A frase do dia

“A roubalheira tucana é de tal monta e a impunidade de suas lideranças tão indecente, que nos permitimos não comentar os últimos eventos no metrô e no Rodoanel. Como diria o não menos indecente prefake: cansamos.”

Palmério Dória, jornalista e escritor

Bate-papo no boteco virtual: Bragantino x Remo

Campeonato Paraense 2018 – 6ª rodada

Bragantino x Remo – estádio São Benedito, em Bragança, às 16h

destaque-696x392

Na Rádio Clube, Valmir Rodrigues narra; Rui Guimarães comenta. Reportagens – Paulo Caxiado, Valdo Souza. Banco de Informações – Adilson Brasil

Nas ondas do Timão Campeão

27971551_1631664060247528_1335752516752952364_n

Com Paulo Sérgio Pinto, Samuel Vale e Adilson Brasil (à esq.) na jornada especial de Parauapebas x Paissandu, sábado à tarde, nos estúdios da Rádio Clube.

A censura à Tuiuti, a intervenção e o ódio de Temer ao Rio e ao Carnaval

vampirao-tuiuti-600x399 (1)

Por Kiko Nogueira, no DCM

A difícil dissociar a açodada decisão de intervir no Rio de Janeiro da humilhação sofrida por Michel Temer no Carnaval. A admissão do estrago causado pela Tuiuti à imagem de um governante patético, absolutamente desprezado pela população, veio na forma de censura.

De acordo com a direção da agremiação, emissários da presidência da República pediram à Liga Independente das Escolas de Samba, Liesa, que impedisse a participação do “Vampirão Neoliberalista” no desfile das campeãs, no sábado, dia 17.

Ele acabou se apresentando, mas depois de uma concessão: tirou a faixa presidencial. Entrevistado pela Mídia Ninja pouco antes de entrar na Sapucaí, o professor de História Léo Moraes, que interpreta o personagem, foi evasivo.

Primeiro, afirmou que estava aguardando que lhe trouxessem o adereço. Depois de algumas conversas com colegas, ao pé do ouvido, afirmou que o “perdeu”.

Chegou a negar que estivesse retratando Temer e que sua fantasia  “representa um sistema”. No final, Moraes foi orientado a retirar a maquiagem rapidamente, ali mesmo na dispersão.

Mas o problema não era o PeTê bolivariano?? Tidizê… 

Em busca de respostas

esquerdinha_jayme_felipemarques

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo tem pela frente um desafio neste domingo contra o Bragantino que não teria maior importância se o time não carregasse o peso da eliminação na Copa Verde. No Parazão, a campanha azulina é satisfatória, dentro das expectativas. O problema para Ney da Matta e seus comandados é a necessidade de reagir e mostrar que o time é merecedor de confiança.

Ocorre que as aspirações do torcedor nem sempre se coadunam com os projetos dos técnicos. Seres especiais, os treinadores são capazes de marchar abraçados a uma ideia, mesmo que isso signifique subir ao cadafalso. Marquinhos Santos foi defenestrado do PSC após desafiar a paciência do torcedor com um esquema retranqueiro e que só o próprio técnico entendia que podia vir a dar certo.

Depois da desastrosa atuação frente ao Manaus, o Remo voltou aos treinos e Ney da Matta deu a entender que a prioridade é o jogo decisivo pela Copa do Brasil contra o Internacional, na próxima semana. Ora, por mais que a lógica contemple essa maneira de pensar, é preciso entender que um clube de massa não tem prioridades, tem obrigações.

O Remo, que já frustrou o torcedor com a queda diante do Manaus, não pode mais tropeçar daqui para a frente. Esgotou a cota de erros. Contra o Bragantino, não está em jogo a colocação no campeonato estadual, mas a necessidade de dar uma resposta imediata às cobranças da torcida.

Caso a comissão técnica não consiga entender isso, seguramente não está preparada para a complexa missão de comandar um time extremamente popular e que não pode se contentar com planos e metas. Torcedor tem pressa, cobra resultados pontuais e não é sereno o suficiente para entender que a Copa do Brasil pode de fato ser o caminho da redenção.

Para que a massa se tranquilize será preciso ter força e determinação em todos os jogos, válidos pela Copa BR ou pelo Parazão. A torcida só não aceita é a entrega passiva, o descompromisso e a ausência de luta.

bol_dom_180218_15.ps

Contra o esforçado Bragantino, o Remo não estará cumprindo tabela. Será submetido a um teste rigoroso, sob a atenta observação do torcedor, que vai avaliar com frieza se a equipe é digna de confiança para enfrentar o Inter.

Ney da Matta e seus auxiliares precisam entender que a tese de priorizar o jogo contra o Inter não pode ser imposta à torcida. O discurso vale como estratégia interna, mas terá que ser deixado de lado na hora em que a bola rolar no estádio de Bragança.

Os muitos erros exibidos contra o Manaus esgotaram a paciência do torcedor e não serão mais aceitos caso se repitam diante do Bragantino. Nos vestiários do Mangueirão, pelo menos três jogadores repetiram o argumento de que não se pode considerar um time assaz maravilhoso quando vence, nem tão terrível nas derrotas. Entendem que deve haver equilíbrio tanto nos elogios quanto nas cobranças.

A conversa é até bem construída e pode funcionar em sessões de autoajuda, mas não convence quem olha futebol com paixão e conhecimento. No mandamento das arquibancadas, jogar mal é até perdoável, mas perder sem esboçar luta é execrável. Por isso mesmo, o Remo não pode se dar ao luxo de repetir a frouxa atuação de quarta-feira.

—————————————————————————————–

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, com as participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. O programa começa às 21h, na RBATV, com a análise e os gols da rodada do Parazão.

