Boleiro que se preza não pode ter medo… da bola

Por Antero Grecco

Dia desses, já em Teresópolis, escrevi que o período mais aborrecido de uma grande competição se concentra na espera do pontapé inicial. No caso do Mundial, e mais especificamente de seleção brasileira, enquanto a bola não rolar pra valer, é um tal de estica assunto daqui, puxa tema pra lá e uma cavadinha de polêmica acolá. Tudo para o tempo passar e ter papo, dar o toque de emoção àquilo que vai em ritmo beeeem lento.
Qualquer coisa se transforma em neura. A mais recente, veja só, se refere aos amistosos que o time de Felipão fará na semana – hoje, com o Panamá, aqui em Goiânia, e na sexta-feira, no Morumbi, diante da Sérvia. Dois ensaios gerais antes da estreia na Copa, dia 12, contra a Croácia, no Itaquerão.
Esses joguinhos são atividade corriqueira de qualquer equipe, bê-á-bá do futebol. Não importa que se aproxime um desafio especial, sempre houve e sempre haverá testes em cima da hora. É o que buscam treinadores e atletas. Todos os concorrentes fazem isso, o que varia são os sparrings. Há os que preferem adversários de maior peso técnico, assim como outros optam por rivais frágeis. Vale é ver a rapaziada em ação para observações finais, ajustes na estratégia, no “desenho tático”. (Daqui a pouco vão dizer que fiquei metido e com um linguajar enjoado.)
Vai daí que, de uma hora pra outra, quase se esparramou onda de temor de que o Brasil se expõe a risco desnecessário 9 dias antes da abertura. Nossa! Conversa pra boi dormir. Boleiro que se preza não pode jamais ter medo da… bola. Ao contrário, ele se entendia até a alma com as séries de exercícios físicos e recreativos. O negócio é dividir, driblar, chutar a gol. Curtir a adrenalina. Machucar é do métier dele, está implícito na atividade normal.
Por isso, gostei da forma serena com que Felipão encara os dois compromissos. Nem lhe passa pela cabeça sugerir aos jogadores que façam corpo mole em tais ocasiões. Ao contrário, imagina que o risco de lesão aumenta se baixarem a guarda, entrarem com pé frouxo. O índice de acidentes de trabalho, no caso dos jogadores, é acentuado em treinos.
Então, vamos parar de onda e tensões fúteis, e ver o que se poderá tirar de bom contra os panamenhos. Duas alterações, em relação ao mais provável time titular, são inevitáveis: Thiago Silva e Paulinho, poupados, abriram espaço para Dante e Ramires. A confirmação de Ramires no meio deixa claro que o treinador o vê em condições de desempenhar funções de Paulinho, mais até do que Hernanes. E bola pra frente, porque esta Copa está demorando a começar.

Um comentário em “Boleiro que se preza não pode ter medo… da bola

  1. Num tempo já remoto, em cujo espaço cabem várias copas, quem realmente conhecia e entendia de bola e boleiros cunhou uma expressão lapidar: ‘treino é treino, jogo é jogo”.

    Hoje, mesmo sendo um tempo em que muita coisa já mudou na realidade futebolística, com as devidas atualizações, a máxima do Homem da Folha Seca, me parece ainda perfeitamente aplicável. Isto é, não há a menor necessidade do atleta se expor a uma contusão às portas do torneio, máxime para quem vem já com o físico desgastado por competições acirradas no período anterior.

    A cautela é boa pro espetáculo futebolístico que se espera seja o evento, é boa para as pretensões das equipes, e é boa para o próprio atleta que tem oportunidade não só de enriquecer o currículo, como de eventualmente valorizar ainda mais o seu futebol para fins de negociações futuras.

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