O passado é uma parada…

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Imagem do centro comercial de Belém no começo dos anos 50. Em primeiro plano, a sapataria Carrapatoso, que existe até hoje, na rua João Alfredo. (via Nostalgia Belém) 

Castigo ou maldição da amarelinha?

Por Gerson Nogueira
Foi bonito e grandioso. No Maraca lotado, o Chile conseguiu um feito histórico, eliminou a campeã Espanha e garantiu presença nas oitavas de final. Acima de tudo, porém, chamou atenção a apagada atuação do atacante Diego Costa, que esnobou convocação da Seleção Brasileira para abraçar a causa espanhola, alegando que tinha sido bem tratado lá. Está há poucos anos residindo e jogando no país, mas já se considera um autêntico nativo. Tão enturmado está que até já concede entrevistas com sotaque madrilenho. Desconfio dessas paixões instantâneas, na vida ou no futebol.
O torcedor, em sua sabedoria, não perdoou Diego Costa. Depois da decisão da Champions League, tratou com métodos pouco ortodoxos uma lesão muscular grave. Sua participação no Mundial esteve ameaçada até a última semana antes da viagem para o Brasil, mas acabou se confirmando.
Daí a Onde ele se apresentou nesta Copa foi ruidosamente apupado sempre que tocou na bola. Aconteceu isso na estreia diante da Holanda e ontem a situação se repetiu. Em função da vaia e da inconsistência criativa do meio-de-campo de sua seleção, o artilheiro do Atlético de Madri não conseguiu brilhar. A rigor, só apareceu no lance do pênalti cavado contra os holandeses. E ficou nisso.
Penso que determinados castigos impostos pelos deuses do futebol, por mais cruéis que sejam, têm sempre várias causas. Não se pode dizer que Costa está na raiz do infortúnio espanhol, mas é justo afirmar que ele foi parte dos muitos problemas de Vicente Del Bosque. Como não tinha goleadores à sua disposição, o técnico e a federação espanhola fizeram um grande esforço para contar com o artilheiro brasileiro. Jornais espanhóis não fizeram segredo sobre os estímulos extras oferecidos ao atleta.
Quando um brasileiro naturalizado sem chances na Seleção é chamado para defender outro país, não há qualquer tipo de reação do torcedor. Todos compreendem a opção feita, inclusive do ponto de vista da carreira. Mas quando, como no caso de Costa, o jogador recusa uma convocação para defender a bandeira de seu país a história muda de figura. A definição de mercenário, quase em desuso no futebol globalizado de hoje, se aplica perfeitamente a esse caso.
Antes dele, um outro atacante também deixou a Seleção de lado para honrar outra camisa. Eram outros tempos, mas Altaffini Mazzola foi muito criticado quando optou pela Azzurra, em 1958. Ele, porém, tinha um argumento bastante forte: era italiano de origem. Costa é nordestino, sem qualquer vínculo com a Espanha.
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Técnicos não sabem assimilar tropeços
Depois do frustrante empate com o México, em Fortaleza, Felipão retomou a persona azeda e respondeu com rispidez algumas perguntas a ele dirigidas pelos repórteres. Lembrou a triste figura de Zagallo, que era uma simpatia depois das vitórias e mal-educado nos tropeços. Para justificar o mau passo da Seleção, o técnico apelou para o velho truque de valorizar o potencial do adversário. Encheu a bola dos mexicanos, como se de repente o time de Peralta e Guardado tivesse virado um real candidato ao título mundial.
É claro que Felipão sabe das limitações do time que parou a Seleção, mas nada é mais embaraçoso do que admitir a incapacidade de superar um oponente limitado. Daí os resmungos e a dificuldade em reconhecer que o Brasil involuiu em relação à partida contra a Croácia. Naquela ocasião, o time teve mais iniciativa e entusiasmo, foi agressivo quando necessário, apesar dos percalços. Diante do México, reinou a apatia. Neymar concentrou as jogadas, enquanto seus companheiros pareciam esperar que ele resolvesse a parada.
Ninguém ganha Copa do Mundo concentrando tudo nos pés e na cabeça de um jogador. Torneios curtos permitem façanhas inimagináveis, mas raras vezes uma seleção foi campeã dependendo de tão poucas opções criativas.
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Maior destaque individual vem da Holanda
Van Persie é um dos grandes atacantes do futebol mundial há pelo menos seis anos. Une força e técnica, oportunismo e habilidade. Parece que deixou para mostrar todo o seu repertório nesta Copa. Sorte dos que amam este jogo. Logo no primeiro jogo fez um dos gols mais bonitos do torneio ao voar para um cabeceio contra o arco de Casillas. Ontem, diante da Austrália, em momentos difíceis da partida, voltou a brilhar intensamente. Marcou gols decisivos, revelando a facilidade para jogar sob pressão. Foi fundamental para a virada holandesa em Porto Alegre.
Ao lado de Robben, é uma ameaça permanente para qualquer defesa. Alto, sabe cabecear muito bem. Inteligente, desloca-se por todos os lados da área e quase sempre surpreende os defensores. Anda jogando tão bem que lembra até a perícia de Dennis Bergkamp, outro cracaço da Laranja Mecânica.
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Invasões desafiam o padrão Fifa
Na Copa das Copas, a qualidade dos times e a alegria das torcidas têm superado todos os problemas de infra-estrutura, mas alguns descuidos comprometem o chamado padrão Fifa de segurança. Se algumas sedes esbanjam organização, como Fortaleza e Salvador, em outras a situação beira a bagunça. O Maracanã, um dos mais bonitos estádios do Mundial, tem sido alvo frequente de invasões de torcedores sem ingressos. Aconteceu no jogo da Argentina e se repetiu ontem antes de Espanha x Chile. Mais de 100 chilenos arrombaram portões e chegaram até a área reservada aos profissionais de imprensa.
O triste espetáculo assusta as plateias que têm lotado os estádios e passa uma péssima imagem da organização da Copa. O rigor na fiscalização de acesso, que é tão forte em relação a jornalistas e radialistas, deveria se estender a todos os que entram ou buscam entrar nas arenas.
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Empate sem gols frustra uma cidade
Fortaleza viveu um dia de ressaca ontem, depois de ter abrigado milhares de visitantes, mexicanos e brasileiros de outros Estados. Todo o entusiasmo das torcidas nos dias que antecederam o jogo arrefeceu com o empate sem gols. Taxistas e garçons eram os que mais lamentavam a súbita mudança de ânimo, pois apostavam alto na euforia dos vencedores para obter um bom faturamento. Apesar dos pesares, as pessoas seguem confiantes no Brasil e as bandeiras nas ruas atestam esse sentimento. E, dependendo da caminhada da Seleção, a arejada capital cearense voltará a ser palco de um grande jogo do escrete nas quartas-de-final.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 19)

