Campeonato Paraense 2018 – 7ª rodada

Parauapebas x Paissandu – estádio Rosenão, em Parauapebas, às 16h
Na Rádio Clube, Jorge Anderson narra; Gerson Nogueira comenta. Reportagens – Dinho Menezes, Paulo S. Pinto. Banco de informações – Adilson Brasil
Campeonato Paraense 2018 – 7ª rodada

Parauapebas x Paissandu – estádio Rosenão, em Parauapebas, às 16h
Na Rádio Clube, Jorge Anderson narra; Gerson Nogueira comenta. Reportagens – Dinho Menezes, Paulo S. Pinto. Banco de informações – Adilson Brasil

Será que se ele fosse um menino branco teria acontecido isso? Até quando as vidas negras serão pré-julgadas?“, questionou, por meio de uma postagem no Facebook, a microempresária Luciana Cruz, cujo filho de 16 anos foi agredido com socos, chutes e tiros de arma de pressão (airsoft) por três seguranças terceirizados pela empresa Grupo G8 Comando em uma unidade do supermercado Pão de Açúcar, no Jabaquara, zona sul de São Paulo.
O adolescente, que é negro, teria consumido chocolate e salgadinhos sem pagar. Até o momento, o relato já foi compartilhado 12,5 mil vezes e teve mais de 21 mil reações.
Luciana conta que, ao chegar em casa, viu o rosto do filho machucado e questionou o que tinha acontecido. A princípio, com vergonha, o rapaz disse que tinha se envolvido em uma briga no bloco de carnaval. “Como ele é muito tranquilo, fiquei insistindo”. Foi quando o irmão gêmeo do adolescente contou para ela o que aconteceu.
Por telefone, Luciana relatou a CartaCapital que o filho foi até o estabelecimento, que fica próximo à casa e é frequentado pela família há anos, por volta das 23 horas do domingo 11. Dentro do supermercado, o garoto consumiu dois chocolates e um salgadinho e tentou sair do local sem pagar, mas foi abordado na saída da loja por três seguranças.
“Realmente ele cometeu esse erro, mas nada justifica a violência”, conta ela. “Mas na mesma hora disse que sabia o que tinha feito, que era errado e que iria pagar pelos produtos. Só que no mesmo momento quiseram levá-lo para uma sala”.
Temendo uma agressão a portas fechadas, o adolescente se recusou a ir e ameaçou gritar diante da aproximação do trio de seguranças.
“Um pegou ele pelo pescoço, viraram o braço dele pra trás, deram soco no nariz. Jogaram ele no chão, ficaram chutando a cabeça, as pernas, tudo. Um terceiro chegou próximo e ficou atirando nele com uma arma de airsoft. Ele gritava, pedia ajuda e os seguranças dizendo que ele iria apanhar ainda mais. Isso aconteceu durante 10 minutos, na frente de todos os caixas, dos clientes. Ele pediu ajuda, mas falou que a única pessoa que se aproximou, um senhor de cabelos brancos, cumprimentou os seguranças e ficou olhando”, relata Luciana, que não estava em casa no momento da agressão.
Após a agressão, o rapaz foi obrigado a arrumar algumas caixas de papelão que caíram durante a confusão. Depois, dirigiu-se ao caixa e pagou R$9,81, referente aos produtos consumidos: dois chocolates e um Doritos.
“E a todo momento, durante a agressão, ele foi chamado de malandro, de menino da quebrada, de favelado. Falavam que ele ia lá comer de graça. Pela cor dele, né?”, afirmou a mãe, que considera o caso racismo. Ao descobrir o que tinha acontecido, ela dirigiu-se imediatamente até a unidade e pediu esclarecimentos. Após ouvir um pedido de desculpas da gerência, dirigiu-se ao 26º Distrito Policial do Sacomã e registrou um Boletim de Ocorrência.
A empresa terceirizada responsável pela segurança na unidade, o Grupo Comando G8 afirmou em nota que os três funcionários foram desligados e que a empresa não permite o uso de armas de pressão (airsoft), fato que também será investigado.
“Eu sei muito bem o que é andar com duas crianças negras em uma farmácia ou em um supermercado. Desde pequenos, quando fazíamos compras ou eles corriam no mercado, o segurança já vinha tirar, achando que eles eram crianças de rua. Quando eu levo eles no médico, acham que eu sou uma funcionária de abrigo. Por que eles acham que os meninos pretos são sempre de rua ou adotados?”, critica Luciana, que pretende entrar na Justiça contra o supermercado.
Segundo a Atlas da Violência 2017, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. O relatório final da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens, divulgado em 2016, revelou o fator de risco de ser negro e jovem no Brasil: a cada 23 minutos, um negro entre 15 e 29 anos é assassinado.
Em nota, a assessoria de imprensa do Grupo Pão de Açúcar e a do Grupo Comando G8 comentaram o caso:
Grupo Pão de Açúcar:
A rede informa que não tolera atos de violência e que repudia veementemente qualquer comportamento desse tipo em suas lojas. A conduta relatada não condiz com o procedimento exigido pela companhia, realizado pela equipe de segurança terceirizada contratada. Assim que tomou conhecimento do caso, a rede instaurou um processo interno de apuração, notificando a empresa a prestar todos os esclarecimentos e afastando imediatamente os envolvidos, até que o caso seja esclarecido junto aos órgãos competentes. Além disso, procedeu com o reforço dos processos internos de conduta.
Grupo Comando G8:
O Grupo G8 Comando, empresa que atua há 12 anos no segmento de segurança patrimonial, esclarece que não adota ou compactua com qualquer ato que ofenda a integridade física alheia nas operações de qualquer um de seus mais de 200 clientes. A empresa tem ainda uma escola de formação que não apenas treina profissionais para trabalhar com segurança patrimonial, como recicla periodicamente seus conhecimentos em busca de aperfeiçoamento contínuo. Além disso, o Grupo tem como missão maior a proteção da integridade física e do patrimônio alheio.
O Grupo não tolera qualquer suspeita de desvio de conduta de seus colaboradores e, ainda em respeito às políticas exigidas pelo Pão de Açúcar para os seguranças em suas lojas, desligou imediatamente os três colaboradores envolvidos no relato da unidade do Jabaquara. Paralelamente a essa decisão, a companhia abriu uma sindicância interna para apurar o ocorrido e tomar as demais medidas necessárias.
O Grupo salienta ainda que trabalha dentro das determinações da lei 7102 e que não opera com armas de air soft, fato que também será investigado pelas partes. Por fim, a empresa reforça que a abordagem ocorreu no momento em que o jovem saía da loja com itens não pagos e que lamenta qualquer postura que tenha sido tomada por seus funcionários em total desacordo com as políticas do Grupo G8 e exigidas pelo Pão de Açúcar. (Do Pragmatismo Político)

