Demóstenes era sócio do bicheiro Cachoeira

Por Leandro Fortes (CartaCapital)

A Polícia Federal tem conhecimento, desde 2006, das ligações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Três relatórios assinados pelo delegado Deuselino Valadares dos Santos, então chefe da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros (DRCOR), da Superintendência da PF em Goiânia, revelam que Demóstenes tinha direito a 30% da arrecadação geral do esquema de jogo clandestino, calculada em, aproximadamente, 170 milhões de reais nos últimos seis anos.

Na época, o império do bicheiro incluía 8 mil máquinas ilegais de caça-níqueis e 1,5 mil pontos de bingos. Como somente no mês passado a jogatina foi desbaratada, na Operação Monte Carlo, as contas apresentadas pela PF demonstram que a parte do parlamentar deve ter ficado em torno de 50 milhões de reais. O dinheiro, segundo a PF, estava sendo direcionado para a futura candidatura de Demóstenes ao governo de Goiás, via caixa dois.

A informação, obtida por CartaCapital, consta de um Relatório Sigiloso de Análise da Operação Monte Carlo, sob os cuidados do Núcleo de Inteligência Policial da Superintendência da PF em Brasília. Dessa forma, sabe-se agora que Demóstenes Torres, ex-procurador, ex-delegado, ex-secretário de Segurança Pública de Goiás, mantinha uma relação direta com o bando de Cachoeira, ao mesmo tempo em que ocupava a tribuna do Senado para vociferar contra a corrupção e o crime organizado no país.

íntegra: http://www.cartacapital.com.br/politica/os-30-de-demostenes/

Tribuna do torcedor

Por Moisés Santos (moises.santospa@gmail.com)

A informação fornecida pela FPF e divulgada pela Radio Clube do Pará de que do público de 30 mil pagantes, aproximadamente 17 mil foram do CR e aproximadamente 13 mil foram do PSC não apresenta consistência nenhuma, primeiramente porque não existe controle de entrada no
estádio e pelos locais de venda não é possível fazer a referida afirmação uma vez que os ingressos vendidos no Detran não podem ser computados para nenhum dos clubes, pois todos os torcedores que vão ao estádio de ônibus chegam pela Rod. Augusto Montenegro, independente da cor da camisa e naturalmente adquirem ingresso no Detran que encontra-se na passagem. Imaginar que todos os torcedores do PSC compram ingresso no Ceju não é cabível, pois somente os torcedores que acessam ao estádio pela Transmangueirão compram ingresso no Ceju, sendo que não existem linhas de ônibus por esse acesso. Certo de que esse esclarecimento venha ser pautado na programação da emissora, de forma que os números apresentados sejam relativizados e analisados considerando apenas a experiência dos cronistas e não enaltecidos para uma agremiação como foi largamente propalado por um repórter da equipe.

Parazão 2012 – Classificação geral

POS. TIMES PG J V E D GP GC SG AP
Águia 26 16 8 2 6 27 25 2 54.2
Remo 24 14 7 3 4 19 15 4 57.1
Cametá 21 16 5 6 5 23 25 -2 43.8
São Francisco 19 12 5 4 3 23 19 4 52.8
Paissandu 17 12 5 2 5 14 13 1 47.2
Tuna 16 14 5 1 8 19 24 -5 38.1
São Raimundo 14 12 3 5 4 15 17 -2 38.9
Independente 12 12 3 3 6 17 19 -2 33.3

