Pikachu é trunfo do Japão para atrair simpatia

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Pela segunda vez na história do Mundial de Futebol, o Brasil é o país anfitrião do maior evento esportivo do planeta. Talvez a principal diferença entre o torneio de 1950 e o de 2014 esteja no alcance e na instantaneidade com que bilhões de pessoas acompanham os jogos, resultados e fatos relacionados à Copa. Ao mesmo tempo em que o futebol e as Copas ganharam cada vez mais adeptos e torcedores, maior passou a ser a cobertura da mídia do evento que acontece a cada quatro anos. No caso do Brasil de 2014, são cerca de 20 mil jornalistas de todos os cantos do mundo relatando, fotografando e mostrando o que acontece no país.

A Samuel, agora em sua versão eletrônica, também dedica o período da Copa a trazer o que a mídia independente do Brasil e do mundo vem registrando sobre o antes, o durante e o depois do evento, seus participantes e espectadores. Textos e vídeos postados diariamente darão a medida dos diferentes olhares e observações que irão marcar o cotidiano dos 32 países representados no evento.

A Associação de Futebol do Japão anunciou que todas as réplicas de camisas da Copa do Mundo terão um Pikachu desenhado no peito, como parte de um programa para que as pessoas torçam mais e se identifiquem com o escrete nipônico no mundo inteiro.

O uniforme temático é fruto de uma colaboração entre a Adidas, que patrocina a seleção, e a Nintendo, que é a dona dos direitos do desenho Pokémon (do qual Pikachu é um dos personagens). A camisa promocional está sendo vendida no Japão por 7.400 ienes, o equivalente a R$ 162. Além dela, também fazem parte da coleção camisetas, adesivos, bolas, bonés, bonecos, toalhas, cachecóis, garrafas térmicas, até mesmo bolos recheados e macarrão instantâneo entre outros itens.

Dois meses atrás, Pokémon teve seus principais e mais recentes personagens escolhidos como mascotes da seleção num anúncio feito pela Associação de Futebol do Japão. Lembrando que o Japão está no grupo C junto com Colômbia, Costa do Marfim e Grécia. A seleção japonesa vai precisar de muita força para se classificar em um grupo difícil que tem como cabeça de chave a Colômbia, uma das seleções mais promissoras do mundo que conta volta à Copa com fome de bola e  com seu principal jogador, o artilheiro Falcao García, se recuperando de uma lesão séria no joelho, Costa do Marfim que tem Drogba, o maior artilheiro africano da UEFA Champions League, e Yaya Touré, o melhor jogador africano da atualidade, além da seleção grega que é um time forte e alto comandado pelo centroavante Samaras.

O Japão participa da Copa do Mundo desde 1998 e tem se classificado direto desde então. Seus melhores desempenhos foram em 2002 e 2010 quando chegou até as oitavas de final sendo eliminadas pela Turquia (por 1×0, Turquia foi terceira colocada contra a Coréia do Sul, outro país-sede de 2002) e Paraguai (0×0 no tempo normal e 5×3 nos pênaltis) respectivamente, além de terem conseguido uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1968 na cidade do México.

E aí, vão comprar uma camisa do Japão com Pikachu para torcer ou colecionar?

(Texto publicado originalmente em Genkidama, portal brasileiro que trata da cultura pop japonesa)

Shearer critica Fred e pede mais de Neymar

Um dos maiores centroavantes da história do futebol inglês, Alan Shearer detonou Fred ao falar ao UOL Esporte sobre a Seleção Brasileira. Durante a gravação de um programa de rádio para a BBC em Copacabana, o ex-jogador e hoje comentarista disse acreditar barrar o homem do Fluminense deve ser uma questão de urgência para Luiz Felipe Scolari.

“Fred está puxando o time para baixo e estou impressionado por ele ter jogado como titular nas duas partidas do Brasil. Ele não se mexe, não ajuda o time e o Brasil parece estar jogando com 10 o tempo todo. Ele não pode ser o centroavante de uma seleção brasileira num Mundial”, afirmou capitão da seleção inglesa no Mundial de 1998, quando marcou dois gols.

Shearer também cobrou de Neymar uma Copa do Mundo brilhante, dizendo que só assim ele poderá convencer como craque. “Está claro que Neymar é um grande jogador, mas para ser craque ele precisará de uma Copa do Mundo especial. Não é muito diferente de Lionel Messi. É neste torneio que os jogadores têm a chance de se eternizar”, completou Shearer.

