Baile santareno em Belém

Por Gerson Nogueira

Houve quem aparentasse surpresa com o passeio do São Francisco na Curuzu. Bobagem. O Paissandu foi um time previsível e sem conjunto, dominado por um oponente bem organizado. Nenhum exagero no placar de 3 a 0. Refletiu fielmente o que se passou em campo. Os azulinos de Santarém foram superiores ao longo dos 90 minutos, exibindo vida inteligente na meia-cancha, coisa rara neste campeonato.
Criatividade foi a arma para se diferenciar dos donos da casa. A começar pelo interessante repertório de jogadas. Bons lançamentos, posicionamento correto dos laterais e tabelinhas em velocidade no ataque.
O São Francisco foi, acima de tudo, um time compacto. A aproximação entre os setores determinou um baixíssimo índice de erros nos passes, ao contrário do Paissandu, que se esmerava em buscar ligações diretas, cometendo falhas elementares na distribuição dos jogadores. Mais que isso: o time se deixou dominar, permitindo que o São Francisco avançasse a marcação até seu campo.
No primeiro tempo, a falta de iniciativa no meio-campo do Paissandu deu ao visitante espaço para manobrar à vontade. Balão Marabá, melhor homem do jogo, distribuiu passes, driblou e lançou seus companheiros, como no lance do primeiro gol, quando descobriu Emerson Bala livre para finalizar diante de uma zaga em desespero.
Bartola, dispersivo, não foi o parceiro que Adriano Magrão precisava e acabou substituído por Leleu ainda no primeiro tempo. Robinho e Cariri, dupla desafinada, girando sem objetividade e incapaz de um lançamento em profundidade. 
De pé em pé, o São Francisco fazia a bola circular e o jogo fluir. Na etapa final, enquanto as vaias atordoavam ainda mais o time do Paissandu, Perema reinava absoluto na defesa e Balão Marabá seguia ditando o ritmo, sem ser incomodado.
A fatura foi liquidada em dois lances de construção parecida. No primeiro, Caçula foi lançado e encobriu Paulo Rafael com um toque de categoria. Quase ao final, Cleidir recebeu lançamento também pela direita e aplicou um chapéu no goleiro, tocando em seguida para o gol vazio. Impressionou a desatenção da defesa do Paissandu, que deixou os jogadores inteiramente desmarcados e livres para avançar até a área. Foi tão fácil que lembrou zaga de futebol pelada.  
Héliton, que custou a entrar, ainda criou algumas situações de perigo, mas nem o Paissandu confiava mais em suas próprias forças. Parecia confuso demais para ensaiar uma tentativa de reação. Vitória acachapante do São Francisco, como poucas vezes se viu na Curuzu. Como se sabe, o último baile no “estádio vovô” data de 2010, na Série C, por ocasião do Salgueiraço.
 
 
Flávio Araújo, algoz do Paissandu em 2009 com o Icasa e em 2011 com o América-RN, era até o começo da noite de ontem o mais cotado para assumir o comando técnico em substituição a Nad. A diretoria resolveu, porém, aguardar até hoje para tomar uma decisão. Outros nomes ainda estão sob análise. Até mesmo o de Edson Gaúcho, que acaba de deixar o Brasiliense.

 
 
Em Santarém, ontem, o Remo foi perigosamente parecido com o Remo de Sinomar Naves. Defensivo ao extremo, medroso, mais preocupado em não perder. Até os volantes Jonnathan e André pareciam cópias de Felipe Baiano e Adenísio, errando todas. Pior que eles só o lateral Panda, capaz de errar passes de dois metros. Por isso mesmo, o São Raimundo sufocou no começo do jogo, abriu o placar e só cedeu o empate graças ao talento do meia Betinho, que deu passe milimétrico para Cassiano fazer o gol.
No segundo tempo, o técnico Flávio Lopes se agarrou à cautela e escancarou essa intenção ao trocar seu jogador mais criativo (Betinho) pelo beque Edinho. Com três zagueiros, o Remo ficou a rebater bolas na defesa e a dar chutões para o ataque. O São Raimundo esteve perto do segundo gol, mas o empate persistiu até o fim, para júbilo de Lopes. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 5)

14 comentários em “Baile santareno em Belém

  1. Acredito que, pelo que fez o Flávio Lopes, ontem, seria merecedor de elogios. Acredito que mais incompetente foi o Charles, que jogando em casa e, com o Remo todo desfigurado, não soube ganhar esse jogo e, pior, quase que acaba perdendo no final.
    -Sinomar passou 9 meses no Leão e, só foram perceber que ele não era técnico para o Remo, a quando das derrotas. O Flávio está há 15 dias e, já estão vendo muita coisa errada, que eu penso serem corretas. O tempo mostrará o que estou falando. Anotem.

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    1. É, amigo Cláudio, talvez você esteja certo. Só observo uma semelhança assustadora entre o estilo do Lopes e o do Sinomar, principalmente quanto às cautelas defensivas. Time que tem ambições não pode se deixar dominar como o Remo fez no Barbalhão. Escapou de sofrer o segundo gol – chute do Caranga tirou tinta da trave. E, em comparação com a partida contra o Águia, o Remo só teve um desfalque ontem (Aldivan) e perdeu o Marciano durante o jogo. Portanto, não era um time desfigurado.

