
Michael J. Fox, astro de “De Volta para o Futuro”, com Eddie Vedder, na festa de introdução do Pearl Jam ao Hall of Fame, em 2017.

Michael J. Fox, astro de “De Volta para o Futuro”, com Eddie Vedder, na festa de introdução do Pearl Jam ao Hall of Fame, em 2017.
Depois da eleição mais disputada da história recente do Corinthians, o novo presidente do clube, Andrés Sanchez, teve perfeita noção do que terá de enfrentar pela frente assim que ouviu seu nome ser apontado como o vencedor do pleito. Sem maioria no Conselho e precisando deixar o clube escondido no banco de trás de um carro, ele encarou um aperitivo do que pode lhe esperar no triênio 2018-2020.
No poder desde 2007, a Renovação e Transparência ruma para sua quinta administração, a terceira sob a batuta de Andrés. Dessa vez, porém, Sanchez assume com o clube dividido, incluindo o seu grupo, e precisará mostrar toda a sua capacidade de articulação para ter governabilidade no caso. A começar pelo os novos 200 nomes que precisarão aprovar suas medidas.

Dentre as oito chapas que se elegeram para o Conselho Deliberativo, apenas a Preto no Branco, mais votada, e a Renovação e Transparência, já conhecida, defendem abertamente o mandatário. A Tradição Corinthiana, sexta que mais recebeu votos, tem maioria de membros a favor de Andrés Sanchez, mas não declara abertamente a sua preferência.
A Chapa São Jorge 77 esteve abertamente ao lado de Roque Citadini, fazendo até campanha pelo candidato, relação semelhante com a da Corinthians Supremo e Felipe Ezabella, quarto colocado no pleito. As chapas Mosqueteiros, Inteligência Corinthiana e Fiéis Escudeiros declararam-se independentes do processo eleitoral para presidente, sem tomar posição.
Outra relação aparentemente desgastada é com a torcida, que protagonizou as fortes cenas do último sábado. Após passarem cerca de 20 minutos pedindo para entrarem no ginásio onde estava sendo realizada a votação, aficionados partiram para cima de Andrés com cânticos de ordem e chegaram a atingi-lo com um copo de cerveja, em protesto tão grande que interrompeu a entrevista concedida pelo dirigente.
Encurralado entre seus seguranças, Andrés teve de esperar por 20 minutos dentro do vestiário feminino do local, enquanto pessoas ligadas às chapas tentavam acalmar a situação. Depois, para deixar o Parque São Jorge, precisou deitar no banco de trás de um carro para passar despercebido por aqueles que ainda estavam no clube. Algo pouco usual para quem acabara de ser escolhido pelo voto dos sócios.
Em entrevista concedida antes da posse, Andrés disse que precisaria de 100 dias para mostrar o que gostaria de fazer em seu retorno ao poder. Eleito para o mandato-tampão, de 2007 a 2009, depois de 2010 a 2012, quando acabou com a reeleição, ele volta com a missão de explicar o pagamento do estádio de Itaquera e buscar mais recursos para o futebol, sem patrocínio master desde abril do ano passado.
Dentro de campo, seu mandato começa neste domingo, às 19h30 (de Brasília), quando o Corinthians encara o Novorizontino, fora de casa. Para a modalidade, carro-chefe do Alvinegro, ele já deixou claro que Duílio Monteiro Alves será o diretor de futebol. Ex-diretor-adjunto na gestão de Mário Gobbi, Duílio pode até a Novo Horizonte para acompanhar a partida.
Agora com um novo chefe, o gerente de futebol, Alessandro, é um dos nomes que passará por avaliação da nova presidência. A princípio, ele não agrada ao novo presidente e poderia ser tirado do cargo. Porém, com aprovação interna e da torcida, o ex-lateral pode ver o mandatário rever sua posição e mantê-lo na gestão do futebol.
A ação violenta da torcida se estendeu a jornalistas. O repórter Flávio Ortega, da ESPN, foi agredido com empurrões e chutes na sede corintiana.

Pelle Swedlund (1865-1947).

Por Ritter Fan, no Plano Crítico
Bemidji, Minnesota. Uma cidade fria, com neve o tempo todo e onde nada de relevante realmente acontece. Um encontro casual coloca em movimento uma engrenagem de muito sangue que deixa evidente o que está logo abaixo da superfície da natureza humana.
Isso é, em poucas palavras, o que é Fargo, a série baseada no filme cult de mesmo nome dos irmãos Coen, que atuam como produtores executivos. Noah Hawley é o showrunner e roteirista que, usando uma estrutura de antologia, na linha de True Detective e American Horror Story, em que cada temporada conta uma história diferente, com personagens e atores diferentes, consegue fazer uma das séries mais cativantes e perturbadoras do ano.
Àqueles que consideram Fargo (o filme) uma obra-prima que não deveria ser tocada, vale deixar claro logo de início: a série não é uma adaptação do filme. Trata-se de uma história com a atmosfera e traços de personagens extraídos da obra dos Coen, mas o que vemos na tela é algo diferente, novo e excitante assim como o filme foi em 1996 e continua sendo até hoje. Pode parecer estranho esse tipo de arroubo criativo – e eu realmente achava isso até ver o magnífico primeiro episódio – mas é impressionante como tudo funciona bem, tanto para quem conhece como para quem não conhece a obra original (e, quem não conhece, faça um favor a si mesmo e assista!).
