As aventuras do Capitão fujão

Na calada da noite, Jair Bolsonaro foi à Embaixada da Hungria em Brasília pedir asilo. Passou dois dias lá, escondido e trêmulo, a fim de escapar de uma possível ordem de prisão. O episódio ocorreu no dia 12 de fevereiro, apenas quatro dias depois de ter seu passaporte retido pela Justiça. Numa comparação direta, Lula quando era ameaçado dia e noite de prisão por Sergio Moro e a gangue da Lava Jato jamais cogitou pedir asilo diplomático. Enfrentou com altivez seus algozes, acabou preso, cumpriu a pena e saiu da prisão para se candidatar e vencer (pela terceira vez) a eleição presidencial, em 2022.

Não há de fato como comparar personagens e biografias tão opostas quando Bolsonaro e Lula.

Um foi presidente do país após um governo maléfico, que não deixou saudades, pelo menos nas pessoas ditas normais. Pilotou um genocídio de mais de 700 mil brasileiros, impedidos de receber a vacina da covid-19 pela omissão dele e de seus ministros. Além dessa mancha eterna, Bolsonaro tramou um golpe de Estado para impedir a posse de Lula. É o responsável pela perseguição e o abandono das nações indígenas, pela devastação da Amazônia via garimpo e extração ilegal de madeira. Por isso, corre o risco de ser preso a qualquer momento.

Lula foi eleito em 2022 pela biografia e por representar as forças democráticas. Assumiu a presidência disposto a trabalhar pela reconstrução de um país devastado por seu antecessor, o que implica em buscar a pacificação após um governo que transformou a cultura do ódio em regra, a fim de dividir o país ao meio.

Nesta segunda-feira, 25, depois de divulgado vídeo de Bolsonaro na Embaixada pelo NY Times – que furou toda a mídia brasileira -, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu 48 horas para que o ex-presidente se explique sobre a suspeitíssima “hospedagem” na embaixada. Em função do episódio, pode ser decretada a prisão preventiva de Bolsonaro ou a determinação para uso de tornozeleira eletrônica.

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