——————————————————————————————–

Na pré-Seleção de Tite, unanimidades e incertezas

Da pré-lista de 15 selecionados para a Copa, divulgada por Tite na sexta-feira, alguns nomes são mais do que óbvios e inquestionáveis: Neymar, Marcelo, Daniel Alves, Paulinho, Casemiro, Gabriel Jesus, Coutinho e Renato Augusto.

Ao mesmo tempo, os goleiros não inspiram a confiança que o torcedor gosta de ter quando o assunto é Copa do Mundo. Alisson é aposta do treinador, mas nunca passou confiança e mereceu unanimidade. Ederson, menos ainda.

No meio-campo, Fernandinho é um caso que desafia a lógica. Protagonista (ao lado de Dante e David Luiz) do vexame histórico contra a Alemanha em 2014, conseguiu ficar no escrete com as bênçãos de Tite. Talvez tenha assegurado a vaga pela incrível capacidade de sobrevivência, mas não tem técnica e regularidade que justifiquem a escolha.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 18)

Análise certeira sobre a teatral intervenção militar no Rio

https://www.youtube.com/watch?v=kYOlF18MoKY

Na estreia de Dado, Papão reencontra caminho da vitória

https://www.youtube.com/watch?v=oYWwOveOP04

Editorial do Estadão esculhamba Golpe da intervenção

W7O802Un

Em editorial, o jornal “O Estado de São Paulo” critica o decreto de intervenção militar no Rio de Janeiro:

UMA INTERVENÇÃO INJUSTIFICÁVEL

Não há razão objetiva que justifique a intervenção federal, restrita à segurança pública do Rio de Janeiro, decretada pelo presidente Michel Temer. A situação daquele Estado no que diz respeito ao crime organizado e à violência urbana não se tornou calamitosa de um dia para o outro, a ponto de demandar uma medida tão drástica exatamente agora, a poucos dias da esperada votação da reforma da Previdência, que, por força de determinação constitucional, não poderá ser realizada em razão da intervenção. Temer garante que os efeitos do decreto serão suspensos apenas para a votação, mas essa manobra certamente receberá inúmeras contestações judiciais e são imensas as possibilidades de o feitiço voltar-se contra o feiticeiro.
Ainda que se concluísse que a intervenção era mesmo necessária, é difícil compreender por que não se poderia esperar até depois da votação daquela reforma, pois não há notícia de ameaça iminente à ordem pública – apenas a rotineira violência das balas perdidas, dos morros conflagrados e dos assaltos a turistas. E se dizemos que a violência é rotineira é porque o desgoverno do Rio e a corrupção que corrói o aparelho do Estado de alto a baixo fizeram do horror o cotidiano daquela população.
Essa violência é intolerável, mas não será a intervenção federal que resolverá o problema. A segurança não é uma questão isolada, e sua degradação no caso do Rio é resultado de uma combinação de muitos fatores – irresponsabilidade administrativa, conivência com o crime organizado, corrupção generalizada, franqueamento do Estado a delinquentes de toda espécie e apatia social. Logo, intervir só na segurança pública até 31 de dezembro deste ano, como estabelece o decreto, tocará apenas na superfície do problema. Pode-se até alcançar alguma forma de trégua com o crime organizado nesse período, mas será algo apenas ilusório, pois todos os demais elementos que conduziram a esse estado de coisas permanecerão intocados. Desde o infeliz governo de Chagas Freitas há tréguas periódicas com os bandidos e o resultado é um só: quando os bandidos voltam a ser bandidos – pois mocinhos parece que lá não há –, o nível de violência aumenta, sempre acima do anteriormente registrado.

Para ter eficácia, a intervenção deveria atingir todos os setores da administração do Estado, mas esse enorme ônus político o presidente Temer não parece disposto a assumir. Mesmo limitada à segurança pública, a intervenção fará o quê? Depurará a própria polícia, tomada pelo crime organizado? Formará e treinará policiais honestos para substituir a súcia que se associou ao crime e hoje é sua linha auxiliar? Resolverá tudo isso em dez meses? 
Há também o risco de que militares destacados para a missão no Rio se envolvam com o crime organizado. Esse é um risco sempre lembrado. Muitos deles são moradores dos morros do Rio em que deverão atuar e podem ser aliciados pelos narcotraficantes, como já advertiram autoridades. Ademais, o próprio uso das Forças Armadas para realizar a segurança pública é “desgastante, perigoso e inócuo”, como disse o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, no ano passado. Não houve um único caso de sucesso desse tipo de ação, e não há razão para acreditar que agora será diferente.
É improvável que ninguém no governo tenha levantado pelo menos uma dessas objeções nas discussões que desembocaram no decreto de intervenção. Sendo assim, é lícito perguntar quais os reais motivos por trás da decisão de Temer. 
A primeira conclusão a que se pode chegar, considerando o timing, é que o presidente precisava criar condições para abandonar a reforma da Previdência, em razão das dificuldades evidentes de aprová-la. Com o imbróglio jurídico que o decreto certamente causará, Temer não teria o desgaste de um revés no Congresso. Há mesmo quem fale – e fala-se de tudo – que o presidente pode ter pretendido transformar a derrota em vitória política, talvez com vista à reeleição.
O fato é que, ao explorar um dos temas mais caros aos brasileiros – a segurança pública – e ao adotar um tom de comício na assinatura do decreto, dizendo que “nossos presídios não serão mais escritórios de bandidos nem nossas praças serão salões de festa do crime organizado”, o presidente dá margem a que se desconfie que, em ano eleitoral, o governante que pretendia ser reconhecido como reformista deixou-se seduzir por um atalho sombreado.