O encontro casual que mencionei no início se dá entre Lester Nygaard (Martin Freeman em papel claramente refletindo o de William H. Macy, na pele de Jerry Lundegaard, do filme), vendedor de seguros e Lorne Malvo (Billy Bob Thornton), assassino profissional. O que os dois estão fazendo juntos? O destino os levou ao hospital onde se encontram. Lester sofreu bullying do eterno valentão de escola Sam Hess (Kevin O’Grady) e machucou o nariz e Lorne bateu com o carro que, no porta malas, continha uma de suas vítimas, que saíra correndo, de cueca, pelo meio da neve.
Como o famoso diabinho do ombro de Lester, Lorne planta a semente que viria, logo no final do primeiro episódio, deflagrar, na mente mais fraca e influenciável de Lester, a vontade de se libertar do que ele vê como a principal fonte de suas agruras: sua esposa que o massacra com comentários que o emasculam e sempre o compara com seu irmão bem-sucedido Chazz (Joshua Close). Ao mesmo tempo, Lorne, sempre o diabo, interpreta um desejo de Lester de se livrar de Sam Hess como uma encomenda de assassinato.
O que vemos, a partir daí, é a tenaz policial Molly Solverson (Allison Tolman) desconfiada do envolvimento de Lester no que aconteceu em sua pacata cidade. Em Duluth, cidade “grande” próxima, Lorne fornece elementos para tornar o pacato policial Gus Grimly (Colin Hanks) desconfiado que há alguma coisa errada. É evidente que os caminhos de Gus e de Molly convergirão em algum momento. Com isso, estabelece-se as linhas narrativas que pavimentam o caminho nevado que a série toma.
Com uma fotografia excepcional, que emula a de Fargo (o filme), a temporada consegue ser um prazer visual a todo momento. O branco da neve e o vazio da cidade são utilizados de forma a refletir o estado de espírito e mental de Lester ao longo dos episódios. Cores frias entrecortadas por elementos específicos com cores fortes – como o inesquecível laranja do casaco de neve de Lester – passam a tristeza de uma vida empacada, sem a mais remota chance de crescimento. Culpa da esposa de Lester em sua cabeça, mas nós sabemos, claro, que o único responsável por seu comodismo é ele mesmo, um homem preso à sua falta de coragem e ambição, por sua inveja do sucesso das pessoas ao seu redor. Lester é um homem que, com o tempo, adota uma persona que não é a sua, quase que tentando, orgulhosamente, se parecer com seu “mentor” Lorne Malvo. Mas o que Lester não consegue perceber é que Malvo é o que ele é e qualquer outra persona dele é um disfarce. Malvo sabe quem é e quem quer ser e esse embate de personalidades, que se dá, na verdade, com os dois traçando caminhos separados durante fundamentalmente quase toda a temporada, é absolutamente fascinante e transforma cada episódio de pouco menos de uma hora em experiências curtas, que sempre deixam o gosto de quero mais.
Acontece que uma temporada inteira não poderia se sustentar sem outros personagens quase igualmente fascinantes. A dupla Solverson e Grimly funciona como uma boa contrapartida a Nygaard e Malvo. Os dois são fundamentalmente bons. Enquanto Solverson representa a vontade de trabalhar e a inteligência de lidar com uma situação impossível (traços presentes também em Nygaard), Grimly é o inocente útil, um homem completamente sem ambições e que sabe e aceita isso sem pensar duas vezes.
O novo chefe da polícia de Bemidji, Bill Oswalt (o ótimo Bob Odenkirk, o Saul de Breaking Bad eBetter Call Saul) representa a inoperância do serviço público. Nada acontece em sua cidade e, quando acontece, ele só quer se livrar do caso, encerrando-o de qualquer jeito, sem se preocupar – ou refutando como maluquice – as elaboradas teorias de Solverson. Mas Oswalt também é um personagem fundamentalmente bom e não faz o que faz (ou o que não faz, na verdade) por mal, mas sim talvez por não compreender de verdade o quão sombria pode ser a alma humana. Seus momentos de realização do que o mundo é na verdade são tocantes e inesquecíveis, convertendo-o em um personagem que, se em um primeiro momento temos uma certa ojeriza, passamos a nos compadecer por ele.
Mas Fargo é uma série definitivamente diferente e essa qualidade foi vista, por muitos comentadores, como seus aspectos negativos. São dois os momentos tidos como “falhas”, mas que fazem a série ser o que ela é. O primeiro deles ocorre logo após os eventos do primeiro episódio, com Lorne Malvo iniciando uma nova missão – completamente diferente da que a levou a Bemidji – em Duluth. Trata-se de uma trama envolvendo a chantagem de Stavros Milos (Oliver Platt), um magnata local dos supermercados que é protegido pela máfia que contrata Malvo para resolver o problema. Malvo tenta inverter o jogo, passando de hitman para chantageador sem uma explicação aparente, iniciando uma trama que envolve as pragas bíblicas e uma fantástica sequência de invasão de uma casa pela polícia local (não entrarei em detalhes para manter a presente crítica sem spoilers).
