Aventuras jornalísticas na Amazônia

Na cobertura do naufrágio do barco Novo Amapá, que vitimou mais de 490 pessoas na costa amapaense, em 1981, este escriba baionense – então repórter do jornal O Liberal – teve a oportunidade de trabalhar conjuntamente com grandes profissionais, como o repórter Douglas Dinelly (da TV Liberal) e dos fotógrafos Cândido Sodré, Eurico Alencar e Euclides “Idi Amin” Squires, de A Província do Pará. Squires, por sinal, acabaria sendo uma das vítimas daquela reportagem, morrendo em acidente aéreo sobre a ilha do Marajó quando voltava para Belém. O registro fotográfico acima é do desembarque em Macapá, ao lado do amigo Dinelly, de cujo arquivo veio a foto para a postagem no blog.

45 comentários em “Aventuras jornalísticas na Amazônia

  1. Não fosse pelo acidente, que como vc disse vitimou mais de 490 pessoas, diria: que imágem belíssima”.

    De qualuqer maneira, como sou um saudosista inveterado, não podia deixar de comentar e me deliciar sobre essa foto.

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    1. Amigo Cláudo, postei a foto por puro saudosismo e como forma de mostrar um pouco da minha carreira, da parte dela que me orgulho particularmente, que foi o período como repórter. Penso que um jornalista jamais deixa de ser repórter, até por reflexo. Até hoje, como meus heróis João Saldanha e Jânio de Freitas, gosto de me identificar profissionalmente como “repórter”. Acho que é mais revelador sobre a profissão que escolhi na vida.

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    1. Camarada Antonio, ainda tinha pernas e traquejo para chapelar incautos e aplicar chagões como meu pai José me ensinou lá em Baião. Hoje, porém, essas façanhas ficam só nos escaninhos da memória, mas já fiz meus estragos em campo hehe.

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  2. Fiquei surpreso.Não sabia que tinhas trabalhado no jornal que é hoje o seu rival.Então trabalhaste junto com o Lúcio Flávio que na época ainda matinha um bom relacionamento com os Maiorana.E o velho Maiorana era mais simpático que os seus filhos que assumiram todo o império da comunicação?

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    1. Amigo Rafael, comecei na redação da Gaspar Vianna esquina com a Primeiro de Março. Na verdade, entrei para O Liberal como datilógrafo, tempos em que se usava uma máquina elétrica, a IBM Composer. Era uma metralhadora nas teclas, o mais rápido gatilho do Oeste rss. Aos poucos, fui me enfronhando na redação, mandando textos, colaborações e ousei até fazer uns artigos de pé quebrado. Alguns companheiros jornalistas viram em mim algum talento e com extrema generosidade me indicaram ao diretor de Redação, Cláudio de Sá Leal, que aprovou minha contratação. A secretária de Redação era Ana Diniz, outra brilhante profissional. Vale dizer que a chance veio porque, de uma só tacada, o jornal havia perdido três baitas profissionais (Anselmo Gama, Antonio Natsuo e Agenor Garcia) para o recém-fundado “O Estado do Pará”, de Avertano Rocha. Aproveitei a oportunidade com a raça dos caboclos interioranos, pois era o que mais sonhava fazer, desde moleque em Baião. O pouco que sei devo a essas pessoas (Sá Leal e Ana Diniz) e a meu mestre Afonso Klautau, que anos depois me acolheria no Jornalismo da TV Cultura, onde complementei minha formação prática, absorvendo conhecimento e experiência em telejornalismo, outra grande paixão.

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    1. Squires era repórter e fotógrafo em tempo integral. Pelo corpanzil e as bochechas, lembrava um pouco o ditador de Uganda, daí o apelido aplicado por seus amigos de A Província do Pará. Ele era repórter policial e também assinava uma celebrada coluna sobre vida noturna, chamada “Em Dia com a Noite”. Grande cara, excelente papo, amigo dos amigos. Sentimos muito sua morte naquele trágico acidente.

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    1. Mesmo que comesse gostava de caminhar bastante, andava com prazer e isso deixava o físico assim nos trinques rss. Hoje, nesses tempos violentos, nem isso nos permitem mais, amigo Alberto.