O inglês, no entanto, acredita que a Seleção ainda tem chances de disputar o título e vê uma vitória convincente  contra Camarões. “Será o tipo de jogo que o Brasil precisa para conseguir um resultado capaz de dar uma injeção de ânimo. Vocês têm um time que pode jogar bem contra qualquer um, mas que precisa colocar a cabeça no lugar”.

Shearer também “cornetou” a preocupação dos brasileiros com o Hino Nacional, por acreditar que ela pode ter efeitos colaterais. “No jogo contra a Croácia, você olhava para os jogadores brasileiros e via que eles estavam nervosos, quase ansiosos. Sei que a paixão é importante no futebol brasileiro, mas é preciso cuidado para que não vire algo que deixe os jogadores muito carregados”, alertou.

Tribuna do torcedor

Por João Lopes Jr. (englopesjr@gmail.com)

Prezado Gerson,

Alguns sintomas visíveis nos dois jogos do Brasil. Primeiro. Tiago Silva não acerta o pé quando é ele quem quem tem que dar o primeiro combate. Funciona bem na sobra e na bola aérea, mas se disputa no chão, comete falta… Os adversários têm encontrado por lá, em cima dele, as melhores oportunidades de ataque e nem a Croácia e nem o México fizeram porque não tiveram competência mesmo. Contra Camarões vai levar mais um amarelo e desfalcar a seleção nas oitavas (ou reforçar, já que vejo o Dante como melhor zagueiro que T. Silva atualmente). Segundo. Paulinho precisa ceder o lugar para o Hernanes, se continuarmos nesse 4-3-3, ou encaixar o Fernandinho no time pra dar segurança pro lado direito e mudar pro 4-4-2. Nada contra o Paulinho, mas ele ainda está sem ritmo e não vem sendo aquele do Corinthians e da Copa das Confederações. O Hernanes tá voando, assim como o Fernandinho. Terceiro. Fred. Não dá. Sei não, assim como já não se vê armador na seleção, não há um centro-avante faz um bom tempo. Acho que um sem o outro não funciona. O Jô, talvez, mas só talvez, se saia um pouco melhor por causa da movimentação. A banheira do Fred é crônica e faz muito mal pro time, já que a jogada e o esforço se perdem no impedimento dele. Qualquer um que passe a bola pra ele umas duas ou três vezes em impedimento se aborreceria com a apatia dele e largaria ele de mão. Foi o que o time fez e o Felipão, o quarto sintoma, demorou pra ver o que está acontecendo ou a tomar uma atitude. A cara de coitado do Fred depois do jogo contra o México prometendo gol contra Camarões, sei não hein… A última observação que tenho é: por que é que Willian e Oscar não jogam juntos? Por que não? Eles não têm exatamente a mesma característica, acho que se complementariam e se ajudariam a criar as jogadas. Acho que Neymar agradeceria. 

Programa Mais Médicos ganha elogios da população

De ONU-BR 

Em 2012 foi inaugurada a Unidade Regional de Saúde (URS) de Planalto Serrano, na periferia do município de Serra, no Estado do Espírito Santo. Segundo a coordenadora da unidade, Naiara Vidoto, o estabelecimento abrange uma população de aproximadamente 12 mil pessoas.

Com três equipes de Saúde da Família, sendo dois médicos principais e um médico de apoio do Programa “Mais Médicos”, Naiara conta que a relação tem sido muito positiva. “Nós contamos com três médicos cubanos na unidade. Eles foram muito bem recebidos pela população e já estão se sentindo em casa”, afirma Naiara.

mm_serra_2Dois dos médicos cubanos são Orlando Maure Ceballo, 47 anos, e Tamara Delgado Riesgos, 51 anos. Eles chegaram na unidade em dezembro do ano passado e já conseguiram resolver o atraso nas consultas de pré-natal, desenvolveram um programa de atendimento para os casos de hipertensão e diabetes e tiveram a iniciativa de sistematizar as consultas domiciliares.

“Ainda temos que organizar muita coisa, mas estamos felizes com o resultado do nosso trabalho. Estamos ajudando a quem precisa”, afirma Tamara.

Já no posto de saúde de Taquara I, na periferia de Serra, Orelys Reyes Madrazo, médico cubano de 39 anos, explica que não é a primeira vez que sai de Cuba para trabalhar em – como ele mesmo define – uma missão humanitária internacional. “A demanda aqui é bem alta”, diz o médico. Com uma população de aproximadamente 5 mil pessoas na região, foi em dezembro de 2013 que a unidade recebeu o reforço do Programa “Mais Médicos”.