Toda essa história paralela, porém, é de tirar o chapéu em toda sua construção e execução. Ela serve de comentário para a história principal, novamente lidando com a corrompida e desesperançosa alma humana sendo manipulada pelo diabo. A ligação bíblica direta com as pragas de Moisés não deixa isso em mistério e Malvo fica cada vez mais próximo da figura do diabo. Ao mesmo tempo, começando em Bemidji, dois pistoleiros (Mr. Numbers e Mr. Wrench, vividos por Adam Goldberg e Russell Harvard) de Fargo tentam descobrir quem matou Sam Hess, levando a outra fantástica sequência na neve, durante um whiteout (quando ninguém consegue enxergar um palmo à sua frente diante do branco da neve e que faz o elenco principal convergir para um ponto só, mas por razões completamente diferentes e descoladas da trama que envolve Lester Nygaard. E claro, não deixem de se deliciar com o plano sequência em Fargo, que vem em decorrência do whiteout, em que Malvo faz o que faz de melhor. Nosso olhar é externo apenas e dependemos dos sons para entender a cena – nada complicado – mas é um momento para se aplaudir de pé em termos de eficiência dramática, direção e fotografia.
O segundo ponto que foi criticado diz respeito ao salto temporal de um ano que acontece no oitavo episódio. Serei particularmente críptico aqui, para evitar spoilers, mas o fato é que Noah Hawley recorre esse artifício não para permitir a resolução da trama de maneira mais fácil, mas sim para nos mostrar que a vida continua, mas que, no final das contas, tudo é cíclico e atos bons ou maus cometidos em determinado momento de sua vida inevitavelmente voltarão em algum momento futuro. Parece que Hawley “nos engana” com a passagem de tempo, mas acreditem em mim quando eu digo que ela funciona perfeitamente, sem artificialidades além do que o que a própria narrativa nos impõe desde o começo (lembram-se da coincidência que começa tudo?).
Se Fargo será renovada para uma segunda temporada, pouco importa. A história de Lester Nygaard e Lorne Malvo acaba aqui e ela merece ser conhecida por todos. Se a série é alguma coisa, ela é uma bela e consistente homenagem a um grande pequeno filme de 1996, mas uma homenagem de roupagem própria, de vida própria e de personalidade própria. Deleitem-se com a podridão humana no melhor estilo dos Coen mais uma vez!
Fargo – 1ª Temporada (Fargo – Season 1, EUA – 2014)
Showrunner: Noah Hawley
Direção: Adam Bernstein, Randall Einhorn, Colin Bucksey, Scott Winant, Matt Shakman
Roteiro: Noah Hawley (baseado em filme de Joel e Ethan Coen)
Elenco: Billy Bob Thornton, Martin Freeman, Colin Hanks, Allison Tolman, Bob Odenkirk, Kate Walsh, Adam Goldberg, Russel Harvard, Oliver Platt, Shawn Doyle, Tom Musgrave, Keith Carradine, Joshua Close
Duração: 550 min. (aprox.)

POR GERSON NOGUEIRA
Por mais habilidade semântica que os dirigentes do Papão tentem usar, há um fato que salta aos olhos a essa altura: o prazo de validade da comissão técnica está nos estertores. Com boa vontade, pode-se dizer que a situação só se sustentará caso o time vença neste domingo em Paragominas.
Nada a ver com o Parazão, onde o PSC vai bem na classificação. O problema é mais em cima: Marquinhos Santos encontra-se no fio da navalha, sua situação está no limite do tolerável, depois de dois resultados negativos em menos de uma semana: derrota no Re-Pa, de virada, e eliminação na Copa do Brasil com o revés diante do Novo Hamburgo.
Alguns dirão que é cedo para a avaliação do trabalho desenvolvido, pois foram apenas cinco partidas – quatro pelo Parazão e uma pela Copa BR. Ocorre que Marquinhos não é avaliado somente pela temporada de 2018. O julgamento envolve o desempenho na Série B de 2017.
O anúncio de sua permanência no comando dividiu a torcida e causou fissuras dentro da diretoria do PSC. Muita gente no clube defendia que fosse dispensado, mas o presidente Tony Couceiro e outros integrantes da cúpula entenderam que Marquinhos merecia a chance de formar um elenco à sua maneira para encarar as batalhas de 2018.
A diretoria fez sua parte. O elenco foi montado, com o atendimento às indicações do técnico e a participação do executivo André Mazzuco nas tomadas de decisão. Acontece que, dos 16 jogadores contratados, poucos têm se mostrado à altura dos desafios que o Papão teve pela frente.
A rigor, apenas Moisés, Cassiano e Pedro Carmona (com ressalvas) passaram nos primeiros testes. Os demais 13 reforços não conseguiram se estabelecer até aqui, nem mesmo para compor o leque de alternativas que o técnico precisa ter a cada partida.