Seleção prefere assistir a Copa pela Band

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Na noite do último sábado, segundo informação da revista Veja, os atletas da Seleção Brasileira assistiram ao clássico entre Itália e Inglaterra pela Band, na concentração na Granja Comary. A imagem da reunião foi postada no Instagram oficial da CBF. A partida também estava sendo transmitida pela TV Globo. A escolha dos atletas de não assistir à partida pela emissora carioca foi vista com espanto por alguns seguidores. Durante esta Copa do Mundo, a TV Globo realizou várias entrevistas exclusivas com os atletas. O apresentador Luciano Huck chegou a invadir um treino na Granja Comary em uma gravação de seu programa. Na segunda-feira, o apresentador José Luiz Datena, do programa “Brasil Urgente” resolveu agradecer a audiência dos comandados de Felipão.

A primeira grande mancada da Copa

Do Portal Comunique-se

Os jornais O Globo e Folha de S. Paulo foram responsáveis pela publicação de uma ‘barriga’ na noite dessa quarta-feira, 18. Isso porque as versões digitais de ambos os veículos de comunicação deram espaço para o texto produzido por Mario Sergio Conti. Colunista dos dois diários, o jornalista assinou uma suposta entrevista com o treinador da seleção brasileira de futebol, Luiz Felipe Scolari. A “conversa” ganhou destaque, até se descobrir que o profissional tinha confundido Felipão com um sósia.

sosia-felipao-mario-sergio-contiAo iniciar o texto em que apresentava a “entrevista”, Conti, que também é apresentador na Globonews, afirmou que o comandante do selecionado que luta pelo hexacampeonato mundial estaria “um tanto apreensivo com o céu carregado”, mas que “respondeu de bom grado tudo que lhe foi perguntado”. A “exclusiva” com Felipão aconteceu no avião, durante o voo, que de acordo com o jornalista, levou a delegação brasileira do Rio de Janeiro para São Paulo. Na matéria, retirada do ar por Folha e O Globo (mas que pode ser lida graças ao serviço de arquivo do Google), há detalhes até sobre a poltrona que teria sido usada pelo treinador: a 25E.

Estaria tudo certo com o texto publicado às 21h19, que trouxe declarações de Felipão elogiando Neymar, os aeroportos brasileiros e, em certa medida, tecendo críticas ao próprio time. O problema é que no início da madrugada desta sexta-feira, 19, os dois jornais descobriram que o colunista cometeu, na verdade, uma gafe. Conti não tinha falado com o treinador da seleção brasileira, mas com um sósia, que inclusive entregou ao jornalista o cartão de visitas com as seguintes informações: “Vladimir Palomo – Sósia de Felipão – Eventos”.

Com a ‘barriga’ revelada, O Globo e Folha publicaram, novamente, o mesmo texto relacionado a Conti, mas dessa vez para deixar seus leitores a par do equívoco cometido. Na chamada do “erramos”, o jornal do Grupo Folha preferiu destacar que o colunista foi “vítima de trote” (apesar de, aparentemente, o sósia não ter se passado pelo Scolari original para ludibriar o entrevistador). “Felipão não estava em um voo do Rio para São Paulo. Ele passou o dia em Fortaleza”, descobriram as duas publicações. “Mario Sergio Conti pede desculpas a Scolari, a Palomo e aos leitores pela confusão”.

Atualização em 19/6/2014, às 20h33 = Em entrevista à versão online do jornal gaúcho Zero Hora, Conti falou, publicamente, pela primeira vez sobre a “entrevista”. Em matéria assinada por Cleidi Pereira e Isadora Neumann, a confissão do erro. “Pensei realmente que era o Scolari. Nunca estive com Felipão. Sequer vi entrevistas dele na televisão; só nas partidas, ao lado do campo. Achei todas as respostas dele sensatas”, afirmou o jornalista, que pediu desculpas mais uma vez. “Perdão pela confusão. Felizmente, ela não prejudica ninguém. Não afetará a Bolsa, a Copa ou as eleições”.