Hora de dar as cartas

Por Gerson Nogueira

Contra o São Francisco, na manhã deste domingo, o Paissandu vai sinalizar ao torcedor o que quer neste campeonato. Ao longo do primeiro turno, ficou no ar a impressão de que a prioridade não era a conquista do Parazão. Idéia reforçada pelo aproveitamento radical de jovens revelados no próprio clube e a efetivação de um técnico da base.
Chegou a hora de o Paissandu mostrar que está, sim, na luta para retomar o título estadual, perdido para o Independente no ano passado. A chegada de reforços indica que o campeonato não saiu dos planos, ainda que não seja prioridade absoluta em 2012. Nesse sentido, a vinda de Adriano Magrão e o retorno de Tiago Potiguar contribuíram para animar o torcedor, que andava meio sorumbático com as coisas.
A estréia em Cametá não chegou a representar uma frustração. Teve até aspectos positivos, como as atuações de Jairinho, Cariri, Leleu, Potiguar e do próprio Magrão. Com alguns ajustes na parte tática e mais entrosamento, o time poderá afastar-se da parte inferior da tabela de classificação e finalmente entrar pra valer na competição.
Superar o São Francisco é essencial para confirmar essas intenções. A missão será dificultada pelo bom momento da equipe santarena, que estreou com vitória no clássico contra o São Raimundo.
Mesmo que a torcida não compareça em peso, a Curuzu sempre contribuiu para injetar ânimo e empurrar o Paissandu a grandes vitórias. Não deve ser diferente desta vez, até porque o torcedor sabe que é chegada a hora de reagir no campeonato. Um torneio de tiro curto não permite tropeços e vacilações, principalmente dentro de casa.
Além de tudo isso, a notícia de que a parceria com a firma RC3 está sacramentada, com promessas de tempos mais gloriosos, é um ingrediente e tanto para levantar de vez o astral bicolor no Parazão.
 
 
Não há mudança técnica na escalação do Remo para enfrentar o São Raimundo, neste domingo no Barbalhão. Só Aldivan, suspenso, não joga. Importante notar que o técnico Flávio Lopes repete o trio de meio-campistas (André, Jhonatan e Betinho) que garantiu a primeira atuação convincente no campeonato, na última terça-feira, em Marabá. Com isso, é mantida a estratégia de ter Cassiano em duas funções, como falso ponteiro e quarto homem do meio-de-campo.
Por outro lado, a derrota no Rai-Fran deixou profundas seqüelas no Pantera, a começar pela destituição do técnico Nildo Pereira. Ingredientes mais do que suficientes para tornar o jogo desta tarde uma batalha e tanto.
 
 
O silêncio ensurdecedor que se seguiu à divulgação da carta do auditor André Oliveira, ex-presidente do TJD, na coluna de sexta-feira, confirma a alienação (ou conivência) que impera nos clubes acerca de assuntos de seu interesse direto. Entre outras afirmações graves, Oliveira denuncia que o tribunal é um apêndice da Federação Paraense de Futebol e questiona a transparência de suas decisões. Nada que não soubéssemos, mas agora dito de forma clara por um auditor da corte.
Caso tivessem independência e altivez, os clubes deveriam se unir para combater energicamente essa relação promíscua entre Justiça Desportiva e FPF, danosa, sob todos os pontos de vista, ao futebol paraense. Pelo visto, porém, tudo continuará na mesma, sem consequências. 
 
 
O Urucubarca, simpática agremiação peladeira da Marambaia, festejou na última sexta-feira o 18º aniversário de seu maior craque, o lateral-direito Felipinho. Em mensagem, os baluartes da equipe garantem que o jovem boleiro desfila um futebol refinado e competente. Merecedor, segundo eles, de oportunidade num dos grandes da capital.
Apesar de insistentes tentativas nesse sentido, Felipinho até hoje não teve chance de mostrar suas qualidades num clube profissional. Sem opção, vai seguir exibindo seu repertório de dribles nas peladas do Urucubarca, mas o futebol paraense pode estar desperdiçando um grande talento.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 4)

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