Os duelos com o Remo e o Novo Hamburgo serviram para medir a qualidade do time e a força do elenco. Os resultados indicam que as escolhas, pelo menos à primeira vista, não atendem às necessidades. Na verdade, o próprio conceito de equipe precisa ser melhor dimensionado.
Sob o discutível argumento de que a pré-temporada iria se alongar até o dia 28 de janeiro, data do Re-Pa, Marquinhos tentou plantar vacinas para eventuais insucessos. A esperteza acabou se virando contra o feiticeiro. Enfrentando equipes igualmente recém-formadas, o time do Papão teve desempenho insatisfatório, muito abaixo do esperado.
A queda na Copa do Brasil foi a mais dolorosa, até mesmo do ponto de vista do planejamento para a temporada. Levando em conta premiações e possibilidades de faturamento com bilheteria, a competição é extremamente lucrativa, mesmo que não haja a pretensão de levantar o título.
Nem tanto pela derrota em si, mas pela maneira relaxada e comodista como ocorreu, o trabalho do técnico estará a partir de agora permanentemente sob o crivo de dirigentes e torcedores. O cancelamento formal dos festejos pelo 104º aniversário do clube indica que a eliminação não foi digerida. Por ora, paira certa tensão no ar, mas o jogo em Paragominas pode fazer com que a situação se torne insustentável.
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O grande enigma em torno do Leão de Ney da Matta
O Remo fechou a semana como o único time do Estado a sobreviver na Copa do Brasil – até porque ainda não estreou no torneio. O insucesso do principal rival ajudou a atenuar o peso das cobranças pela patética atuação contra o Manaus, na quarta-feira, pela Copa Verde.
Faltou tudo ao Leão na Arena da Amazônia, a começar por organização e desprendimento para travar um jogo equilibrado. Um sintoma da apatia da equipe foi a passividade com que o setor de marcação atuou, sem dividir jogadas e preferindo apenas cercar os jogadores do Manaus.
Sofreu dois gols em lances de treino coletivo e não teve força para esboçar uma reação mínima. Nem sombra do time aguerrido e audaz do clássico contra o Papão. O mau desempenho respinga também sobre o técnico Ney da Matta, que voltou a se equivocar nas escolhas.
Poderia ter substituído Adenilson por Jefferson Recife ainda no primeiro tempo, mas preferiu esperar até que a derrota já estivesse desenhada. O mesmo pode ser dito sobre a tardia entrada de Jayme no ataque, além da inexplicável ausência de Elielton como opção de velocidade contra um time cheio de veteranos, visivelmente cansados nos últimos 30 minutos.
O confronto do meio de semana contra o Atlético-ES, em Itapemirim, pela Copa BR, vai servir para se ter uma ideia mais clara sobre o Remo atual, cujas oscilações inquietam o torcedor e preocupam a diretoria de Futebol. Afinal, o Leão precisa se sair bem nas competições para faturar mais e escapar do enrosco financeiro em que se encontra.
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Bola na Torre
Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 21h, na RBATV, com a participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em pauta, os jogos da quinta rodada do Parazão. O telespectador participa via whatsapp e concorre a prêmios.
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Truculência gratuita não combina com esporte
Tento entender, inutilmente, o frisson que envolve os fãs de MMA e suas derivações. A imagem de lutadores pouco empenhados em vencer, com silhuetas que se enquadram mais no padrão do sumô, não contribui para que eu consiga mudar de ideia quanto à modalidade, decididamente algo muito distante do conceito de esporte.
Não há sentido em acompanhar lutas que se repetem mecanicamente sem variações de golpe e um mínimo respeito a regras. Nem a escolha de Belém como sede de uma etapa chega a comover, visto que a opção tem mais a ver com a queda vertical de interesse nas principais praças do país.
(Coluna publicada no Bola deste domingo, 04)
“Bastou uma semana, desde a condenação de Lula pelo TRF-4, e o grande líder do Reich de Curitiba já começou a ser lançado às feras pela mídia que o criou. Assim como Joaquim Barbosa, o menino pobre que mudou para Miami, Moro em breve vai descobrir como as elites brasileiras descartam seus serviçais”.
Leandro Fortes, no Facebook
“Quem está respondendo à campanha ‘Que país você quer’ está dando o número do telefone e ajudando a montar um gigantesco banco de dados para um candidato qualquer. Um apresentador de programa de auditório, só como exemplo.”
Bob Fernandes, no Twitter



POR DANILO THOMAZ, na Época
Na tarde de junho do ano passado, o empresário uruguaio Rolando Rozenblum Elpernfez um selfie ao lado da mulher assim que chegou ao Chuí, na fronteira com o Uruguai. Imortalizou o momento em que tinha a mão esquerda pousada no volante do carro, usava óculos escuros e cultivava uma expressão de regozijo por ser a primeira vez, em quase uma década, em que botava novamente os pés no Brasil. Em 2006, ele e o pai, Isidoro, foram condenados por corrupção ativa por um promissor juiz de Curitiba na chamada Operação Pôr do Sol – um filhote do caso Banestado, que apurou remessas ilegais de dinheiro para o exterior.
Nos anos que se seguiram, Rozenblum foi para a cadeia, protagonizou uma fuga espetacular para fora do país, tornou-se um foragido da Justiça, entregou-se à Interpol e seu processo acabou reconhecido como exemplo de uma investigação cujos métodos extrapolam as letras da lei.
