Tudo gira em torno de uma bola

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Ex-jogadores que já participaram de várias Copas se encontraram no Rio de Janeiro nesta segunda-feira e disputaram animada partida de futevôlei em frente ao Posto 9, na praia de Ipanema. Cannavaro, Hoddle, Willcort, Wright, Poyet e Christian Vieri foram alguns dos participantes da brincadeira, prestigiada por dezenas de torcedores e curiosos. Apesar das dificuldades naturais para se equilibrar na areia, todos demonstraram habilidade e conseguiram arrancar aplausos da plateia.

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Aqui o jogo já começou

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Já no Media Center da Arena Castelão, em Fortaleza, para a cobertura de Brasil x México, às 16h. Ausência do jogador Hulk está confirmada no time, restando a dúvida sobre quem será o substituto. Ramires é a opção mais provável, embora circule a informação de que Felipão pode lançar William (Chelsea) para reforçar as ações ofensivas.

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Um adversário que já foi mais humilde

Por Gerson Nogueira

A notícia que concentrou atenções na véspera da segunda partida do Brasil na Copa foi a contusão de Hulk. A bem da verdade, um problema de menor importância e quem acompanha futebol (e a Seleção Brasileira) sabe disso. Perder Hulk não tem a importância estratégica que muitos tentam dar à história. Jogador mediano, atacante de estilo rude, sua utilidade está muito mais relacionada à capacidade de ajudar na marcação – vocação natural do atleta.

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Contra a Croácia, Hulk teve atuação apagada e sua saída no segundo tempo deu ao time uma consistência maior, principalmente no meio-de-campo, pois Ramires entrou com mais autoridade e ajudou a organizar o setor. A simples opção de Ramires, um volante, para substitui-lo dá bem a ideia de como Felipão vê o papel de Hulk na Seleção.

Chegará o dia em que todos concordarão comigo: Hulk é um zagueiro mal escalado no ataque. Sua vocação é defensiva, a começar pela facilidade para o trabalho de destruição.
Ao largo da falsa aflição pela contusão de Hulk, há a concreta preocupação com o animado México, que há várias Copas sonha em sair do pelotão dos azarões e adentrar no seleto clube dos grandes. Apesar das limitações, é um time formado por bons jogadores, principalmente na meia-cancha.
Geovane dos Santos, Guardado e Herrera são jogadores de boa técnica, capazes de criar problemas para zagas desavisadas. Herrera atua mais pelo lado direito, ajudando na construção de jogadas. Habilidoso, Guardado serve de escolta para Geovane, que muitas vezes aparece na área para finalizar, mas cuja função original é de aproximação com o artilheiro Peralta.
No ano passado, aqui mesmo em Fortaleza, o México foi derrotado pela Seleção Brasileira por 2 a 0. Há dois anos, em Londres, os mexicanos superaram a Seleção olímpica de Mano Menezes. Nas duas situações, muito equilíbrio e uma crescente confiança por parte deles. Os últimos cinco confrontos, com três triunfos brasileiros e dois mexicanos, atestam a evolução mexicana.
É contra esse time, que sonha com voos mais altos e em conquistar respeitabilidade no cenário mundial, que o Brasil tentará conseguir sua segunda vitória na Copa. Não parece um adversário historicamente temível, mas já inspira cuidados.
Em relação à Croácia, apresenta um contra-ataque menos perigoso, pois utiliza pouco as laterais. Mas, pelo centro do campo, pode ser envolvente. Por essa razão, a provável entrada de Ramires deve ajudar a compor a barreira de marcação – junto com Paulinho e Luiz Gustavo – para que Oscar possa transitar por ali sem a obrigação de vigiar os meias adversários.
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Portugal e CR atropelados pela Alemanha
A seleção de Portugal tem um craque jogando ao lado de 10 operários. No futebol moderno, poucos times podem se dar ao luxo de ter um craque, o que já representa uma tremenda vantagem para os lusos. Essa combinação funciona contra times medianos, mas geralmente sucumbe contra pesos-pesados.
E não poderia um adversário mais complicado para Portugal de um homem só do que a Alemanha e seus jovens craques. Ozil, Lahm, Kroos, Gotze e Khedira fizeram o trabalho necessário para que Thomas Müller pudesse brilhar no ataque. E brilhou à sua maneira, sem grandes mesuras ou dribles desnecessários.
Müller é o atacante moderno por excelência. Não perde tempo mostrando habilidade, apenas executa fundamentos básicos. Passa muito bem, ocupa espaços e finaliza com extrema perícia.
Jovem ainda, tem fôlego para atormentar defesas ao longo dos 90 minutos. Graças a ele, a tarefa alemã diante de Portugal foi bastante facilidade. Pouco vigiado, recebeu bolas preciosas dentro e fora da área.
Quando o placar chegou a 2 a 0 foi a vez de brotar a conhecida truculência de Pepe, um dos piores beques do mundo que adquiriu status de intocável em Portugal. Violento, chegou a ser advertido pelo árbitro momentos antes de enfiar a mão na cara de Müller.
Sua expulsão abriu um buraco ainda maior no setor defensivo de Portugal e o terceiro gol, também de Müller, aconteceu ainda no primeiro tempo.
A segunda metade do jogo foi quase um treino de luxo para os alemães, que se esmeraram em desperdiçar contra-ataques e passaram a maior parte do tempo tocando bola no meio. As tentativas lusitanas, puxadas por Nanny e Coentrão, resultavam em chutes perdidos e na base do desespero. Rui Patrício ainda daria um presentaço em rebote que Müller mandou para as redes.
Cristiano Ronaldo, cuja presença foi notada apenas nos instantes iniciais e em cobrança de falta na etapa final, afundou junto com seus coadjuvantes. O melhor do mundo passou longe de Salvador ontem. E, para que Portugal tivesse chances reais diante da forte e sólida Alemanha, ele precisaria apresentar um rendimento acima da média.
Como a Holanda, a Alemanha exibiu de cara suas credenciais. É favorita séria ao título, como sempre.
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A caminho do grande recorde
Grande destaque do time alemão, Müller alcançou a marca de oito gols em sete partidas de Copas do Mundo. É um feito que o coloca entre os candidatos naturais a superar o recorde de Ronaldo Fenômeno – 15 gols.
Os próprios companheiros de seleção dizem que ele tem tudo para repetir a façanha de seu compatriota Gerd Müller, que sustentou durante 32 anos a liderança na artilharia do Mundial.
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Muro baixo desafia o padrão Fifa 
O Comitê Organizador da Copa enfrentou um problema inesperado. Justamente no estádio considerado mais bem policiado de todas as sedes, o Maracanã, um grupo de torcedores quase conseguiu se instalar nas cadeiras sem ter ingresso, no jogo Argentina x Bósnia.
Todos conseguiram o muro externo e chegaram a uma das entradas, mas foram contidos na triagem. Nove foram detidos e encaminhados à Polícia.
O resultado imediato da audácia é que a fiscalização vai ficar ainda mais rigorosa para os portadores de ingressos em todos os estádios.