Por Luis Nassif, no Jornal GGN
A ideia de que a intervenção no Rio é democrática, porque segue os preceitos da Constituição é tão falsa quanta a da legalidade o impeachment. Segundo o Ministro da Justiça Torquato Jardim (que foi jogado para escanteio nesse planejamento) “é importante repetir que a intervenção na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro cumpre estritamente o ordenamento jurídico brasileiro e servirá para aperfeiçoar a democracia no nosso País.”
Michel Temer decretou uma intervenção no Rio de Janeiro. Mas não se contentou com uma intervenção qualquer. Foi uma intervenção militar com um interventor das Forças Armadas, respondendo diretamente ao Presidente da República. Não há sinais estatísticos de uma situação fora de controle.
Entrevistada pelo Estadão, a diretora presidente do Instituto de Segurança do Rio (ISP), Joana Monteiro, informou que os dados de segurança mostram que não houve uma onda de violência atípica (clique aqui),
Segundo ela, “foram registradas 5.865 ocorrências policiais no total no Rio, entre os dias 9 e 14 de fevereiro, enquanto no carnaval do ano passado (quando a Polícia Civil ainda estava em greve), foram 5.773. Em 2016, 9.016 ocorrências foram registradas e, em 2015, computaram-se no total 9.062”.
Esse mesmo sentimento foi manifestado pelo próprio interventor, General Walter Braga Neto, que atribuiu o clima de fim de mundo aos excessos da mídia (clique aqui).