O caso Rozenblum, como ficou conhecido, reúne personagens familiares aos brasileiros que acompanham há quase quatro anos os desdobramentos da Operação Lava Jato – cujo ápice se deu na semana passada com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 12 anos de prisão por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O juiz era Sergio Moro. Os procuradores eram Deltan Dallagnol e Orlando Martello Júnior – que integram a força-tarefa do Ministério Público em Curitiba. O colegiado que definiu o destino do empresário era formado por ministros do Tribunal Regional Federal da 4ª Região em Porto Alegre. Os mesmos atores que desenharam o roteiro vivido por Lula desde que foi denunciado por ter recebido favores da construtora OAS para a reforma de um tríplex no Guarujá.
Com a autorização de Moro, os telefones de Rolando Rozenblum foram grampeados por dois anos, um mês e 12 dias. “O telefone mais interceptado do Brasil”, disse a Época o empresário numa tarde recente, no balneário uruguaio de Punta del Este. A lei brasileira permite interceptações no prazo de até 60 dias ou, “na última hipótese, quando haja decisão exaustivamente fundamentada”.
Baseado nesse acórdão, em 2008 –quando ele ainda estava foragido –, em decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou todo o processo por corrupção ativa – inclusive a condenação –, por entender não ter havido “motivação válida” para os grampos, além do tempo abusivo das escutas. Logo em seguida, o Ministério Público entrou com um recurso extraordinário junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para revogar a decisão. O caso – que se arrasta há anos – será julgado em breve. O relator no STF é o ministro Gilmar Mendes.
A confirmação em segunda instância da condenação de Lula coroou o trabalho de Moro na Operação Lava Jato. A vitória jurídica foi construída após o revés decepcionante 12 anos atrás. Erros processuais asseguraram a Rolando Rozenblum – acusado de lavagem de dinheiro como Lula – o título incômodo para a República de Curitiba de único homem que escapou de Moro. Além do fracasso, o juiz ainda tem contra si acusações de abuso judicial. Ele, no entanto, aprendeu com a derrota. Mudou procedimentos para não falhar contra Lula: centralizou investigações, ampliou prazos de prisões, acelerou trâmites e, principalmente, limitou o uso de grampos telefônicos.
As escutas estão no centro da ação mais ousada da Operação Lava Jato. Moro determinou a realização de grampos em 39 números de telefone, de 13 pessoas e entidades ligadas a Lula. Entre 19 de fevereiro e 7 de março de 2016, autorizou grampos contra o ex-presidente, a mulher, seus filhos e noras, entre outros. As escutas duraram 15 dias. Algumas foram prorrogadas por mais 15. Dessa vez, fez dentro da lei.
Moro e os procuradores comandados por Deltan Dallagnol começaram ali a desenhar sua vitória sobre Lula, confirmada pelos desembargadores do TRF-4. Para tal, todos eles mudaram métodos que tinham originado a mais lamentada derrota.
Aos 45 anos, Rozenblum é um homem de estatura mediana, cabelos grisalhos cortados rente à cabeça e uma estrutura um pouco roliça – herança de seu tempo pré-cirurgia bariátrica, quando chegou a pesar 118 quilos. Seus olhos e boca são pequenos, destacando-se no rosto o nariz e o queixo. A voz tem timbre de barítono, e o sotaque lembra o dos locutores de rádio de cidades do interior de São Paulo. Fala rápido, de maneira clara e, em alguns momentos, faz pausas nas quais arregala os olhos antes de lançar uma afirmativa com mais intensidade. No verão, está quase sempre de bermuda, chinelo e camiseta – ou camisa polo. Em eventos sociais, o máximo da formalidade é uma camisa de manga longa azul-cobalto.
A família Rozenblum imigrou do Uruguai para o Brasil em meados dos anos 1970 e construiu um pequeno império empresarial em Curitiba. No final dos anos 1990, eram os donos da Sundown, marca líder no mercado de bicicletas.
Em 2001, estourou o caso Banestado, investigação derivada da CPI dos Precatórios, que descobriu remessas ilegais de bilhões de reais ao exterior em dinheiro sujo. Os valores eram enviados por meio de contas especiais abrigadas no banco que pertencia ao governo do Paraná. Na lama do Banestado, estavam o pai e o filho Rozenblum.
Em 2004, a pedido do Ministério Público, o juiz Sergio Moro autorizou a interceptação nos telefones dos Rozenblum e de pessoas de seu círculo restrito. O primeiro pedido de grampo obedecia ao prazo de 15 dias, mas os procuradores passaram a pedir renovações das escutas até elas se estenderem a mais de dois anos, ou seja, até junho de 2006, quando foi deflagrada a Pôr do Sol e os empresários foram presos.
Eram 6 horas da manhã quando o porteiro tocou o interfone do apartamento em que Rozenblum vivia com a mulher e os quatro filhos em Curitiba. Informou-lhe que agentes da Polícia Federal estavam na porta do prédio. Os agentes entraram no imóvel com armamento pesado e leram em voz alta o mandado de prisão temporária – de cinco dias – e o de busca e apreensão, ambos expedidos por Sergio Moro. “Seu pai está vindo do Acre”, informou-lhe um dos agentes.
