Por Luis Nassif
Já se tem o resultado parcial da Copa: reconhecimento geral – da imprensa nacional e internacional – que é uma Copa bem organizada, com estádios de futebol excepcionais, aeroportos eficientes, sistemas de segurança adequados, logística bem estruturada e a inigualável hospitalidade do povo brasileiro.
Vários jornais (internacionais) já a reconhecem como a maior Copa da história.
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Agora, voltem algumas semanas atrás, pouco antes do início da Copa.
A imagem disseminada pela imprensa nacional – era a de um fracasso retumbante. Por uma mera questão política, lançou-se ao mundo a pior imagem possível do Brasil. O maior evento da história do país, aquele que colocou os olhos do mundo sobre o Brasil, que atraiu para cá o turismo do mundo, foi manchado por uma propaganda negativa absurda. Em vez das belezas do país, da promoção turística, do engrandecimento da alma brasileira, da capacidade de organização do país, os grupos de mídia nacionais espalharam a imagem de um país dominado pelo crime e pela corrupção, sem capacidade de engenharia para construir estádios – justo o país que construiu duas das maiores hidrelétricas do planeta -, com epidemias grassando por todos os poros.
Um dos jornais chegou a afirmar que haveria atentados na Copa, fruto de uma fantasiosa parceria entre os black blocks e o PCC. Outro informou sobre supostas epidemias de dengue em locais de jogo da Copa.
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O episódio é exemplar para se mostrar a perda de rumo do jornalismo nacional, a incapacidade de separar a disputa política da noção de interesse nacional. E a falta de consideração para com seu principal produto: a notícia.
Primeiro, cria-se o clima do fracasso.
Criado o consenso, abre-se espaço para toda sorte de oportunismos. É o ex-jogador dizendo-se envergonhado da Copa, é a ex-apresentadora de TV dizendo que viajará na Copa para não passar vergonha.
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Tome-se o caso da suposta corrupção da Copa. O que define a maior ou menor corrupção é a capacidade de organização dos órgãos de controle. O insuspeito Ministério Público Federal (MPF) montou um Grupo de Trabalho para fiscalizar cada ato da Copa, juntamente com o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União. O GT do MPF tornou-se um case, por ter permitido economia de quase meio bilhão de reais.
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Antes da hora, é fácil afirmar que um estádio não vai ficar pronto, que um aeroporto não dará conta do movimento, que epidemias de dengue (no inverno) atingirão a todos, que os turistas serão assaltados e mortos. Fácil porque são apostas, que não têm como ser conferidas antecipadamente.
Quando o senhor fato se apresenta, todos esses factóides viram pó.
A boa organização da Copa não é uma vitória individual do governo ou da presidente Dilma Rousseff. É de milhares de pessoas, técnicos federais, estaduais e municipais, consultores, membros dos diversos poderes, especialistas em segurança, trânsito, empresas de engenharia, companhias de turismo, hotelaria.
E tudo isso foi jogado no lixo por grupos de mídia, justamente os maiores beneficiários. Eram eles o foco principal de campanhas publicitárias bilionárias, sem terem investido um centavo nas obras. Pelo contrário, jogando diuturnamente contra o sucesso da competição e contra qualquer sentimento de autoestima nacional.
Nassif tem razão. A copa começou como um fracasso antecipado e, curiosamente, quem deveria colaborar para o seu sucesso, jogou contra. Um tiro no pé. Pra não ficar mais feio, a copa voltou a ser tratada como copa. E o povo voltou a tratar o Brasil como Brasil. É lamentável que nosso país ainda seja visto como um conjunto de capitanias hereditárias pelos velhos políticos e a imprensa caduca.
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Nem oito, nem oitenta. A copa vem sendo no Brasil, o que sempre foi nos demais países onde o evento ocorreu: uma festa para cujo sucesso muito sacrifício foi feito; um evento onde os organizadores privilegiam o que deu certo, escondendo os problemas e os detratores, minimizam o que dá certo e maximizam os problemas. Demais disso, como pode ser um fiasco um evento em que o pais sede investe bilhões de reais e a entidade organizadora obtém isenções nunca dantes experimentadas no país para situações desta natureza. De todo o modo não se pode esquecer de creditar expressiva parte do que deu certo e do que não deu muito errado durante o evento aos “pontapés no traseiro” prometidos e efetivamente dados pelo Jerome Valcke. (1)
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Nem oito nem oitenta…
A Copa do Brasil vem reproduzindo o padrão FIFA, com a alegria do povo brasileiro incrementando a festa. Todavia houve falhas que não podemos mascarar como a ausência dos hinos no primeiro jogo da França e o péssimo gramado da Arena da baixada (em termos de Copa)… Se formos analisar os aspectos externos também há coisas a serem registradas como o quebra-quebra provocado por torcedores argentinos e chilenos em bares de Porto Alegre e Belo Horizonte. Penso que a polícia deveria ter agido com mais firmeza… Todavia, nada que tire o brilho da Copa…
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Outra coisa que eu já escrevi, mas que não custa repetir: não basta ao governo gastar desmesuradamente em coisas que não são prioritárias, enganando a populacao a quem disse que não haveria gasto de dinheiro publico. Eles ainda exigem que não haja críticas e que todos embarquem na propaganda eleitoreira e megalomaníaca de maior isso, maior aquilo, maior aquilo outro.
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Sobre a incapacidade de separação da disputa política da noção de interesse nacional, que é uma assertiva verdadeira, cumpre registrar que os primeiros a fazer isso são o governo e seus apoiadores, principalmente os da mídia. Afinal, eles querem ou não querem faturar politicamente com o evento que tão generosamente patrocinam e propagandeiam.
A copa sempre foi benvinda apesar dos problemas pelos quais passa a país, desde que fosse nos moldes de financiamento prometidos pelo governo, garantido o legado e sem expulsar alguns brasileiros de suas casas para ajoelhar-se para a fifa.
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Relativamente à suposta corrupção, interessante é o eufemismo nassifiano: ‘o GT criado pelo MPF permitiu a economia de mais de meio bilhão’.(4)
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Por fim, os maiores beneficiários da copa, os autenticos, os verdadeiros, foram a FIFA que a organizou sem nada gastar,que nada e os governantes que sob a mão de ferro da organizadora, executou o plano organizacional, inclusive do ponto do vista do financiamento, isso com dinheiro que não lhe pertencia.
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Mas o papel da FIFA é esse, caro Antônio, os estádios vão ficar, um Brasil que muitos desconheciam, vai ecoar no mundo e etc…
Guardadas as devidas proporções, a nossa FPF que faz um trabalho porco aqui, organiza um campeonato, sem gastar nada e ainda tira dos clubes.
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Mas, Edson, se a FIFA ainda pretendesse levar os estádios e o governo brasileiro ainda desse um jeito de realizar tal pretensão, aí parente, seria o cúmulo.
E já que tocas no assunto fpf, nota que esta não está longe do padrão fifa, afinal, em Natal também faltou aquele documento que nos e tão familiar, o tal laudo.
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