Copa bate recordes de audiência nos EUA

A transmissão do duelo entre Estados Unidos e Portugal pela Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 atraiu mais espectadores em território norte-americano do que a média de audiência das finais da NBA e da World Series – um divisor de águas para o futebol nos EUA.

O eletrizante empate em 2 a 2 foi visto por nada menos que 18,2 milhões de pessoas na ESPN – o jogo de futebol mais assistido do canal. A audiência é maior do que a de qualquer uma das cinco partidas das finais da NBA 2014 e também supera a média da World Series 2013.

A Univision, que transmite os jogos da Copa do Mundo em espanhol, atraiu outros 6,5 milhões de espectadores – levando a audiência total nos Estados Unidos à impressionante marca de cerca de 25 milhões de pessoas. A Copa do Mundo da FIFA 2014 também estabeleceu um novo recorde para a transmissão de futebol na Rússia, onde Rossiya 1 teve uma audiência de 14,4 milhões de pessoas no jogo entre Bélgica e Rússia.

E 8,1 milhões de pessoas assistiram ao duelo entre Holanda e Chile na Ned 1, maior audiência da televisão holandesa para qualquer tipo de programa desde 2010.

A confirmação da Neymardependência

Por Gerson Nogueira

A goleada tão esperada afinal aconteceu. Não com a facilidade que muitos previam. Franco-atirador, Camarões dificultou a vida da Seleção Brasileira, posicionando-se agressivamente no ataque, embora com falhas constantes na retaguarda. O resultado final fez justiça à determinação do time, que entendeu a necessidade de uma vitória por larga margem. Além disso, havia o confronto com o México, que também buscava o primeiro lugar no Grupo A.

Em relação às partidas anteriores, o time foi mais vibrante e participativo. Sem a solidão de outras ocasiões, Neymar chamou a responsabilidade, fazendo tentativas individuais até que veio a chance preciosa, aos 16 minutos. Ele apareceu livre na área, abrindo o caminho para a vitória ao escorar cruzamento de Luiz Gustavo.
A abertura do placar poderia ter tranquilizado o time, mas Camarões resolveu endurecer. E passou a explorar as laterais. Mandou uma bola na trave em cobrança de escanteio e pressionou seguidamente. Até que, o lado direito da defesa brasileira permitiu a Nyom chegar à linha de fundo e cruzar para o gol de empate, marcado por Matip.
Estava oficialmente inaugurada a avenida Daniel Alves, só faltou descerrar placa. No lance fatal, o lateral deu combate, chegou a cortar no primeiro bote, mas foi vencido pela habilidade do camaronês. Foi apenas um dos muitos momentos de desassossego vivido pela zaga brasileira por aquele lado.  