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    1. Bem lembrado, amigo Edmundo. O diretor de Redação do Liberal era Cláudio de Sá Leal, um dos maiores profissionais com os quais já trabalhei. Sabia tudo de jornalismo, e mais um pouco. Homem incansável, apesar de fisicamente frágil. Bons tempos aqueles.

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    1. Tinha então 23 anos, amigo André. Além da barba e do cabelo ainda negros, do físico de garoto, ainda era um sujeito bem bicho-do-mato, muito mais do que hoje rss.

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  3. Gerson, vai uma pergunta:

    Como o Independente é clube novo, sem dívidas e com dirigentes que parecem ser mais responsáveis que os “administradores” que surgiram nos endividados REMO e Paisandu, garantiu quase R$ 500,000,00 para investir na infraestrutura do Clube, modernizando o Independente que já merece ser considerado mais que emergente.

    Nos Clubes da capital a Justiça do Trabalho vem cobrando valores que têm combalido a prática do futebol, Daí assistimos o que está posto.

    Pergunto: No atual regime de pagamentos das dívidas trabalhistas, há uma previsão de quando o montante descontado das receitas destes clubes pagará a totalidade das dívidas liberando nossos mais tradicionais entidades futebolísticas para investirem os valores de patrocínios e rendas em sua modernização?

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  4. Beleza Gerson, assim como já teve seu momento mágico onde o físico o ajudava em todos os sentidos, eu também já pude desfrutar dos mesmos encantos de ter o corpo nos “trinques” como você mesmo falou! kkkkkk

    – Quando olhamos para tráz e vemos que deixamos tanta coisa boa no passado, bate uma enorme sensação nostálgica na nossa vida, não acha Gerson?

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  5. Égua Gerson, que foto bacana… a segunda metade do século XX, principalmente seu último quarto de século, está ficando assim mesmo: cada vez mais no compasso e nos escaninhos da memória e impresso em imagens em P&B.

    João Saldanha como fonte inpiradora e herói Gerson? Égua, é pra balançar o coreto hein!?

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    1. Exatamente, amigo Edmundo. Da última vez que tive notícias dele, o Garcia trabalhava em Marabá e região. Imagino que continue por lá.

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  6. Tenho certeza de que você tem ainda grandes momentos a presenciar amigo,e um deles eu espero ve-lo cobrindo façanhas de nossos clubes no cenário esportivo brasileiro,mas na moda atual,e sem essa de boca de sino rss !

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  7. Não sei por que a informação sobre as atividades do Gerson e do Lúcio em outras redações causaram suprezas. Temos a atrofiada mania de misturar as coisas para depois confundi-las.

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  8. Sinceramente amigo anônimo não sei o porquê da tua “revolta.Simplesmente não sabia que o Gerson havia trabalhado em O Liberal.Mas para falar a verdade não entendi o que quiseste dizer no teu pensamento,confesso que confudiste as coisas para mim rsrsrsrsrs…

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  9. Gérson,meu pai também era bem magrinho,nessa época …kkkk Brincadeiras à parte,recordar é viver… Lembranças boas devem sempre vir à tona,independente do tempo que ocorreram …

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  10. Amigo baionenese ilustre com certeza lhe deram oportunidade por que voce tem um belo texto sim.
    Elogio sua capacidade de escrever de forma a embelezar a mensagem.Certamente seus recursos verborrágicos lhe abriram as portas para concretizar seu sonho de ser profissional do jornalismo.Parabéns.
    Peço perdão aos amigos porque estou meio ausente e longe dos debates virtuais,mas é que estou trabalhando muito e hoje tenho uma programação com a família.Surpreendi-me com o placar do jogo do Cametá , foi um jogão abrilhantado com muitos gols ou foi um joguinho ruim tipico de pelada em que todo mundo faz gol?Bom final de semana a todos os amigos.Jesus nos abençoe.

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    1. Obrigado, amigo pastor. E você tem razão: surpreendentemente positivo o placar desse jogo em Cametá. Prova insofismável de que são dois times que jogam ofensivamente, buscando a vitória. Só por terem essa filosofia já merecem nossos aplausos.

