
Por Gerson Nogueira
Pelo equilíbrio reinante, o empate foi o resultado mais natural para o que fizeram Cametá e Paissandu, ontem, no Parque do Bacurau. É preciso considerar, antes de qualquer coisa, que o campeão do turno jogou com um time cheio de reservas na defesa e sem o meio-de-campo titular. Sentiu principalmente as ausências de Tonhão, Soares, Ratinho e Ricardo Capanema.
Esses desfalques fragilizaram o Cametá, mas, apesar disso, o Paissandu não soube tirar partido da situação. Por uma razão simples: falta arrumação tática e o time não cumpre um planejamento objetivo em campo. Na parte técnica, os jogadores até estão bem, mas têm dificuldades para executar tarefas, talvez porque nem saibam o que o técnico quer exatamente.
Quando o Paissandu tem a bola dominada, parece faltar sempre um elo entre os jogadores, algo que faça com que ajam de maneira organizada, em conjunto. No primeiro tempo, diante da correria sem rumo do Cametá, ninguém sabia como reagir. Nem mesmo as chances de contra-ataque eram aproveitadas, pois as bolas eram rifadas e faltava agressividade na frente.
Em meio a essa barafunda, o estreante Adriano Magrão até se saiu bem. Discreto, limitou-se a fazer o papel de pivô na área, na falta de outras opções de jogada. Com a entrada do ágil Leleu no 2º tempo, explorando o cansaço dos cametaenses, até apareceram oportunidades, mas aí faltou competência para acertar o gol de Ângelo.
Mesmo vigiado de perto, Bartola continua veloz e driblador, mas suas qualidades precisam funcionar mais em favor do time. Jairinho esteve bem, mas Robinho, escondido do jogo, não foi o parceiro ideal para Cariri, o mais produtivo (e sacrificado) dos meio-campistas. Quando Potiguar substituiu Robinho, o Paissandu melhorou e ganhou alternativa de escape pelo meio, criando logo três perigosas jogadas em sequência.
Do lado cametaense, Ângelo supriu bem a ausência do titular Evandro e Marcelo Maciel voltou a mostrar excelente grande forma. Não foi mais útil porque a bola raramente chegava a ele.
Resumo da ópera: o Cametá saiu conformado por ter jogado sem seis titulares e lutando contra o cansaço resultante da decisão de sábado em Marabá; e o Paissandu não lamentou o empate, pois o time ainda está em formação. Todos satisfeitos, mas a bola, coitada, sofreu bastante. (Fotos: THIAGO ARAÚJO/Diário)
O Paissandu tenta regularizar para o campeonato o meia Harrison, cuja documentação chegou fora do prazo legal de inscrições. Clube alega falha no sistema. A FPF consulta a CBF, esperando o aval da entidade para inscrever o jogador. Demais clubes acompanham atentamente a manobra, prontos para o devido esperneio. Em caso de validação, estará aberta a brecha para melar o Parazão no tapetão.
Jogo contra o Boavista, bola na área do Flamengo. Lateral-direito rubro-negro puxa a camisa do atacante adversário, que se desequilibra. O cruzamento vem da direita e o jogador do Boavista levanta o braço. A bola é desviada e engana o goleiro Felipe, que saiu catando coquinhos. Árbitro valida o lance, dando gol olímpico.
Mais confusa que toda a jogada foi a argumentação do comentarista de arbitragem Arnaldo César Coelho, ignorando o pênalti ocorrido antes do toque irregular na bola.
Insistiu até o fim que o penal não tinha qualquer relevância e que o gol foi irregular em função do toque de mão. No afã de justificar a tese, chegou a argumentar que o puxão na camisa é lance comum na grande área e que “nem todo árbitro marca”. Pode isso, Arnaldo?
“Das obras da Copa 2014, a Seleção é a mais atrasada”. A frase lapidar de Juca Kfouri resume tudo o que o povo pensa hoje do selecionado brasileiro.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 01)