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Aos poucos, porém, Neymar conseguiu recompor a força ofensiva do escrete, indo buscar bolas no meio-campo e partindo para cima dos zagueiros. Sua coragem e confiança parecem ter contagiado Luiz Gustavo e Marcelo, mais ofensivos do que em outras jornadas.
Ainda no primeiro tempo, o Brasil voltou a balançar as redes. Uma bola recuperada por Marcelo foi tocada de primeira para Neymar, que entrou pela área e tocou na saída do goleiro, mesmo cercado por quatro defensores. A maneira como executou o lance fez com que os 72 mil torcedores presentes ao Mané Garrincha o aplaudissem de pé. A Seleção ainda não oferecia o esperado show, Hulk apanhava da bola e Paulinho exagerava na lerdeza, mas Neymar dava motivos para o povo sorrir.
Não há mais dúvida. A Seleção Brasileira sofre mesmo de Neymardependência crônica. É até natural que um time dependa de seu melhor jogador, mas é temerário apostar todas as fichas nele, sem alternativas para suprir uma eventual ausência.
Para o segundo tempo, Felipão sacou Paulinho e lançou Fernandinho, substituição há muito cogitada. E o estreante deu as cartas logo aos 4 minutos, participando brilhantemente da jogada que culminou no terceiro gol, marcado por Fred.
O desembaraço de Fernandinho seria premiado com a autoria do último gol da tarde. Depois de tabelinha que envolveu Oscar e Marcelo, finalizou de bico, rasteiro, sem defesa para Itandje, aos 28 minutos. A goleada se consolidou quando Neymar já havia saído de campo, trocado por Willian aos 25 minutos. Felipão decidiu poupar seu craque, evitando os riscos de um cartão amarelo que desfalcaria seriamente o Brasil nas oitavas-de-final.
Pode-se dizer que os 25 minutos sem Neymar foram bem administrados pela Seleção e, sem dúvida, o papel de Fernandinho foi relevante nesse período. Além do gol, foi um jogador sempre dinâmico, correndo pelo lado esquerdo e mantendo ligação permanente com Fred e Oscar. Pode ser a tal carta na manga que se cobrava de Felipão, caso sua proverbial teimosia permita.
Um placar folgado, categórico e sem contestações, era necessário para resgatar a confiança da torcida e dos próprios jogadores. Sob esse aspecto, a goleada é um combustível e tanto para que o Brasil parta mais encorpado para a decisão com o Chile.
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Hulk e Paulinho na marca do pênalti
Nem os efeitos positivos da goleada devem impedir que Felipão altere seus planos quanto ao time titular do Brasil para a fase eliminatória da Copa. Paulinho, Daniel Alves e Hulk, peças consideradas imexíveis, fazem uma campanha sofrível, errando muitos passes e transmitindo insegurança nas jogadas. No segundo tempo de ontem, Hulk falhou bisonhamente em dois lances capitais. Tentou levar até a área uma bola pelo lado direito e furou na hora do arremate. Em seguida, lançado na área, demorou muito a chutar e acabou trombando com a zaga. Determinado a fazer um gol, queimou ataques que poderiam ter sido bem aproveitados com troca de passes na entrada da área.
Paulinho voltou a ser o jogador omisso dos jogos anteriores, não fazendo bem a função de marcador e ausentando-se por completo da ligação com o ataque. Na Copa das Confederações, coube a ele o papel de comandar as jogadas de transição pelo meio. Suas atuações foram decisivas para a vitoriosa campanha do Brasil no torneio. Passado um ano, ele parece outro jogador, sem a faísca dos tempos de Corinthians e aceitando exageradamente a condição de volante auxiliar, em total contraponto com Luiz Gustavo, que cresce de rendimento a cada nova partida.
Daniel Alves é um caso mais sério. Desde a Copa das Confederações já mostrava sinais de fadiga, comprometendo as subidas ao ataque e respondendo mal às pressões pelo seu lado. Nos três jogos da primeira fase do Mundial vem se notabilizando por falhas constantes de marcação. Mais que isso: deixou de ser o lateral ofensivo de antes, limitando-se ao campo de defesa, temendo a subida dos atacantes adversários. É muito pouco para uma função crucial no esquema da Seleção.
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Laranja avança e deixa Chile para o Brasil
Holanda e Chile disputaram o jogo mais catimbado desta primeira fase de Copa. Turbinado pelas declarações dos holandeses, o confronto ganhou ares de decisão antecipada, com as duas equipes tentando escapar ao confronto direto com o Brasil nas oitavas.
Puxada pelos avanços de Robben, novamente em jornada inspirada, a equipe de Van Gaal se impôs no segundo tempo e confirmou a primeira posição do Grupo B. Apesar da ausência do goleador Robin Van Persie, o time controlou bem o jogo. Tarefa facilidade pela queda de rendimento do Chile em relação aos primeiros jogos. A equipe de Jorge Sampaoli insistiu muito em jogadas pelo meio da área, sem repetir as tabelinhas em alta velocidade que liquidaram com a Espanha.
De todo modo, é adversário para ser enfrentado com todas as cautelas no mata-mata. Rápido e habilidoso, o meio-campo chileno merece respeito.
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Cantoria rejuvenesce no Mané Garrincha
Depois de sucumbir ante o ruidoso repertório da torcida mexicana em Fortaleza, a torcida canarinho falou mais alto ontem na Arena Mané Garrincha. Para isso, usou de todas as armas que a canção popular brasileira oferece com tanta generosidade. Sambas das escolas cariocas foram entoados desde cedo, antes mesmo de a bola rolar, como num ensaio para o grande espetáculo. Deu certo. A insossa “Sou brasileiro, com muito orgulho…”, que os estádios tomaram emprestada do vôlei, foi substituída por “O campeão voltou…” e várias marchinhas, culminando com o refrão empolgante “Explode coração” de criação salgueirense. Antes tarde do que nunca.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 25)