era socorrido pela equipe médica.
Tommaso buscou se aproximar do tumulto para entrevistar as pessoas que atendiam Tonhão. Descontrolado, Paty xingou e empurrou o repórter. Apesar de ser carioca sangue-bom, Tommaso encarou o valentão e rebateu no mesmo tom.
É bem verdade que repórteres não podem ter acesso ao gramado, mas a situação era inusitada e a arbitragem havia interrompido a partida. Até a torcida ficou em silêncio nas arquibancadas diante do lance da fratura. Era, portanto, natural que a imprensa se aproximasse para buscar informações.
Paty, pelo visto, não entendeu assim e confundiu as coisas, vestindo uniforme de agente repressor. Fez papel de bobo e perdeu boa chance de mostrar respeito pelo trabalho dos profissionais da imprensa esportiva. Tommaso fazia o que todo bom repórter faz: buscava notícias para repassar aos seus ouvintes.
 
 
Que a arbitragem paraense tem sido quase impecável no atual Parazão, ninguém discute. Prova desse estágio é a confiança depositada pelos clubes nos apitadores locais. E os árbitros da terra conseguiram respaldo até para comandar o tradicional Re-Pa.
No primeiro turno, o clássico foi entregue a Joelson Cardoso, que apitou esplendidamente. Agora, no clássico do returno, domingo (25), o árbitro escolhido por sorteio foi Dewson Freitas da Silva.
Lembro que essa situação só se registrava nas décadas de 70 e 80, quando pontificava o craque Manuel Francisco de Oliveira, melhor árbitro paraense de todos os tempos.
 
 
O blog bateu ontem, pelo terceiro dia consecutivo, a marca de 4 mil acessos diários. Não é nada, não é nada mesmo, mas representa motivo suficiente para agradecer aos baluartes que ajudam a construir diariamente o blog. A meta agora é alcançar 2 milhões de acessos até junho.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 21)