“Nós fomos premiados com a vinda dele para cá. Ele é um médico sensacional”, afirma a gerente de serviços de saúde, Zilá Gonãlves Fausto.

Com as unhas do pé pintadas no chinelinho diminuto, enfeitado com a imagem de uma princesa da Disney, Ana Beatriz Mota Pereira, de 2 anos, aguardava sua vez de ser atendida no posto de saúde de Taquara I. Na primeira consulta com o Dr. Orelys, foi diagnosticado um quadro de bronquite asmática, e agora Ana Beatriz retorna ao posto periodicamente para seguir o tratamento e ser avaliada.

“Eu fico rindo dele às vezes porque ele fala engraçado, mas entendo tudo o que ele diz. A gente está seguindo o tratamento que ele mandou direitinho”, conta Leonara Pereira, 19 anos, tia da paciente. “Eu também me trato com ele, e gosto desse médico. Eu estava com uma infecção, alguma coisa no sangue eu acho, mas já fiquei boa, e a Ana já está melhor também.”

A velha fibra uruguaia entra em campo

Por Gerson Nogueira
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É de dar medo quando o Uruguai veste as suas fardas de guerra. Quando vence desafios, empregando a velha fibra para superar situações adversas, a tradicional Celeste se torna um esquadrão quase invencível. Poucas coisas são mais fortes neste jogo do que um time que confia no seu próprio taco. Os uruguaios costumam confiar, até demais, o que é temível para seus adversários. A Inglaterra experimentou isso ontem, ao ser derrotada muito mais pela alma do que pelo futebol dos comandados de Oscar Tabarez. Foi o primeiro triunfo uruguaio sobre uma seleção europeia em 44 anos.
O maior símbolo dessa postura heroica é Luizito Suarez. Artilheiro do último campeonato inglês, venceu as desconfianças quanto à sua recuperação e foi para o jogo de ontem porque era uma decisão. O Uruguai, como a Inglaterra, precisava vencer para continuar vivo. Vale dizer que, há três semanas, ninguém acreditava que Suarez pudesse estar apto a disputar a Copa. Submetido a uma artroscopia, sua escalação só era prevista para as oitavas-de-final do torneio, mas a necessidade forçou sua entrada contra os ingleses.
E sua participação foi fundamental. Abriu o placar no primeiro tempo, desviando brilhantemente de cabeça um cruzamento de Cavani. A Inglaterra era mais consistente, dominava o meio-de-campo e rondava a área uruguaia, mas objetividade é fundamental. Na etapa final, Tabarez optou por uma tática de risco, segurando o resultado e esperando o English Team em seu campo para poder se aproveitar do contra-ataque. Muito recuado, acabou sofrendo gol de Rooney e viu a Inglaterra crescer em campo.
Quando todo mundo na Arena Corinthians imaginava que a vitória estava mais próxima dos ingleses, eis que a velha faísca guerreira uruguaia entrou em cena. Minutos antes, depois de um choque violento, o lateral Alvaro Pereyra recusou a substituição, impressionando pela gana de jogar. Instantes depois, num chutão do goleiro Muslera para o ataque, Gerrard raspou de cabeça e a bola caiu justamente nos pés predestinados de Suarez, que avançou até a área e fuzilou para o gol.
Qualquer análise técnica indicaria uma injustiça para os ingleses, que eram superiores e se organizavam melhor. Acontece que o Uruguai joga assim desde que o mundo é mundo e suas vitórias sempre combinam raça e determinação. Está no DNA de sua seleção desde que Obdúlio Varela e seus companheiros invadiram o Maracanã como hunos em 50.
Suarez já havia mostrado a face da valentia naquela célebre defesa na linha do gol contra Gana, em 2010. A bola ia para as redes e ele comentou o pênalti, que acabaria defendido por Muslera. Uma situação insólita, que exigiu coragem e sorte, mas que resultou em triunfo emocionante, passo crucial para que a equipe chegasse ao quarto lugar naquela Copa.
Ontem, o artilheiro renasceu para a Copa. Fez dois gols e deixou o Uruguai muito próximo da classificação, depois do vexame na estreia contra Costa Rica.
Repito: quando eles se pintam para a guerra, é bom tomar cuidado.
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Mudanças necessárias e difíceis   
Muito se comenta sobre as eventuais mexidas que Felipão poderia fazer para injetar dinamismo à Seleção Brasileira. Turrão, o técnico rejeita publicamente qualquer palpite sobre substituições na escalação que idealizou para a Copa. As circunstâncias, porém, podem obrigá-lo a rever seus conceitos. Uma conversa reservada com os titulares, ontem, pode determinar o começo de uma nova fase para o time.