Isidoro Rozenblum Trosman, então com 63 anos, abriu a porta do quarto do hotel onde estava hospedado com a mulher em Rio Branco para uma temporada de pesca após uma cirurgia na próstata. Deparou com uma pistola apontada para sua cabeça. Achou que era um assalto. Soube que ele, dois filhos e outras sete pessoas seriam levados à carceragem curitibana da Polícia Federal. Naquela manhã, a Operação Pôr do Sol realizou 25 mandados de busca e apreensão. Além de 37 obras de arte, os policiais recolheram US$ 3 mil.
Os primeiros indícios de crime da Sundown só foram descobertos “a partir de agosto de 2005” – ou seja, mais de um ano depois do início das escutas, de acordo com uma passagem do livro A luta contra a corrupção, escrito por Deltan Dallagnol. Ele conta que foram identificadas “conversas estranhas, em código”, feitas em telefones públicos. Também diz que os interlocutores dos Rozenblum eram dois auditores fiscais que usavam codinomes para ocultar sua identidade real. Em algumas conversas cifradas, escreveu Dallagnol, combinava-se a entrega de supostas “ripas” ou o encontro em locais estranhos, como supermercados, para “mostrar lajotas”.
A investigação desembocaria em duas ações penais, uma pelos crimes de descaminho, evasão de divisas, falsidade ideológica e quadrilha, e outra por corrupção ativa. Em novembro de 2006, Rolando Rozenblum foi condenado a dez anos de prisão e seu pai, Isidoro, a cinco. Os procuradores ainda conseguiram, um ano depois, o bloqueio do equivalente hoje a US$ 10 milhões em bens da família na Suíça.
Algemados, pai e filho foram levados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba – por onde já passaram recentemente do ex-deputado Eduardo Cunha ao empreiteiro Marcelo Odebrecht. A carceragem tinha duas celas para homens. Havia 34 pessoas convivendo com “mau cheiro e calor insuportável”, recordou-se Rozenblum. O primeiro período de prisão temporária de cinco dias foi prolongado por mais cinco; veio então a decretação da primeira prisão preventiva, sem prazo. Vieram mais duas. Também o mudaram duas vezes de carceragem. Foi numa manhã de julho de 2006 que estiveram pela primeira vez frente a frente com Moro para prestar depoimento. “Começaram a fazer perguntas sobre negócios… A gente não tinha condições de nada”, afirmou. “Num momento eu disse: ‘não tenho condições de falar’.”
Dois dias depois, foram levados para o Centro de Detenção Provisória em São José dos Pinhais , onde permaneceram por vários meses. Ali, começaram a ter problemas de saúde decorrentes do estresse e da alimentação diferente. Ambos haviam passado por cirurgias de redução do estômago e frequentemente tinham dores digestivas.
No período na cadeia, o filho teve ataques de pânico que catapultaram sua pressão a 26 por 16, anemia e uma trombose no braço. O pai, Isidoro, também anêmico, sofreu pré-infarto e choque anafilático. O advogado da família pediu perícia médica particular, que lhes permitiu serem transferidos para um hospital particular – onde ficaram por outros quatro meses.
O ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, concedeu a prisão domiciliar a ambos em abril de 2007. Naqueles tempos pré-tornozeleira eletrônica, os condenados eram vigiados por policiais federais. Os agentes – dois por turno – integraram-se à rotina. Alguns mantinham-se do lado de fora do apartamento; outros faziam suas refeições à mesa da família.
Um mês depois, a Justiça reverteu a prisão domiciliar e pai e filho tiveram de voltar ao hospital. Como haviam melhorado, souberam em seguida que voltariam para o cárcere – e em presídios separados. “Quando vimos que a transferência era iminente, falamos um para o outro: ‘Chega disso aqui. Já deu!’.”
Programaram a fuga para o domingo, dali a dois dias, em algum horário próximo da meia-noite, quando metade da equipe médica dava remédios aos pacientes e a outra metade, assim como a equipe de segurança, jantava. No mesmo dia, Rozenblum pediu que a mulher lhe comprasse um par de tênis com solado antirruído. À época, pairou a suspeita – nunca confirmada – de que haviam subornado todo mundo do plantão.
O quarto que pai e filho ocupavam ficava no final do corredor do primeiro piso do hospital. Era dividido em dois ambientes, separados por uma porta. O primeiro funcionava como sala, com televisão, aparelho de DVD, mesa, cadeiras e sofá. No segundo, ficavam duas camas e um banheiro. Cada um dos ambientes contava com uma porta de acesso ao corredor, que permaneciam trancadas. Como em filmes de comédia, as chaves ficavam no molho pendurado no ferrolho da porta da sala, onde também permaneciam os PMs que os escoltavam.
No dia da fuga, os Rozenblum receberam familiares para almoçar. Em um momento, conta o empresário, ainda que escoltado, ele passou pelo balcão da recepção do hospital e viu uma chave idêntica à do quarto que ocupava. Passou a mão nela e a escondeu no bolso. De volta ao quarto, pai e filho esperaram em silêncio. Pouco tempo depois, sem que o policial visse, Rozenblum disse ter trocado a chave da porta dos fundos pela chave furtada.