Até debaixo d’água

Por Gerson Nogueira

Em jogo dominado pelos volantes, nada mais natural do que 0 a 0 no placar. E não foi ruim de ver. Pelo contrário. Muitos lances de improvisação, velocidade e categoria. Apesar do toró que desabou nos primeiros 45 minutos e do gramado enlameado no resto do tempo, a bola foi quase sempre tratada com respeito.
A explicação mais simplória talvez seja a de que a redonda tinha pelo menos uma dúzia de garotos a escoltá-la. Na era moderna, não há notícia de um Re-Pa tão povoado de jovens. No Paissandu, seis entraram em campo como titulares. No Remo, quatro. No segundo tempo, entraram mais dois, substituindo gente experiente.
Pena que o gol não ter saído para premiar os 30 mil pagantes (mais 3 mil credenciados). Quando a chuva era mais inclemente, nos 15 minutos iniciais, ficou a sensação de que o espetáculo estava inapelavelmente comprometido. Nada disso. Os jogadores conseguiram superar o lamaçal e a partida foi até vibrante.
De voleio, Reis quase acertou o ângulo superior da trave de Paulo Rafael. Em resposta, Billy fez lançamento de quase 30 metros para Pikachu chutar com perigo. Tirando esses lances mais agudos, o embate foi marcado pela inspirada atuação dos quatro volantes. No Remo, Jhonnatan e André foram soberbos. No Paissandu, Billy e Neto praticamente não cometeram erros.
Como protetores das defesas, os quatro superaram os atacantes em participação no jogo. Enquanto Jhonnatan teve fôlego, o Remo foi superior. E os melhores momentos do Paissandu tiveram a assinatura de sua dupla de cães de guarda.  
Outra explicação para o placar de 0 a 0 talvez esteja na demora dos técnicos em trocar peças inoperantes. Lecheva custou a botar Héliton no jogo e deixou Bartola, de novo, de lado. Um pecado. Com os dois velozes atacantes em campo, tendo Potiguar ou Robinho pelo meio, as chances de gol aumentariam consideravelmente.
Flávio Lopes permaneceu tempo demais com Betinho, que estava visivelmente longe de seus melhores dias. Reis, que havia se destacado sob a chuva, sumiu depois da tempestade. Ficou mais preocupado em armar jogadas do que em atacar. Com isso, o Remo não ganhou um armador eficiente e ainda perdeu um atacante audacioso.
A história seria outra se Adriano Magrão acertasse o pé após o passe de letra de Zé Augusto. Ou se o próprio Zé não furasse diante de Adriano. Ou, ainda, se Joãozinho tivesse finalizado bem o lance mais claro de gol. Coisas normais de um jogo de futebol, e principalmente de um clássico intenso como é o Re-Pa. O jeito é esperar pelo próximo. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola) 
 
 
Duas constatações do clássico chuvoso. Magnum só vai jogar melhor se fizer mais jogos. Adriano Magrão jamais será o artilheiro que o Paissandu precisa se continuar a ser titular apenas com o nome.  
 
 
O São Francisco está chegando. Já é o segundo colocado do returno e ensaia repetir a façanha do Cametá no turno. A vitória tranqüila sobre a Tuna, ontem, em Santarém, deixou o time de Perema a um ponto da vaga. A derrota alija a Lusa da disputa. Todos os demais, inclusive São Raimundo e Cametá, ainda podem chegar à semifinal.
 
 
O campeão Independente se consolida como lanterna da competição, com direito a um vexame dentro de casa contra o São Raimundo. Nada, porém, é mais vexatório que a absurda sequência de abusos praticados sábado à noite no estádio Navegantão.
De forma deliberada, um maqueiro atirou ao chão jogador santareno que precisava de atendimento. Criado o tumulto, a polícia chegou e resolveu apagar incêndio com gasolina. Spray de pimenta foi usado contra jogadores do Pantera e acabou atingindo em cheio um auxiliar do árbitro.  
As cenas lembraram, em proporção menor, a briga generalizada ocorrida em Marabá na semifinal do turno, entre Águia e Remo. Pela gravidade, todos os envolvidos no episódio deveriam ser punidos com rigor. A realidade ensina, porém, que todos se safam – como Alexandre Carioca e Magnum, que já estão jogando, como se nada tivesse acontecido.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 26)

Parazão 2012 – Classificação do returno

POS. TIMES PG J V E D GP GC SG AP
Remo 11 5 3 2 0 9 3 6 73.3
São Francisco 10 5 3 1 1 13 9 4 66.7
Paissandu 8 5 2 2 1 5 4 1 53.3
Independente 7 5 2 1 2 10 9 1 46.7
Águia 7 5 2 1 2 9 9 0 46.7
São Raimundo 5 5 1 2 2 7 8 -1 33.3
Cametá 4 5 1 1 3 6 11 -5 26.7
Tuna 3 5 1 0 4 5 11 -6 20.0