(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 17)

Hermanos tomam posse do Maraca na estreia

Por Gerson Nogueira
Por um desses caprichos bestas da Fifa, a Seleção Brasileira só poderá pisar no gramado sagrado do Maracanã na final da Copa, caso tudo dê certo até lá. Quem acabou presenteada com o privilégio de jogar no lendário estádio foi justamente a rival Argentina. Arquibancadas lotada de hermanos, que entoam os cânticos de guerra que costumeiramente são ouvidos na Bombonera. É como se uma parte do território nacional estivesse ocupado pelos vizinhos. Sensação meio esquisita.
Para piorar, logo aos 2 minutos, o desajeitado Kolasinac botou a bola nas redes da Bósnia. O Maracanã explodiu. E a euforia era em espanhol, gritos logo secundados pela blasfêmia de que Maradona é melhor que Pelé.
A torcida brasileira, sem ter por quem torcer já que a Bósnia é a Bósnia, passou a vaiar os argentinos e a cantar nossos hinos do futebol. Mas o desânimo era evidente. A Argentina jogava com autoridade, mas sem brilho, girando muito a bola com Maxi Rodriguez e Di Maria. Messi quase não se fez notar.
No primeiro tempo, com a tranquilidade da vitória parcial, os argentinos ficaram administrando o jogo, sem pressa. A Bósnia tentava sair de trás, mas ia ao ataque não produzia nada. Seus jogadores pareciam pouco confiantes, ainda atordoados pelo gol que mudou os planos de jogar no contra-ataque. No final, uma meia pressão rendeu duas boas situações contra a meta do goleiro Romero.
O segundo tempo começou com Higuaín e Gago, substituindo a Campagnaro e Rodriguez. Com isso, apesar da pressão da Bósnia, Messi passou a ter companhia do meio para a frente. Aí começou a mostrar seu repertório, vindo buscar a bola junto à linha média. E num desses momentos tabelou com Higuaín e recebeu junto à grande área, arrematando fora do alcance do goleiro, aos 19 minutos.
Com 2 a 0 contra, a Bósnia ficou sem saber o que fazer. Se marcava Messi 7 cia. ou se partia para a reação. Quando finalmente se decidiu já era muito tarde. O gol veio aos 40 minutos. Por alguns instantes, a Argentina se mostrou nervosa, mas o time bósnio não tinha pernas nem tutano para fazer muita coisa.
Estreia pouco impressionante, mas vitoriosa de um dos favoritos ao título dentro de um grupo extremamente garapa. Messi, Aguero e Di Maria devem desfilar ainda mais tranquilos nos próximos jogos. E é importante não esquecer o fator torcida. Os argentinos invadiram o Brasil e, como são normalmente folgados, estão se sentindo em casa.
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Os números confirmam: 
é mesmo a Copa das Copas
A média de gols é superior a 3,40, nenhuma partida terminou empatada até agora, depois de 11 jogos disputados – um recorde que se mantinha há 80 anos. Público total de 571.788, com média de 51.981 pagantes. Os estádios encantam a todos pela beleza e o público se mostra animado e vibrante, até em jogos entre seleções de segundo escalão. Nenhum incidente grave na parte de segurança, apesar da insistência dos mascarados sem noção.
Diante disso, o que estarão pensando os detratores da Copa?
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Uma zebra encanta Fortaleza 
A maior das zebras desta Copa aconteceu aqui em Fortaleza, no sábado à tarde. Uruguai e Costa Rica fariam um daqueles jogos entre um time tradicional e um mero figurante. Com a bola rolando, esses conceitos se embaralharam e os costarriquenhos acabaram levando a melhor, para surpresa geral. Com bolas aéreas e velocidade nos contra-ataques, Costa Rica surpreendeu a Celeste.
O gol de pênalti, marcado por Cavani, não deu aos uruguaios a tranquilidade para se impor no jogo. O meio-de-campo não funcionava, os passes saíam errados e os atacantes permaneciam isolados. Do outro lado, um time aguerrido, bem fechado, que só saía quando a situação permitia. O primeiro gol foi meio acidental, mas depois o time costarriquenho ganhou confiança, com endosso da torcida presente à Arena Castelão. No segundo tempo, veio a virada e o terceiro gol nasceu quando o Uruguai mais insistia em busca do empate.