O jogo com o México, marcante pela ausência de vida criativa no meio-campo, ainda está vivo na memória de todos e pode ser usado como ponto de partida para uma reformulação do próprio sistema usado por Felipão. Desde a Copa das Confederações, o Brasil joga com dois volantes (Paulinho e Luiz Gustavo), um armador (Oscar) e um atacante que volta para marcar (Hulk). Neymar e Fred se encarregam das ações mais ofensivas. No torneio que antecedeu a Copa, essa formação teve bons momentos, embora sujeita a alguns apagões.
Na Copa, as virtudes da Seleção passaram a ser marcadas com disciplina e método. A Croácia evidenciou isso, explorando os espaços deixados pelos laterais. O México não repetiu esse expediente, mas limitou o território de Oscar e Neymar, sufocando qualquer chance de ações inventivas por parte do Brasil.
Felipão e seu auxiliar Parreira devem estar fritando os miolos para buscar alternativas capazes de surpreender adversários tão bem informados sobre a maneira de jogar da Seleção. Ao mesmo tempo, precisam fazer com que Paulinho, Daniel Alves e Marcelo, principalmente, entendam que a Copa é um torneio muito curto, que exige alto rendimento a cada rodada.
O trio é o que mais destoa a essa altura, embora outros jogadores também não estejam no mesmo nível mostrado no ano passado. Hulk, cuja força física é o único atributo que justifica a titularidade, é outro que segue devendo. Para o lugar de Paulinho, a opção pode ser Fernandinho. O volante do Manchester é o caso mais clamoroso de involução técnica do escrete, deixando no esquecimento aquele futebol ágil e agressivo dos tempos de Corinthians.
Pelas próprias características, Oscar e Neymar precisam ter escudeiros participativos, coadjuvantes que não se restrinjam a executar funções burocráticas.
Caso consiga solucionar essa equação, Felipão ficará mais perto de debelar o apagão criativo do time.
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Europeus com a corda no pescoço
A campeã Espanha foi a primeira eliminada do mundial. Um choque. Sem reproduzir sua festejada troca de passes, a seleção de Vicente Del Bosque viu-se alijada depois de duas derrotas acachapantes. Levou uma sova de 5 a 1 da Holanda e foi atropelada pelo Chile, por 2 a 0. Pois os espanhóis podem ter companhia ilustre nos próximos dias. A Inglaterra também corre riscos imensos no Grupo D, após ser batida pelo Uruguai. Com duas derrotas, terá agora que vencer a surpreendente Costa Rica na rodada final, dependendo ainda de uma derrota uruguaia frente à Itália.
Outra equipe ameaçadíssima é Portugal, que chegou com as pompas reservadas a quem tem o melhor jogador do mundo. Depois de goleada impiedosa frente aos alemães, Cristiano Ronaldo e seus companheiros terão que fazer uma caminhada de superação. O primeiro desafio é passar pelos Estados Unidos. Em seguida, terão que superar Gana.
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Sem Falcão, Colômbia avança

Mesmo sem seu maior atacante – Falcão Garcia não se recuperou a tempo de ser convocado -, a Colômbia surpreendente com uma campanha vitoriosa até aqui. Passou por Costa do Marfim, ontem, em Brasília, e está quase garantida na próxima fase. Para suprir a falta do homem-gol, o time se une em torno de um meia-atacante de grandes recursos técnicos.
Cuadrado, destaque da Fiorentina, desfilou passes milimétricos e chutes perigosos contra o gol marfinense. O estilo técnico, repleto de fintas curtas e passes em velocidade, remete a Valderrama, embora menos firulento. Com um organizador desse nível, a Colômbia alimenta justas esperanças de ir longe na competição.
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A coisa pega quando a fome aperta
A falta de organização nos restaurantes do Centro de Imprensa e lanchonetes da área reservada aos torcedores é desde já a grande falha constatada nas belíssimas arenas da Copa. Em Fortaleza e Salvador, a situação é considerada boa, mas em Brasília e São Paulo prevalece o caos, gerando constantes reclamações. Os preços são extorsivos (uma água mineral custa até R$ 8,00) e o cardápio é pobre, sem variedade de alimentos. Na África do Sul, havia qualidade e fartura de opções, embora os preços fossem também bastante salgados.
A Fifa cobra providências do Comitê Organizador Local, que negligenciou na fiscalização e parece ter descuidado de um item capaz de azedar o humor de qualquer um: falta de comida.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 20)