O papel da Globo
Temer não é dado a jogadas de risco. Ë figura menor. Assim como no impeachment, sua adesão ao golpe foi estimulada diuturnamente pela cobertura de carnaval da Globo, em tom francamente alarmista. Em cima desse quadro, um grupo de assessores tratou de convencê-lo a endossar o golpe.
Fica claro que, daqui para diante, o novo fantasma nacional será a violência do crime organizado. Agora à noite, a comentarista Natuza Nery, também da Globonews, falava de um clima de violência que ameaça envolver o país inteiro. E atribuiu ao fracasso da política.
É fácil entender as estratégias da Globo porque há sempre um alinhamento total de seus comentaristas com as ordens que vêm de cima. Agora à noite, além da unanimidade de comentaristas da Globo News, insistiu-se no clima de fim de mundo para o Rio, com a seleção de entrevistados endossando as medidas.
Como não houve pontos fora da curva entre os comentaristas, reafirma-se a suspeita de que as medidas já eram de conhecimento da Globo, que, assim, teve tempo de alinhar seus solados – ao contrário do que ocorreu nos primeiros momentos das delações da JBS.
Trata-se, portanto, de um novo golpe, com papel central das Organizações Globo. Carregou no noticiário, criou um quadro de escândalo, deu ênfase a violências urbanas deploráveis, mas antigas, visando criar o clima de pavor. Da mesma maneira como cobriu arrastões armados, no governo Leonel Brizolla.
A luta contra o crime
Para que o golpe se sustente, há a necessidade de manter um clima permanente de catarse.
Há dois caminhos delineados.
O primeiro, de forte apelo popular, de intervenção no orçamento do Rio de Janeiro, reduzindo as benesses do Judiciário e outros setores privilegiados. Essa possibilidade fio aventada por autoridade de Brasília que tem sido consultada frequentemente por Michel Temer.
A segunda é partir para a luta aberta contra organizações criminosas, visando elevar a temperatura ainda mais.
São Paulo já tem experiência dessa maluquice, quando, em 2006, o governo Geraldo Alckmin, e um Secretário de Segurança pirado, Saulo Queiroz, decretaram guerra contra o PCC.
Houve a invasão da cidade pelo PCC, seguido de um massacre da PM, matando indiscriminadamente jovens de periferia sem antecedentes criminais. Foram mais de 600 mortes em uma semana.
O que as Forças Armadas poderiam fazer no Rio? Montar barricadas, trincheiras? Invadir casas? As organizações criminosas não estão situadas em territórios próprios, como na guerra convencional. Estão misturados às pessoas, aos cidadãos comuns, vítimas dele. O que ocorreria com esses cidadãos, em caso de confrontos diretos entre Exército e organizações criminosas?
Os fatores de risco
Nos próximos dias, a Globo vai ampliar o discurso de caos na segurança, visando legitimar a segunda etapa do golpe. Por outro lado, as Forças Armadas foram jogadas no meio da fogueira. O fracasso da operação será o fracasso da intervenção. Qual seria a reação das Forças Armadas? Assimilar o desgaste ou exigir ampliação da sua interferência?
A tomada de decisão, logo após o Carnaval, teve um objetivo adicional: impedir o desfile das campeãs, com os carros alegóricos da vice-campeã Paraíso da Tuiuti, com um vampiro representando Temer.