O mau passo da Celeste num grupo complicado, seguramente o mais difícil da Copa, criou uma situação curiosa. A despretensiosa Costa Rica é líder, à frente de três campeões do mundo. Pode perder essa condição na próxima rodada, mas já perpetrou uma autêntica façanha.
Já o Uruguai, que perdeu três pontos irrecuperáveis, precisa de duas vitórias, contra Itália e Inglaterra, para permanecer na competição. Pau puro.
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Um clássico em solo amazonense
O palco é dos mais bonitos do Mundial. Pode-se dizer tudo, inclusive que vai virar um tremendo boibódromo no futuro, mas a Arena Amazônia é um monumento ao futebol. Quis o destino que um dos melhores jogos desta primeira fase acontecesse justamente lá. A Itália de Pirlo, sem Buffon, contra a Inglaterra de Rooney. Deu Azzurra. E o triunfo veio simplesmente porque os italianos souberam explorar o que têm de mais forte: o meio-de-campo coeso e as alas bem treinadas. Foi com esses dois trunfos que o time de Prandelli superou a juventude dos súditos da Rainha.
No primeiro tempo, apesar do calor, o jogo foi lá e cá. A Itália abriu o placar em deixadinha de Pirlo para o arremate preciso de Marchisio. Instantes depois, depois de receber lançamento longo, Rooney cruzou na medida para a finalização de Sturridge. O segundo tempo foi de Balotelli, que botou bola na trave e quase marcou um golaço por cobertura. A vitória foi definida por ele, arrematando de cabeça um cruzamento perfeito vindo da direita.
Os grandes nomes da Itália se apresentaram. Os ingleses, Gerhard principalmente, se omitiram.
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Futebol adere à revolução tecnológica
Porto Alegre foi palco ontem de um acontecimento histórico em Copas e no próprio futebol. No jogo França x Honduras, pela primeira vez um lance foi validado por uma engenhoca eletrônica. O lance da bola chutada por Benzema que bateu na trave e foi agarrada pelo goleiro Valadares junto à linha falta. O trio de arbitragem teria considerado o lance legal, mas a tecnologia revelou que a bola transpôs a linha. Gol francês. Exatos 48 anos depois do gol que deu à Inglaterra vantagem sobre a Alemanha na final da Copa, o olhar eletrônico entra em cena para ajudar a arbitragem e fulminar as polêmicas.  

A França venceu por 3 a 0, mas o jogo acabou virando notícia secundária. Mas cabe dizer que a voluntariosa França de Benzema e Valbuena correu muito e levou mais de 30 minutos para chegar ao gol, em pênalti cobrado pelo goleador. Até esse momento, Honduras se segurava com 10 homens atrás e poucas tentativas de ataque. Inferiorizado no placar e sem um jogador, expulso pela falta no penal, o time enfraqueceu ainda mais. Aconteceram mais dois gols, mas a goleada poderia ter sido bem mais folgada.
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E a Suíça aprendeu a atacar
No começo da tarde de domingo, em Brasília, a Suíça perpetrou uma virada espetacular sobre o Equador. Saiu em desvantagem no primeiro tempo, mas equilibrou o jogo no segundo tempo, à base de passes bem coordenados e – surpresa! – velocidade. Esperava-se que os equatorianos levassem a melhor na força e no preparo físico. Ledo engano. Os suíços, que já tiveram a defesa mais forte do mundo, mostraram que sabem buscar o ataque.
Com até quatro homens na frente, superou o Equador e rondou a área até empatar. Quando tudo indicava que aconteceria no Mané Garrincha o primeiro empate desta Copa, eis que um contra-ataque nascido na área suíça resultou no gol da vitória, aos 47 minutos. Confesso que nunca havia visto uma Suíça tão determinada em buscar o gol.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 16)