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  2. Parabéns pela suas análises dos jogos de Remo e paysandú, como sempre acertadas! Realmente, o Leão de Antônio Baena não merece jogar da forma como jogou contra o Aguia ainda no primeiro turno e ontem contra o S. Raimundo! É duro ter que aguentar meu time jogando para não perder em pleno campeonato estadual!

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  3. Pois é amigo Cláudio ontem após o jogo do PSC escutava o Zé Trindade da Liberal vociferando que Remo e PSC não podem ser dirigidos por técnicos locais, algo que para mim e para muitos do blog já era, como dizia o genial Rodrigues,o óbvio ululante pois não foram poucas as vezes em que vaticinaste sobre a falta de qualidade dos profissionais locais para dirigirem times de massa.E nesse fim de semana,depois de SONOmar caiu o apenas esforçado Nad.Valeu pela coragem das tuas afirmações,pois meu amigo Columbia não é fácil criticar o que é regional quando impera o infeliz provincianismo de grande parte da imprensa e dos torcedores, que acabam por ser acometidos pela pior das cegueiras que é aquela onde a falta de visão é uma opção de não querer se enxegar o que está errado.Pelo menos é o que penso.

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  4. Grato, amigo Rafael, é por aí, mesmo, técnico local em Remo e Paysandu, de jeito algum.
    Amigo Gerson, não me refiro a escalação, mas ao pouco tempo de trabalho do Flávio, jogadores que não renderam e, não foram poucos… Ora, se tinha um time que teria a obrigação de vencer, ontem, era o São Raimundo e não o Remo e, isso, sequer foi lembrado nas análises dos comentaristas, ontem.
    – Quando você está montando um time, sua equipe está passando por ajustes, logo, esse altos e baixos, é normal. Perceba, que logo após esse gol a que você se refere, perdido pelo Caranga, foi aí que o Flávio colocou o 3º zagueiro e, a partir daí, o SR só tocava, tocava e não sabia o que fazer com a bola, pois não tinha penetração, que foi o objetivo do Flávio, com essa mudança se desse pra matar lá na frente, tudo bem, mas o jogo, para o Remo, a partir dali, já estava equilibrado e, por pouco não sai com a vitória.
    É a minha opinião.

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  5. Acredito que o treinador ontem espertamente resolveu segurar o resultado, melhor 01 ponto do que nada.
    Agora isso aconteceu em virtude de péssimas atuações: Betinho, Reis, Panda, Cametazinho e Diego Barros.
    Me desculpe mais esse moleques da base tem que ser opção do banco ou entrar em jogo fácil e morto.

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  6. Gerson e amigos do Blog! O que vcs estão achando do Adriano Magrão? Eu acho que ele está perdendo muitos; contra o Cametá ele perdeu uns tres de cara com o Angelo, ontem, segundo comentários andou perdendo outros. Tá feia a coisa!!!

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  7. Amigo, Claudio, só discordo do seu comentário quando diz que quem tinha a obrigação de vencer era o SR. Ainda acho que quem tem obrigação de vencer – independente de competição, tabela, pontuação, mando de campo etc – era o Remo, sim. Porque é time grande como o Paysandu, o Flamengo, o Santos… Também penso que o Flamengo tem sempre obrigação de vencer de times como Bonsucesso, América etc. Antes, nossos grandes goleavam os times do interior, agora disputa téti a téti. Pra mim, incabível.

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  8. Ontem, no comentário do Rui Guimaraes sobre a substituição do Betinho por um zagueiro, tivemos um exemplo de como se inicia a deterioração do relacionamento da imprensa com um técnico. Num tom bem exaltado, o comentarista disse que o treinador foi covarde. E fez esta afirmação arrimado no argumento de que o Remo é um time grande e como tal não pode agir desta maneira abdicando do ataque. Ora, isso era no tempo que o Clube do Remo formava times melhores do que os clubes do interior.

    Todavia, não percebeu que o gol do São Raimundo estava por um fio e que a defesa do Remo estava absolutamente vulnerável (seja pela debilidade dos volantes, seja pela claudicância dos zagueiros e dos laterais do Remo) e também porque o SR aumentou o número de atacantes. Ademais, a ligação direta era exclusivamente do que o Remo vivia, eis que os meias estavam completamente sem inspiração (O betinho acertou aquela única bola do gol do Cassiano, ainda bem).

    Também acho que nem o Clube do Remo e nem o Fenômeno merecem ver o time jogando do jeito que estava jogando ontem. No entanto, poderia ter sido pior se a derrota ocorresse. Diante das circunstâncias acho que o treinador agiu correto, pois se precisava fortalecer a retaguarda (pois o gol do adversário era iminente) e o Betinho não tava rendendo, nada mais natural do que sacá-lo para colocar o zagueiro.