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  11. Caro Gerson,

    Sampleando pela rede, me deparei com uma pergunta de Edmundo Neves a respeito do meu paradeiro. Pois é, estou em Marabá. Sua matéria a respeito do naufrágio do Novo Amapá fez história, pela qualidade do texto, e pela dor que todos sentimos quando o Squires morreu naquele infeliz acidente. Mas reportagem boa mesmo, dentre tantas outras que assinaste, foi feita em Marituba, pelos detalhes, pelo texto preciso e pela montanha de informações que chegaram à redação naquela tarde. Voce, ficou encarregado de cobrir a chegada do Papa ao local onde haveria o encontro de João Paulo II e um interno da colônia. Eu, a cobertura da oração e a estada dele na capelinha do leprosário. Destes um show naquele dia. E nós, todos vestidos de terno e colete, que o RM mandou comprar numa loja da Santo Antonio. Naquele calorão, suávamos em bicas.Tudo por exigência do protocolo do Vaticano que nos selecionou para cobrir o evento. Tá lembrado. Pois é, baita repórter é voce, que além disso, sempre foi um grande caráter daquela competente redação da Gaspar Viana.
    Grande abraço, do amigo e colega
    Agenor Garcia
    jornalista e Gestor Ambiental. Marabá-Pa.

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    1. Amigo Garcia, que alegria reencontrá-lo, depois de tantos anos. Saudades daqueles tempos bacanas, de tantas descobertas e amigos de verdade, como você. De fato, você tem razão quanto ao impacto (em todos nós) daquela cobertura do barco Novo Amapá. Imagine aquilo na cabeça de um foca como eu naquele momento. Estava aprendendo os macetes do ofício observando repórteres que admirava, como você e Antonio Natsuo. Fui pego meio às pressas pra ir fazer a pauta, uma das mais difíceis de toda a minha vida de repórter. Quanto à visita de João Paulo II, foi outro trabalho marcante, mas o amigo é generoso em repassar-me tantos méritos naquela cobertura. Todos (incluindo você e o nosso saudoso Pedro Pinto – lembra da Coca-Cola??? rsss) trabalhamos muito bem, talvez inspirados pelo acontecimento histórico. Lembro que ficamos a alguns passos do Papa e daquele bispo pilantra, Paul Marcinkus. Nosso motorista era o José Santos, que anos depois foi vítima daquele acidente trágico, vitimado por descarga elétrica juntamente com a repórter Cristina Uchoa. Que baita equipe era aquela na redação da Gaspar Viana, hein, meu amigo? É muito bom termos histórias legais pra recordar, acrescentam valor ao trabalho de tantos anos. Fico imensamente feliz que tenha visitado este espaço de discussão de ideias. Apareça mais vezes, por favor. Forte abraço, do amigo, colega e admirador.

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  12. Caro Gerson,
    A alegria é toda minha. Estamos aí. Aqui em Marabá, trabalhei com os prefeitos Haroldo Bezerra, Geraldo Veloso e Tião Miranda, na assessoria de comunicação. Hoje, trabalho com “frilas” na área de jornalismo e cerimonialismo que de vez enquando aparecem. Fiz curso de Ambientalismo e estou pós graduando em Docência para o Ensino Superior. Estou às ordens aqui em Marabá, para qualquer missão jornalistica no sul-sudeste. Tá?
    Sumano, o Zé Preto não morreu naquela não. Mas ficou mais pretinho, tenho certeza. Fiz a matéria, depois, naquela tarde chuvosa. Foi triste.. O Zé Santos, ele se aposentou em O Liberal, ele, o Beto e o Tamaquaré, tá lembrado?
    Grande Abraço,
    Garcia.

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    1. A vida vai afastando a gente, tomamos outros caminhos, mas o importante é que a amizade permanece, meu camarada. Vou verificar o que podemos fazer por aí com a participação do amigo. O jornal está expandindo e tentando chegar a todas as regiões. Quanto ao nosso Santos, ainda bem ele está vivinho aí pra contar a história, graças a Deus. Grande figura humana. O Beto era um verdadeiro piloto das madrugas, levando o pessoal em casa. Todo mundo ficava de coração na mão quando ele pegava o rumo ali da Dr. Freitas ao volante de uma Kombi já meio castigada rss… Abraços.

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