Após assinar, hoje (16), o decreto que determina a intervenção na segurança pública do estado do Rio de Janeiro, o presidente Michel Temer disse que vai cessar a intervenção para votar a reforma da Previdência quando houver a avaliação da Câmara e Senado de que há condição para aprovar o texto. Caso o Congresso Nacional aprove a intervenção, ele fica impedido, pela Constituição Federal, de aprovar quaisquer propostas de emenda à constituição (PEC), caso da reforma da Previdência, enquanto a intervenção vigorar.
“Ajustamos ontem à noite, com uma participação muito expressiva do presidente Rodrigo Maia [Câmara] e do presidente Eunício Oliveira [Senado], a continuidade da tramitação da reforma da Previdência, que é uma medida extremamente importante para o futuro do país. Quando ela estiver para ser votada, e naturalmente isso segundo avaliação das casas legislativas, farei cessar a intervenção”, disse Temer em declaração à imprensa após a assinatura o decreto, no Palácio do Planalto.
Segundo Temer, durante o período necessário para a votação, o trabalho de segurança federal no Rio de Janeiro será mantido.
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, explicou que, havendo a decisão de votar a reforma da Previdência, o presidente Michel Temer precisa revogar o decreto de intervenção. Nesse caso, entrará em vigor no Rio uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ampliada, que dá mais poderes ao governo federal no estado. “O presidente decreta uma GLO com mais poderes, com mais competências e, no momento da votação, essa GLO segura a estrutura como está”, explicou. Terminada a votação, é preciso a edição de um novo decreto para retomar a intervenção federal na segurança pública do Rio. (Da Ag. Brasil)

A brincadeira começa assim, por obra e graça dos néscios…

… e costuma dar nisso aí: intolerância e restrição à liberdade.
A torcedora Renata Pinheiro e Silva, que foi flagrada atirando objeto (bagaço de laranja) para dentro do gramado do Mangueirão no jogo entre Remo e Manaus, foi punida pelo juiz Gabriel Sturtuz com proibição de ir a estádios de Belém por seis meses. Nos dias de jogos, terá que se apresentar duas horas no Comando da PM e sair duas horas depois do encerramento da partida.


A jornalista Vanessa Riche é a nova contratada do Fox Sports. A profissional chega ao canal para reforçar o time e ser curadora do projeto Narradoras, que pretende encontrar mulheres para narrar a Copa do Mundo 2018. “Estou muito feliz com o desafio de descobrir novos talentos por todo o Brasil”, afirma a comunicadora.
O Fox Sports explica que em breve o projeto deve anunciar detalhes da inscrição nos canais oficiais do Fox Sports. Sobre a ideia de colocar as mulheres como protagonistas da narração, Vanessa afirma que o projeto é mais do que necessário, uma vez que “estamos em um país com resistência à participação de mulheres no futebol”. “Vamos ver uma coisa inédita: uma mulher narrando a Copa do Mundo. Estou muito animada”, completa.
O projeto Narradoras não será a única missão da jornalista no Fox Sports. Por lá, ela vai trabalhar para um produto exclusivo para a Copa do Mundo. “Será algo novo que só alguém com a experiência e a capacidade da Vanessa poderia construir com a equipe incrível que temos aqui na Fox”, comenta Eduardo Zebini, SVP & CCO do FOXSports.
Vanessa Riche tem experiência em rádio, passou pela GloboNews, onde ficou por seis anos, e SporTV, quando passou a narrar eventos esportivos. A jornalista também atua como professora em cursos de formação profissional para a televisão. (Do Comunique-se)