    Enfim, a esperança é que os jogadores que aqui já estavam assimilem o mais rápido possível a filosofia do novo treinador e que aqueles que chegaram juntamente com ele sejam realmente reforços, eis que, por enquanto, o panorama é realmente aquele que se assistia na era Sinomar, inclusive com o Betinho recuando demais para marcar, o Fenômeno apreensivo e os comentaristas hostilizando o treinador.

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  9. E como ja era esperado, pelo menos por mim que com muita modéstia mas modéstia parte mesmo, entendo de futebol e conheço a história do Paysandu e do futebol paraense como a palma de minha mão, a barca bicolor que ja estava à deriva, sem nenhum tipo de comando, praticamente naufragou. E de quem e á culpa de mais esse naufrágio terrível que já tem virado rotina na vida do Paysandu??? pois eu digo: o culpado é o “Presidente” ( apartir de hoje me recuso até a pronunciar o nome desse sujeito, porque não tenho mais verbo para qulaificar a sua incompetência), o Culpado é a gande parte da imprensa local ( com exceção de Gerson Nogueira), e o culpado e grande parte da trocida bicolor. É isso mesmo por mais incrível que possa parecer. Quando me refiro à imprensa é porque ja estou cansado de ouvir críticas severas às contratações de jogadores e técnicos de fora como se eles fossem os “monstros” que atemorizam o Paysandu nos últimos tempos. Paralelo a isso tenho ouvido muitos desses precionarem os ja precionados por si só dirigentes bicolores para darem oportunidades para esses profissionais locais os quais seriam os salvadores da pátria do Paysandu. Lamentável engano. As oportunidades que o Paysandu ja deu para técnicos e jogadores locais nos últimos tempos é do tamanho do desastre adquirido nos resultados. ou seja, muito grande. Só para não alongar muito o Paysandu com técnico local, ja sofreu uma mancha na história de 9×0 com Sinomar Nove, deixou escapar 2 chances de ouro para subir a B com Charles Guerreiro. Será que é necessário mais provas para se saber que tecnico local não dá certo no Paysandu? Mas muitos senhores da nossa imprensa gritam que sim, iniclusive no paraense onde eles acham que não precisa técnico de fora. Mas aí vem o outro culpado disso que é grande parte da torcida bicolor a qual pega corda desses senhores fica falando asneira dizendo que o parazão não tem importância, que não serve de parâmetro para o brasileiro, que o PaYsandu tem é de investir é na série C. Outro engano lamentável porque isso é tudo que os incompetetes dirigentes bicolores querem para não inovar, arriscar, inevestir para alferirem bons resultados. O mais leigo no futebol deveria saber que o parazão é o início da temporada na qual deve-se organizar a casa, formar um time competivo para o parazão, extrair uma boa base e completar com alguns outros bons valores para o brasileiro. E não contratar 50 de carrada como aocntece todo ano após o parazão e pelo jeito vai acontecer de novo esse ano. Então o parazão é importante sim. chega dessa ilusão bicolor de afirmar que para nós não interessa. deixem disso, parem com isso. Em relação às divisões de base é outro tormento, porque o Paysandu é que tem dado mais oportunidade mas os caras não se afimam. Quando algum se sobressai um pouquinho o cara se enche de importância, pega corda de empresários patifes, se vira contra o clube que o tirou do sofrimento e lhe deu oportunidade, brigam para sair. Moises, Fabricio, entre outros são os maiores exemplos. De todos os culapados que citei so eximo Gerson Nogueira, que foi um dos poucos que comentou aqui que o Paysandu com um trendor Nad sem experiencia e com sabida profissional repentinas de muitos jogares da base aliada a recarga de responsabilidade sobre eles, poderia ser muito temerosa a situação futura do Paysandu. Gerson, vc acertou novamente, porque o bicola praticamente está alijado do parazão, sem time e tecnico para o brasileiro e Copa do Brasil, e desculpe se culpo entre tantos alguns da nossa imprensa local por isso , mas é a minha opinião.

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  10. Quando vejo e quando assisto. Ví a vitória do S. Francisco porque estive na Curuzú. Assisti o empate de Santarém como telespectador.
    Vendo o jogo na Curtuzú lembrei-me que o amigo Gerson havia
    dito que o Paysandu precisava sinalizar à sua torcida o que pretendia para este segundo turno.
    A sinalização foi vermelha . Não discuto a derrota bicolor. Discuto
    a postura vergonhosa da equipe permitindo que o adversário selas-
    se a vitória com um gol de “avião”.
    Não culpemos apenas o Nad e a diretoria bicolor. Reconheçamos
    que o time é fraco e que a grande façanha foi vencer o grande ri-
    val no primeiro turno.
    Trocar só o treinador não vai reolver muito. Mas como o time está treinando para a série C ainda há tempo para conCertos e conSertos , também.

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  11. Gerson, sobre a troca de betinho por edinho. Na hora em que ela ocorreu fiquei temeroso. Mas as explicações do técnico pós-jogo me convenceram. Diego Barros estava na iminencia de entregar a partida ao adversário. Dessa forma, o treinador não poderia colocar direto o edinho pra jogar como zagueiro principal, até porque chegou dia desses ao CRemo. Penso, que sacrificar o betinho foi a saída para não perder o jogo, diante de tão péssima atuação individual do diego. abraço

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