Na noite da escapada, a mulher de Rozenblum levou comida japonesa para o jantar. A família convidou o policial militar do turno da noite – que usava aparelho fixo nos dentes – para acompanhá-los. Terminada a refeição, os presos chamaram o carcereiro para assistir ao filme O último rei da Escócia, de Kevin Macdonald, sobre um médico que se torna amigo do ditador de Uganda Idi Amin. “A nossa ideia foi deixar o policial sentado na cadeira vendo o filme. Era um filme para você ficar ligado”, contou o empresário. Depois de um tempo, fingiram estar com sono. O pai simulou ter ingerido seu comprimido para dormir, mas o cuspiu em seguida. O filho fingiu um bocejo e se despediu do policial com um “até a próxima”.
Por volta das 23h30, ele disse ter visto o policial ir ao banheiro para escovar os dentes. Aguardaram que o policial voltasse e tirasse uma das botas. Foi a deixa. Trancou a porta que separava os dois ambientes, calçou o tênis novo e enfiou no bolso R$ 300 e a cédula de Registro Nacional de Estrangeiros. Dirigiram-se até o elevador e cruzaram a saída de emergência. “Ninguém nos parou, ninguém nos deu ‘oi’, não vimos segurança, nada”, lembrou. Em sua versão, ele diz que ajudou o pai – um homem gordo e doente – a escalar e pular o portão de 2 metros de altura e fez o mesmo depois. Os dois correram até a Praça do Batel, ponto turístico de Curitiba, onde tomaram um táxi. Trocaram de carro outras duas vezes até chegar à casa de um amigo, que havia anos não os via e recebeu os fugitivos com espanto. “Você não estava preso?”, indagou o amigo. “Não estou preso. Mas não me pergunte mais nada.” E disse o que o levara até ali: “Preciso do seu carro”.
O amigo atendeu ao favor e lhes deu um pouco de dinheiro. Pai e filho pararam num posto de gasolina para comprar mantimentos, partiram para Foz do Iguaçu, aonde chegaram cerca de seis horas depois, e abandonaram o carro. Segundo Rozenblum, ele telefonou para o amigo para dar o paradeiro do automóvel e dizer que a chave estava dentro do escapamento.
Os Rozenblum caminharam até uma central e pegaram uma van cada um, que levam as pessoas até Ciudad del Este, do outro lado da fronteira, no Paraguai. Pagaram R$ 5 pela passagem. Desceram em um boteco no meio da estrada por volta das 6 da manhã. De lá, pegaram um táxi e foram até a casa de outro amigo, que os recebeu com a mesma surpresa: “Vocês não estavam presos?”. O amigo esperou que o banco abrisse e lhes deu dinheiro. Rumaram para o Aeroporto Internacional Guarani e foram informados de que o próximo voo para o Uruguai era da companhia aérea TAM, via São Paulo. Resolveram alugar um jatinho.
O bimotor fabricado na década de 1970 deixou Ciudad del Este às 11 horas. No meio do caminho, Isidoro se levantou, bateu no ombro do piloto e perguntou: “Podemos mudar a rota para Punta del Este?” Para ele, a chance de os dois serem descobertos no balneário era menor do que em Montevidéu, a capital, onde ainda vive parte da família. Ao chegarem, pouco depois das 16 horas, sem saber se a fuga já havia sido descoberta, ficaram com medo de cruzar a imigração, mas, como o avião era fretado, cabia ao piloto, e não aos passageiros, dar entrada no país. Na cidade, os dois foram para a casa de um familiar.
A fuga, contou ele, só foi descoberta quando a mulher foi visitá-los no dia seguinte. Um policial chamou pelos dois e, sem resposta, arrombou a porta. A Polícia Federal abriu investigação para apurar se houve conivência ou participação dos PMs. Ele nega. “Se houvesse, até poderia dizer, porque o caso já foi encerrado”, afirmou. “Eu devo perdão a esses policiais.”
Pouco depois de se reinstalarem no Uruguai, os Rozenblum se apresentaram à Interpol. A Justiça uruguaia negou a extradição por eles serem uruguaios de nascimento. A fuga estava consumada. Tinham escapado de Moro. Estavam livres.
O grupo de procuradores de Curitiba insiste que agiu de maneira correta na extensão do período de escutas. Os procuradores são enfáticos ao comentar a decisão do STJ de anular a condenação com base na longa duração da interceptação. “Esse pessoal do STJ não entende nada de investigação”, disse o procurador Orlando Martello Júnior. “Em 30 dias, você mal consegue levantar a rede de relacionamentos do investigado.” A colegas, Sergio Moro também sempre defendeu os dois anos de escuta por entender que, por quase um ano, os acusados discutiram o pagamento de propina a auditores da Receita Federal, elementos úteis à investigação. Para o juiz, a decisão do STJ no caso ficou isolada na jurisprudência que hoje trata de escutas telefônicas.