Por Tom C. Avendaño, no El País
A última vez que Pedro Casaldáliga, o bispo do povo segundo seus numerosos partidários e o bispo vermelho para seus cáusticos inimigos, apareceu diante de uma multidão poucos esperavam vê-lo. Era julho de 2016 e não estava claro se dessa vez o religioso claretiano, de 88 anos, iria participar da Romaria dos Mártires da Caminhada, um evento quinquenal que ele criou em 1986, quando era bispo desta região selvática do Estado de Mato Grosso. A Romaria é realizada a 268 quilômetros de São Félix do Araguaia, o município onde ele vive, e não se sabia se aguentaria os incômodos de tamanha viagem. Mas havia aceitado a contragosto ir de avião, e não de ônibus, como até então costumava viajar pelo país (para ir, segundo suas palavras, “à altura do povo”), de modo que aí estava esse catalão, discretamente disposto a ver a cerimônia de inauguração.
Banhado em aplausos e flashes de celulares, o morador espanhol mais célebre do Brasil não disse uma palavra. Em parte, pode-se imaginar, porque não tinha ido dar uma homilia; em parte, pelos estragos que foi causando em suas habilidades motoras o que ele chama de “o irmão Parkinson”. Vendo-o, frágil, calado, prostrado em sua cadeira de rodas, qualquer coisa que tivesse dito teria soado como uma despedida.
Desde então, o mundo soube pouco dele, como ele do mundo. “A política local, a estatal ou a nacional, ele já não acompanha muito”, admite por telefone o padre Ivo, um dos quatro agostinianos que se organizam para atender nas 24 horas do dia o bispo emérito em sua casa de São Félix do Araguaia. Mantêm-no em forma com a rotina: cuidados físicos pela manhã e leitura do correio –eletrônico ou tradicional– pela tarde. “Não responde todas as mensagens porque já lhe custa muito falar, mas as pessoas as mandam, cheias de carinho, sem esperar uma resposta. São quase como uma deferência”, acrescenta Ivo.
Assim, meio custodiado e meio mistificado, faz aniversário esta semana um dos homens espanhóis mais admirados do mundo católico. Em sua casa de sempre em São Félix do Araguaia, um município de pouco mais de 10.500 habitantes ao qual só se chega depois de 16 horas de estrada de terra desde o aeroporto mais próximo, o de Cuiabá, capital do Mato Grosso. Aqui se encontra este sacerdote de Montjuïc desde que chegou ao Brasil como missionário em 1968, fugindo de uma Espanha congelada pelo franquismo. Em 1971 foi nomeado primeiro bispo da diocese e converteu sua casa, pequena, rural e pobre, na sede.
Foi entre essas quatro paredes que Casaldáliga começou a dar mostras de sua espetacular adesão aos ensinamentos do Evangelho, sobretudo o de se identificar com os mais desfavorecidos. E neste lado do Brasil selvático os mais desfavorecidos são centenas de milhares de camponeses sem-terra, pobres, analfabetos e oprimidos por coronéis e políticos. Assim, ele rezava missa para os moradores no quintal de sua casa, entre as galinhas, e à noite, deixava sua porta principal aberta para o caso de alguém sem casa precisar usar uma cama que sempre estava disponível. Andava de jeans e chinelos e tinha duas mudas de cada roupa. Quando tinha que se reunir com o Episcopado em Brasília, ia de ônibus, em uma viagem de três dias, porque era o meio de transporte de sua gente. Seu lema era inegociável: “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar”.
Anos depois se lembraria de como no início, em sua diocese, “faltava tudo: em saúde, educação, administração e justiça; faltava, sobretudo, no povo a consciência dos próprios direitos e a coragem e a possibilidade de reclamar”. Decidiu que esse era o caminho a seguir. Construiu escolas, ambulatórios e se colocou ao lado dos camponeses sem-terra. Foi acusado repetidas vezes de interessar-se demais pelos problemas “materiais” dos pobres. Ele respondia que não concebia “a dicotomia entre evangelização e promoção humana”.