Sobre o diálogo Brasil-Argentina

Por Caetano Veloso

Fui com meu filho mais novo ver Argentina x Bósnia no Maracanã. Fomos de metrô. A estação da General Osório estava cheia. Gostei de ver tantos argentinos nas plataformas. Muitas camisas celeste-e-branco nos vagões (meu filho, admirador do futebol portenho desde pequeno – quando era fã de Riquelme – e devoto de Messi, usava uma camisa do uniforme B da seleção argentina) mas foram os mexicanos que fizeram mais barulho dentro do trem, gritando “México, México” e girando uma matraca ensurdecedora.

Adorei ir vendo as estações se seguirem: General Osório, Cantagalo, Siqueira Campos, Cardeal Arco Verde, Botafogo, Glória, Cinelândia, Carioca, Uruguaiana, Presidente Vargas, tudo me trazendo à mente as zonas da cidade acima. Não sei se na Uruguaiana ou na Central (talvez antes), tivemos de trocar de linha, passando da que vai para o Uruguai para a que vai para a Pavuna. Na espera do trem em que prosseguiríamos, tivemos um trailer do que a multidão argentina faria no Maracanã: grupos enormes de rapazes de azul e branco puxando cânticos lúdico-bélicos com voz mais próxima à de coro de ópera das torcidas italianas do que das guturalidades bárbaras dos ingleses.

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Na estação Maracanã, um largo rio desse coral dominava a passarela. Já nas arquibancadas, ouvíamos com emoção os refrões. Esperávamos alguma torcida brasileira contra a Argentina. Mas os gritos de “Olê olê olê olá, Bosniá, Bosniá” só cresceram quando o time argentino pareceu bem menos enérgico do que a torcida – e os bósnios ameaçaram dominar. O gol da Bósnia encorajou o narcisismo das pequenas diferenças que alimenta a rivalidade entre argentinos e brasileiros. Os torcedores argentinos tinham tomado conta do Maracanã desde a entrada do seu time. O gol contra (será que é a regra nesta Copa?) silenciou os pouquíssimos torcedores bósnios e os muitos brasileiros que os apoiavam. Meu filho profetizou que Ibisevic traria força à Bósnia. E seu gol excitou a torcida anti-rioplatense.

O Maracanã cheio de argentinos torcendo era uma beleza. Senti a força do sentimento de nacionalidade como uma coisa que encontra no futebol um canal de expressão sem vergonha. Meus olhos se encheram de lágrimas. A rivalidade Brasil-Argentina me fazia sorrir. Uma três vezes pintou eco de começo de briga em algum lugar: os assentos batucavam com as pessoas levantando-se de repente para ver (e possivelmenete defender-se). Mas nada cresceu. Uns brasileiros à nossa frente, que vaiavam os argentinos e louvavam a Bósnia, revelaram-se ao substituir a frase “soy argentino”, num cântico, por “sou vascaíno” – e por dizerem, ao ver que um brigão expulso lá no alto vestia camisa rubro-negra, “só podia ser flamenguista”.

O fato é que, quando os torcedores brasileiros em peso decidiram responder ao “olê olê Messi” com um “olê olá Neymar”, Messi, que parecia inativo, fez um daqueles gols precisos e surpreendentes que só ele faz. Ele pareceu instigado. Foi um diálogo Brasil-Argentina de grande profundidade. No todo, para mim, foi uma experiência exaltante e, de algum modo secreto, animadora. Há Copa, o metrô anda, muita gente que nem sabe onde fica a Bósnia gritou o nome desse país, e nossa íntima Argentina chegou a brilhar num corisco, sem que houvesse tempo e ritmo para que hostilidades brutas aflorassem. Estávamos longe dos palavrões dirigidos a Dilma no Itaquerão. Esses, não dá para perdoar.

Leia mais: http://extra.globo.com/esporte/copa-2014/caetano-veloso-vai-ao-maracana-ver-argentina-publica-bela-cronica-sobre-jogo-o-clima-na-arquibancada-12882880.html#ixzz359n1LsHj