As outras condenações contra Rozenblum prescreveram. Um conhecedor do processo diz que, como os réus estavam foragidos no Uruguai, sem possibilidade de serem alcançados pela Justiça, o caso foi deixado de lado no TRF4, o que levou à prescrição antes do julgamento.
O caso Rozenblum é uma frustração para Moro, conforme o relato de pessoas que atuam próximas ao magistrado. O juiz entende que o maior obstáculo que enfrentou foi a fuga dos empresários para o país vizinho. A recusa em extraditá-los, iniciativa que não dependia de sua atuação, deixou-o de mãos atadas.
Pouco mais de dois anos e meio depois da anulação do processo de Rozenblum, o mesmo STJ tornou sem efeito todas as provas obtidas na Operação Castelo de Areia – que investigou atividades ilícitas envolvendo a construtora Camargo Corrêa –, sob argumento semelhante: supostas irregularidades ocorridas na quebra do sigilo de dados telefônicos.
Entre 2003 e 2007, a investigação das contas CC5 – específicas de câmbio – do Banestado resultou em 687 denúncias, bloqueio de US$ 17,3 milhões e 18 acordos de delação premiada. A prescrição de crimes em diversas dessas ações judiciais teve influência direta no método de atuação da Operação Lava Jato, em Curitiba.
No passado, o Ministério Público Federal optou por remeter a vários estados indícios de crimes que pudessem embasar acusações nas diversas praças. A medida resultou em demora para denúncia de casos e prescrição de penas. No fim das contas, apenas quem fez delação premiada na época e recebeu antecipação de pena foi, de fato, punido.
Na Lava Jato, procuradores adotaram metodologia diferente: concentraram a maior parte da investigação em Curitiba até onde foi possível. Quando ficou insustentável, estimularam a formação de outras forças-tarefas pelo país, com o intuito de manter um ritmo único de processos.
A prisão, a fuga do Brasil e os escândalos financeiros ficaram no passado. Quando é perguntado sobre Moro ou sobre a Lava Jato, Rozenblum tergiversa ou muda de assunto. Rapidamente, reconstruiu a vida graças a laços com a comunidade judaica local. Tornou-se presidente da Comunidade Israelita de Punta del Este (Cipemu), um clube sofisticado de convívio religioso, social e político. Na última campanha para o governo do estado de Maldonado, onde fica Punta del Este, a Cipemu apresentou aos candidatos um projeto de “smart cities” desenvolvido pela Elbit, empresa pública de segurança ligada ao Estado de Israel. O plano foi adotado pelo governador, Enrique Atías, do Partido Nacional. A contratação sem licitação, contudo, gerou polêmica na assembleia local e só foi resolvida quando o contrato de US$ 20 milhões tornou-se público.
Rozenblum também é sócio proprietário da construtora Casa Valor – que lidera projeto de moradias populares em parceria com o governo federal do Uruguai. É a versão platina do Minha Casa Minha Vida petista. Recentemente, o empresário arriscou-se num novo ramo: o da educação privada. Em 2017, inaugurou o International College, o colégio mais caro de Punta del Este, onde exerce a função de CEO. As mensalidades da escola variam entre US$ 350 e US$ 850 e podem ser pagas nas outras moedas que circulam no Uruguai, como o real. Tem 319 alunos, sendo a metade deles estrangeiros – 84 argentinos, 36 brasileiros e 29 americanos.
O início de janeiro em Punta del Este é o período dos lançamentos dos edifícios de alto padrão, voltados à parte muito rica dos 600 mil turistas que desembarcam na cidade – a maior parte brasileiros e argentinos. É o momento mais agitado da vida do homem que fugiu de Sergio Moro. No último dia 3, Rozenblum esteve ao lado de Eric Trump no terceiro lançamento da Trump Tower, edifício de imóveis residenciais de alto padrão na cidade. “Great country”, disse Trump quando soube que o interlocutor havia morado no Brasil. Saudoso, ele me disse: “Sinto falta da massa crítica do Brasil.”

Depois da vitória no Re-Pa e do vexame em Manaus, na estreia da Copa Verde, o Remo começa a se preparar para o terceiro confronto de peso em menos de duas semanas: vai encarar, na quarta-feira (07), o Atlético-ES, em Itapemirim, pela primeira fase da Copa do Brasil. Em caso de vitória ou empate, os azulinos se classificam à segunda fase da competição e embolsa R$ 600 mil de bonificação.
O time já retornou aos treinamentos, buscando ajustes para resolver o problema do apagão que por vezes atrapalha a equipe, como no jogo da Arena da Amazônia. “Não fomos bem, mas o trabalho não pode parar. Temos uma decisão na quarta-feira, que é fundamental nesse começo de temporada. Vamos fazer um bom jogo e conquistar a classificação que é o nosso objetivo”, disse o goleiro Vinícius.
A escalação deve ter mudanças em relação aos últimos jogos. Ney da Matta deve definir a equipe nesta segunda-feira, mas a formação mais provável é a seguinte: Vinícius; Levy, Mimica, Bruno Maia (Martony) e Esquerdinha; Geandro, Felipe Recife, Fernandes e Jefferson Recife (Adenilson); Isac (Jayme) e Felipe Marques.
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