Essas ideias progressistas lhe renderam seguidores que o cultuavam nas ruas e um ódio desenfreado em várias instituições. Ele se posicionou em favor dos indígenas da Amazônia, que para os interessados em se enriquecer eram os mais fáceis de expulsar de cada território: aliou-se aos xavante de Marãiwatsédé para retirar grandes produtores rurais de suas áreas e aos tapirapé e os carajá, e isto o levou a se confrontar com os latifundiários e as multinacionais e a ditadura militar. Viu como pistoleiros matavam seus companheiros –a conclusão habitual dos conflitos nesta região– e ele mesmo teve que viver escondido em um mês de 2012 por ameaças de morte. Rejeitou andar com escolta: “Eu a aceitarei quando for oferecida também a todos os camponeses de minha diocese ameaçados de morte como eu”, disse.
O Vaticano o convocou em 1988 para que desse explicações por tanta proximidade da teologia da libertação e para que visitasse o Papa João Paulo II, como deveria ter feito uma vez a cada cinco anos, segundo o Código do Direito Canônico. Apresentou-se em camisa, sem anel e com um colar indígena no pescoço. Esclareceu ao Pontífice: “Estou disposto a dar minha vida por [São] Pedro [fundador da Igreja Católica], mas pelo Vaticano é outra coisa”. Ao sair do encontro, fez um resumo à imprensa: “Me escutou e não me deu uma reprimenda. Poderia ter feito isso, como nós podemos também fazer com ele”. E ponderou: “O Espírito Santo tem duas asas e a Igreja gosta mais de cortar a da esquerda”.
Em 2003, Casaldáliga completou 75 anos, idade a partir da qual um bispo pode se aposentar. O Vaticano o substituiu de imediato. “Se o bispo que me suceder desejar seguir nosso trabalho de entrega aos mais pobres, eu poderia ficar com ele como sacerdote; do contrário, procurarei outro lugar onde possa terminar meus dias ao lado dos mais esquecidos”, insistiu então. Se a pressa se devia a que fora fácil encontrar um substituto, não deram nenhuma indicação disso. Não voltaram a se manifestar até janeiro de 2005, quando anunciaram que já tinham substituto e que Casaldáliga deveria abandonar a diocese. Ele se negou e ficou trabalhando, com seu substituto e depois com o seguinte.
Pedro Casaldáliga faz 90 anos na casa de sempre e no município de sempre, mas o restante não é o de sempre. A região do Araguaia se transformou, entre escândalos políticos, em uma das principais áreas de plantações de soja do Mato Grosso: ou seja, parte das terras dos indígenas e dos camponeses está nas mãos das grandes produtores agrícolas e de seus produtos químicos. Talvez não se possa fazer nada contra isso. Casaldáliga perdeu essa batalha. Mas quando uma pessoa dedicou sua vida inteira à luta, ganhar ou perder é secundário.

O elenco do Paissandu encerrou, na manhã desta sexta-feira (16), a preparação para o duelo contra o Parauapebas, que será amanhã, pela sexta rodada do Parazão 2018. Antes da viagem para o sudoeste do Estado, o técnico Dado Cavalcanti comandou um último trabalho tático, na Curuzu.
A atividade desta manhã iniciou ainda nos vestiários, com um circuito funcional. Em seguida, o grupo subiu para o gramado, onde o treinador bicolor dirigiu uma rápida movimentação tática, utilizando todo o campo de jogo, durante aproximadamente 30 minutos.
Após a atividade principal, uma parte do grupo foi liberada, enquanto os demais realizaram um exercício específico em campo reduzido. O Papão deixou Belém no começo da tarde, rumo a Parauapebas, onde tem chegada prevista para 16h15.
Neste sábado, Parauapebas e PPSC se enfrentam no estádio Rosenão, às 16h, na abertura do returno do Campeonato Paraense. (Com informações da Ascom PSC; imagem – Jorge Luiz)
À beira da extinção, informação e curtição sem perder o sinal do Wi-Fi.
futebol - jornalismo - rock - política - cinema - livros - ideias